La mia mitá

11 Veritas. E um par de olhos verdes.


Notas iniciais
Oi gente!! Pois é galera eu sei.Eu sei que sumi completamente do mapa e deixei vocês numa espera horrível. Me desculpem.Eu tive uns problemas e tive que deixar em pause todos projeto paralelo, por assim dizer. Mas agora estou de volta. Esse capitulo é dedicado a: ->lua azul ->MochiChan Pras vocês duas meus sinceros agradecimentos pelas recomendações. Aproveitem. Boa leitura todo mundo!

A casa Sonserina sempre foi conhecida pela ambição de seus membros.Por causa disso não surpreenderia ninguém que os jogos de poder fossem praticamente uma segunda natureza das serpentes.Era fato que demonstrações de força eram mais que necessárias para manter status e posição, no entanto a casa de Salazar distava muito de ser uma tribo primitiva onde a força bruta prevalece.Para manter sua posição como príncipe na casa o jovem Malfoy precisava de mais do que força .Ele necessitava de uma enorme habilidade para resolver os problemas internos sem recorrer a ninguém fora da casa.

E essa habilidade, para sorte ou azar do garoto , nunca lhe faltou.Algumas vezes os problemas com os quais tinha que lidar eram fáceis, noutras nem tanto.Ainda era muito cedo para dizer que tinha a lealdade completa da casa, mas já havia conquistado ao decorrer do ano um respeito relutante que podia não ser o objetivo final,mas era sem duvida um bom começo.E esse respeito titubeante era a causa de que um novo problema houvesse sido entregue a ele para ser resolvido .

De fato nos últimos três ou quatro dias os alunos dos últimos anos queixavam-se de um insistente barulho em seus dormitórios.Não era nada que devesse preocupar muito.Até que o maldito zumbido alcançou a sala comunal e depois se expandiu pelos corredores,deixando claro que se não fosse detido logo ninguém na casa verde e prata poderia dormir bem.Seria sensato avisar ao chefe de casa e deixar que os professores resolvessem.Mas as coisas não funcionavam assim na sonserina.Havia alguém que devia resolver os problemas das serpentes, alguém que eles respeitavam o suficiente para acreditar que resolveria essa questão.

E essa era razão pela qual Draco e seus amigos passariam aquele sábado a noite percorrendo todos os recantos das masmorras em busca da origem daquele som.Para cobrir mais terrenos se dividiram duplas : Theo e Vince, Greg e Pansy e finalmente Draco e Blaise.Zabini e Malfoy ficaram encarregados dos setores inferiores e estavam revistando sua terceira sala vazia quando sentiram uma das paredes laterais vibrar.Intrigados saíram para corredor para investigar o outro lado da parede e talvez encontrar a fonte da vibração.Acabaram entrando em um escuro e úmido corredor, com passos cuidados perceberam que ali o chão também vibrava debaixo dos pés, dando uma sensação incomoda.

Trocando um olhar de precaução avançaram lentamente,e Blaise ficou iluminando enquanto Draco manteve a varinha na defensiva. O loiro se mantinha dois passos a frente vasculhando atentamente o que podia estar a frente, o negro mantinha –se a direita e ao fundo com os olhos inquietos.Até que Draco escutou uma exclamação abafada do companheiro.

–Ah!

Quando voltou-se para o amigo, com o coração acelerado e um feitiço na ponta da língua, o encontrou enfiado até a cintura no chão.

–Blaise?-chamou- O que aconteceu?

–Ladrilho falso eu acho.-disse colocando as mãos ao lado do corpo e tentando se impulsionar-Merda! Não consigo sair!

–Espera, eu vou te puxar, prenda a respiração!-pediu o loiro antes de segurar o amigo pelas axilas e puxar.

–Ah!Para,para, para! Você vai me arrebentar!-reclamou Blaise tentando se safar do agarre.

–Tá bom. Acho que é tarde pra sugerir um regime- disse Draco cruzando os braços.

–Engraçadinho.Eu não estou gordo, não mais do que você.Descruze os braços e faça alguma coisa!

–Não mais do que eu? Não mais do que Vince, ou Greg isso sim.E pare de reclamar! Você se enfiou aí sozinho.-disse o loiro com um meio sorriso.

– O que? Draco Cygnus Black Malfoy me tire daqui agora mesmo!! –bradou Blaise indignado.

–Tá bem. Accio Blaise.

–Ahh!Seu infeliz! –disse Zabine enquanto seus braços se estendiam em direção ao loiro como um bebe pedindo colo,por causa dom feitiço-Que idéia é essa?Quer separar minhas pernas de mim?

Finite.-disse o Malfoy e o braços do outro garoto abaixaram.-Cara ,como voce se enfiou aí?

–Eu.não.sei!-sibilou Blaise contendo a irritação.

–Tá vou tentar outra coisa.-respondeu o loiro e apontou a varinha ao amigo-Wingardium leviosa!!

–Ahhh!!!Pareeeee!-bradou Blaise com braços levantados acima da cabeça como se fossem separar-se do menino.

–O.k. Desisto.-Draco passou a mão pelos cabelos e então olhou para o colega decidido.-Vou explodir o piso

–O que??-Blaise arregalou os olhos-NÃO SE ATRE...

–Bombarda!!!

BOOM.O piso cedeu ao redor de Blaise. E debaixo dos pés de Draco, e em todo maldito corredor vibratório.

–Cof, cof.-tossiu o loiro em meio a poeira, sentou-se no chão e viu seu amigo deitado um pouco mais a frente, foi até ele e sacudiu o ombro- Blaise , você ta legal?

–Eu estou vivo?-perguntou o negro de olhos fechados.

–Sim.-respondeu Draco.

–Eu..estou.uh.. inteiro?-tornou a perguntar Zabine.

–Com todos os pedaços, é. –confirmou o Malfoy olhando o corpo do amigo.

