Ladies's Brotherhood
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Mas finalmente ele está aqui! Para nossa alegria! o/
Aproveitem :3
O resto daquele dia passou normalmente. Durante a manhã, as garotas receberam o tratamento de cura da madame Soulier e durante a tarde elas descasaram o resto do dia, afinal, elas precisavam depois daquilo tudo. Mas então a noite chegou, e Madame Marie ordenou que todas as Ladies comparecessem à sala de reunião às 20h em ponto.
No horário marcado, todas já estavam na sala, como haviam ordenado. A Madame estava sentada em frente a mesa, enquanto madame Soulier estava em pé ao seu lado. Os murmúrios e cochichos predominaram. Todas estavam curiosas e preocupadas para saber o motivo daquilo.
– Vejo que estão todas aqui. – comentou a Madame antes de começar, olhando a sua volta todas as Ladies reunidas. – Bem, imagino que as mais velhas já saibam o porquê disso tudo. – ela comentou novamente, e as Ladies mais velhas se entreolharam. – Marietta Charvet. – ela anunciou. Marietta, que estava ao lado de Victória, sentiu um arrepio na espinha no momento. – Se aproxime, por favor.
Assim como foi pedido, Marietta passa pela multidão de garotas e se aproxima da mesa da Madame.
– Pois não, Madame Marie. – reverencia Marietta se curvando diante da Madame.
– No ultimo trabalho, você cometeu um erro gravíssimo, colocando suas companheiras de trabalho e você mesma em risco. Está ciente disto, não é mesmo? – pergunta a Madame, bem séria com o seu discurso.
– Sim, Madame. – ela concorda, permanecendo curvada, suando frio.
– Pelas regras e pela minha autoridade como Madame, líder da irmandade das damas,você, Marietta Charvet, descerá uma classificação das Dez Ladies. Como você está em décimo lugar, você está desclassificada. Sinto muito. – termina a Madame, sem perder a compostura e autoridade.
Os murmúrios se espelharam pela sala. Lolita tenta dar um passo a frente, para tentar dizer alguma coisa, mas Collet a segura pelo ombro, impedindo-a.
– Entendido, Madame. – aceita Marietta, erguendo seu corpo novamente. Sem olhar nos olhos de ninguém, ela passa pela multidão e saí da sala.
– Vocês também estão dispensadas. – ordena a Madame.
Todas saíram ainda inconformadas e preocupadas. Victória saiu mais rápido que todas, indo atrás de Marietta. Ela estava lá fora, atrás da mansão. Victória finalmente a alcança.
– Marietta... – começa a dizer Victória, ofegante, pois havia corrido.
De repente, Marietta solta um grito, que assusta Victória. O grito continuou por alguns segundos, bem alto e forte, como se Marietta estivesse soltando tudo que estava sentindo naquele momento. Finalmente ela para.
– Ai ai... Me sinto bem melhor agora. – suspira Marietta parecendo aliviada, alongando os braços. Ela se vira e vê Victória atrás dela. – Ah, você está ai. Não tinha te visto.
– Marietta... Você está bem? – ela pergunta preocupada.
– Do que você ta falando? – pergunta Marietta soltando uma risada sem graça. Antes de continuar, ela olha para cima e vê as centenas de estrelas que estavam cobrindo o céu aquela noite. – Eu já imaginava que isso fosse acontecer. – ela confessa. – Mas como o dia tinha passado e ela não havia dito nada, pensei que eu havia sido... Como podemos dizer... “perdoada”. – ela volta a olhar para Victória. – Mas uma classificação não significa nada para mim. Vou continuar sendo uma Lady do mesmo jeito.
– Tem razão. – concorda Victória, também soltando uma risada sem graça.
– Ei, será que ainda podemos fazer missões juntas? – pergunta Marietta curiosa.
– Espero que sim...
Elas continuam conversar descontraídas do lado de fora da mansão, como se nada tivesse acontecido.
***
De volta a sala de reuniões, a Madame se senta relaxada na poltrona que estava, jogando a cabeça para trás, soltando um longo suspiro de cansado.
– Tem certeza disso, Marie? – pergunta a Madame Soulier, se referindo a desclassificação da Marietta.
– Não posso fazer nada, são as regras. – ela responde sem nenhuma vontade, com a voz molenga.
