Notas iniciais
Capitulo novo, finalmente o/
Só avisando que no primeiro paragrafo que ta narrando é a Victória, ok? ;)

Na noite anterior...

“Eu corri. Ir até Marietta e Collet foi só uma desculpa. Eu queria ficar, realmente queria, mas se eu ficasse, teria que conversar com ele, conhecê-lo melhor, descobrir seu nome. Eu estava tão feliz, ele parecia ser uma pessoa legal e gentil, mas não, não quero me aproximar dele, não posso, não posso me arriscar. É contra as regras, não posso perder a Irmandade, ela é tudo que eu tenho. Talvez se o tivesse conhecido em outra vida, o destino poderia ser diferente...”



Já era de manhã, mais precisamente 8h, a manhã seguinte do Festival de Outono. Marietta se levanta da cama e se espanta ao ver Victória ainda deitada na cama que fica ao lado da dela:

– Vic?! Você dormindo ainda?! Você sempre levanta primeiro que todo mundo.

– Só estou um pouco cansada... — responde Victória murmurando de baixo das cobertas. – Daqui a pouco eu levanto...

– Ta... Mas você ta bem? – pergunta Marietta um pouco preocupada.

– Estou sim... Não se preocupe...

– Ta bem então... – responde Marietta ainda achando isso estranho. Ela se troca e sai do quarto para Victória descansar.

Ao ouvir a porta fechando, ela descobre rosto e fica com o olhar fixado no teto. Ela não havia conseguindo dormir direito aquela noite. Estava sonolenta e antes que percebesse voltou a dormir, e a ter o mesmo sonho que estava tendo há noite toda.

Estava chovendo, uma chuva muito pesada. O céu estava nublado, com nuvens densas, escurecendo o céu. Uma garotinha aparentando ter uns 7 ou 8 anos, de cabelos loiros compridos até a cintura, usando um vestido branco sujo de terra e descalça, estava num beco sentada no chão molhado e sendo banhada pela chuva. Ela estava abraçando as pernas e com a cabeça abaixada entre elas, com frio, sozinha, sem ter para onde ir.

Ela levantou a cabeça e olha para o céu chuvoso com aqueles estranhos e belos olhos vermelhos. As gotas geladas caiam em seu rosto, mas ela não ligava. Ela fecha os olhos e de repente as gotas param de cair sobre ela, quando os abre novamente vê que um guarda chuva a cobria. Uma mulher segurava o guarda chuva para ela e estende a mão para a garota. A garota estende a mão também, hesitou por um momento, mas logo segurou a mão da mulher.

Victória acorda novamente, já eram 9h30. Aquele não era um simples sonho para ela, era uma lembrança, sua primeira lembrança. Ela se senta na cama, encostando os pés no chão gelado, pensando se algum dia se lembraria de alguma coisa antes disso.

Desistindo de pensar sobre aquilo, ela se levanta e vai até a janela e vê que o tempo estava nublado, com nuvens claras, diferentes das do sonho. Prestando mais atenção lá fora, percebe que algumas garotas estavam agitadas com alguma coisa. Ela se troca e se arruma rapidamente, colocando um vestido de manga comprida e prendendo seu cabelo.



Já lá em baixo, varias garotas estavam do lado de fora, ao lado da entrada principal. Victória vai até elas, se amontoando entre a multidão:

– O que houve? – pergunta Victória para uma garota na frente dela.

– É a Brieta, ela voltou. – responde a garota.

Brieta Tenébres, a segunda mais forte da geração, a bela de cabelos brancos ondulados e olhos azuis claríssimos. Ela quase nunca estava na mansão, quando voltava saía logo em seguida para trabalhar novamente.

A multidão de garotas sussurravam coisas sobre ela enquanto ainda não chegava. “Sabia que ela acabou de voltar de um trabalho Classe A?”, ”Sério?! Nossa, nem mesmo Victória faz um desse sozinha.”, “É verdade, talvez Victória não seja tão forte assim...”. Victória ouvia tudo aquilo, mas não ligava, ela não fazia trabalhos sozinha porque simplesmente não gostava.