–Graças a Merlim!!-exclamou Blaise e se levantou de um salto-Muito bem.Eu provavelmente deveria te matar agora.Mas considerando que não tenho idéia de onde estamos e muito menos de como saímos daqui, vou adiar sua morte pra quando estivermos no salão comunal.

–Eu tirei você do buraco não tirei?Então não faça drama!E você sabe tão bem quanto eu que você nunca me mataria.-disse o loiro cruzando os braços.

–Oh verdade. Eu nunca faria algo banal como matar.Vou simplesmente contar a Pansy

–Pansy? Acha que ela vai fazer algo porque lancei um bombarda perto de você?

–Não. Acho que ela vai te lançar um crucio quando souber quem abriu o diário dela.

–Você não faria isso!-exclamou o loiro com toque de indignação na voz.

–Sério?-perguntou Blaise com a ironia impregnada na voz.

–O que você quer?-cedeu o loiro com a voz séria.

– O relatório de poções.E alguns chocolates suíços.

–O relatório tudo bem,mas não meus chocolates.

–Você quer mesmo que conte a Pansy?

–Depende. Você quer que eu conte ao Theo o que realmente aconteceu com crup dele?

–O.K. O relatório de poções.Perfeito.

Amizades na sonserina eram assim.Lealdade e fidelidade sempre, mas isso não queria dizer nem meio por meio segundo que algumas ‘trocas de favores’ não fosse acontecer.Para algumas pessoas poderia parecer chantagem deslavada ,mas amizades sonserinas tinham matizes que só uma serpente poderia entender,e esse era um deles. Os dois garotos selaram o acordo com um assentimento e olharam ao redor, estavam nos esgotos.Mais precisamente nas margens de um malcheiroso e enorme encanamento,que parecia mais um pequeno e artificial riacho.

–Graças a Merlim não caímos aí dentro.-disse Blaise olhando atentamente as escuras águas .

–Sim,foi sorte.Mas temo que nossa boa sorte vá terminar por aqui.-disse o loiro se aproximando das margens.

–O que quer dizer?-perguntou Blaise parando ao lado de Draco.

Draco apontou para cima e foi com choque que Blaise viu como as pedras desmoronadas voltavam a seus lugares ,vibrando num som extremamente familiar.

–O que diabos está acontecendo?-perguntou Zabine sem desviar os olhos das pedras flutuantes.

–Hogwarts está se consertando.É um lugar mágico, pode auto-reparar pequenos danos.Um corredor não é muita coisa, proporcionalmente falando.O castelo faz isso sempre, ou você acha mesmo que duraria mil anos com punhado de elfos e Filch?-respondeu o Malfoy exercitando seus conhecimentos de Hogwarts: uma história.

–Mas então esse som que nos perturbava...

–Vinha provavelmente de algum conserto nos esgotos.Algo grande,mas realmente acabaria passando em alguns dias.-assentiu Draco

–Legal!Resolvemos o mistério!Vamos comemorar!-festejou Zabine.

Draco cruzou os braços e olhou a Blaise como se ele fosse um grande idiota.

–Blaise.Você realmente não está se dando conta de nossa situação ou simplesmente está fingindo não notar?-perguntou o príncipe sonserino.

–O que você quer dizer?-perguntou Blaise confuso.

–O.K. Você não sabe como temos que sair daqui, certo?-disse o loiro lentamente querendo confirmar .

–Bom suponho que não por onde viemos.Não dá pra levitar porque não tem chão no corredor pra “pousarmos”, não acho que um de nós conheça um jeito de se mover nas paredes.Hum, chamamos alguém?-especulou Blaise.

–Certo.E como esse alguém nos tiraria daqui?Um accio não teria alcance de onde ainda há chão até aqui.Esperar até ter chão é estúpido,porque ele teria de ser derrubado encima de nós.-disse o loiro querendo que o amigo se desse conta de qual era o ponto.

–Então como saímos?-perguntou Zabine.

Draco apontou a água escura.

–O que?Não, não.Não!Vamos só caminhar ,aqui nas margens, não tem nenhuma razão pra nos enfiarmos aí.-indignou-se o sonserino.

–Blaise, estamos nas margens sim,mas elas só duram até a próxima parede ,no fim do corredor.Dali a água atravessa a parede por um aqueduto.Teremos de entrar nele.-disse o Malfoy apontando uma parede alguns metros na frente onde havia uma abertura que provava seu argumento.

–Vamos mergulhar nisso?-questionou Blaise incrédulo apontando as águas escuras.

–Não.Não somos tão altos,conseguimos passar de pé.Vamos caminhar aí, não mergulhar.-disse o loiro com meio sorriso.

Blaise abriu a boca como se quisesse dizer algo,mas tornou a fechá-la.Esgotos, Merlim essas coisas não vinham na descrição de cargo de liderança sonserina.O garoto adiantou-se e fez uma careta quando enfiou os pés nas águas fétidas e frias. Draco entrou logo depois ,mas assumiu a frente.Começaram a caminhar com a água na cintura e nem um pouco cômodos com a situação.

–Argh.Sabe essa coisa de liderar a sonserina não incluía um passeio nos esgotos, pelo menos não antes de você.Sério Draco, como uma coisa boa e vantajosa pode ficar tão retorcida?-perguntou Blaise.

–Porque estamos envolvidos. É sempre assim, de uma forma louca e anormal nos metemos por vontade própria nesses rolos.-respondeu o loiro dando de ombros.

–Por vontade própria? Não acho que a gente realmente saiba o tamanho do rolo antes e decida se meter.A gente meio que mira no que vê, acerta no que não vê e arca com as conseqüências.-disse o negro e depois contorceu o rosto numa careta- Argh!!Que nojo!!Molhado e fedido!Isso arruína minha reputação!

–Molhado?Você não está usando feitiço impermeabilizante?-estranhou Draco.

–O que?Você está?-perguntou Blaise parando de andar.