– Você é ultima pessoa do mundo que pode falar em seguir regras. – zomba Soulier discretamente, sem perder a compostura.
– Cale-se. – resmunga Marie ainda com voz molenga. Ela vira à poltrona, voltando-a para a janela e vê Marietta e Victória conversando animadas lá fora, como se nada tivesse acontecido. – Além do mais, essas classificações nunca significaram nada pra mim mesmo. – ela confessa, soltando um sorriso de canto.
***
Um novo dia amanhece. O jovem Christofer se levantava de sua cama. Ele andou até a janela de seu quarto e lá fora viu um homem usando uniforme militar com varias medalhas, mostrando que sua patente era alta, conversando com Madeleine, sua mãe. Mesmo de longe, Christofer sabia quem era, por saber, ele o olha com desgosto.
Assim que aquele homem termina de falar com Madeleine ele vai embora, entrando num carro, mas deixa algumas malas perto de Madeleine, as quais os criados já estavam levando para dentro da mansão. Nessa hora, Christofer vai até sua mãe, e ela o vê se aproximando.
– Ah, bom dia filho. – ela cumprimenta. – Ira sair agora?
– Sim, acho que vou dar um volta por ai.
– Tente voltar antes do jantar, seu pai estará aqui.
– Pode deixar. – ele responde nada interessado já saindo pelo portão.
***
Enquanto isso, nessa mesma manhã, Madame Marie estava em seu escritório junto com Paola, que estava em pé mexendo em alguns papéis. Marie olhava atentamente uma carta, com uma cara nada animada. Ela bufou e jogou a carta sobre a mesa, franzindo a testa.
– O que foi? – pergunta Paola.
– Não é nada... – ela responde, olhando pensativa para aquela carta sobre a mesa. – Paola, feche a porta, por favor.
Paola estranha, mas faz o que foi pedido.
– Qual o problema?
– Eu quero que você se prepare até o meio dia. Nós vamos viajar.
– E para onde vamos? – pergunta Paola estranhando mais ainda.
– Nós vamos no reunir com as lideres de outras irmandades. – Marie se levanta e vai até a janela, observando as outras ladies caminharem e treinarem pelo grandioso terreno da mansão. — Ou seja, vamos nos encontrar com outras Madames.
– Madames de outras irmandades? – pergunta Paola parecendo mais confusa. – Mas pensei que só a nossa sede existia.
– A principio sim, só existia a irmandade francesa. Mas com o passar dos séculos outras irmandades se formaram pelo mundo. Hoje em dia existem cinco no total, contando conosco. – explica a Madame.
– Não sabia disso. – confessa Paola se sentindo insegura de seu conhecimento.
– Não se preocupe, pouquíssimas ladies sabem dessa informação. Se considere privilegiada. – ela responde a olhando de canto.
– Sim, Madame. – Paola se curva, se sentindo um pouco orgulhosa pelo privilegio. – Se me permitir perguntar, qual seria o motivo da reunião? – ela pergunta erguendo-se novamente.
– Não sei. – ela confessa. – Mas nas raras vezes que nos reunimos, nunca é coisa boa.
***
Victória andava sem rumo pelos arredores da grandiosa mansão, cantarolando uma canção doce e adorável, até que avista a pequena Pepita sentada na grama de uma pequena colina diante dela. Ela foi em direção à pequena.
– Bom dia. – cumprimenta Victória, se curvando ligeiramente para poder se aproxima de Pepita, que já era pequena quando estava em pé, mas sentada ficava mais baixinha ainda.
– Ah, bom dia. – cumprimenta de volta à pequena, com sua voz suave e infantil que sempre tinha, colocando a mão diante dos olhos, pois Victória estava bem enfrente ao sol. Pepita tinha 16 anos, um ano mais nova que Victória, mas sua aparência de uma criança de 10 anos nunca sumia, isso era inexplicável.
– O que está fazendo? – pergunta Victória se sentando ao lado dela.
– Eu? Nada de mais. – responde Pepita devagar e desatenta como sempre.
– Certo... – aceita Victória, percebendo que Pepita olhava distante Marietta treinando com seus sabres com uma lady mais velha.
Marietta estava dando duro naquele treinamento. Provavelmente ela não ia aceitar tão facilmente sair da classificação, ela tentaria fazer parte dela novamente, custe o que custar.
– Eu não pude fazer nada... – murmura Pepita.
– Huh?
