LadyLike
21 Chapter Twenty
Notas iniciais
Ainda dia 20
– Pronta? — Theodore perguntou, oferecendo sua mão.
– Como nunca — sorri debochadamente, ajeitando minha jaqueta de couro.
– Sua mãe vai querer te matar — ele riu, balançando a cabeça.
– Não será a primeira vez... Ainda bem q tenho meu salvador — pisquei pra ele, rindo.
– Você está diferente — ele comentou, arqueando uma de suas sobrancelhas.
– Finalmente aceitei algo que já havia percebido a tempos — dei de ombros — eles não são minha família de verdade. Família é quem se importa, cuida, ama de verdade...
– E você está tranquilo com isso? — ele falou, confuso.
– Eu só não queria admitir para mim mesma, mas agora que fiz, me sinto mais leve... Agora vamos, quero terminar logo tudo isso.
– O que você vai fazer, princesinha revoltada? — perguntou divertido.
– Deixar de ser uma princesa e me tornar a rainha da minha própria vida.
– Devo me preocupar?
– Só em achar um novo apelido para me irritar — eu ri.
– Posso conviver com isso — ele sorriu, abrindo a porta para eu passar.
– Que comece o show então — murmurei, pegando sua mão e aparatando até o aeroporto onde pegaríamos um avião, como se fôssemos trouxas... Ou quase.
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– Vamos chegar atrasados — Nott resmungou quando entramos no avião.
– Não havia outro jeito, não quero que minha mãe consiga nos rastrear — eu expliquei, revirando os olhos — Quanto mais tarde melhor, menos tempo lá.
– O que aconteceu com toda a animação? — ele comentou, divertido.
– Ainda está comigo, acredite... Só que as coisas talvez possam ficar um pouco feias — sorri maliciosamente.
– Esse sorriso me faz pensar em várias coisas — ele arqueou uma das sobrancelhas, me olhando.
– Sai dessa, Nott — eu ri, balançando a cabeça.
– E se eu não quiser? — ele se aproximou, olhando para meus lábios fixamente.
– Então irá se desapontar — me desviei, gargalhando de sua cara surpresa.
– Qual é, Daphne! Pensei que já tínhamos passado dessa fase — ele bufou, se endireitando em seu lugar.
– E passamos — ri — Mas sempre será divertido te irritar, baby.
– Você é impossível — ele murmurou, balançando a cabeça.
– E você gosta — devolvi, me aproximando dele e depositando um beijo no canto de sua boca.
– Adoro — ele sorriu maroto, me puxando para mais perto e tomando meus lábios para si.
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Aparatamos na porta da mansão dos Greengrass, que estavam enfeitiçados para só abrirem para os convidados do casamento. Tradicionalmente, a cerimônia ocorreria na casa do noivo, mas por ter sido a sede dos antigos Comensais da Morte, meus pais convenceram aos Malfoys de que não seria um bom lugar para uma ocasião como essa.
– Pronta? — Theodore me perguntou, olhando para o caminho iluminado por velas enfeitiçadas na cor prata, enquanto as chamas eram verdes, típico.
– Como nunca — sorri, pegando sua mão e entrando na propriedade da minha família.
A cerimônia ocorreria no grande salão de festas dos Greengrass, que era maior que o Salão Principal de Beauxbatons e quase do tamanho do de Hogwarts, segundo minha irmã havia contado com desgosto, pois achava pequeno demais para seu tão esperado casamento.
O mesmo já havia começado, portanto quando cheguei na porta da mansão, não havia ninguém mais recepcionando os convidados. Melhor para mim.
O hall estava completamente transformado, com diversas flores brancas que desabrochavam ainda mais quando alguém se aproximado, exalando um perfume suave e várias esculturas de gelo de, claro, serpentes que sibilavam quando passávamos por elas.
– Que comece o show — sorri maliciosamente assim que paramos nas grandes portas do salão.
– Então — escutei uma voz magicamente amplificada falar, provavelmente quem estava realizando a cerimônia — eu os declaro uni...
Com um simples aceno da varinha eu havia aberto as portas, propositalmente, de modo bem audível, o que havia chamado atenção de todos os convidados e interrompido a fala do velho senhor.
