Ladra De Salto
5 Capítulo 5 - O tutor.
Notas iniciais
Percy.
– Você estava beijando uma das “presas”? – Rachel me encara com o olhar divertido.
– Sim, e daí? – Respondo fingindo-me indiferente, no entanto, os olhos tempestuosos, os cabelos loiros e, principalmente, o sabor dos lábios de Annabeth, insistem em se manter na minha cabeça.
– “Sim, e daí?” – A ruiva faz uma imitação de minha voz.
Empurro-a de leve.
Rachel e eu somos amigos há muito tempo. Fomos os dois primeiros a chegar ao Acampamento, entenda isso como quiser, mas considere o fato de que nós nem sempre fomos os mocinhos.
– O que a trás aqui Srta. Dare? – Encosto-me a mesa, e encaro a ruiva.
– Bom, Sr. Jackson, sua presença foi requisitada no pátio. – Ela responde sorrindo enquanto tenta retirar uma, de muitas, manchas de tinta de sua calça branca.
– O que houve agora?
– São 11h00 babaca.
Olho para o relógio, e o mesmo marca 11h05.
– Droga, eu havia me esquecido completamente.
– Corre, se não o Quíron e o Sr. D irão...
Não espero que Rachel conclua a frase. Desvio-me de seu corpo, e corro o mais rápido possível até o pátio.
– Dessa vez você ganhou Quíron! – Sr. D sacudiu uma garrafa de bebida alcoólica no ar.
– Eu sempre ganho Dionísio, agora me dê esta garrafa.
– Posso saber o que vocês apostaram dessa vez? – Pergunto.
– Que você não viria, e mais uma vez o Quíron ganhou. – Sr. D, com cara de derrotado, entrega a garrafa de vinho para o velho de cadeira de rodas a seu lado.
– Para que eu fui chamado? – Reviro os olhos.
– Calma criança, temos de esperar os outros.
Depois de um tempo, Johanna, James e Grover – meu melhor amigo – juntam-se a nós.
– Meu tempo é precioso – diz Johanna cruzando os braços – andem logo com isso.
– Você é muita mal agradecida minha menina – diz o Sr. D – e é por isso que gosto de você.
– Vocês dois se merecem. – Diz Grover, tão baixo que quase não posso ouvi-lo.
– Bom – Quíron ergue o tom de voz – recebemos uma garota perigosa, e como vocês sabem, ou não, ela se chama Annabeth.
Todos assentem com a cabeça.
– Dionísio e eu conversamos e entramos em um consenso de que ela deve ser supervisionada.
– Quanta baboseira, ela já está aqui, não seria louca de tentar mais nada. – Diz James.
– Ela já se meteu em duas brigas. – Grover coça a barbicha.
– Sim Grover, por isso achamos melhor que ela seja supervisionada.
– E como vocês pretendem fazer isso? – Pergunto.
– Nós? – Sr. D sorri. – Na verdade, vocês farão isso.
– Todos nós?! – Johanna bate o pé.
– Não, um de vocês.
– Ótimo, eu estou saindo fora. – James se vira.
– Eu também. – Johanna o segue.
– Eu nunca fui muito bom com essas coisas. – Diz Grover.
– Qual sua desculpa Percy? – Quíron se volta para mim.
Eu não possuo desculpas, na verdade, essa é a oportunidade perfeita para eu passar um tempo ao lado da loira sem que alguém suspeite de algo.
– Quando eu começo? – Sorrio marotamente.
– A ideia é que você seja uma espécie de tutor, esteja sempre a observando e se conseguir se aproximar dela para uma conversa amigável, não será de todo ruim.
Olho para o meu relógio de pulso, ele marca 11h45.
– Quíron, eu tenho uma atividade agora.
– Eu sei, para ser sincero, eu também sabia que você aceitaria o trabalho de “tutor” então tomei a liberdade de escalar a Annabeth para suas atividades.
Ergo uma sobrancelha para Quíron, e ele sorri. Despeço-me de Grover, e sigo para quadra.
X
– Desculpe pelo atraso pessoal. – Digo assim que entro na quadra, corro os olhos pela arquibancada à procura de Annabeth. Ela está ao lado de Piper e Thalia. Seu rosto não esboça qualquer reação quando nossos olhos se encontram o que, tenho de admitir, me chateia um pouco.
– O que vamos fazer hoje Percy? – Pergunta Leo. Ele é magricela, tem cabelos cacheados e acima do ombro. Leo está aqui por ter furtado uma loja.
– Duplas, nós vamos lutar. – Respondo sem desviar os olhos da loira, e ela continua a me encarar. – Annabeth, você vem comigo.
Thalia e Piper trocam um olhar desconfiado, mas Annabeth não se intimida e para ao meu lado.
Por fim, quando todas as duplas estão formadas, eu recomeço a falar.
– Annabeth e eu iremos começar. – Digo alto. – Tudo bem? – Dessa vez pergunto somente para ela.
– Não é meio idiota de sua parte... – Ela me chuta, mas eu seguro seu pé antes que ele me atinja.
– O que exatamente? – Empurro seu pé, de forma que, ela cai no chão.
A loira me olha com cara de cachorro que caiu da mudança, e neste momento que estou desprevenido, ela me acerta com uma rasteira.
– Ensinar criminosos a lutar?
Dessa vez Annabeth chuta a lateral de meu corpo, e quando ela se prepara para fazer isso novamente, eu seguro seu tornozelo e a loira cai em cima de mim.
– Como se vocês já não soubessem.
Ela desce os olhar para os meus lábios, e sorri de leve.
– Já acabamos?
– Como quiser.
Annabeth se levanta, e volta para a arquibancada.
– Próxima dupla! – Grito.
Thalia e Nico se posicionam no centro da quadra. Enquanto os dois lutam, meus olhos não desgrudam de Annabeth, e os dela também não se esforçam para desviar.
Fale com o autor