– Nem quando Marietta foi sequestrada, nem mesmo quando tentamos resgatá-la. – ela confessa.
– Do que você está falando? Você fez o que pode. – responde Victória, tentando confortá-la.
– Será mesmo? – ela pergunta, sem tirar os olhos do treinamento de Marietta. – Eu não sou muito esperta, nem muito habilidosa. Tudo que eu tenho é a minha força... – ela começa a olhar para as próprias mãos, como se visse sua força correr sobre elas. – Mas será que isso é o suficiente? Se eu talvez... – ela é interrompida, pois Victória começa a passar a mão em sua cabeça, bagunçando seu cabelo.
– Você é forte, Marietta é discreta, Lolita tem as armas. Todas nós temos habilidades que podemos usar em momentos certos. Sua força é única, Pepita. Você é única. – explica Victória, com um sorriso amável no rosto.
– Você tem um bom coração, Victória... – disse Pepita com um sorriso doce.
– S-Sério... O-Obrigada. – responde Victória com um sorriso constrangido no rosto.
Pepita se levanta e vai andando em direção à mansão.
– Aonde você vai? – pergunta Victória, ainda sentada.
– Falar tanto me deu fome. – ela responde ainda a caminho da mansão.
– Essa é a Pepita que eu conheço... – sussurra Victória, aliviada.
***
Marietta se senta de joelhos no chão, deixando os sabres de lado. Ela pega um lenço branco e passa em seu rosto, que estava muito suado. Ela parecia bem cansada com o treinamento que estava tendo.
– Ainda tem um pouco energia? – pergunta alguém ao lado dela, fazendo uma sombra sobre ela. Era Victória.
– Eu sempre tenho. – ela responde animada.
Marietta se levanta e pega seus sabres que estavam no chão, e Victória solta uma de suas finas correntes que estava presa no pulso direito, que já aumentou de comprimento assim que foi solta.
– É melhor não pegar leve comigo. – disse Marietta empolgada.
– Eu nunca disse que ia. – responde Victória, no mesmo animo de Marietta.
Sem pensar duas vezes, Marietta avança. Ela era rápida, mas Victória era também. Todos os ataques de Marietta eram desviados ou detidos pela corrente prateada de Victória.
Ela não estava usando os poderes telecinéticos, pensou com consigo mesma que não seria justo.
Victória finalmente fez um ataque e enrolou a corrente na perna direita de Marietta e a puxou, fazendo-a cair no chão.
– Aiai... – resmunga Marietta caída no chão, começando a se levantar. – É... Não é atoa que você é primeira da classificação.
– Obrigada. E você está muito melhor também, está mais rápida.
– Mas é claro, quero meu posto de volta. Não vou deixar qualquer um pegá-lo. – disse Marietta convencida e orgulhosa, como sempre foi.
– Marietta! Victória! – chama alguém por elas. Era Collet no topo da colina ao lado, acenando para elas. – Venham aqui, por favor!
As duas foram até a colina que Collet estava, a mesma em que Victória e Pepita estavam conversando anteriormente.
– Qual o problema? – pergunta Marietta.
– A Madame Soulier pediu para que eu entregasse algumas doações para igreja. Preciso de mais duas pessoas, e como não andamos juntas ultimamente pensei sem chamar vocês, não tem problema?
– Por mim tudo bem. – aceita Victória. – E você Marietta?
– Por mim também, eu precisa descansar um pouco mesmo. – ela aceita alongando os braços para cima. – Só preciso me trocar primeiro.
– Pensei que você tinha energia sempre. – disse Victória num tom brincalhão.
– Você me fez gastar ela toda agora pouco. – ela responde, fazendo Victória e Collet rirem, enquanto as três caminhavam em direção à mansão.
***
Ao meio-dia em ponto, Madame Marie esperava numa clareira no meio da floresta, perto da mansão. Finalmente Paola aparece, vestindo sua roupa de empregada de mangas longas e largas, junto com uma capa preta. Já Marie usava roupas comuns, nem muito nem pouco elegantes, mas estava apresentável.
– Desculpe por fazê-la esperar. – pede Paola educadamente.
– Não se preocupe, eu que cheguei cedo. – responde a Madame.
– Então, esse local é muito longe? – pergunta Paola curiosa.
– Sim, muito.
– E como chegaremos lá? – ela pergunta curiosa novamente.
