La mia mitá

1 Ilusão perdida.


Notas iniciais
Oi gente.E começa a aventura.Eu espero que você gostem e por favor comente,é a única maneira de eu saber como a história está. Contém trechos dos livros.

Aquele era um ano especial para Draco Malfoy.Naquele ano ele completava onze anos e finalmente ingressaria em Hogwarts. O garotinho loiro passou muito tempo desejando que seu pai permitisse que ele estudasse nesse castelo, e não porque seu padrinho era professor ali, nem mesmo pelo status e tradição da antiga escola de magia e bruxaria. Mas simplesmente porque essa fora a escola de seus pais e ele gostaria muito de ser como eles um dia. Poderosos, fortes e felizes.

Ser feliz com uma família era uma coisa importante para menino loiro .Muito importe já que ele sempre consolava Crabbe e Goyle por conta das grandes discussões entre os pais, que eram seguidas de meses de ausência onde eles viajavam separados e por longas semanas. Os garotos deveriam ficar com elfos mas sempre que podiam se refugiavam na imensa mansão Malfoy, sob a proteção de Draco. E Pansy sempre dizia que os Crabbe e os Goyle abandonavam os filhos e brigavam porque não eram felizes. Então o pequeno Malfoy havia decidido que seria tão feliz quanto seus pais, que estavam sempre com ele, e assim ele nunca teria de deixar seus filhos tristes como Greg e Vince.

Seus pais haviam se conhecido em Hogwarts então aquele deveria ser um bom lugar pra se encontrar a esposa com quem ser feliz. Mas ele não tinha a menor ideia de como encontrar essa garota nem de como saberia que ela lhe faria feliz. Então durante um jantar ele resolveu que deveria simplesmente perguntar.

-Papai?-chamou-Posso fazer perguntar uma coisa?

-O que é Draco?-perguntou Lucius sem levantar os olhos do prato.

-Como é que sei que uma garota é a certa pra casar e ser feliz?-questionou sério.

Narcisa arqueou as sobrancelhas e olhou do filho para o marido, que havia congelado no meio do movimento de levar o garfo aos lábios.Depois de alguns segundos e refeito da surpresa o patriarca perguntou lentamente

-O que você disse?

-Como é que sei que uma garota é a certa pra casar e ser feliz?- repetiu o garotinho.

-Bom ela deve ser bonita, inteligente, ser de boa família.-respondeu o homem.

-E você deve gostar da companhia dele, se sentir bem ao seu lado. Você tem que gostar dela.-completou Narcisa.

-Como Pansy?-perguntou o pensativo.

-Sim como Pansy.—confirmou Lucius trocando um olhar divertido com sua esposa.

-Mas...Pansy é como uma irmã que é muito chata,mas que sempre me ajuda.Eu tenho que escolher uma garota que seja como uma irmã?-perguntou duvidando.

-Não querido.-disse Narcisa.-Você vais gostar dela de um jeito diferente.

-Como minha amada?Igual o que acontece nos seus livros de romance?

-Sim.-confirmou levemente ruborizada.

-Mas se ela não me quiser eu morro igual as veelas dos seus livros?-perguntou preocupado.

-Não Draco você não morre.-respondeu a mulher ainda mais avermelhada.

-Porque não?-quis saber o garotinho.

-Filho,veelas são criaturas mágicas que tem uma ligação de sangue,alma e magia com seus consortes.Nós somos magos ,nos apaixonamos e casamos estabelecendo um vínculo mágico que é por toda vida.Sem o casamento não existe vínculo então não morremos se a pessoa que queremos nos rejeitar.Mas você não tem que se preocupar,ninguém rejeita um Malfoy.-explicou Lucius com ar auto suficiente.

-Então os magos nunca se ligam com alma e sangue?-perguntou o menino

-Bem nós podemos sim nos ligar dessa maneira.Mas não é fácil,porque não podemos escolher com quem ou mesmo se vamos ou não se ligar a essa pessoa.É uma coisa que nasce com os magos.E é muito raro de acontecer.Chamamos essas pessoa especial de ma moitié.(minha metade em francês)ou mia mità(em italiano).-explicou o patriarca.

