Lagrimas de uma paixão
3 Decepições u.u
Notas iniciais
( Annabel )
*
Levantei-me e fui para o banheiro, escovei os dentes e tomei um banho. O dia estava nublado, vesti um moletom cinza e um shortinho de flanela. O relógio marcava 11:30 meu irmão preparava o almoço e o apartamento estava bem arrumado, obviamente iríamos receber visitas.
– Ate que enfim a bela adormecida acordo – resmungo meu irmão, pois é nada de “bom dia! como dormiu?” – meu Deus que roupa é essa? Daqui a pouco iremos receber visitas – eu não disse nada apenas voltei para meu quarto – se vista bem!!
Abri meu armário de roupas, peguei uma saia de pregas quadriculada azul-claro, uma blusa de manga branca, nos pés coloquei meu All Star, me sentei em frente a penteadeira onde havia um grande espelho rodeado de lâmpadas, fiz uma maquiagem básica, delineei meus olhos verdes de preto, e um pouco de pó nos lábios e no rosto. Apanhei a minha toca na cama e a coloquei na cabeça de forma que minha franja ficasse caiando no rosto.
Então depois desse tempo voltei para a cozinha.
– Nossa você tá linda Anny – meu irmão arregalou os olhos – Vocês não concordam? – ele olhou para trás de mim.
– Amiga! – Bella me abraçou por trás – Você ta linda!
– Essa toca é igual a minha – eu reconhecia aquela voz de algum canto.
Olhei para trás apreensiva. Vi aquele garoto lindo sentado à mesa, como eu não havia o visto antes? Ele estava lindo, tinha os olhos levemente delineados de preto, vestia uma blusa vermelha e como na noite anterior a franja caia sobre o rosto.
– Ai que belo elogio você fez a ela – Bella resmungava – Annabel esse e o idiota do meu cunhado. Eduardo Santori – ele empurrou de leve o garoto.
– Eu sei quem ele é – sorri – Ele me trouxe pra casa ontem...
–Como é que é? – irritou-se Andy – Um garoto te trouxe pra casa? – era meu irmão mais velho fazendo o que irmãos mais velhos fazem.
– Já era tarde – murmurei – Relaxa ai! Ele só me trouxe pra casa, porra, não houve nada de mais – comecei a irritar-me – Lembra a ultima vez que eu voltei sozinha pra casa e quase me mataram? Isso tudo por quê? Porque você ficou dando em cima da puta da garçonete do bar ! – gritei – Então fica de boca fechada!!!
– Nossa... okay – ele ficou surpreso
Odiava quando ele fazia isso, tentando bancar o irmão mais velho, isso era muito irritante, anda mais quando ele dava esse showzinho na frente dos amigos. Isso tudo pra que meu Deus? Ah é pra provar que tinha moral em cima de mim.
– Amor! – uma voz nojentinha e fresca fez meus olhos faiscarem- Desculpa acordar tarde... a noite foi agitada – ela sorriu maliciosa
– Sua vadia!- gritei – O que faz aqui?
– Eu a convidei – Andrew a defendeu – ontem a noite... eu não sabia se você voltaria para casa...
– Posso ver como se preocupou comigo querido irmãozinho – falei irônica – Estou decepcionada com você.
Corri para meu quarto, entrei no mesmo e fui para o banheiro e tranquei a porta. Sentei-me no chão e comecei a chorar, olhei para o chão e vi aquele envelopinho amarelo, abri o mesmo e tirei de dentro um objeto metálico cortante. Fiquei encarando tentando tomar uma decisão olhei para minhas pernas esticadas sobre o piso branco.
– Isso e tudo sua culpa Andy – choraminguei
Pressionei a lamina sobre a coxa direita e arrastei fazendo um corte. Fiquei parada observando o liquido vermelho minar do corte e escorregar pela lateral da coxa e ir ate o chão. Continuei a fazer cortes , ora na perna direita ora na esquerda. O chão ao meu redor estava se formando em uma possa de sangue, então as lágrimas começaram a cair de meus olhos e comecei a alto flagelação no pulso esquerdo, o liquido vermelho sai sem parar obviamente eu havia atingido inúmeras veias, um ultimo corte fundo o bastante para eu gritar de dor e eu larguei a lamina no chão. Fiquei olhando o sangue escorrer de meu pulso e minhas pernas. Comecei a me sentir tonta, minha visão ficou turva e tudo ficou preto e eu mergulhei na penumbra.