–É claro que estou.Que tipo de idiota se molharia no esgoto sendo mago?-disse o loiro com um sorriso zombeteiro nos lábios. Blaise estreitou os olhos de forma perigosa e apontou a varinha em direção ao Malfoy.

Finite.-disse ele , e rosto de Draco se contorceu pelo contato com a água fria-Pronto esse par de idiotas.Agora andando.

–As vezes eu te odeio Blaise.-disse Draco voltando a caminhar.

–Eu sei.Também te odeio as vezes.-respondeu o Zabine com um leve sorriso torcendo seus lábios.

Os dois caminharam em silencio por muito tempo, cruzando aquedutos nas paredes e se perguntando silenciosamente quanto ainda faltava para darem com uma saída.Até que finalmente encontraram uma abertura que parecia dar ao ar livre. Avançaram até ela e encontraram um pântano.Deviam estar em algum lugar do bosque proibido.Trocaram um olhar de entendimento antes de saírem dos esgotos e entrarem naquele novo terreno.

–Que lugar horrível.-disse Draco enquanto tentava caminhar em meio a lama.

–Ufff.Aqui fede mais que la dentro -respondeu Blaise também lutando contra lama- Acho que nunca mais vou poder cheirar nada na vida.Esse fedor destruiu minhas células olfativas.

–Gostaria que tivesse destruído as minhas.Estou tendo que respirar pela boca.E se você disser meia palavra sobre gosto ou sabor eu te afogo.-disse o loiro olhando feio para o negro que ergue as mãos em sinal de paz, apesar do divertimento em seu rosto.

Quando finalmente alcançaram um terreno firme estavam irreconhecíveis.Estavam arfantes e cobertos de lama escura e fedorenta.Depois de desancarem alguns segundos usaram feitiços de limpeza básicos.Conseguiram se livrar da maior parte da lama.Mas tinham certeza de ainda cheirarem muito mal.

–Bom vejamos isso pelo lado bom .-disse Draco

–Que lado bom?

–Com esse fedor de coisa podre e morta não acho que possamos atrair alguma coisa faminta.

–Você acha que os dementadores sentem cheiro?Porque senão e cruzarmos com alguma dessas coisas ,que caçam Black, estaremos fritos.

–Eu não sei, estava pensando mais nos lobisomens.

–Como é?Diz que você não disse o que eu acho que disse.

–Bom é lua cheia não?

Blaise gemeu e se aproximou mais do loiro.

–Certo, então que bom que estamos fedendo e não atrairemos lobisomens famintos.Certo.Pra que lado temos que ir mesmo?

Draco sacou a varinha e com um ‘me oriente’, os dois se puseram a caminhar na direção indicada o mais rápido que podiam sem fazer muito barulho.Estavam certos de terem alcançado algum lugar mais próximo ao castelo quando a temperatura do ambiente começou a cair.Os dois garotos se entreolharam e se puseram costas contra costas.Varinhas e punho, uma posição totalmente defensiva.

Os olhos vasculhavam as árvores esperando a aproximação de uma figura sombria e mortal de algum dementador.Mas nenhuma apareceu, foi quando Blaise levantou os olhos para o céu e viu dezenas de dementadores ruzando até algum lugar não muito longe dali.Nãso pode impedir uma exclamação abafada que fez Draco olhar para mesma direção que o negro observava.

–Sirius.- sussurrou e num impulso correu em direção a aglomeração de dementadores.

–Draco!-gritou Blaise tentando alcançar o amigo-Draco temos que correr pro outro lado!O que voce está fazendo?Draco!!!-chamou pondo a mão no ombro do loiro e fazendo com que o outro garoto parasse de correr.

–Vá pro castelo Blaise!Agora!-disse Draco segurando o amigo pelos ombros.

–O que? Não ! Nós vamos pro castelo!-disse o moreno se safando agarre e segurando o antebraço do loiro.

–Blaise!Eu estou mandando!Vá pro castelo agora!!Não diga nada a ninguém!É uma ordem!

Zabine encarou o amigo incrédulo, Draco estava usando sua autoridade de príncipe sonserino com ele!!Oh!Merlim!Havia fúria e determinação naqueles olhos.Blaise assentiu, apertou o braço do amigo num pedido mudo de que se cuidasse e correu em direção ao castelo.Tinha que encontrar seus amigos e fazer alguma coisa.Não sabia o que,mas tinha de fazer algo, mesmo contra vontade do príncipe sonserino.

Draco correu com tudo que suas pernas davam, estava tão concentrado em chegar que chocou-se com um corpo maior e ambos foram ao chão.Quando conseguiu se separar deu de cara com os olhos negros de Severus Snape.

–Draco?O que você está fazendo aqui?

–Eu poderia perguntar o mesmo padrinho.-disse o loiro se levantando.-De qualquer forma é uma longa história e não tenho tempo agora.

–Olhe como fala comigo Draco.-disse o homem-Você vai voltar pro castelo agora e mais tarde vai me explicar tudo e... e.. que cheiro horrível é esse?

–Hum...sou eu..Bom é um história realmente longa padrinho.

–Céus menino.-Severus levantou a varinha e apontou para Draco, que sentiu uma leve brisa morna o percorrer.Quando olhou para seu corpo se viu tão impecável e cheiroso quanto sempre.

–Obrigado.

–Fiz isso por mim.Seu fedor estava me enjoando.Agora sai daqui, vá pro castelo.

–Ah meu Merlim!-disse o menino se lembrando de repente porque estava ali e com tanta pressa. Se virou e voltou a correr.

–Draco!-chamou seu padrinho ,mas ele não lhe deu ouvidos .