– Do modo mais rápido que eu conheço. – responde a Madame com um sorriso de canto. De repente, o pentagrama começa a ser desenhado magicamente acima do peito de Marie e assim que completo as linhas e figuras que o formavam brilharam, e o centro se fez circulo completamente branco, onde Marie colocou a mão dentro, tirando de lá uma de suas cartas de conjuração com a numeração VII. – Eu lhe ordeno... Venha, espírito alado... O Carro!
Assim que conjurado, a carta se transforma em centenas de penas brancas e diante delas se forma um grande cavalo branco com asas, um pegasus. Sua beleza era tão exuberante que hipnotizou Paola. A Madame continuava a mesma, provavelmente já estava acostumada com a beleza de seu espírito arcano.
– Vamos indo. – chama a Madame já em cima do cavalo. Ela estende a mão para Paola e a ajuda a subir. – Temos que chegar antes do anoitecer. – ela chega perto da orelha do cavalo e sussurra algo nela para que Paola não ouvisse, era localização da reunião.
Assim que termina, o cavalo relincha e começa a voar, soltando belas penas brancas de suas asas pelo ar.
***
Enquanto isso, Victória, Collet e Marietta estavam a caminho da igreja, cada uma segurando umas cesta contendo alimento e outras coisas, já quase perto da cidade. Elas usavam vestidos simples e aconchegantes. O de Collet era florido, já o de Victória e o de Marietta eram de uma única cor, sendo o de Marietta era o único escuro. Era seu estilo, ela não gostava de vestidos muito claros. No caminho, Marietta cantarolava alegremente, o que era estranho.
– Marietta Charvet cantarolando? Isso é muito raro. – estranha Victória.
– É verdade. – concorda Collet.
– Qual o problema? Não posso?
– Pode, mas deve ter um motivo. – disse Collet.
– Eu só... Estava pensando como é bom estar em casa. – ela confessa, um pouco constrangida. – Ficar presa naquele trem parecia uma eternidade. Por isso estou feliz por aqui novamente... – de repente, ela se lembra de algo. – Falando nisso, aquilo foi incrível Victória! – ela diz do nada.
– A-Aquilo o quê? – pergunta Victória confusa.
– Aquele jeito que você explodiu a mansão! Foi incrível! Não sabia que você podia fazer aquilo. – responde Marietta empolgada.
– Você explodiu uma mansão sozinha?! – pergunta Collet espantada.
– S-Sim... – responde Victória sem jeito. – E-Eu nem sabia que podia fazer aquilo, na verdade.
– A Victória estava com tanta raiva e ódio que fiquei até com medo. Já pensou se ela fosse nosso inimigo... – Marietta sente um calafrio na hora. – Meu deus, nem quero imaginar.
– Victória de Langrage com raiva e ódio? Isso sim é raro. – disse Collet.
– É mesmo... – concorda Marietta.
Victória continuou quieta enquanto Collet e Marietta continuavam a falar sobre o estado raro dela. De repente ela se lembrou de algo que Lolita disse uma vez: “Você sempre foi gentil, pura, de bom coração... Acho que não conseguiria odiar nada...”. Victória continua a pensar sobre isso e sobre a reação que ela teve no resgate de Marietta e Lolita.
Acho melhor não ficar daquele jeito de novo, pode ser perigoso... Para todo mundo. Pensou Victória.
– O que foi? – pergunta Collet para Victória. – Você ficou quieta de repente.
– N-Não, é nada. Só estava pensando um pouco. – ela responde, voltando a falar normalmente com as duas.
***
Finalmente as três chegaram à pequena igreja da cidade de Adoriabelle. Mesmo sendo pequena, a igreja era bem elegante e arrojada, tanto por fora e tanto por dentro. Já lá dentro, perto do altar de madeira, rodeado por castiçais e velas, Collet conversava com o padre que administrava aquela igreja, entregando para ele as doações da irmandade. Atrás do altar, na parede, estava um vitral exuberante, de forma oval, formado por pedaços de vidro azul e derivados dessa mesma cor. Ao centro se formava o desenho de uma arvore de vários ramos e sem folhas, uma arvore totalmente branca.
Victória, que esperava junto com Marietta perto da porta, admirava o trabalho artístico daquele vitral tão bem feito.
– Tão bonito... – ela murmura encantada.
