Lady and the Tramp
10 X – Ainda há esperança
É uma madrugada chuvosa quando ela acorda passando mal, com muito esforço ela se levanta, cambaleando pelo corredor ela chega a porta do quarto de Cora e Robert, ela bate e diz “Cora” ela espera que seja alto o suficiente para que eles ouvissem, duas tentativas depois e passado cinco minutos, a condessa abre a porta para encontrar a cunhada escorada na parede com uma expressão de dor estampada em seu rosto.
“Robert” Ela grita o marido que logo aparece ao seu lado, “Leve-a para o quarto, vou chamar o médico” o conde assente e leva a irmã com todo o cuidado para o quarto. Ela imediatamente providencia que o médico seja chamado e também sua sogra, ela imaginou que Violet gostaria de estar presente.
Horas se passam desde que levantou sentindo que algo estava errado, agora sentindo-se drenada no quarto ela tem a certeza que alguma coisa está gravemente errada. Há alguns minutos o doutor Clarkson saiu e chamou Cora e Violet, ele voltou, mas apenas com Cora, ela sabe o que o médico disse, ela não precisa se iludir pensando que as coisas ficarão bem, ela sabe que não será assim.
Enfraquecida, ela chama Cora. Os olhos cheios de lágrimas por sua vez só confirmam suas suspeitas, ela não irá sobreviver ela sabe disso. “Rosamund....” Cora começa, mas ela a interrompe enquanto ainda tem forças para falar “Cora jure que você cuidará do meu filho” Cora soluça “Eu não precisarei cuidar dele, você estará aqui” Um lampejo do que deveria ser um sorriso apareceu em seu rosto “Não vamos nos iludir Cora”, ela sente como se seu corpo estivesse sendo rasgado, “Lady Rosamund, consegui virar o bebê quando eu disser empurre, preciso que você empurre com toda a força que tiver” Rosamund resmunga “É isso que estou fazendo há horas doutor” E de repente ela sente uma enorme onda de dor, ela agarra-se a mão de Cora como se sua vida dependesse disso, “Empurre agora” Ela faz o que lhe é pedido, “Cora chame-o de Patrick, cuide dele, prometa-me” Ela se força a não gritar, Cora assente “Eu prometo Rosamund” Ela empurra com todas as suas forças, o grito que ela deixa escapar é assustador, quando ela não consegue mais ela desaba na cama, respirando com dificuldade ela jura estar alucinando quando ouve o som de choro de uma criança, junto com o de uma briga iminente, parece sua mãe... ela percebe que Cora se afasta, ela quer agarrar sua mão, mas não consegue, é então que um homem toma o lugar de Cora segurando sua mão, cabelos escuros e olhos azuis de onde ela o conhece? “Finalmente os maus modos americanos serviram para algo” Ela ouve o tom ríspido de sua mãe, estava alucinando?
“Harry?” Ela mal escutou sua própria voz, ela sente as lágrimas escaparem, “Desculpem-me Rose eu errei, por favor me perdoe” Ela assente fracamente, ela então ouve o choro do bebê novamente, Cora se aproxima segurando algo, ela sabe que é seu pequeno bebê, “Acho que Patrick quer ver os pais” ela sorri, ela estava certa depois de tudo, ela é capaz de ver Harold erguer a sobrancelha para ela e um sorriso aparecer em seu rosto, talvez ainda exista esperança.
Ela abre a boca para dizer que é uma pena ele não ter sua Lily, mas de repente ela sente uma dor horrível, ela deixa um grito escapar, ela pensou que a dor cessaria quando o bebê estivesse fora.
Harold agarra a mão da amada como se isso fosse o suficiente para afastar todas as suas dores. O grito que ela dá o assusta, ele logo encara o médico ansioso por respostas e não é o único, Cora com o bebê nos braços olha com medo para o doutor e Violet que havia ficado no quarto, logo exigiu “O que há de errado Clarkson?” O médico tem uma expressão assustada no rosto “Há outro bebê” A família está chocada com a revelação, ele não tem certeza se Rosamund ouviu.
O bom doutor chamou a família para fora do quarto, não demora para que Robert junte-se a eles, Cora já havia entregado o bebê para alguém. Violet pergunta o que há de errado, “Não sei se Lady Rosamund irá sobreviver” A família está assustada, mas não surpresa, eles já esperavam por isso afinal, todos os olhos se voltam com expectativa para Harold, que declara ferozmente “Não me importo com a criança, eu não posso perder Rosamund, aquele menino precisa de uma mãe”. O médico suspira e entra novamente, Cora e Violet seguem seu exemplo, mas ele fica para trás, ele tem medo da visão que o aguarda, após alguns segundos com Robert o encarando ele pergunta “Que é?” Robert o olha com pena “Se esses fossem os últimos momentos de minha esposa eu estaria com ela” O conde diz e sai, sozinho no corredor ele suspira e abre a porta.
Quando entra o doutor está instruindo-a, para que quando ele pedir, ela empurre com toda a força que ela tem. Cora é a primeira a nota-lo e sorri levemente, mas seu sorriso não atinge seus olhos, ele sabe o que isso significa, Violet murmura algo que ele não dá ouvidos enquanto se ajoelha ao lado da amada, ele agarra a mão dela “Rose...” Ela começa, mas é interrompido por sua voz frágil, ele odiava vê-la assim “Eu não sei se consigo Harry” Ele olha para ela e força um sorriso encorajador “Você é a mulher mais forte que conheci Rose, você consegue meu amor” Ela tenta sorrir, mas mais parece uma careta, ele quer dizer mais, ele quer pela primeira vez dizer que a ama, mas é interrompido pelo doutor “Empurre agora” Rosamund se posiciona e empurra com força, ele sente isso através do aperto que ela lhe dá. Ela solta um grito estrangulado, enquanto desaba na cama, ele beija sua testa e murmura “Você é forte meu amor” ele está preocupado com o fato de não ouvir nada, mas antes que possa perguntar ele escura um fraco choro de criança, ele não sabe se é o segundo ou o primeiro bebê, então olha para o lado e vê a sogra se aproximar segurando a criança, ela anuncia “É uma menina” Ele imediatamente volta a olhar para a esposa, sorridente ele diz “Você ouvia isso Rose? É uma menina”. Ela responde com a voz falha “Parece que você tem sua Lily” ele agarra sua mão e aproxima seu rosto ao dela “Você seria o suficiente Rose” Um pequeno sorriso ilumina seu rosto, ele está prestes a dizer mais, mas então ela fecha os olhos.

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