LadyLike
22 Epílogo
Notas iniciais
TREZE ANOS DEPOIS...
O dia amanhecera em diversos tons de laranja. Era outono, as ruas estavam cobertas de folhas secas, deixando Paris com aparência de mágica. Daphne sorriu, abrindo a porta de sua casa para pegar o jornal que uma coruja havia deixado em sua porta. Contudo, um vulto rápido passou correndo por ela e o pegou antes, a assustando.
– Esse bicho ainda vai me matar um dia desses! – ela resmungou, para ninguém em especial, enquanto a pequena raposa voltava pra dentro de casa com o jornal na boca, indo em direção a cozinha, onde Theodore estava.
– Ela só queria ajudar – o homem riu, pegando o objeto da boca do bicho.
– Ela tem que entender que não é um cachorro – a morena negou com a cabeça, fechando a porta e voltando para a cozinha.
Theo riu do comentário da sua mulher, enquanto acariciava o animal, que havia se jogado a seus pés.
– Tinky – Daphne chamou a elfa domestica que cuidada da casa – Vá chamar a Makayla, ou ela se atrasará.
– Sim senhora – ela se curvou exageradamente e, com isso, recebeu uma lambida da Fancet, a raposa. Estremecendo, a pequena elfa desaparatou.
– Um dia ela irá enfartar com essas demonstrações de afeto – Theodore riu, ainda lendo o jornal.
– Já estou acordada – a garotinha desceu as escadas, seus cabelos castanhos ligeiramente bagunçados e os olhos azuis sonolentos.
– Temos que nos apressar se quisermos chegar na plataforma a tempo – a mãe falou, enquanto a menina pegava um copo de suco na geladeira.
– Cinco minutos – Makayla respondeu, bocejando, enquanto se sentava ao lado do pai.
– Animada? – Theo perguntou, sorrindo para a garota.
– Em ficar presa por nove meses em um castelo com pessoas que eu nunca vi na vida? Claro – a garota respondeu, irônica.
– Você que quis ir para Hogwarts, filha – o pai suspirou.
– Eu sei – ela deu de ombros – Só estou comentando.
Daphne bufou, revirando os olhos, sabia que a menina preferia ir para Beauxbatons junto com a filha de seu primo e o filho de Graziella, mas como o pai havia dito que queria que ela estudasse em Hogwarts, ela havia prontamente aceitado.
– Você é igual seu pai – ela murmurou para a garota, que a lançou um olhar irritado.
– Onde está Izzy? – o homem perguntou a filha, estranhando o fato da ave não ter descido com ela, como era de costume.
Assim que ele terminou de falar, o fiuum* verde voou até o ombro de Makayla, abrindo o bico como se quisesse falar algo mas que, devido ao feitiço silenciador que foram obrigados a colocar nela, não pode ser ouvido.
– Ela não está muito feliz com isso, não entendo qual a necessidade, Izzy nunca cantaria sem que eu permitisse, ao menos não para enlouquecer alguém – a garota bufou, acariciando seu animal de estimação.
– Ordens do Ministério, Kay – Theodore explicou – Deixe ela assim ao menos esse mês, depois não renovamos o feitiço silenciador.
– Tudo bem – a menina murmurou, terminando de tomar seu suco e se levantando da mesa, fazendo com que a ave voasse até a cadeira mais próxima, se empoleirando nela.
– Ela é tão... obediente – Daphne falou assim que a filha saiu – Não que eu esteja reclamando, mas ela aceita tudo o que falamos!
– Você apenas não aceita que ela não seja igual a você, princesinha revoltada – o marido riu, se levantando e abraçando a esposa.
– Talvez – ela concordou, rindo um pouco e se aconchegando nos braços do moreno – Como ela cresceu rápido...
FLASHBACK ON (DOZE ANOS ATRÁS)
– Nott – Daphne chamou o namorado, que estava jogando videogame com Daniel na sala – Precisamos conversar...