– Hã? O quê? – pergunta Marietta distraída.
– Aquele vitral...
– Ah, tem razão. – responde Marietta só prestando atenção agora naquele vitral.
– Pronto, está resolvido. – afirma Collet se aproximando animada para as duas. – Vamos indo?
– Vamos. – concorda Marietta já andando em direção à porta, com Collet a acompanhando.
– Acho que eu vou ficar. Vou desenhar um pouco. – disse Victória, mostrando para as duas o caderno de desenho em suas mãos.
– Tudo bem então, só não volte tarde. – aceita Collet, já saindo com Marietta. – Até mais.
Victória se sentou na primeira fileira da igreja, já segurando o caderno e lápis em suas mãos. Vários minutos se passaram, mas Victória nem havia percebido, continuou concentrada em seu desenho. Estava tão concentrada que nem havia percebido que alguém havia entrado na igreja.
– V-Victória? – chama essa tal pessoa, ao lado dela, surpresa por tê-la encontrada ali. Victória se vira e vê era Christofer.
– C-Christofer... – ela também se surpreende por tê-lo encontrado justo naquele lugar. – N-Não imaginava te encontrar por aqui.
– Digo o mesmo. Posso me sentar ao seu lado? – ele pede educadamente.
– C-Claro. – ela permite, já completamente corada, escondendo o caderno em seus braços. Depois de alguns segundos eles ficaram em completo silencio, um silencio constrangedor para ambos. – E-Então... – ela tenta recomeçar um conversa. – O que faz por aqui?
– Eu... Gosto de vir aqui quando preciso esvaziar a cabeça... – ele confessa cabisbaixo, mas logo seu humor volta ao normal. – E você?
– Eu vim com minhas colegas a trabalho, mas acabei me distraindo com uma coisa e fiquei. – ela responde já quase sem timidez nenhuma, estava se acostumando com a presença do belo rapaz.
– Se distraindo? Com o quê? – ele pergunta curioso.
– Bem... – ela volta a ficar constrangida. – Eu vi aquele vitral e achei bonito, então resolvi desenha-lo em meu caderno.
Só agora Christofer havia reparado no caderno nas mãos de Victória.
– Posso ver? – ele pede educadamente, não querendo parecer curioso.
– C-Claro. – ela assentiu, abrindo o caderno na pagina que estava o desenho e entregou nas mãos de Christofer.
– Nossa... – ele ficou admirado, o desenho estava perfeito. Ela não havia desenhado apenas o vitral, mas sim todo o altar da igreja, do ângulo que Victória estava, como fotografia feita a lápis. – Está incrível... Posso ver os outros?
– S-Sim, pode. – ela assentiu novamente, ela nunca mostrava seus desenhos para ninguém, nem mesmo para suas amigas da irmandade.
Christofer ficou minutos folheando os desenhos de Victória, olhando cada detalhe de cada um deles atentamente, até que finalmente termina e entrega o caderno de volta para Victória.
– Você tem muito talento. – ele elogia admirado. — Já pintou seus desenhos em telas?
– Já tentei uma vez, mas não foi a mesma coisa... Gosto de guarda-los só para mim... – ela confessa, também não havia confessado aquilo para ninguém antes.
– Entendo... – ele compreendeu, ficando em silencio por algum tempo, até que se lembrou de algo. – Posso te mostrar uma coisa?
– Claro.
– Preciso de um papel... Pode me dar uma folha de seu caderno?
– Sim, só um segundo... – ela abre seu caderno na ultima pagina e a arranca. – Aqui. – ela entrega a folha.
– Agora espere um pouco, é uma surpresa... – ele se vira para a direção oposta de Victória e começa a fazer algo enigmático com o papel.
Minutos se passaram e Christofer ainda não havia acabado o que estava fazendo, e Victória estava cada vez mais curiosa e impaciente, quase como uma criança. Ela tenta espiar, se aproximando de Christofer, mas ele percebe.
– Nada de espiar. – ele repreende brincalhão, escondendo o papel das vistas de Victória.
Outros poucos minutos se passaram e Victória ainda estava curiosa, mas não havia tentando espiar outra vez.
– Terminei. – ele anuncia, e então mostra em suas mãos uma pequena dobradura de papel que tinha a forma de uma rosa.
Victória ficou encantada, seus olhos até brilharam. Vendo que a jovem havia mesmo gostado, ele entrega a dobradura a ela.