-E como eu sei que encontrei essa pessoa?

-Você vai saber Draco-disse Narcisa-Porque seu coração lhe dirá.

O menino assentiu pensativo e então perguntou:

-Mas pai e o quadro do tio avô Sêneca ?

-O que tem ele?

-Outro dia estávamos conversando ele disse que queria que eu encontrasse um quadro perdido.De um bruxo chamado Jean Andrews ,eu o busquei e colequei a seu lado.Ele sorriu e disse que estava muito feliz e agradecido pela ajuda quando eu perguntei porque ele disse:”porque ele é ma moitié e sentia sua falta.”É verdade?

-Sim.Sêneca Malfoy foi um dos poucos bruxos a encontrar sua moitié.-confirmou o homem.

-Mas Jean era um mago não uma bruxa.Isso quer dizer que se eu encontrar mia mità ele pode ser um bruxo?-quis saber Draco.

-Sim querido.-respondeu Narcisa dessa vez.-Alguns magos acabam se casando com outros magos seja porque se apaixonam seja porque encontraram sua mità.Mas eles são muito poucos por isso você estranhou.

-E não há nada de errado com isso Draco.-continou Lucius.-Se dois magos de boa linhagem quiserem se unir serão tão respeitados quanto qualquer casal sangue-puro. Apenas muggles e sangus ruins acham errado porque entre a escória dois homens não podem deixar descendência.

-Ahn.E como é que sei se eu quero me unir com um garoto ao invés de uma garota?

E nessa noite Draco presenciou um fato que jamais pensou assistir, seu pai ruborizando levemente.

-Chega de perguntas por hoje Draco. Amanhã temos um dia cheio no beco diagonal.-interveio Narcisa.

Durante um bom tempo antes de dormir Draco ficou pensando na conversa que teve com seus pais.E chegou a conclusão que agora as coisas estavam ainda mais complicadas do que antes.Agora ele deveria estar ainda mais atento porque sua mitá poderia estar andando por ai e se ele pudesse encontra-la seria tão feliz quanto as veelas dos livros de sua mãe quando seu escolhido fica com elas no final. Com um sorriso adormeceu.

No outro dia ele e sua mãe foram fazer as compras de suas vestes e materiais para Hogwarts.Ele ganhou uma majestosa águia real como mascote,junto com sua mãe comprou seus livros e foi até a Madame Malkins para conseguir suas vestes.Na loja Narcisa o deixou sozinho para provar enquanto ela foi verificar uma varinhas,equanto Lucius os esperava na Floreio e Borrões.

Ele estava diante do espelho quando entrou um garoto franzino e com um cabelo negro azeviche bagunçado.Ele não era o tipo de garoto que chamaria a atenção de Draco normalmente,ou mesmo alguém com que ele tentaria fazer amizade mas havia alguma coisa diferente nele.Algo que o fazia querer atrair a atenção dele.Alguma coisa inexplicável que parecia atraí-lo para aquele garoto magrelo e querer ser seu amigo.

— Alô — cumprimentou — Hogwarts também?

— É — confirmou o garoto olhando para Draco.E o loirinho não conseguiu prestar atenção em seus traços porque seus olhos verde esmeralda tragaram toda sua atenção.

— Meu pai está na loja ao lado comprando meus livros e minha mãe está mais adiante procurando varinhas — disse puxando algum assunto — Depois vou levar os dois para dar uma olhada nas vassouras de corridas. Não vejo por que os alunos de primeira série não podem ter vassouras individuais. Acho que vou obrigar papai a me comprar uma e vou contrabandeá-la para a escola às escondidas.

Mas o menino o ignorou completamente .E Draco começou a se sentir nervoso, mas jamais deixaria um desconhecido saber que estava nervoso.Talvez o menino não gostasse de falar sobre pais.Pansy não gostava.Então era melhor tentar algo mais divertido.

— Você tem vassoura? — perguntou.

