Ladies's Brotherhood
16 Capítulo 13 - Parte I
Notas iniciais
No capítulo anterior...
Após a vinda do Presidente da França à cidade de Adoriabelle, escoltada secretamente pelo grupo das garotas mais fortes Ladies’s Brotherhood, Madame Marie continua o plano de descobrir algo que pode acontecer no futuro: A Grande Guerra. Para isso, ela visita disfarçadamente a Primeira Dama, que surpreendentemente era uma antiga colega de Marie que havia deixado a Irmandade há muitos anos.
Depois de uma curta conversa, a Primeira Dama, Claudia, decidiu ajudar Marie a resolver este mistério e a leva para um local que estava escondido debaixo de seu nariz todos esses anos: A Sala de Arquivos Secretos da França. Lá Claudia revelou para sua amiga um envelope que seu marido havia recebido. Não havia nenhuma carta lá dentro, porém Marie achou o selo do envelope muito familiar.
Achando que sua missão havia acabado por hoje, um imprevisto aconteceu. Um demônio invadiu a sala de Arquivos Secretos, deixando Claudia e Marie encurraladas.
Capítulo 13 — Parte 1
A criatura demoníaca feita de rochas rondava as duas mulheres, Marie e a primeira dama Claudia.
Marie estava cercada e desarmada. Se ela tentasse invocar sua lança prateada ou algum Espírito Arcano de seu pentagrama, o demônio atacaria primeiro sem sombra de duvidas, e ela não deixaria Claudia se ferir por um deslize dela.
Para piorar a situação, Marie sentiu aquela estranha sensação novamente, igual a que sentiu momentos antes do demônio de pedra atravessar o teto de vidro. Então ela olhou ao seu redor e viu mais demônios surgirem, em cima dos palanques e das estantes.
Eles eram diferentes da primeira criatura. Eram menores e negros, como se fossem feitos de uma energia obscura.
– Como demônios estão conseguindo chegar até aqui? – Claudia perguntou se protegendo atrás de Marie.
– Demônios não vêm para este plano em sua forma original sem motivos. – Marie explicava. – Alguém deve tê-los trazido até aqui.
– Que tipo de pessoa consegue fazer esse tipo de coisa? — perguntou Claudia.
– Alguém com poderes iguais aos meus, provavelmente. – respondeu Marie receosa.
A pessoa misteriosa riu novamente, chamando a atenção de Marie novamente.
– Você está certa, Madame Marie. – dizia a voz. – Nossas habilidades são muito parecidas. Sabe... Eu sempre tive muito potencial com Magia Espiritual, mas nunca soube aonde aplicar essa habilidade. Foi então que eu descobri sobre os demônios e, como posso dizer? Foi amor à primeira vista. – ela riu de si mesma. – Não acha fascinante as minhas belas criaturas, Marie?
Apesar de todo este discurso, Marie não prestou atenção em nada que disse, e na verdade tentou a todo custo descobrir onde estava o portador da voz. Porém sua busca pareceu em vão, sua voz parecia ecoar em todas as paredes e parecia vir de nenhum lugar especifico.
– O que vamos fazer Marie? – perguntou Claudia, ainda se protegendo atrás dela.
Marie não respondeu. Apenas continuou a olhar ao seu redor enquanto martelava um plano em sua cabeça. Foi então que ela viu na mesa ao lado uma pedra grande o suficiente para poder agarra-la com uma mão só.
– Aconteca o que acontecer, não solte meu vestido, entendeu? – Marie sussurrou para Claudia que apenas confirmou acenando com a cabeça.
Então Marie agarrou aquela pedra e arremessou com toda sua força no demônio a sua frente. Aproveitando a distração, ela e Claudia correram para outra direção, e então o pentagrama de Marie surgiu em seu peito e de lá ela retirou uma carta, invocando um espírito o mais rápido possível.
– Venha! Grande soberana! A Imperatriz! – Marie berrou e carta escolhida se transformou em uma poeira brilhante dourada.