– Como aprendeu a fazer isso? – ela pergunta ainda encantada com a dobradura que havia ganhado.
– Quando eu era pequeno, minha mãe havia viajado para o oriente, e quando voltou me ensinou a fazer isso. Chama-se origami. – ele explica.
– É muito bonito...
– Quer que eu te ensine a fazer?
– Sério? Seria ótimo. – ela aceita animada.
– Certo, mas você não pode ensinar pra mais ninguém, tudo bem? Esse é o meu segredo. – ele conta parecendo nem um pouco sério.
– Pode deixar. – ela aceita soltando uma leve risada.
Victória arranca outra folha de seu caderno e coloca sobre o banco de madeira da igreja, bem entre os dois. Ainda sentados, se frente um pro outro, Christofer começa a explicar como se fazia o tal origami. Victória estava tendo certa dificuldade, mas Christofer era paciente, ele se divertia com a inocência e pureza da bela garota.
– Consegui! – ela anuncia alegremente mostrando o origami de uma rosa que ela havia montado, que estava ligeiramente mal feito. – Mas ficou um pouco feinho.
– Não, até que ficou bom para alguém que fez pela primeira vez. – ele disse pegando a dobradura e a analisando.
– Obrigada por me ensinar a fazer. – ela agradece com o sorriso mais doce e amável que ela tinha.
– Eu que agradeço. – ele retribui.
– Pelo o que? – ela pergunta confusa.
– É que... Parece que você sempre aparece na minha frente no momento certo, quando estou em conflito, então... Obrigado. – ele confessa bem sincero.
Victória fica completamente envergonhada, com as maçãs do rosto completamente vermelhas. Ela evitava olhar para o rapaz e então percebeu a luz alaranjada que refletia pelo vitral, mostrando que o dia estava se pondo.
– Minha nossa! Já está tarde! Tenho que voltar. – ela se levanta de supetão, passando na frente de Christofer.
– Victória espera! – ele rapidamente segura o pulso dela ainda sentado.
Ela congelou, não sabia o que fazer, nem ao menos havia saído do lugar quando ele segurou seu pulso. Ele se levanta calmamente e fica em pé diante dela, sem tirar seus olhos dos olhos dela. Ele solta seu pulso e sua mão desliza para na mão dela. Seus rostos estavam próximos, muito próximos, e Christofer tentava aproximar ainda mais. Victória não reagia, não dizia nada, apenas sentia seu coração acelerar cada vez mais.
– Acho que eu... – ele sussurrou delicadamente quando seus lábios estavam bem próximos, mas de repente, as portas da igreja se abrem fazendo muito barulho.
Christofer olhou para trás para ver o que era e nesse instante Victória passou correndo por ele, sem ao menos olhar para trás, saindo da igreja.
– ...Me apaixonei por você. – ele sussurrou novamente, dessa vez para si mesmo e completando a frase.
***
Enquanto isso, Madame Marie e Paola finalmente chegaram ao seu destino; uma clareira em frente a uma montanha. Ao pousarem e descerem do pegasus, ele retorna a forma de carta, na qual Marie guardou novamente dentro de seu pentagrama.
– Onde estamos? – indaga Paola olhando atentamente a seu redor, naquele floresta de arvores secas e grama escura.
– Infelizmente não posso dizer. – responde a Madame, parecendo focada em outro pensamente no momento, se aproximando da misteriosa montanha e pegando sua lança prateada de dentro do pentagrama.
Paola também se aproximou e notou que nela estava cravado alguma frase em alguma outra língua.
– Que língua é essa? Grego? – pergunta Paola analisando melhor a escritura.
– Exatamente. – responde a Madame, passando sua mão sobre a escritura.
– Sabe ler?
– Humpf, nem é preciso. – responde Marie ligeiramente convencida. – Se afaste. – ela pede e Paola obedece no mesmo instante.
– Eu sou Madame Marie Van de Hout, líder da Irmandade francesa, e ordeno que abra minha passagem! – ela ordena com uma voz autoritária e potente, o tom de uma verdadeira líder.
A escritura brilhou por um instante e de repente as rochas a sua frente, que formavam a frente da montanha, lentamente se transformaram numa portão de metal bem ornamentada, repleto de detalhes. Madame abriu a tal porta e as duas entraram.