— Não.-respondeu o menino.Bom nem todos os pais davam vassouras para os filhos antes da escola.Tentou novamente:

— Sabe jogar Quadribol?

— Não — respondeu novamente o garoto.

— Eu sei, meu pai falou que vai ser um crime se não me escolherem para jogar pela minha casa, e sou obrigado a dizer que concordo.-disse com um sorriso,quem sabe esse garoto não gostaria que ele lhe ensinasse? Draco sabia ser um bom professor afinal conseguira ensinar Greg e Vince, que detestavam voar ,a serem batedores respeitáveis.

Mas o menino não disse nada e Draco resolveu continuar,deveria ter algum assunto que esse menino quisesse conversar! Se não voar e quadribol poderia ser..Hogwarts afinal que bruxo não estaria ansioso com a escola?

- Já sabe em que casa você vai ficar?

— Não — respondeu outra vez.

— Bom ninguém sabe mesmo até chegar lá, não é?-admitiu o loiro.- Mas sei que vou ficar na Sonserina, toda a nossa família ficou lá, imagine ficar na Lufa-Lufa, acho que eu saia da escola, você não?

— Hum-hum — concordou o garoto.

Para a satisfação de Draco que já estava começando a se desesperar com a sequência de negativas. Nunca fora tão difícil manter uma conversa antes!Mas pelo menos agora parecia estar funcionando. Só que ele não sabia mais que assunto puxar para tentar obter alguma reação.

E simplesmente não queria desistir de tentar porque mesmo respondendo apenas monossílabos Draco sabia que a voz do garoto lhe agradava tanto quanto seus olhos verdes.O que era uma coisa estranha ele nunca reparara na voz de algum de seus amigos antes.Mas então ele viu uma figura na porta e estremeceu.Um homem enorme estava diante dela com dois sorvetes.O homem parecia um tanto gigante.

Draco detestava gigantes porque um deles havia matado seu tio favorito.O único primo de seu pai.E talvez fosse besteira mas também não lhe agradavam pessoas grandes demais.Fosse porque lhe lembrassem de gigantes, fosse porque sentia-se vulnerável diante delas e ele sempre odiou sentir-se assim: frágil.

— Caramba, olha aquele homem! — falou o garoto de repente indicando com a cabeça a vitrine.

— É o Rúbeo — disse o garoto parecendo contente — Ele trabalha em Hogwarts.

— Ah ouvi falar dele. –disse Draco se esforçando para lembrar de onde ouvira falar de um meio gigante-E uma espécie de empregado, não é?

— É o guarda-caça — explicou o moreno.

— É, isso mesmo. –concordou Draco e então se lembrou do que ouvira sobre ele-Ouvi falar que é uma espécie de selvagem. Mora num barraco no terreno da escola e de vez em quando toma um pileque, tenta fazer mágicas e acaba tocando fogo na cama.

— Acho que ele é brilhante — retorquiu o garoto com frieza.

— Ah, é? — disse com um leve desdém. O que é que aquele homem enorme poderia ter de tão especial para agradar esse garoto? O que um simples guarda-caça tinha de melhor que voar ou jogar quadribol?Então Draco percebeu que havia alguma coisa fora de lugar no fato de esse homem estar acompanhando o menino.

— Porque é que ele está acompanhando você? Onde estão os seus pais?-perguntou

— Estão mortos — respondeu o garoto secamente.

— Ah, lamento — disse sem querer parecer lamentar nada.

Detestava quando sentiam pena de si , e seu amigo Theodore sempre dizia que quando lamentavam sua mãe haver morrido era porque tinham pena dele.E Draco não queria que esse garoto tão esquivo pensasse que ele sentia pena.Então lhe ocorreu outra coisa e seu os pais desse garoto fossem muggles?Seus pais nunca deixariam ele ser amigo de um sangue ruim.E ele nunca enfrentava seus pais.Bem quase nunca.Haviam certas coisas que ele fazia escondido.Então decidiu que se o garoto dos olhos verdes fosse um sangue ruim ele seria seu amigo secreto.E ele lhe ensinaria o que é ser um bruxo de verdade e talvez,só talvez , seus pais pudessem aceita-lo.