A poeira rumou para trás das duas mulheres, gerando uma fortíssima onda de choque dourada que repulsou todos os demônios para longe, porém não por muito tempo.
Os demônios recobraram a consciência em pouquíssimos segundos, mas ao despertarem haviam perdido as duas mulheres de vista. Porém seriam questões de minutos até encontra-las novamente, principalmente naquele local fechado.
***
Marie e Claudia se escondiam no meio daquele labirinto de estantes, a poeira dourada se acumulou atrás delas, tomando a forma de uma mulher alta, usando elegante vestido medieval vermelho escuro e dourado, coberto por um manto negro e pesado. Em sua cabeça havia belíssima coroa dourada e em uma das mãos ela segurava um cetro também dourado.
– É muita ousadia sua me chamar em uma situação tão equivoca como esta, Marie. – advertiu o Espírito Arcano, mencionando o nome de Marie com antipatia.
– Sinto muito, Imperatriz. – pediu Marie. – Mas não tive muitas opções no momento. – ela então virou para Claudia, que estava agachada ao seu lado. – Você está bem, Claudia?
– Sim, eu estou. – ela respondeu com a respiração ofegante.
Antes que pudesse dizer outra coisa, Marie segurou suas duas mãos e começou a sussurrar de cabeça baixa palavras em um idioma que Claudia não conhecia. Ela soltou uma das mãos de Claudia e colocou dois dedos sobre a testa dela, terminando de murmurar seja lá o que ela estava falando.
– O que você fez? – perguntou Claudia, examinando suas próprias mãos a procura de alguma mudança.
– Coloquei uma sombra em você. – Marie respondeu. – Demônios são como cães de caça, conseguem achar o que ou quem procuram facilmente. Desse jeito eles não conseguirão seguir seu rastro.
– Mas não creio que isso seja o suficiente. – disse a Imperatriz. – Mesmo com uma sombra eles ainda são rápidos, e também será fácil achar Claudia em um local fechado como este.
– Eu sei disso. — respondeu Marie, já tendo um plano em mente.
De repente, aquela voz ecoou pelo local.
– Você não pode se esconder para sempre, Madame Van de Hout. – provocou a voz.
“Ótimo, pelo menos ela não está nos vendo”. Pensou Marie.
– Imperatriz, eu quero leve Claudia para fora daqui o mais próximo possível. – ela ordenou decidida.
– Mas em quanto a você? O que você vai fazer? – perguntou Claudia.
– Demônios não morrem tão facilmente. – ela explicava enquanto tirava sua lança dentro de seu pentagrama. – É preciso ter uma arma ou um espírito divino para derrota-los. Não se preocupe, eu já tenho um plano em mente.
A Imperatriz olhou para Marie, já tendo em mente o que ela pretendia fazer, e pelo olhar não parecia ser coisa boa.
– Entendido. – a Imperatriz disse sem questionar. – Apenas não tente matar a todas nós. – ela alertou, já agarrando o pulso de Claudia, deixando a sem tempo de perguntar o que ela quis dizer com aquilo.
Sozinha entre aquelas estantes, Marie respirou fundo antes de prosseguir com seu plano e rezou que Claudia não se ferisse quando ele fosse executado.
***
Ela andou calmamente pelos corredores até o centro espaçoso que estava antes com Claudia, bem abaixo da abóboda quebrada.
Lá estava vazio no momento, ao contrário de antes quando ela e Claudia estavam cercadas. Escondido atrás das estantes, estava um pequeno demônio. Pensando que Marie não havia o notado, ele avançou por trás, mas ela foi mais rápida e girou junto com sua lança prateada, cortando o demônio ao meio, deixando nada mais além de cinzas.
Momentos depois, outro demônio fez o mesmo, mas atacando por cima, e Marie fez com que ele tivesse o mesmo destino que o anterior.
Marie esperou por mais ataques depois desses, porém mais nenhum ocorreu.
– Sua arma é impressionante Madame Marie, tenho que admitir. – confessou a voz anterior. – Imagino o trabalho que deve ter tido para obtê-la.