Estava quase alcançando o lugar onde os dementadores estavam quando um grande clarão branco o obrigou a fechar os olhos por um momento.Quando os abriu e voltou a correr adentrou em uma pequena clareira.E ali ele viu três corpos caídos, pálidos.Sirius Black, Hermione Granger e Harry Potter.Não pensou simplesmente correu para onde Potter estava deitado e buscou por pulsação em seu pescoço.Quando encontrou soltou o ar que nem reparou estar contendo.Deixou o rosto cair por um momento sobre o peito do moreno.

–Merda!-ouviu a exclamação e viu seu padrinho se aproximando.

–Potter está vivo.-declarou e viu o homem moreno assentir e se dirigir até onde estava a garota.

–Granger também.-disse Snape agachado ao lado da garota.

Draco se levantou e se dirigiu a Sirius.

–Black também está vivo.-declarou com um suspiro aliviado.

Severus olhou de forma indecifrável para Draco, que por via das dúvidas desviou os olhos.Não queria responder nenhuma pergunta.Não podia responder.

–Temos que levá-los pro castelo.-declarou o professor.

Draco enrijeceu.Merda!Levar Sirius ao castelo era o mesmo que entregá-lo a Askaban.Devia impedir.A questão era: como?Se voltou ao seu padrinho tentando pensar em como explicaria a inocência de Sirius.

–Padrinho...-chamou sem ter muita certeza de como começar.

Antes que o home pudesse responder ao chamado eles ouviram um barulho, ramos se partindo a frente deles.Ambos sacaram as varinhas e com um olhar se colocaram entre o som e as três pessoas inconscientes.Do meio das árvores surgiu um enorme e negro lobisomem.

–Merda, esse não é Lupin.-disse o professor.

Draco não entendeu o comentário, cravou os olhos cinzentos nos vermelhos da gigante criatura diante deles.Havia fúria e desejo de sangue nas profundezas daqueles olhos.Era uma besta irracional e cruel.Draco estremeceu e apertou a varinha.Estava com medo,mas também estava com raiva.Raiva daquela criatura que queria destrocar a todos eles. Deixou aquele sentimento crescer, e começou a deixar suas lembranças fluírem, raiva, fúria.Sua magia aquecia, como se feita de fogo.Um fogo feito de fúria.

–Padrinho, pegue-os e saia daqui.-disse com voz fria e dando um passo em direção ao lobisomem.

–Draco, você enlouqueceu?-disse o professor com a voz baixa e sibilante.

Draco desviou os olhos da criatura para seu professor por um instante.Apenas tempo o suficiente para que ele notasse a fenda vertical eles.A principal marca dos olhos dos dragões.

–Confie em mim.-disse o menino voltando a olhar para criatura que rosnava baixo e ameaçadoramente.

O pocionista sentiu uma pontada de angustia, mas sendo um homem tão acostumado a tomar decisões difíceis, ainda que terríveis, levitou os três corpos desmaiados e saiu do lugar. Quando o lobisomem percebeu a movimentação voltou a cabeça para pocionista e fez um movimento que indicava a intenção de atacar.Mas Draco rosnou e atraiu para si a atenção da criatura sombria.

O lobisomem grunhiu e avançou, a boca aberta, os dentes expostos de forma ameaçadoras, com saliva grossa escorrendo para o chão.Draco ergueu a varinha sentindo aquela força furiosa ardendo dentro de si e gritou

–Incendio!!!

Foi lançado para trás pela força do feitiço, exatamente da mesma forma que ele e seus amigos foram impulsionados naquela vez em que foram atacados pelos escorpiões no território dos prodígios.Era a força da fúria de fogo.Draco levantou os olhos e viu o lobisomem se debatendo entre as chamas.Chamas que eram vermelhas como sangue e vibravam com força , furiosamente combatendo aquela criatura.Os alaridos de dor não demoraram a cessar.

Mas as chamas não se extinguiram.A fúria de fogo consumia toda e qualquer coisa viva em seu caminho,até que não restasse nada além das construções vazias.Era algo arrasador, que podia destruir todos os habitantes de um castelo, sem romper uma janela.Porque caçava e destruía vida. Conforme Draco se acalmava e sua raiva sumia as chamas vermelhas desapareciam. Aquele fogo que era uma das maiores armas dos senhores de dragões se pagou completamente.O menino loiro se deixou cair sentado, exausto depois de tanta tensão.Sentiu um ardor na mão esquerda e só então reparou que caíra sobre uma pedra e que tinha um corte sangrando e sujando seus dedos.

Suspirou, não era nada grave ou preocupante mas não podia fiar ali sem atrair atenção do dragão do bosque.E embora soubesse que estaria seguro com ele não podia ficar e preocupar ainda mais seu padrinho e amigos.Empurrou para longe um irritante voz de sua consciência que dizia que também queria saber como estava Potter.Se levantou e fechou o pequeno corte, depois caminhou devagar mas com determinação em direção ao antigo e misterioso castelo.

Quando alcançou a entrada do castelo viu seu padrinho sério junto com seus amigos que estavam preocupados caminhando e conversando agitadamente.Pansy foi a primeira a vê-lo e se lançou contra seus braços, fazendo o menino loiro cambalear pelo peso extra.Logo todos seus amigos o estavam rodeando e falando ao mesmo tempo, Draco não os compreendia.Estava tão cansado.Buscou os olhos de seu padrinho e perguntou com a voz enrouquecida:

–Eles estão bem?

O homem assentiu e o garoto deu um leve sorriso e fechou os olhos, estava tão cansado.Os sonserinos tomaram um tremendo susto quando as pernas de Draco cederam e o garoto quase foi ao chão.Pansy e Theo conseguiram segurá-lo a tempo.Severus o examinou rapidamente querendo detectar uma possível mordida, ao não encontrar nada levou o garoto até os dormitórios.Draco dormiu pelo resto da noite e durante boa parte do dia seguinte.Quando acordou se deparou com a noticia da espetacular e misteriosa fuga de Sirius Black. Esse fato colocou um pequeno sorriso no rosto do sonserino, que não abandonou seu rosto nem quando teve que explicar para seus amigos o que tinha acontecido desde que se separou de Blaise.É claro que esse sorriso lhe rendeu um monte de novas perguntas, que por sua vez o fizeram ter de explicar sua amizade com o notório “assassino” Sirius Orion Black.