– Vish... Deu merda – o primo da mulher falou, pausando o jogo, enquanto o amigo se levantava, olhando confuso para ela.
– O que aconteceu? – ele se aproximou, notando a expressão tensa da morena.
Daphne o puxou em direção as escadas, só largando sua mão quando chegaram em seu quarto.
– Senta... – ela empurrou o homem para a cama, enquanto andava de um lado para o outro.
– Você está me assustando, Greengrass – ele murmurou.
– Não sou mais Greengrass – ela rebateu, revirando os olhos – Mas não é esse o ponto...
– Então qual é?
– Há semanas eu venho suspeitando disso, ela nunca tinha atrasado... Fora o enjoo e as oscilações de humor...
– Do que você está falando, Daphne? – o namorado perguntou, sem conseguir entender direito o que ela dizia.
– Graziella insistiu que eu fizesse o feitiço logo, mas eu não queria... – ela suspirou, parando de andar e olhando fixamente para o moreno – Eu estou grávida, Nott.
Theodore arregalou os olhos, abrindo a boca sem, contudo, nenhum som sair por ela. Ele se levantou da cama, passando a mão pelos cabelos, com a expressão perdida.
– Fala alguma coisa, por favor – Daph choramingou, os olhos marejados.
– Eu... – Theo balbuciou, se aproximando da mulher.
– Eu não sei como isso aconteceu, devo ter esquecido de tomar a poção ou ter preparado errado, não lembro... Mas eu não vou tirar, Theodore.
– O que?? – o homem pareceu finalmente acordar – É claro que não vai tirar, Daphne! É meu filho!
– Você quer? – ela perguntou, confusa.
– Óbvio que sim! Claro que não esperava que fosse acontecer agora, mas isso não importa – ele a pegou pelos ombros, sacudindo-a levemente – Nós vamos ter um bebê, Daphne... Isso é incrível.
– Eu estava com tanto medo... – a mulher abraçou o namorado, fungando – Droga de hormônios, eu não sou assim...
– Ei, relaxa – Theodore murmurou, acariciando seus cabelos – Vai ficar tudo bem.
– O que nós vamos fazer? – ela perguntou, olhando para ele.
– O certo – Nott sorriu – Vamos nos casar.
Daphne arregalou os olhos, se afastando um pouco.
– Não quero que você se sinta obrigado a se casar comigo por isso – ela falou, parecendo magoada.
– Não seja idiota, Greengrass – ele a puxou de volta – E eu sei que você não tem mais esse sobrenome – o moreno interrompeu a tentativa dela de reclamar novamente – Mas em breve terá um novo.
– Eu disse...
– Não me casarei com você por obrigação, Daphne – Theo negou com a cabeça – Na verdade...
O homem, com um aceno de sua varinha, trouxe uma pequena caixinha até eles.
– Eu estava esperando o momento certo para fazer isso, parece que ele chegou – Nott sorriu, se ajoelhando em frente a morena, que havia arregalado ainda mais os olhos, se é que era possível – Daphne não-mais-Greengrass, aceita se casar comigo?
FLASHBACK OFF
– Do que está rindo, senhora Nott? – Theodore perguntou.
– Estou lembrando de quando contei que estava grávida...
– Foi uma surpresa e tanto! – ele riu também.
– Eu que o diga – ela rebateu, olhando para a aliança em seu dedo.
– Vocês podem continuar essa melação depois? – Makayla revirou os olhos, fitando os pais – Não quero perder o trem logo no meu primeiro ano.
Os pais da garota riram, se desvencilhando e caminhando em direção a porta. Theodore pegou o malão da filha enquanto a mesma carregava a gaiola com Izzy, que não parecia nada satisfeita por estar presa.
– Fancet, fica – Daphne murmurou para a raposa, que já ia para fora junto com eles.
O animal soltou um ruído baixo, parecendo chateada e voltou para dentro da casa.