— Mas eram do nosso povo, não eram?-perguntou.

— Eram bruxos, se é isso que você está perguntando.-respondeu o garoto parecendo irritado.

Draco sentiu como se um peso que ele nem sabia carregar saísse de seu peito.Isso tornava as coisas fáceis.Ele não precisaria esconder um sague puro.Porque ele entedia o que é ser um bruxo.E sendo assim ele tinha até mais um assunto para puxar conversa.

— Eu realmente acho que não deviam deixar outro tipo de gente entrar, e você? Não são iguais a nós, nunca foram educados para conhecer o nosso modo de viver. Alguns nunca sequer ouviram falar de Hogwarts até receberem a carta, imagine. Acho que deviam manter a coisa entre as famílias de bruxos.-falou com um tom cúmplice e foi só então que decidiu perguntar de que família era o tal garoto- Por falar nisso, como é o seu sobrenome?

Mas antes que ele pudesse responder, Madame Malkin anunciou ao garoto:

— Terminei com você, querido.

E o garoto aproveitando a desculpa para interromper a conversa , pulou do banquinho para o chão.

— Bom, vejo você em Hogwarts, suponho — disse Draco numa última tentativa ,mas o garoto não lhe respondeu.

Quando sua prova acabou Draco encontrou sua mãe o esperando na frente da loja. Mas ele não tentou puxar nenhuma conversa com ela. Seus pensamentos não paravam de girar em torno daquele menino estranho e calado. Alcançaram a livraria onde Draco continuou alheio ao que acontecia ao seu redor. Seus pais estranharam o comportamento dele ,mas nada disseram. Resolveram leva-lo para ver as vassouras, nesse momento os pensamentos do menino passaram a lhe dizer que talvez aquele menino não fosse assim tão calado, ou ranzinza. Talvez ele simplesmente não gostasse de Draco. E então ele sentiu-se mal,um tanto quanto tonto.Ele tentou ignorar o mal estar.Até que o mundo começou a rodar diante de si.

-Draco?-ouviu uma voz chamando-Você está bem?

-Eu..não sei.-disse vagarosamente e cerrou os olhos para tentar fazer o mundo parar de girar.

Sentiu quando os braços de seu pai o erguiam do chão e depois sentiu um tirão no umbigo.A tontura piorou e ele sentiu ânsias e não as conteve. Sua mente estava muito confusa e ele simplesmente perdeu os sentidos.Quando voltou a si estava em sua cama e sua mãe segurava sua mãe.

-O que aconteceu?-perguntou com voz pastosa.

-Draco!-disse Narcisa-Que bom que você acordou.

-Mamãe ,o que houve?-insistiu.

-Sua pressão baixou de repente Draco. Como se você houvesse passado por uma situação estressante. E quando seu pai aparatou com você seus níveis de magia se desestabilizaram e então você desmaiou.

-Ahn E porque isso aconteceu?-quis saber o menino.

-Eu não sei querido. Mas você não deve se preocupar com isso .Já está tudo bem apenas descanse.-disse beijando sua testa e se voltando pra sair.

-Mamãe?-chamou o menino

-Sim Draco?-perguntou ela se voltando

-Eu realmente estou bem , ninguém me azarou nem nada parecido. Papai não precisa azarar o medimago pra achar uma explicação .-disse com sorriso sutil que foi retribuído pela mãe com assentimento de cabeça.

Draco esteve de repouso durante o resto do dia por insistência de sua mãe, mas não voltou a sentir-se mal outra vez. No entanto ele estava mais reflexivo do que o normal .Não queria brincar com seus amigos e passava boa parte do tempo voando sozinho, ou lendo. Nenhuma companhia parecia boa o suficiente ,ele até se sentia mais sozinho quando estava com seus amigos e por isso preferia estar de fato longe de todos.