Depois teve de ouvir um sermão interminável de Theo e Pansy sobre perigos desnecessários e estupidez que deixou seus ouvidos doloridos.Mas ele definitivamente não se queixava, achava que era um gesto de carinho, um tanto irritante é verdade, mas ainda assim prova de amizade daqueles dois.

Antes do jantar Draco resolveu devolver alguns livros a biblioteca e aproveitar para caminhar um pouco depois de passar boa parte do dia na cama.Quando alcançou o corredor na biblioteca viu a figura de Harry Potter vindo em direção contrária a sua.Por um momento pensou em dar meia volta e ir para as masmorras.mas depois decidiu que não era a melhor atitude.Estava farto de se esconder e fugir de Potter o tempo todo.Não fizera nada de errado, não tinha porque ficar fugindo de Potter.Afinal o que não te mata te faz mais forte, e acontecesse o que quer que fosse só se tornaria ais forte.Decidido continuou seu caminho sem olhar para o moreno.Mas quando passou a frente dele ,sentiu uma mão segurando seu braço.

–Nós temos que conversar Draco.-disse o moreno.

–Nós não temos nada pra conversar Potter.-respondeu o loiro puxando o braço.

–Draco,por favor!Você tem que me ouvir!-disse Potter usando a outra mão para manter o agarre sobre o braço do Malfoy.

–Já não ficou bem claro que não vai conseguir se vingar desse jeito?Busque uma outra forma de vingar seu amigo Potter, uma que te deixe bem longe de mim.-disse o sonserino com a voz cheia de raiva contida.

–Eu não quis me vingar!Será que não entende?Nunca houve uma vingança, você entendeu tudo errado!-exclamou o moreno, nervoso e apertando as mãos no braço de Draco.

–Não tente me explicar o que eu vi Potter. Não importa o que pense de mim.Não sou estúpido.-disse o loiro tentando novamente se livrar das mãos do moreno, sem sucesso.

–Mas está agindo como um!Pare de tentar fugir de mim e me ouça!-disse o moreno com algo de desespero na voz lutando para segurar o loiro.

–Te ouvir?Te ouvir?Eu não vou te ouvir Potter.Eu te avisei que se me traísse seria apenas uma vez.Então agora não venha me dizer que eu tenho que te ouvir.Eu não tenho que fazer nada.-disse o sonserino erguendo um pouco tom de voz enfatizando a palavra ter.

–Draco por favor!Foi um mal entendido!-disse o moreno com voz um tanto tremula.

–Não me importa o que você diga.Não tenho nenhuma razão pra confiar em você.Nunca vou confiar em você.

Harry soltou Draco e se afastou dois passos como se tivesse levado um soco.Draco o olhou apenas por um instante e deu as costas a ele, decidindo ir paras as masmorras.Não tinha dado dois passos quando a voz do moreno o fez parar :

–Eu posso provar!

–O que você disse?-perguntou sem se voltar.

–Que posso provar que não estou mentindo.Por favor, Draco me deixe fazer isso.-disse o moreno se aproximando do sonserino.

–Provar?Como?-quis saber Malfoy se virando para encarar o grifinório.

–Eu..nesses dias em que você me evitava eu entendi que não adiantava te explicar o que aconteceu.Você nunca ia acreditar em mim.Então eu comecei a procurar uma coisa que pudesse ajudar.Algo que pudesse provar que eu não estou mentindo.E achei.Uma poção da verdade.-explicou o Potter falando rapidamente.

–Veritasserum.-concluiu o sonserino.

–Isso.-confirmou o moreno- Se eu tomar veritasserum você vai poder saber o que aconteceu.Vai saber que não estou mentindo.

Draco ficou em silencio avaliando a expressão de Harry e tentando encontrar qual era a armadilha ali.

–Por favor.-pediu o moreno baixinho.

Aqueles enormes olhos verdes o fitavam.Estavam tão cheios de tristeza ,como um filhote machucado.Draco não podia resistir aquilo.Por mais que seus instintos gritassem para se afastar, que o moreno significava sofrimento, que era melhor ir.Aqueles olhos, malditos olhos, tão verdes, tão ternos.

–Está bem.Mas eu vou conseguir a poção do estoque de Severus.-disse o loiro sentindo uma curiosidade incomoda zumbir em sua mente.

–Quando..quando quer fazer isso?-quis saber Harry com uma expressão ansiosa.

–Agora.Me espera na sala de encantamentos, está vazia hoje.Vou conseguir a poção.-declarou o loiro saindo sem esperar resposta.

O garoto loiro se dirigiu até a sala de aula de poções para conseguir a poção.Conhecendo bem os hábitos de seu padrinhos, não foi difícil localizar o pequeno frasco, o apanhou e se dirigiu para sala de encantamentos.O rosto sério e frio não delatava o ritmo acelerado de seu coração,que parecia querer explodir de expectativa.

Abriu a porta da sala e viu o garoto moreno sentado sobre uma mesa.Harry ergueu os olhos e deu-lhe um pequeno sorriso.Draco se aproximou, sério e estendeu ao outro garoto o frasco.

–Um gole deve bastar.Não tome muito ou vai se envenenar.

–Certo.-respondeu Harry destapando o pequeno frasco e tomando um gole.Depois devolveu o vidro ao loiro.

Draco cruzou os braços e esperou alguns minutos.

–Certo.Qual é a cor da sua cueca?

–Cinza.-respondeu Harry corando em seguida.

–Mostra pra mim.-pediu o loiro.

–O que?-balbuciou o moreno sem acreditar no que ouvia.