*
( Eduardo )
*
Ouvimos um grito, vinha da direção de onde Anny saiu correndo, todos da mesa se calaram por um minuto, Bella se levantou e gritou:
– Ela ta se cortando... Por sua culpa Andrew!
Ela saiu correndo em direção ao quarto, Andrew e eu a seguimos entramos em um quarto e vimos Bella parada em frente a uma porta.
– Ela se trancou no banheiro – ela falou apreensiva – Eu já chamei por ela...
– Abre à porta Annabel – gritei preocupado – Eu e seu irmão queremos saber se você ta bem!
– Sai da frente...
Andrew arrombo a porta. Deparamo-nos com uma cena horrível: A garota de cabelo azul estava caída no chão e ao seu redor uma poça de liquido vermelho... Sangue! Andrew parou onde estava perplexo.
Corri e tomei a garota em meus braços, a blusa antes branca agora estava da cor vermelha. Levamos Annabel para o carro e nos encaminhamos para o hospital, chegando lá rapidamente a colocaram em uma maca e a levaram para um quarto. Colocaram uma bolsa de sangue e furaram o seu braço.
– Ela ficara em observação o irmão dela estará assinando os papeis, e nós iremos repor o sangue perdido – a medica falou em um tom calmo. – Pobre Annabel... Lembro-me da primeira vez em que a vi aqui nessa cama... Tinha apenas 12 anos – o olhar da enfermeira estava distante – os pulsos estavam mutilados... Ela estava a beira da morte... – ela me encarou e deu um sorriso simpático – Ela tem muita sorte de ter um namorado gentil igual a você...
Não houve tempo para eu falar q ela não era minha namorada, a enfermeira sai do quanto.
+-+-+
Como uma pessoa podia fazer aquilo? Sim, eu me mutilava, mas não assim! Quando a peguei em meus braços, ela já não respondia, a pele estava mais pálida que o normal. Não entendo o porquê, mas sentia a necessitada de protegê-la, um medo enorme me invadiu. Eu tinha que a proteger, não iria suportar perde-la.
Okay nem eu sei o que to dizendo!
Annabel estava deitada na cama e eu estava sentado em uma poltrona de couro bege. Sentia-me cansado e estava com sono. Preferi ficar acordado, mas o cansaço fora maior, meus olhos se fecharam e eu cai na escuridão... E adormeci.
+-+-+
Senti uma mão fazendo carinho em meu rosto, e tirando minha franja do rosto.
– Meu Deus Edu- era a voz de Anny – É mais lindo ainda dormindo... não deveria ter ficado aqui comigo.
Senti seus lábios tocarem a lateral de meu rosto, obviamente estava achando que eu ainda dormia.
– Seria melhor se me beijasse quando eu estivesse acordado- abri os olhos e avi se afastar totalmente vermelha – Boa noite.
– Ah... É que... Eduardo – ela gaguejava e ficava mais vermelha – Olha... Você tava lindo dormindo, mas agora é um feio realmente irritante – ela cruzou os braços e fez bico.
Ela ainda estava um pouco pálida e os cabelos azuis estavam presos em uma trança e a franja caia no rosto. Mesmo naquela roupa de hospital ela estava linda, mas as pernas e pulso estavam enrolados em ataduras- somente onde ela havia cortado – Annabel percebeu meu olhar.
– É... Eu exagerei um pouco – ela baixou o olhar – Meu irmão também... Caralho... Ele sabe que eu odeio a vadia da garçonete.
–Entendo – respondi
– Sabe – começou ela – Andei fazendo alguns poemas desde a noite passada quer escutar um?
– Claro!
Ela pegou um caderno, e o folheou e parece ter visto algo que a interessava.
– “Ola nova vida
*
Não és primeiro amor
Mas acredite
Eu te amo!
*
Vidas jogadas no lixo
Isso valera mesmo à pena?
Eu respondo!
O amor vale à pena.
*
Por mais que doa
Por mais que o faça triste
Não desista
*
Amar é uma arte
Meu coração dói a cada dia
Mais vale a pena
Eu acredito! “Ou não haverá mais vida...”
Fiquei sem fala o poema era realmente um bom poema. Parecia ser tão profundo e vindo do coração. Ela era uma artista realmente uma poetisa, mas não via isso. Sempre via Annabel no café do meu irmão, e quando ela pintou o cabelo de azul mês passado, achei ela mais linda ainda.
Você deve esta pensando “nossa ele vigia ela desde o mês passado e só falou com ela na noite passada?” , mas minha gente não é fácil se aproximar de uma pessoa que tenta se afastar de tudo e de todos.
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