O menino nãos sabia o que lhe acontecia ,mas sabia que não estava feliz. Nenhum pouco feliz.Então certa tarde resolveu visitar os quadros de seu tio avô Sêneca e seu marido Jean.Seu tio avô era uma companhia agradável,e Jean também não lhe pareceu nada mal quando o retirou de um dos muitos quartos da mansão e o levou até o corredor onde estava Sêneca.Decidido ele foi até os quadros.

-Olá tio Sêneca.Olá Jean.-saudou.

-Olá Draco.-respondeu Jean.

-E então pequeno o que faz aqui com um par de quadros velhos nesse dia tão bonito?-quis saber Sêneca. Draco suspirou.

-Eu vim conversar.Acho que não estou feliz e nem mesmo sei o que é que está me acontecendo.-explicou o garotinho.

-É mesmo?Mas se você era feliz antes e agora não é mais é porque algo mudou.Então talvez se você nos contar qual a última coisa que você lembra ter feito quando ainda estava feliz possamos ajudar.-disse Jean.

-Bom.-disse o menino-Eu estava na loja de madame Malkins.

E então Draco narrou sua conversa com aquele garoto de olhos verdes e o que sentia com seus monossílabos irritantes.E também falou de como estava pensando nele e de como ele pareceu não gostar dele e de ter sentido mal logo depois dessa conclusão.Quando acabou percebeu que os quadros o olhavam num misto de orgulho e pena que era intrigante.

-Draco vcê poderia nos fazer um favor?-perguntou Sêneca

-Outro?Mas vocês ainda nem me ajudaram a saber porque eu ando tão estranho!-protestou o menino.

-Mas esse favor vai ajudar você-explicou Jean.

-Tá bem.-cedeu-O que é que eu tenho que fazer?

-Vá até a biblioteca. Lá na sexta estante da direita para esquerda ,na última prateleira de baixo para cima existe um grande livro negro.Abra-o.Dentro dele existe um pequeno livro de capa vermelha.Ele é seu agora.Leia-o ele vai te ajudar.-disse Sêneca.

-Ta bem, e obrigado, eu acho.- disse o menino indo a biblioteca.

-Você consegue acreditar nisso Sêneca?Dois Malfoys em menos de cinco gerações.-disse Jean observando o menino se afastar.

-É mesmo espantoso mesmo pra família Malfoy.-concordou o loiro.-Eu só espero que esse Malfoy tenha mais sorte do que nós.

-Eu também Sêneca,eu também.-concordou o ruivo.

Quando Draco abriu o pequeno livro vermelho viu que sua capa dizia “La mitàd :amor,ódio e destino.” Por Rowena Ravenclaw. O garotinho ergueu as sobrancelhas um livro de um dos fundadores de Hogwarts?Se fosse de Salazar seria mais compreensível mas de Ravenclaw?E sobre la mitàd?aquele tipo de ligação especial da qual seu pai falou?Muito curioso Draco se pôs a ler o pequeno livro.

E começou a fazer anotações do que conseguia entender daquele linguajar tão diferente naquelas páginas amareladas.O primeiro capitulo falava de generalidades sobre a ligação e depois seguiam-se quatro capítulos sobre cada aspecto da ligação.Ao final do primeiro capitulo as mãos do menino se cobriram de um suor frio.E ele resolveu reler suas anotações para ter certeza que essa conclusão não era totalmente descabida.

‘Cada pessoa no mundo possui três elementos em sua natureza:alma, sangue e magia.O centro da alma está na mente,na sabedoria, nas emoções ,a sede do sangue é o coração,a pele as emoções da carne,a sede da magia é o core mágico.E os elementos de cada pessoa são únicos,só magos e bruxas podem acessar a magia em seu core mágico.Abortos e trouxas não podem fazê-lo,alguns acreditam que muggles não possuem o core mágico e outros que uma parte deles os possui si e outra não.

Mas existem casos especias,casos de pessoas que parecem ter sido criadas aos pares.Seu sangue arde pela presença da outra,sua alma se conecta com a outra e a magia de ambas se complementa e é mais forte quando essas pessoas estão juntas.Essa é ligação de La mitád.