–Potter puxe a barra da cueca pra eu ver a cor.Quero saber se a poção fez efeito.Não pedi pra abaixar a calça nem nada.-explicou Draco revirando os olhos.

–Satisfeito?-quis saber Harry mostrando a barra cinzenta no cós na calça.

–Muito.Bom você se aproximou de mim pra se vingar?-disse Draco direto ao ponto.

–Não.-respondeu Harry olhando diretamente nos olhos de Malfoy.

–Então porque?-perguntou Draco antes de poder se conter.

–Porque eu vi você.Eu te vi e você não era um bastardo completo.Era algo desconhecido, mas não de uma forma ruim.De um jeito interessante.Bom.Eu não te conheço e quis conhecer.Quis muito.Eu sinto coisas estranhas quanto te olho, quando estou perto.E você sabe porque.E eu também quero saber.

Harry se calou e começou a torcer as mãos.Estava inquieto e envergonhado, suas bochechas estavam um pouco rosadas. Draco não sabia o que sentir. Fora um mal entendido.Um puto erro de comunicação.Vacilou por um momento,mas quis confirmar.

–Porque os Wesleys falaram sobre uma vingança?

–Porque eles me viram com você.E como todo mundo pensa que te odeio eles acharam que só podia ser um plano.E a melhor razão era a coisa do hipogrifo.Foi uma idéia deles ,não tive nada com isso.-declarou o moreno.

Draco assimilou a explicação,mas uma parte retumbou em sua mente “todo mundo pensa que te odeio”. Como assim todo mundo pensa?Não deveria ser todo mundo sabe?A menos que...não pode evitar perguntar.

–Você não me odeia?

–Não como antes.-disse Harry negando com a cabeça.

–Não como antes?Como me odiava antes?-insistiu Draco querendo desperadamente entender o moreno.

–Eu te odiava mais que tudo.Mas agora..agora eu não sei.Não odeio mais.Me sinto...bem , como na enfermaria.E isso me assusta.Pode parar com isso?Não quero te contar essas coisas.

Draco sorriu.Sentias um calor no peito que era difícil definir e então ele não tentou.Se aproximou de Harry e o abraçou.Forte.Sentiu o moreno abraçá-lo também.E sorriu, se afastou um pouco para olhar para Harry e viu aqueles olhos verdes esmeralda brilhantes.Havia paz ali,num simples olhar. Era como voltar para casa depois de uma longa viagem.Ergueu uma mão e acariciou uma bochecha com a ponta dos dedos.Harry entreabriu os lábios para suspirar.E Draco fixou os olhos naqueles lábios, tão diferentes dos seus.

Sem dar tempo para duvidas ou pensamentos incômodos se aproximou do rosto do moreno e uniu sés lábios.Harry enrijeceu de susto mas o loiro não se afastou.Com a língua acariciou o lábio superior no moreno com gentileza.O grifinório abriu a boca e Draco não recusou o convite.Suas línguas se encontraram e ambos estremeceram, se exploravam de forma ansiosa,daqueles que sentem mais do que sabem expressar.Era um primeiro beijo com paixão demais e experiência de menos, resultando em dentes se chocando e talvez saliva demais.Mas não importava.Era perfeito em sua inocência e falta de jeito.

Quando o ar começou a ser reclamado o loiro quebrou o beijo.Antes que ele pudesse dizer alguma coisa Harry o empurrou, Draco olhou desconcertado e viu aqueles olhos o encarando feridos e irritados.

–Não tem graça!-gritou Harry

–O que?-perguntou Draco sem entender o que estava acontecendo.

–Não é engraçado Malfoy!Zombar de mim assim é cruel!-gritou o moreno totalmente furioso.

–Zombar?Harry do que você está falando?Quando zombei de você?-perguntou o loiro sem entender absolutamente nada do que o moreno dizia.

–Com esse beijo estúpido!Eu digo que sinto coisas por você e então você resolve me beijar pra rir de mim!-bradou Harry e seus olhos se encheram de lágrimas.

–Como é?Você enlouqueceu? Eu não beijei você por isso!-disse Draco se entender como diabos podia ter dado essa impressão.

–Não minta Malfoy!Você acha que eu não vejo como todos olham pra você? Até Hermione cora quando você chega muito perto!Hermione que te detesta!Você pode ter qualquer um!-então a voz do moreno baixou e num sussurro completou -Porque ia querer a mim?

–Harry..-chamou o loiro sem saber o que dizer diante daquela expressão de auto desprezo do moreno.

–Idiota.-disse o moreno e se apressou para sair da sala.

–Harry, espera!-disse segurando o braço do moreno-Olha pra mim.Vamos olha pra mim.

Harry ergueu os olhos verdes e imensos para Draco.O loiro sacou o vidrinho da poção da verdade do bolso e mostrou ao moreno.Soltou o grifinório e destampou o frasco e bebeu um gole.Harry olhava sem acreditar no que estava vendo.

–Pergunte.

–O que?-quis saber o moreno com ar confuso.

–Pergunte porque beijei você.-insistiu Draco sentindo a poção percorrer seu corpo.

–Qual a cor da sua cueca?-perguntou o moreno

–Verde.-respondeu o loiro com um to róseo invadindo suas bochechas levemente -Porque fez isso?

–Me certificando.Mostra pra mim.-disse Harry

–Feliz?-perguntou o loiro puxando a ponta do tecido pra fora da calça.

–Porque me beijou?-perguntou o grifinório ao invés de responder.

–Porque eu gosto de você.Me sinto bem ao seu lado.Mais do que poderia me sentir ao lado de qualquer outro.Não importa quem eu posso ter.Eu quero você.-declarou Draco se aproximando mais do moreno.

–Porque eu?-insistiu o moreno.

–Porque é só você Harry.Meu segredo mais profundo, meu céu e meu inferno.Minha punição e recompensa.-disse Draco o abraçando.

–Você fala essas coisa pra todo mundo?-perguntou Harry com o rosto escondido no peito do outro.

