Labirinto de Callif
4 Invasão
Acordei, já não estou mais dentro do labirinto. Para falar-lhe a verdade não sei aonde estou. É um lugar lindo, a margem de um rio, tudo aqui é extremamente tranquilo. Estou deitada sobre uma rede tecida cuidadosamente, com um frescor de rosas, mas algo incomoda-me.
-Desculpe-me por ter feito você ficar aqui fora, Kiara.
Lá estava o dono da voz que eu ouvira antes de entregar-me ao cansaço.
-Elliot!
Sentei-me na rede para dividi-la com ele, que aceitou o espaço e sentou.
-Mas, Elliot, como você achou-me?
-Você estava bem perto daqui e chorava desesperadamente, não podia deixar de ajudar.
-Você sabia que era eu?
Ele sorriu para mim.
-Apenas quando vi sua trança.
Elliot não estava com cara de querer dar muitas explicações, por isso, preferi permanecer calada.
-Suas pernas devem estar doloridas.
Agora que eu havia dado-me conta do que está incomodando-me, as minhas pernas.
-Um pouco.
-Você parece triste.
-Pareço?
-Sim, seu rosto não está tão iluminado quanto antes.
-São alguns problemas.
Nunca gostei de contar os meus problemas, sempre preferi falar sobre coisas mais alegres. Acho que Elliot percebeu isso, pois preferiu mudar de assunto.
-Bom, bem-vinda ao meu lar!
-Você mora aqui?
-Sim.
-Puxa, é lindo!
-Obrigado. Confesso que foi um pouco difícil de encontrá-lo, mas quando finalmente o achamos... Foi como encontrar o paraíso.
Naquele momento uma mulher apareceu, provavelmente a mãe de Elliot, ela é muito diferente. Tem as orelhas bem pontudas, os cabelos muito longos e ela é albina.
-Você é a Kiara, não é mesmo?
-Sim.
Ela fez um cumprimento estranho que eu não conhecia, Elliot disse-me bem baixo que é uma maneira do povo dele se cumprimentar e eu tentei fazê-lo, mas confesso que minha tentativa foi em vão.
-Sou Cristal, a mãe de Elliot.
Eu sorri para ela, Cristal por outro lado não fez questão de retribuir. Uma flecha, que por sinal, igual á que o Ricco havia achado, passou bem perto do rosto de Cristal e atingiu em cheio uma árvore há muitos metros de distância dela. Uma pequenina garota e um rapazinho bem parecido com ela, surgiram por trás de uma árvore, sorridentes.
-Eu disse-lhe, Luna, que iria conseguir!
-Ah, Demetri, mas você usou a nossa mãe como ponto de apoio.
-Não usei nada!
Elliot falou novamente bem baixo.
-São os meus irmãos, esses são gêmeos, a Luna e o Demetri, eles sempre andam com suas flechas.
Era muito bom ver a inocência das crianças, seus sorrisos sinceros e suas palavras ingênuas. Os dois vieram até mim e fizeram o cumprimento do povo deles, dessa vez eu apenas fiz o cumprimento do meu povoado.
-Olha, ela não é igual a nós! -- A pequenina Luna dizia enquanto brincava com os meus cabelos.
-Deixem a garota em paz! -- Um homem muito parecido com as crianças tentava livrar meus cabelos de Luna e Demetri.
Quando ele finalmente conseguiu, virou-se para mim.
-Sou Zafir, pai de Elliot.
-Muito prazer senhor, sou Kiara.
Cristal apareceu com uma caneca.
-Beba isso, irá fazer-lhe bem.
A caneca estava extremamente quente, dei um pequeno gole para tentar descobrir do que era feito, mas era um sabor muito diferente. Elliot mais uma vez percebendo minha dúvida, já começou a explicar do que o chá era feito.
-É canela com uma fruta rara que tem aqui perto.
Eu sorri para ele, realmente o sabor daquela fruta era muito bom, mas eu nunca a havia provado.
-Esse chá cura algumas dores -- Agora Elliot olhava fixamente para o rio á nossa frente -- Logo suas pernas irão melhorar.
De repente Elliot colocou-se em alerta, levantou-se da rede, pegou uma espada que estava á nossa frente e ficou parado, parado feito uma pedra.
-Elliot?
Ele apenas pediu silêncio para todos. Em alguns segundos o silêncio havia tomado conta do lugar.
-Bom dia, senhores.
Naquele momento um homem extremamente alto aproximou-se ferozmente de nós, ele estava com sua armadura pronta para o ataque. O homem tentou atacar Elliot, entrei em pânico. Zafir puxou-me junto com a Luna e a Cristal e levou-nos rapidamente para dentro da casa deles.
-Fiquem aqui, haja o que houver, não saiam daqui!
Cristal segurava Luna em seu colo e empurrou-me para subir umas escadas que estavam á nossa frente.
-Cristal, nós temos que ajudá-los!
-Não -- Era incrível como ela conseguia ficar calma -- Você ouviu o quê o Zafir disse, iremos permanecer aqui!
-Cristal...
-Obedeça-me!
As escadas pareciam não ter fim, mas quando finalmente chegamos, percebi o porque que devia de ser tão alto. O lugar era uma cabine, onde dava para ver tudo o que passava-se em baixo da casa. As pessoas que agora lutavam já haviam aumentado. Com Elliot havia cerca de cinquenta pessoas a mais e com o outro homem que havia tentado atacá-lo havia mais pessoas ainda, porém, todos lutavam bravamente. Cristal segurava em suas mãos um enorme arco-e-flecha e ela deu um igual para Luna, as duas miraram e lançaram certeiramente em um dos homens já muito cansados. Eu seguia Elliot com meus olhos, ele tinha muita agilidade e coragem. Quando muitos viraram poucos, Cristal virou-se para mim.
-Não é bom para ninguém ter de olhar isso, não é mesmo? Desculpe-me, mas não posso deixar você passar por isso.
Antes que eu tentasse falar algo, ela pegou um incenso muito forte que estava dentro de uma jarra e colocou na minha frente. O cheiro foi penetrando entre o meu nariz, aquilo foi deixando-me cada vez mais tonta, por um momento não sabia mais o que estava passando-se e a última coisa que vi, foi Elliot levando um golpe na barriga, então o cheiro tomou conta de mim e fez-me cair no chão sem ter conciência sobre nada de mim.
Fale com o autor