Quando um bruxo ou bruxa conhece sua mitàd sente um inexplicável desejo de se aproximar e estabelecer algum tipo de vínculo ,seja de amizade ou romântico.Suas magias se reconhecem e se conectam, se acontecer de uma das partes ser ou se sentir rechaçada ela pode sofrer um desequilíbrio de magia .Pois a mesma estará instável pela aproximação de sua mitàd.O vínculo mágico é o primeiro a ser formado.É instintivo e sua formação independe do desejo de qualquer uma das partes.

Depois acontece a formação do vínculo de sangue.E é nesse vínculo que a direção da ligação é mais imprevisível.A natureza impulsiona ambas as partes a afetifidade mutua ,mas pode acontecer desse impulso ser levado para o da raiva e violência.Isso costuma acontecer em casos em que la mitàd ocorre entre bruxos de culturas diferentes onde nenhum dois aceita ceder a ligação por questões ideológicas. Nesse caso o casal envolvido pode vir a desenvolver um ódio tão forte quanto seria o amor.É certo também que nesses casos é extremamente improvável o sucesso de um relacionamento amoroso com terceiros.Essa parte do vínculo tem seu direcionamento volutario,pois são os envolvidos que impulsionam esse direcionamento.

A ligação de almas é a última e mais delicada a ser estabelecida.Para que ela ocorra é necessário que exista voluntaria entrega carnal entre as partes.Essa parte da ligação é totalmente voluntária .Ela proporciona muitos benéficos como aumento de magia,telepatia e outras coisas.’

Realmente não era uma conclusão descabida.Não pelo que ele pensava ter entendido.E mais ainda pois Sêneca e Jean o mandaram atrás desse livro.O que tinha que significar que queriam que ele soubesse porque acreditavam que ele tinha encontrado.Ele havia conhecido sua mitàd e ela era um garoto magrelo e descabelado que ia com ele para Hogwarts.Com o coração acelerado e ainda desejando ouvir a confirmação de seu antepassado disparou correndo pelos corredores.

-É verdade?-perguntou ofegante-Ele ..eu ..eu encontrei mia mitàd?

-Essa é uma pergunta que só você pode responder disse Sêneca.

-E então Draco,agora que você achou o livro,você conheceu sua moitié?

-Eu..-o garotinho cerrou os olhos e tentou descobrirOuvir o que seu coração dizia.O que não era nem um pouco fácil já que ele nunca havia tentado antes e não sabia como fazer isso.Mas depois de uns momentos lembrando daqueles olhos a resposta simplesmente era clara demais.-Sim eu encontrei.

A expressão do garotinho ensombreceu.Mas se aquele menino era mesmo essa pessoa especial porque não gostara dele?Será que eles iriam se odiar?O menino loiro não queria odiar o moreno.Queria ser seu amigo.E um dia quando fosse grande o bastante se casar com ele e ser tão feliz quanto seus pais eram. Mas isso não ia acontecer ,porque fosse quem fosse aquele menino não parecia nem um pouco interessado.Será que ele sabia que Draco era sua mitàd e decidiu que queria odiá-lo?Os ombros de Draco abaixaram.

-Draco o que foi?-perguntou Jean.

-Ele..ele não gostou de mim não é?Nós seremos daquele tipo que se odeia pra sempre não?

-Ora Draco você não pode dizer isso só porque ele não conversou com você como queria.Talvez ele estivesse muito nervoso.Nem todo mundo consegue conversar quando se está nervoso.-disse Jean.

-Isso mesmo,nós os Malfoy conseguimos esconder nossas emoções muito bem.Mas as outras pessoas não.-completou Sêneca ignorando o revirar de olhos de Jean.

O menino pensou e teve que dar razão a eles. Mesmo Pansy quando ficava nervosa não conseguia manter uma conversa decente e isso costumava acontecer com frequência quando Blaise estava por perto.Ele sorriu amplamente. Se o problema daquele menino era nervosismo então tudo estava bem,ele seria paciente e eles se conheceriam. E leriam aquele livro vermelho juntos para que pudessem aprender juntos tudo sobre essa ligação .E então nas férias de natal o traria pra casa e contaria a seus pais que ele havia encontrado aquela pessoa que o faria feliz por toda vida.