–Essas coisas?-disse o loiro se fazendo de desentendido.

–Sim essas coisas bonitas.-disse Harry.

–Não eu não falo.Essas coisas bonitas são um hábito de músico eu acho.-disse o loiro erguendo uma das mãos para acariciar os cabelos negros e bagunçados.

–Músico.Você canta?Toca?-quis saber Harry levantando a cabeça para olhar Draco.

–Sim e sim.Harry, pode por favor não me perguntar?A poção ainda está funcionando.-disse o sonserino.

–Está bem.Draco.E agora?-perguntou o grifinório.

–E agora o que?

–Nós.O que faremos agora.-explicou Harry.

–Voce lembra quando eu disse que eu não podia deixar meu pai saber se fossemos amigos?-disse o loiro com voz séria.

–Lembro sim.-respondeu o moreno.

–Pois é , eu não posso.-disse o loiro.-E por isso ninguém pode saber sobre nós.Ninguém que vá contar ao menos.

–Porque não?-quis saber Harry.

–Eu prometo que vou explicar pra você.Mas não agora.Temos que conversar com calma e hoje não temos tempo.Podemos conversar amanhã, é o ultimo sábado aqui e vai ter saída a Hogsmead.Ficamos no castelo e conversamos sobre isso.Tudo bem?

–Ta bom.Eu ainda posso falar com Hermione sobre..sobre nós?-questionou o grifinório.

–Se achar que ela pode guardar segredo,sim você pode.-disse o loiro.

–Draco..o que nós somos?-perguntou hesitante o moreno.

–Somos amigos.-declarou o loiro e viu como a decepção tingia aqueles olhos verdes e então prosseguiu-E se você quiser..namorados.Você quer?

–Eu..nunca namorei ninguém.-disse Harry corado.

–Eu também não.E sei que não vamos estar muito tempo juntos esse ano, afinal vamos embora na segunda mas..ainda temos o ano que vem.-disse Draco sentindo um repentino nervosismo.Harry não queria namorar ainda?Queria esperar mais?Ou não queria namorar com ele?

–Eu quero.-disse o moreno arrancando um sorriso enorme do loiro.

Draco sorriu e abraçou o moreno.Sentindo o leve perfume de coco dos cabelos negros

–Draco?Temos que ir.-disse Harry

–Eu sei.-respondeu o sonserino sem soltar o moreno.

Alguns instantes depois o loiro se separou do moreno e o olhou então se aproximou e lhe deu um selinho demorado,mas não tentou aprofundar.

–Até amanhã Harry.Nos encontramos aqui depois que todos saírem pra Hogsmead.

–Até amanhã Draco.-respondeu o moreno saindo primeiro da sala.

Draco não foi jantar naquele dia.Esta tão agitado, simplesmente não sabia o que sentir.Girava num turbilhão sem nenhum controle.Estava tão estupidamente feliz por ter sido um engano que poderia dançar , estava tão furioso com os Wesley por se meterem onde não deveria, frustrado consigo mesmo por não ter ouvido antes, ansioso por ver Harry de novo, preocupado com a reação do moreno a tudo que tinha que contar, com medo das coisas saírem mal, temeroso de seu pai descobrir, eufórico por poder chamá-lo de seu namorado. Céus parecia que a qualquer momento ele poderia explodir de tantos sentimentos que se agitavam dentro de si.

E nesse estado era óbvio que não conseguisse dormir.Depois de rolar na cama decidiu levantar.Embora seu peito estivesse repleto de emoções, em sua mente tudo que hava era um par de olhos verdes. Para lidar com todas aquelas emoções Draco fez a única coisa que sabia, as deixou sair em forma de notas, versos e compassos . Quando a nova música ficou pronta o dia estava nascendo.Assim o menino decidiu aproveitar para se arrumar com calma, não fazia sentido tentar dormir agora.A ansiedade de seu iminente encontro jamais permitiria.

Pegou novamente o pequeno livro vermelho e rumou para seu encontro.Antes de alcançar a sala de encantamentos resolveu passar pela sala de música para buscar um violão.Queria mostrar a cancã para Harry, afinal ela fora feita para ele.Quando alcançou finalmente a sala o grifinório já estava lá.Sorrindo Draco entrou.

–Bom dia!-saudou o loiro.

–Bom dia!-respondeu Harry- Para que esse violão?Vai cantar pra mim?

Draco corou e respondeu.

–Hã...sim.Bom é que ontem eu meio que..estava pensando em você..e ai...bom eu costumo compor quando sinto coisas que não sei expressar.E bom eu escrevi e resolvi mostra.Mas..talvez seja uma má idéia e...

–Draco você está balbuciando!-interrompeu Harry sorrindo- Você compôs uma música pra mim?Numa noite?

–Eu..sim.-respondeu o loiro sem olhar o moreno.

–Eu posso ouvir?- pediu Harry.

–Ahn ta.Bom senta ali.E eu preciso de uma cadeira também-disse o loiro fazendo um gesto vago e direção as cadeiras.

Harry trouxe duas, e as acomodou frente a frente.Draco se sentou um pouco nervoso e afinou o violão.Não que precisasse,mas ele tinha que se acalmar antes de tocar.Pigarreou um pouco e então começou tocando suavemente.Com o olhar fixo na parede, longe dos olhos de Harry.

– Querido, você é uma rocha/ Sobre a qual eu fico em pé/ E eu vim aqui pra conversar/ Espero que você entenda / Os olhos verdes /Sim, o refletor de luz/
Brilha sobre você/ E como poderia /Alguém / Rejeitar você?

Draco então voltou os olhos para Harry que o olhava com a boca entreaberta e os olhos arregalados, os lábios de Draco se curvaram levemente para cima e ele seguiu:

Eu cheguei aqui com um fardo / E ele parece tão mais leve /Agora que te encontrei / E, querido, você deveria saber / Que eu nunca poderia continuar/ Sem você /Olhos verdes.