– Todos prontos? – o homem perguntou e, vendo que as duas assentiram, segurou a mão de sua filha, que estava de mãos dadas com a mãe e, juntos, aparataram para a plataforma 9 ¾.
A densa fumaça da locomotiva era a única coisa que se podia notar assim que eles chegaram. Vultos indistintos passavam por todo lado, mas eles não conseguiam ver mais que um metro a frente.
– É sempre assim? – Daphne perguntou ao marido, tossindo um pouco.
– Geralmente – ele sorriu.
– Ai, olha por onde anda, imbecil – Makayla gritou, irritada, quando um garoto tropeçou e quase caiu em cima dela.
– Uh, que agressiva – o moreno murmurou, levantando os braços em rendição – Sou Fred Weasley II.
– Como se eu me importasse – ela lhe lançou um olhar gélido, enquanto examinava Izzy, que parecia piar inconformada dentro da gaiola, apesar de não ser ouvida.
– Não vai me dizer seu nome? – ele insistiu, olhando curioso para a menina.
– Não – ela sorriu irônica, contornando-o e seguindo seus pais que estavam mais à frente.
– Eu vou acabar descobrindo – o garoto de olhos verdes falou, rindo.
– Se depender de mim, nem tão cedo – a garota rebateu e, antes que ele replicasse, um garoto de cabelos bagunçados apareceu, arrastando ele dali dizendo algo sobre um Teddy e uma Victoire estarem se beijando.
– Daphne? – uma voz que a muito tempo a morena não ouvia a chamou, parecendo surpresa.
– Astoria – ela se virou, olhando para a irmã mais nova, que não via a treze anos.
– Não esperava vê-la aqui – a senhora Malfoy murmurou, meio desconcertada.
– Também tinha a mesma esperança – Daphne sorriu ironicamente.
– Já se passaram tantos anos, você ainda guarda rancor? – a mais nova sorriu tristemente – Sei que não foi certo o que mamãe fez com você, o que eu fiz... Mas ela já se foi, e somos pessoas diferentes agora, Daphne. Eu nunca mais tive notícias suas, nem sabia se ainda estava viva...
– Quem é essa? – Makayla perguntou a sua mãe, olhando intrigada para a mulher.
– Sou Astoria Malfoy, irmã da sua mãe – ela respondeu, sorrindo para a pequena e lhe oferecendo a mão.
– Não sabia que ela tinha uma irmã – a menina olhou confusa para seus pais.
– Tivemos um passado conturbado, mas espero que possamos consertar isso – Astoria sorriu verdadeiramente, olhando para Daphne – Primeiro ano em Hogwarts? – a menina assentiu – Meu filho começa essa ano também, quem sabe vocês não possam ser amigos?
Naquele momento Draco chegou com seu filho, Scorpius, que olhava curioso para a garota.
– Scorpius, essa é sua prima – a mulher apresentou – Qual o seu nome, querida?
– Makayla... Makayla Nott.
– Isso é um Fiuum? – Scorpius perguntou, apontando para a gaiola.
– É sim, o nome dela é Izzy...
Os dois engataram em uma conversa animada sobre animais exóticos, ignorando os adultos.
– Se eles podem se dar bem, talvez possamos também – Astie murmurou, olhando para a irmã – Podemos recomeçar...
– Talvez – Daphne suspirou, olhando para a filha que interagia animadamente com o primo – Mas não prometo nada.
– Já é o suficiente para mim – a mais nova sorriu.
*Fiuum — Ave africana com a plumagem extremamente colorida; pode ser laranja, rosa, verde-clara ou amarela. Há muitos anos o fiuum fornece penas para canetas de luxo bem como põe ovos com desenhos em cores vivas. A princípio prazeroso, o canto desta ave acaba levando quem o escuta à loucura, por isso ela é vendida com um Feitiço Silenciador que exige um reforço mensal. Seus donos precisam tirar uma licença para tê-la pois a ave deve ser cuidada com responsabilidade. Se alimenta de grãos.
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