Brieta finalmente chega montada num cavalo até em frente à entrada principal, usando uma capa longa e escura, cobrindo todo o corpo. Ela desce do cavalo e desamarra um grande saco que estava preso ao lado dele. De repente, uma multidão de garotas a cerca perguntando como foi trabalho, mas ela não responde nenhuma delas.

– Brieta. – chama a Madame Marie seriamente em frente a porta principal aberta. – No meu escritório, agora. – ela se vira, entrando de volta para a mansão.

Todas se espantam, querendo saber o porquê de tudo aquilo. Brieta passa pela multidão levando junto o saco de couro, fazendo o que a Madame ordenou. Enquanto andava, seu olhar se direcionou por um segundo para Victória, que se gelou na hora, não sabendo há razão, apenas sentiu um calafrio, quase sempre isso acontecia quando ela se aproximava de Brieta.

Victória nunca se deu bem com Brieta, não que não gostasse dela, elas simplesmente não se comunicam muito. Brieta fazia isso com todo mundo, mas com Victória era diferente, ela sabia disso, só não sabia o porquê.


Flashback – On

Victória tinha 10 anos, usava o cabelo solto naquela época, comprido até o meio das costas, vestindo um vestido claro. Brieta tinha 11, seu cabelo era curto até os ombros e usava um vestido azul claro.

Ambas estavam de frente uma para outra há certa distancia, cercadas por uma multidão de outras garotas afastadas. Victória segurava uma de suas corrente na mão direita e Brieta segurava suas duas facas de cabos dourados uma em cada mão.

– Então, já sabem as regras. – afirmou uma mulher mais velha, de cabelo castanho escuro curto lisíssimo, entre as duas. – Nada de poderes, entenderam? – esclareceu a mulher para as duas, que apenas responderam acenando com a cabeça. – Ok... Comecem!

No mesmo instante, Brieta jogou uma de suas facas para cima de Victória, mas ela ricocheteou a faca com a sua corrente. Na hora, se via Brieta correndo velozmente na direção de Victória, mas de em vez atacar, como Victória havia pensando na hora, Brieta saltou por cima dela e foi parar atrás de Victória para pegar a faca que havia jogado.

Ao aterrissar e pegar a faca, ela já jogou as duas logo em seguida para cima de Victória novamente, mas dessa vez Victória saltou e lançou sua corrente que se esticou magicamente até Brieta e tentou chicotea-la, mas Brieta foi rápida e saltou pra trás e mais rápido ainda segurou a ponta da corrente que ainda estava no chão e puxou Victória para o chão com toda sua força.

Victória levantou com dificuldade do chão por causa da dor. Quando já estava de pé, Brieta aproveitou a oportunidade para jogar suas facas nela, as duas de uma vez. Victória reagiu mais rápido do que Brieta esperava e se desviou movendo o corpo para o lado, uma das facas passou de raspão no rosto dela, fazendo um leve corte.

Victória lançou sua corrente para cima de Brieta também, e Brieta se desviou como ela, mas em além de somente desviar, ela segurou a corrente.

Ela puxou a corrente, o que foi inesperado para Victória que soltou por causa do puxão. Agora as duas estavam desarmadas.

Brieta correu até Victória com sequencias de socos e chutes bem sincronizados, e Victória retribuiu com o mesmo.

As outras garotas e Ladies da casa assistiam a tensa luta, espantadas e impressionadas. Madame Marie observava a luta concentrada em sua sacada no terceiro andar da mansão com o rosto sem reações. Paola estava ao seu lado, com dificuldades de ver a luta por cima da grade da sacada.

