Lady So Divine
2 II. Care
Notas iniciais

Quando Hanji soube que Erwin tinha voltado e estava ferido, ela ficou extremamente preocupada. A boa notícia era que ele estava vivo, a má notícia era que ele tinha perdido um braço. Mas isso ainda era melhor que nada. Mesmo com a insistência de um dos enfermeiros e de Moblit para que continuasse em repouso, levantou-se da cama e foi até o quarto onde ele estava.
Os médicos já tinham cuidado dele e Erwin estava inconsciente, o rosto pálido e suado, enquanto respirava lentamente. Ela ficou em silêncio por um tempo, apenas olhando-o com um certo receio e agradecendo mentalmente por ele não ter morrido. Sentou na cadeira ao lado da cama e entrelaçou os dedos nos dele, carinhosamente.
— Erwin, ainda bem que você está vivo. — Hanji sorriu, soltando um suspiro de alívio em seguida. — Você precisa acordar logo, você sabe?
Sabia que ele não poderia respondê-la, pelo menos não naquele momento. Então apenas apertou mais um pouco os dedos dele e continuou ali, olhando para o seu rosto cansado. E só deixou o lugar, quando um dos médicos pediu para que descansasse um pouco mais e assim se recuperasse mais rápido.
Nos dois primeiros dias, Erwin não deu nenhum sinal que acordaria e ela continuou o visitando, conversava com ele, pedindo para que acordasse e contava banalidades, apenas para preencher aquele silêncio opressor e depressivo. Mas foi apenas no terceiro dia que o comandante abriu os olhos.
A cientista ficou surpresa no começo, mas logo se recuperou. Balançou a cabeça de aprovação, os olhos azuis fixos nela, ainda grogues, até que ela se levantou para chamar um médico e avisar que ele tinha acordado.
Para sua surpresa, os dedos dele se enrolaram na manga da sua blusa, em um pedido silencioso para que ela ficasse.
— Você quer água? — Hanji perguntou suavemente e ele balançou a cabeça devagar. — Certo.
Soltou a manga da blusa dela e ela andou até a mesa de canto e encheu o copo de água, voltou-se para ele. Com cuidado, apoiou uma mão nas costas musculosas, levantando um pouco e levou o copo aos seus lábios.
Erwin bebeu tudo rapidamente e ela deu-lhe mais um copo de água antes de se sentar ao lado dele novamente em silêncio, ainda preocupada.
— Ainda bem que você acordou, dorminhoco — murmurou com uma pontada de divertimento.
Os cantos dos lábios dele se repuxaram em um sorriso fraco e os seus dedos apertaram a manga da blusa dela de novo, pedindo que se aproximasse.
Hanji presumiu que ele ainda não podia falar, então apenas fez como ele pediu. Quando aproximou-se o suficiente, Erwin apertou o braço em torno dela, em um meio-abraço. Ele aspirou o cheiro incrivelmente — raro — e limpo que ela exalava e agradeceu por estar vivo, pensou que jamais a veria novamente e isso o fez estremecer.
— Sinto muito pelo seu braço.
Erwin balançou a cabeça, como se dissesse: Está tudo bem.
Ela levantou a cabeça para olhá-lo nos olhos e sorriu quando seu olhar se encontrou com o dele. Tinha carinho ali e... Alívio?
— Sua barba cresceu — comentou, passando a ponta dos dedos no rosto dele. — Você fica charmoso. Mais.
Uma risada rouca escapou dos lábios dele e ele realmente agradeceu por estar vivo, porque só assim, ela seria capaz de continuar cuidando dele.
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