Elas desceram uma enorme escadaria iluminada por dezenas de tochas, uma escadaria que parecia ser infinita.
Finalmente a descida acabará, e então elas chegaram a uma enorme antecâmara oval vazia, erguida por gigantescos pilares marrons, como as paredes interiores da montanha e com pisos feitos de mármore perfeitamente polidos, fazendo-os parecerem espelhos, e logo a frente havia uma passagem para um misterioso corredor escuro.
Elas passaram pela antecâmara vazia e então, ao chegarem ao centro, começaram a ouvir a uma risada feminina ecoar pelo local, uma risada sombria e sensual. Paola se preparava para acionar suas laminas escondidas de baixo da manga, mas Marie a impediu apenas com um gesto. De repente, duas facas foram lançadas de cima em direção a Madame, mas ela as ricocheteou com sua lança prateada.
– Humpf... Suas brincadeiras continuam sem graça e fracas como sempre, Rosalie. – zomba Marie despreocupada.
– Hu, hu, hu... Mas que pena... Estava ansiosa para ver um de seus Espíritos Arcanos... – de repente uma fumaça negra e arroxeada começa a se formar diante delas, se transformando numa bela mulher de cabelos ondulados castanhos claros e olhos dourados, usando um peculiar vestido preto e roxo. – Há quanto tempo Marie, quero dizer, Madame Van de Hout. – a mulher, denominada Rosalie, continuava a emanar uma atmosfera sombria a misteriosa, mas não parecia ser uma pessoa ruim.
– Por favor, só Marie. Me chamar de Van de Hout me faz parecer velha. – disse Marie amigável com a bela mulher. – Ah sim. Paola, essa é Madame Rosalie Beauford, líder da Irmandade britânica. Rosalie, essa é Paola Van de Hout, minha acompanhante.
Mesmo sendo uma Madame, Rosalie parecia muito mais jovem, com aproximadamente 20 anos, ao contrário de Madame Marie que aparentava ter entre 40 anos.
– Muito prazer em conhecê-la, Madame Beauford. – cumprimentou Paola dando um passo a frente educadamente, se curvando ligeiramente, mostrando todo seu respeito.
– Van de Hout, não é... Entendo... – comenta Rosalie, com um sorriso diabólico no rosto, percebendo algo. Ela se materializa novamente numa aura negra e arroxeada e rematerializa novamente seu corpo atrás de Paola, pegando e analisando misteriosamente uma das mexas de seu cabelo, fazendo-a levar um leve susto. – Certamente... A semelhança é incrível... – ela comenta.
Certamente, Paola e Marie eram muito parecidas, tirando a diferença de idade e a tonalidade do cabelo, no qual o de Paola era um pouco mais escuro.
– A reunião já começou Rosalie? – pergunta Madame Marie, tentando mudar de assunto.
– Ainda não, estávamos a sua espera... – assim que avisa, ela começa a se transformar na aura escura novamente. – É melhor se apressar... Você sabe muito bem como elas são... – e então desapareceu, junto com a aura negra, fazendo sua risada sombria ecoar pelas paredes.
– Vamos indo. – ordena Marie.
Elas adentraram no corredor misterioso em completo silencio, indo em direção à porta que lhe aguardava no final.
– Há quanto tempo se conhecem? – pergunta Paola tentando quebrar o silencio e também satisfazer sua curiosidade, por mais educada e distinta que ela fosse.
– Há muito anos. Nos conhecemos em uma missão, quando ainda éramos apenas jovens Ladies. – ela responde.
Paola estranhou, pois a diferença de idade entre as duas era muito grande. As duas chegaram à porta, que parecia muito antiga e rústica. Sem hesitar, Madame Marie à abre.
Ao abrir, se avista uma mesa redonda, onde em cada canto estava sentada quatro mulheres. As quatro líderes das outras quatro Irmandades. Cada uma acompanhada por uma Lady. Todas mulheres que só aqueles com desejo de morte teriam coragem de enfrentá-las.
Notas finais
Espero também que tenho gostado dos vestidos (Indireta para Bianca ¬¬)
Garanto que o proximo capitulo não vai demorar tanto como esse.
Ah, se tiver algum erro ortográfico me avisem. Eu revisei mil vezes, mas sou muito desatenta -.-
Aé, não esqueçam de comentar :3
Até o proximo o/
Fale com o autor