– Não acredito que vocês não iriam me esperar para o casamento. Que falta de consideração com um membro da família... — fingi indignação enquanto caminhava entre os convidados, até meus pais, os Malfoys e, obviamente, os noivos.
Todos me olhavam boquiabertos, sem reação, analisando minhas roupas trouxas, minha maquiagem pesada e claro, minha atitude.
Minha mãe de branca foi para vermelha em um instante, dando um passo furioso em minha direção.
– O que você pensa que está fazendo Daphne Greengrass?? E vestida como um trouxa imundo!
– Ora, não foi a senhora que queria tanto que eu estivesse presente no casamento, mesmo me odiando? Aqui estou eu! — sorri ironicamente.
– Não ouse falar desse jeito comigo, garota tola — ela murmurou entredentes — Não tenho tempo para seus ataques de rebeldia, você está estragando o casamento da sua irmã.
– Nada mais justo já que você estragou minha vida inteira — me aproximei dela até estarmos tão próximas que eu podia sentir sua respiração.
– Não seja estúpida — ela me olhou raiva — Sempre quis o melhor para você.
Gargalhei sonoramente, assustando novamente os convidados e fazendo com que Theodore se aproximasse de mim, colocando a mão em meu braço, como se me perguntasse se eu estava bem.
– Você nunca pensou em mim, mamãe — murmurei ironicamente — Você só se importa com a estúpida imagem de família perfeita que você insiste em mostrar para seus amigos. Por isso você me mandou para a França, porque eu não condizia com essa imagem. — sorri, balançando a cabeça — E querem saber de uma coisa? — falei mais alto, me virando para todos os convidados — Isso tudo é uma farsa! A família Greengrass não passa de nada mais do que uma mentira, sempre foi.
– Cale a boca sua vad... — minha mãe pegou sua varinha de suas vestes, apontando para mim.
– Vai lançar outra maldição imperdoável em mim? — perguntei, olhando com desdém para sua varinha — Na frente de todos? Parece que sua máscara está caindo, mamãe.
– Você passou de todos os limites, Daphne! — minha vó se levantou, vindo até onde estávamos.
– A senhora não tem o direito de se meter nisso, é igual a ela — cuspi as palavras, a olhando com desgosto.
– Ora sua... — ela lançou algum feitiço em minha direção, mas Theodore foi mais rápido e com um aceno da varinha o desviou, devolvendo para minha avó, que simplesmente caiu no chão, desmaiada.
– Theodore! — a mãe dele o olhou horrorizada, mas ele nem lhe deu atenção, se mantendo ao meu lado, com a varinha em suas mãos.
– Chega! — minha mãe gritou, olhando furiosamente para mim — Isso não tem perdão! Daphne Greengrass, você está banida dessa família, será queimada de nossa tapeçaria.
– Para eu ser banida eu teria que em algum momento ter feito parte dela, o que não foi o caso, mamãe — falei irônica — Oh, e não se preocupe com isso, eu mesmo faço...
Apontei minha varinha para a imponente tapeçaria onde estava toda a árvore genealógica da família Greengrass e, com um feitiço silencioso, a incendiei completamente.
– Ops... — arregalei os olhos, fingindo inocência enquanto todos olhavam atônicos para a peça em chamas — Parece que agora não existe uma família Greengrass...
Vi Astoria desmaiar em cima de Draco, que a pegou por reflexo, já que parecia completamente entediado, como sempre. Minha mãe havia corrido para perto da tapeçaria, tentando inutilmente conter o fogo, mas já era tarde demais... Quando o objeto não passava de cinzas, minha mãe se virou irada para mim, sua varinha empunhada.
– Avada...
– Petrificus Totalus– interrompi o feitiço, a atingindo em cheio, o que a fez ficar completamente imobilizada — Adeus, mamãe, foi um enorme desprazer conhecê-la.
Assim, dei as costas para ela e todos mais, indo em direção a saída.
Senti a presença de Theodore atrás de mim antes mesmo que ela pegasse minha mão e, sorrindo, o puxei para fora daquele lugar que eu esperava nunca mais ter que pisar novamente.
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