Lado escuro

2 Um novo olhar em meu mundo


Na manhã seguinte, por estar suspenso, Scott pôde acordar mais tarde e ficar deitado o dia todo, seus pais não moravam com ele mesmo e, provavelmente, nem deviam saber da suspensão, mas ele não se importava.

– Ninguém se importa... –ele sussurrou para si mesmo na vastidão e solidão do próprio quarto, onde os raios de Sol já invadiam. O cabelo castanho bagunçado pelo sono, as mãos sob a cabeça e os olhos fixos no teto, o peito nú descia e subia bem devagar, tentando se acostumar com o vento frio causado pelo ar-condicionado do local.

Scott ficou naquela posição por mais alguns minutos e finalmente empurrou as cobertas para longe, sentou-se na cama pondo os pés no chão, ele varreu o quarto com os olhos e bocejou, em seguida espreguiçou-se. O relógio marcava 11:11.

– Nossa –ele murmurou –, bom que eu nem tenho que ir pra aula hoje.

Ele se levantou e caminhou lentamente até o banheiro, onde lavou o rosto e escovou os dentes, observou o rosto no espelho por alguns segundos e seu olhar correu até o box, quando voltou, viu um par de olhos vermelhos olhando fixamente para ele. Scott arregalou os olhos e se virou, não era nada. Assustado, ele olhou novamente para o espelho e dessa vez não viu nada.

– Devo estar alucinando de fome, só pode!

Ele saiu do banheiro e foi em direção a cozinha, mas com a sensação de estar sendo vigiado, sentia-se estranho e perturbado com aquilo, mas pensou que era apenas um delírio bobo de fome. Quando chegou a cozinha, pegou uma caixa de cereal matinal, leite, uma vasilha e colher, sentou-se na mesa e misturou o cereal e o leite, e atacou.

...

Depois do café da manhã/almoço, Scott tomou banho e foi para um parque que havia perto de seu apartamento; como gostava daquele lugar, lembrava os pais e a saudade que sentia deles, mas insistia em negar isso.

– Onde diabos vocês estão? –ele disse ao sentar-se no banco e fechou os olhos.

– Eles te amam.

Scott abriu os olhos assustados e virou o rosto, olhando para a origem da voz. Uma garota. Uma garota sentada ao seu lado e lendo um livro grosso. Ela era morena –cabelos tão negros quanto a escuridão, tinha a pele extremamente pálida. O cabelo cobria quase grande parte do seu rosto, porém era possível perceber os lábios dela, as sobrancelhas se movendo de acordo com a leitura e os olhos abertos, porém não conseguia vê-los.

– Obrigado por me lembrar de algo que eu já sei, eu acho. E quem é você?

– Se sabe por que a insegurança em sua voz? E me chamo ... Não importa.

A garota se levantou e Scott segurou seu braço delicadamente.

– Quem é você?

A garota sorriu de canto e passou a mão no rosto, ela puxou o óculos escuro do decote V da blusa cinza e pôs sobre os olhos, logo virou para o garoto.

– Haley, me chamo Haley.

Scott viu um suave brilho sob os olhos óculos da garota mas ignorou.

– Prazer, Haley, eu meu chamo... –ela o interrompeu.

– Scott, sim, eu sei. Scott Morris, capitão do time de futebol da West Ville, o garoto popular que tem o melhor amigo nerd. Sim, eu conheço você.

– Ele não é nerd e você anda me espionando ou coisa parecida? –ele disse tentando soar o menos orgulhoso possível mas foi inevitável, o que fez Haley sorrir.

– Eu tenho meus contatos.

– Contatos? – ele ergueu a sobrancelha esquerda – Mas eu nunca a vi por aqui.

– Mas isso não significa que eu não tenho o visto durante anos...

Scott ouviu um barulho vindo do Playgrand, o que o fez virar-se para olhar o que estava acontecendo.

Crianças brincando.

Ele suspirou e virou para continuar sua conversa com Harley, mas a garota não estava mais lá, parecia que havia desaparecido no ar.

Scott olhou em volta, chegando a se levantar do banco e ir atrás da garota, mas não a encontrou em nenhum lugar. Devo estar paranoico, só pode! , ele pensou.

...

Ao anoitecer, tudo o que Scott via era o rosto de Hayley, era algo que ele não conseguia entender, ele sabia que a conhecia, mas não sabia de onde.

Ele se deitou em sua cama e olhou fixamente para o teto do quarto. Estrelas. O teto do quarto era azul escuro, como o céu e havia vários pontos “brilhantes” nele, que era uma forma de nunca esquecer que o mundo ainda tinha alguma beleza.

– As estrelas brilham ainda...

Notas finais
Coments, gente. Me ajuda a escrever u_u Bjs e até a próxima.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.