A luta de socos e chutes continuava, não se sabia quem sairia vitoriosa dali. De repente, Victória conseguiu acertar um soco no rosto de Brieta, a fazendo ir um pouco para trás. Brieta ficou parada por alguns segundos com a mão no rosto onde havia atingindo, que já estava levemente roxo. Victória ficou atenta, mas ao mesmo tempo sem saber se atacava ou esperava Brieta fazer alguma coisa, até que então, ela sentiu alguma coisa em suas costas e é de repente puxada para o chão. Quando olhou para o seu corpo, viu alguns braços em forma de sombras enrolados em seus braços e pernas, deixando-o imóvel.

Brieta pegou a faca que estava do seu lado e velozmente correu em direção de Victória para ataca-la. Antes mesmo das Ladies reagirem para fazer alguma coisa, do nada, uma lança completamente de metal foi lançada de cima entre os alguns centímetros entre Brieta e Victória, cravando em pé no chão.

– Já chega Brieta. – disse a Madame, que havia jogado a lança, bastante séria. – Você desobedeceu à regra de usar poderes nessa luta. Você perdeu. Solte Victória.

Brieta não disse nada, apenas largou a faca e logo depois soltou Victória de suas sombras.

Todas se espantaram com aquele ar sombrio que Brieta estava na hora. Foi nesse dia que Victória percebeu que Brieta a olhava diferente.

Flashback – Off

– Nossa, a Brieta continua a dar calafrios como sempre. – resmunga Marietta que apareceu do nada ao seu lado, a fazendo perder seus pensamentos.

– É-É... Tem razão... – concorda Victória, ainda não estando muito com a cabeça no lugar.



Brieta acaba de entrar no escritório da Madame, que estava de costas pra ela, voltada para a janela.

– Como foi o trabalho? – pergunta a Madame ainda de costas. – Ocorreu tudo certo?

– Sim, senhora. – responde Brieta sem alteração na voz. – Aqui está o pagamento que recebemos. – ela coloca sobre a mesa o saco de couro que segurava.

Ele se abre um pouco e deixa visíveis os milhares de pequenos diamantes que estavam dentro dele.

– Ótimo. – afirma a Madame apenas a olhando de canto. – Então, você trouxe o outro conteúdo do cofre? Aquele que não era para ser entregue ao cliente.

– Sim, senhora. – responde Brieta colocando a mão esquerda dentro da capa que usava. – Aqui está. Como ordenou. – ela entrega uma pequena e fina caixa retangular de madeira, com um desenho de uma lua crescente entalhado na tampa.

Marie vira-se e pega a caixa das mãos de Brieta. Ela levanta a tampa levemente e assim que levanta apenas alguns centímetros sai de dentro da caixa um fraco brilho amarelo. Marie solta um sorriso de canto, satisfeita, e fecha a caixa novamente.

– Ótimo, bom trabalho. E por favor, não conte isso para as outras. – pede a Madame séria com o pedido.

– Como desejar, Madame. – responde Brieta seguido de uma reverencia. Ela se vira em direção à saída.

– Espere Brieta. – chama a Madame. – Pretende ficar mais tempo dessa vez?

– Não, desejo pegar o próximo serviço o mais rápido que puder, se for possível, Madame. – responde Brieta de costas para a Madame.

– Bem, faça como quiser. – afirma a Madame com o ar de indiferente.

Após ouvir a resposta, Brieta sai do escritório. Marie senta relaxada na poltrona da mesa de seu escritório, soltando um suspiro desanimado. “Queria que ela fosse mais normal...” pensa a Madame descontente.

Segundos depois ela se ajeita em sua poltrona e pega a caixa que a Brieta havia entregado. Ela abre a caixa por completa dessa vez, aumentando um pouco mais o brilho amarelado que havia saído antes. Dentro dela, ela retira uma carta de tarô, que era fonte de luz da caixa. A carta soltava uma leve luz amarela, com a numeração 18 romano e a escritura da carta em relevo, ambas em dourado. Ao centro, havia o desenho de uma lua crescente azulada.

– Agora só faltam 10... – ela sussurra para si mesma parecendo satisfeita e confiante, olhando a brilhante carta em suas mãos.