– Não foi tão difícil assim, se é o que quer saber. – Marie teve que admitir.
Marie percebeu que a voz parecia mais próxima, então ela olhou para cima através da abóboda quebrada e viu um pequeno redemoinho negro. Então a fumaça negra se transformou em uma garota vestindo túnicas negras, que pousou sobre um palanque acima dela, junto com dois cães demoníacos que a escoltavam.
A garota era bem pequena, do tamanho de uma criança, e isso explicava a voz infantil que ela parecia ter. Marie não acreditava que uma criança tinha todo aquele poder, então imaginou que aquilo só poderia ser um disfarce.
– Então, qual é o plano? — perguntou a criança. – Pretende matar todos meus demônios só com essa lança enquanto um de seus espíritos protege a Primeira Dama em algum lugar?
Enquanto fazia sua pergunta, a garotinha esticou um dos braços, invocando dezenas de novos demônios que se espelharam pelo local, como estava antes de Claudia e Marie escaparem.
Mas Marie não alarmou com tudo aquilo, ela na verdade suspirou, enquanto cravava sua lança no chão, parecendo que não iria usa-la, fazendo a garota se perguntar o que ela planejava.
– Eu não queria ter que fazer isso. – dizia Marie parecendo que iria se arrepender por algo. – Não gosto de usar este Espírito. Ele causa muito estrago e me deixa com muito peso na consciência.
Então o pentagrama de seu peito brilhou e de lá ela retirou uma carta, dizendo logo em seguida a invocação.
– Eu lhe ordeno: Venha... Bela dama reluzente... A Estrela...
Sua carta então se transformou em luz branca, e logo em seguida assumiu a forma de uma mulher deslumbrante, que flutuava e era coberta por leves tecidos brancos. Sua pele emanava uma leve luz e seus cabelos esvoaçavam pelo ar, junto com os tecidos, como se não houvesse gravidade apenas ao seu redor. Sua imagem era serena e bela. Apesar dos olhos fechados, ela estava completamente consciente.
– Sinto a presença de criaturas impuras neste local... – afirmou a mulher com uma voz tão suave quanto à própria imagem que ela apresentava.
– Não pode ser... – balbuciava a garota, boqueaberta, ainda sobre o palanque. – Ela é...
Antes de dar sua ordem ao espírito, Marie olhou para céu alaranjado do dia se pondo.
– Apesar de não ser completamente de noite, seu poder é ainda muito forte. – ela voltou sua atenção para seu Espírito. – Faça. – Marie ordenou.
Sem dizer mais nada, o Espírito apenas abriu seus olhos e uma fortíssima luz branca se formou por todo o local. Naquela claridade nada podia ser visto, só se escutava o grito de agonia de todas aquelas criaturas no local sem vaporizadas.
A Estrela fechou os olhos novamente, cessando toda aquela luz. Voltando a enxergar novamente, Marie só viu naquele lugar uma chuva de cinzas que havia sobrado dos demônios. Ela era a única criatura viva que restou naquele local, sem ser afetada pelo poder da Estrela.
Então olhou para o palanque novamente e garota não estava mais lá também, então presumiu que ela também havia sido eliminada pela Estrela.
Sem mais forças para continuar em pé, ela caiu de joelhos no chão e apoiou o resto do seu corpo sobre a lança que havia cravado ao seu lado. Ela então esticou um de seus braços e trouxe de volta a Estrela em forma de carta. Chamar dois Espíritos Arcanos um atrás do outro era cansativo, principalmente manter dois neste plano ao mesmo tempo.
***
Bem acima daquela abóboda, bem distante no céu, a garota de antes estava deitada de bruços sobre um cavalo demoníaco, observando Marie de longe. Mesmo tendo acabado de escapar da morte por pouco, a garota não parecia preocupada.
– Essa foi por pouco. – ela disse despreocupada. – Mas foi muito impressionante. Não imaginava que ela teria um Espírito tão poderoso. Bem... Não é a toa que ela é uma Madame. – de repente ela, um sorriso se formou em seu rosto. – É muito bom ter um inimigo a altura...
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