Draco viu como Harry cobria a boca com a mão, para depois sorrir brilhantemente .Fazendo com que um par de lágrimas fugidias escorrerem pelo rosto moreno.A voz de Draco tremeu com a visão,mas ele não parou.

Querido, você é o mar/ Sobre o qual eu flutuo / E eu vim aqui pra conversar
Eu acho que você deveria saber / Olhos verdes /Você é aquela que /Eu queria encontrar / Qualquer um que / Tentou rejeitar você /Deve estar fora de si .

Harry limpou os olhos,mas outras lágrimas vieram.Ele simplesmente não podia acreditar na letra daquela canção, feita pra ele.Naquela voz tão linda,mas acima de tudo naquele par de olhos cinzentos que brilhavam com mais força enquanto Draco continuava a canção.

–Porque eu cheguei aqui com um fardo / E ele parece tão mais leve / Desde que eu encontrei você / E, querida, você deveria saber / Que eu nunca poderia continuar
Sem você / Olhos verdes / Olhos verdes/ohohohoh/Ohohohoh/Ohohohoh/Ohohohoh
Querida, você é uma rocha / Sobre a qual eu fico em pé...

As notas foram morrendo e quando elas pararam Draco não teve tempo de reagir porque Harry literalmente saltou sobre ele.O loiro deixou o violão de lado e abraçou forte o moreno.

–Essa foi a coisa mais linda que já fizeram por mim!Foi você mesmo quem fez?Pra mim?

–Claro que sim.Precisa que eu tome veritasserum pra ter certeza?- perguntou Draco meio de brincadeira,meio sério.

–Não.Eu confio em você!-disse rapidamente o moreno não gostando da expressão do loiro.

–Eu também confio em você Harry.-disse Draco acariciando o rosto do moreno.

–Mesmo?Então é bom deixar claro que essa coisa de poção da verdade nunca mais vai acontecer.Se confiamos um no outro acreditaremos no que for dito.Está bem?-disse Harry muito sério.

–Claro.Eu concordo plenamente.-disse o loiro.

Harry sorriu e Draco se aproximou e lhe roubou um selinho.O moreno corou.

–Alguém já te disse que você cora de forma adorável?-disse Draco sorrindo.

–Draco!-repreendeu Harry corando ainda mais.

–O que? É verdade!-reclamou o loiro com a voz divertida.

–Você é um idiota!-disse o grifinório dando um tapa no sonserino.

–Sou o seu idiota.-respondeu o loiro com ar altivo.

Harry atingiu novos tons de vermelho com a declaração.

–Harry se acalma!Parece que você vai ter um ataque ou coisa assim!-disse Draco contendo uma risada.

–Então pare de implicar comigo!!-brigou o moreno.

–Tá bem.Nós temos de conversar.-disse o loiro recuperando a seriedade.

–Sim você tem que me explicar um monte de coisas.-concordou Harry.

O loiro assentiu e retirou o pequeno livro vermelho de suas vestes.Colocou o exemplar entre as mãos de Harry e disse:

–Nesse livro você vai encontrar as respostas do porque me odiava tanto e agora é meu namorado, assim desse jeito tão repentino.Não é uma loucura por mais que pareça uma.Leia com calma nesse verão e você vai entender que tudo isso tem sentido.

–Tá bem.Mas e você não ia me explicar o porque de tanto segredo?-disse o moreno guardando o livro.

–Lendo o livro você vai entender um pouco do porque.Mas o resto.-Draco remexeu o bolso e sacou um envelope- Está nessa carta.Eu pretendia te falar tudo ,mas eu não quero estragar nossa manhã juntos.Todo mundo vai estar de volta pro almoço e eu não quero perder nosso tempo junto falando de coisas ruins.

–Está bem.-disse o moreno guardando o envelope junto com o livro.

–E Harry- começou o loiro- independente do que você descobrir, tudo que está nessa canção é verdadeiro.Confie em mim .

–Eu confio.-então o moreno se aproximou e pela primeira vez beijou Draco, ao invés de ser beijado por ele.

Durante o resto da manhã eles conversaram e Harry praticamente obrigou o loiro a cantar várias vezes sua música, além de exigir a letra pra levar pra casa.Os dois conversaram e riram naquelas poucas horas com uma felicidade que nunca tinham sentido antes.Quando o tema de conversa caiu nas férias o moreno disse que talvez fosse ao mundial de quadribol,fazendo com que Draco, que tinha decidido não ir para ficar longe de seu pai, dizer alegremente que também iria e assim eles poderiam se ver antes das aulas começarem.Se despediram com um beijo, e com a promessa de se verem no mundial.

Na viagem do expresso Draco estava numa cabine com seus amigos quando lhe perguntaram o que ele faria nas férias ,ele respondeu que iria ao mundial de quadribol e todos seus amigos etranharam

–Mas você tinha decidido não ir!-disse Pansy.-O que fez você mudar de idéia?

– A verdade. –disse o loiro com um sorriso e então completou- E um par de olhos verdes.

E ignorando a confusão de seus amigos Draco se limitou a olhar a paisagem e sorrir.Esse seria o mundial mais ansiado de sua vida.O primeiro ao lado de sua mitá.

Notas finais
A música do capitulo é uma tradução de Green eyes do Coldplay https://www.youtube.com/watch?v=4uAy-9m8_Tw E eu pensei que deveria compensar vocês por continuarem aqui mesmo com essa megaparada. Por isso em caráter especial vou deixar que vocês decidam quem vem no próximo capitulo: leões, serpentes ou ambos. E só dizer quem você prefere no comentário . Vou dar uma semana pra vocês. Se der empate eu vou deixar o voto de minerva pra quem comentou em todos os capítulos,afinal seria merecido.Então votem ,mas não esqueçam de dizer o que acharam do capitulo!!