O tempo muda, agora não estava só nublado, mas também garoando. Victória estava na biblioteca, sentada em uma mesa ao lado de uma janela grande.

Ela estava com o seu caderno de desenho sobre a mesa e um lápis girando na mão, mas seu rosto estava voltado para a janela, parecendo distraída. No seu caderno estava um desenho semiacabado de um casal dançando juntos, a mulher se parecia com Victória e o homem parecia o rapaz que Victória havia dançado junto, Christofer, cuja ela não sabia seu nome ainda.

– Hm... Quem é? – pergunta Collet que apareceu do nada ao seu lado, com o olhar curioso fixado no desenho.

– N-N-N-Não é ninguém!! – responde Victória levando um susto e escondendo o caderno em seus braços.

– Ahhhhh... Já sei! É o rapaz da noite passada não é mesmo? — pergunta Collet parecendo ler a mente de Victória. – Gostou dele?

– C-C-Claro que não! – ela respondeu constrangida e brava olhando para Collet.

– Hm... Então por que desenhou ele? – pergunta Collet curiosa.

– É que... Ele era, como posso dizer... Agradável... – responde Victória constrangida e evitando contato visual com Collet

– Isso se chama “gostar”, sabia? – Collet diz sarcasticamente.

– Mesmo se eu gostar... Eu não posso, nós não podemos, você sabe muito bem disso.

– Ora, deixa disso, eu sei que as regras da Irmandade diz que não devemos ter relacionamentos, mas você acha mesmo que nenhuma garota daqui já não saiu com alguém? – pergunta Collet ironicamente.

– Bem... Isso é verdade. Ah, não importa, provavelmente eu não vou me encontrar com ele de novo. – Victória confirma meio que entristecida.

– Digamos que você o encontre sem querer de novo, promete que vai falar com ele?

– Hã?

– Promete? – pressiona Collet.

– Eh... – Victória se sente pressionada e forçada a responder alguma coisa. — Ta, prometo. – ela responde incerta.

– Ótimo! Tenho que ir fazer uma coisa agora, até mais tarde. – Collet sai animada da biblioteca, acenando para Victória.

– Collet tem razão. – diz Pepita saindo do nada atrás de uma estante na frente de Victória. – Você é muito presa aqui, tem que aproveitar mais lá fora.

– Presa? – Victória fica confusa. — Collet não disse nada disso.

– É, mas foi o que ela quis dizer. – Pepita sai da biblioteca também.



Victória sobe para o andar de cima, onde ficam os dormitórios, para ir até seu quarto. Enquanto passava pelo corredor, Brieta estava indo em sua direção. Victória sente aquele calafrio de novo e Brieta passa por ela sem dizer nada ou olhar para ela.

– Eh... Brieta! – Victória a chama por reflexo, não sabia por que havia chamado ela.

Brieta simplesmente para e a olha de canto.

– É... Que... – Victória sentia que tinha que dizer alguma coisa, mas não sabia o que. – N-Nada, nada não.

Brieta volta a andar, como se nada tivesse acontecido, até que ela para novamente.

– Victória. – chama Brieta de costa para Victória. – Você... — Brieta não termina a frase. – Nada, esqueça... – e volta a seguir seu curso de novo.

Victória, confusa, apenas entra em seu quarto e vê que Marietta estava lá dentro, tirando seus sabres de cavalaria de dentro de uma mala especifica para eles.

– O que aconteceu? – pergunta Victória.

Marietta apenas se vira para ela e lhe mostra um envelope fechado com um selo vermelho de cera, e no remetente havia o nome de Marietta escrito à mão. Victória e Marietta sabia o que aquilo significava: Trabalho.


Notas finais
espero que tenham gostado ^^
Se alguém não gostou do Christofer não ter aparecido nesse capitulo caaaaalma que logo logo ele aparece de novo :3
Se tiver algum erro de ortografia me desculpem porque eu to gripada, então meu cérebro não funcionou direito KKK