O resto do mês passou voando e quando se deu conta um muito ansioso Draco já estava dentro do expresso.O menino se sentia um pouco frustrado por não ter conseguido encontrar o moreno de olhos verdes.No lugar dele acabara em uma cabine com Vince,Greg e Pansy.Até que um muito animado Theodore irrompeu na cabine para contar que Harry Potter estava à bordo.Todos se animaram e queriam conhece-lo,mas não podiam deixar a cabine sozinha e correr o risco de serem vitimas de alguma travessura.Assim Draco ,Grag e Vince foram atrás do menino que sobreviveu na cabine onde Theodore disse que ele deveria estar.

Quando encontraram a cabine e Draco olhou menino sentiu seu coração dar saltou e olhou atentamente aqueles rosto.Tentando dessa vez prestar mais atenção aos outros traços e evitar um pouco aqueles olhos.

— É verdade? — perguntou — Estão dizendo no trem que Harry Potter está nesta cabine. Então é você?

— Sou — respondeu Harry.

— Ah, este é Crabbe e este outro, Goyle — apresentou displicentemente, notando o interesse de Harry — E meu nome é Draco Malfoy.

Rony tossiu de leve, o que poderia estar escondendo uma risadinha. Malfoy olhou para ele.Sentindo uma raiva queimando o peito.Ninguém tirava sarro de seu nome .Principalmente na frente de Harry.

— Acha o meu nome engraçado, é? Nem preciso perguntar quem você é. Meu pai me contou que na família Weasley todos têm cabelos ruivos e sardas e mais filhos do que podem sustentar. —disse com o tom mais frio que conseguiu imprimir.

Virou-se para Harry e continuou.

— Você não vai demorar a descobrir que algumas famílias de bruxos são bem melhores do que outras, Harry. Você não vai querer fazer amizade com as ruins. E eu posso ajudá-lo nisso.

Ele estendeu a mão para apertar a de Harry, mas Harry não a apertou.

— Acho que sei dizer qual é o tipo ruim sozinho, obrigado. — disse com frieza.

Draco não ficou vermelho, mas um ligeiro rosado coloriu seu rosto pálido.Se coraçãofalhou uma batida e ele começou a perceber que tinha razão no ínicio.Harry realmente não gostava dele.

— Eu teria mais cuidado se fosse você, Harry. — disse lentamente. — A não ser que seja mais educado, vai acabar como os seus pais. Eles também não tinham juízo. Você se mistura com gentinha como os Weasley e aquele Rúbeo e vai acabar se contaminando.

Harry e Rony se levantaram. O rosto de Rony estava vermelho como os cabelos.

— Repete isso.

— Ah, você vai brigar com a gente, vai? — Draco caçoou.

— A não ser que você se retire agora — disse Harry com coragem.

— Mas não estamos com vontade de nos retirar, estamos, garotos? Já comemos toda a nossa comida e parece que vocês ainda têm alguma coisa.

Disse sentindo uma raiva fria que não tentou evitar.Porque ele simplesmente soube naquele instante que ele e Harry...Harry não.Harry nunca.Aquele garoto na sua frente era Potter.Potter o inalcançável.Aquele que ele odiaria para sempre ,porque jamais poderia ser seu amigo.Porque nunca seria seu companheiro.Goyle fez menção de apanhar os sapos de chocolate ao lado de Rony. Rony deu um pulo para frente, mas antes que encostasse em Goyle, este soltou um berro terrível.

Perebas, o rato, estava pendurado em seu dedo, os dentinhos afiados enterrados na junta de Goyle. Crabbe e Draco recuaram enquanto Goyle rodava e rodava o braço, urrando, e quando Perebas finalmente se soltou e bateu na janela, os três desapareceram na mesma hora.

Draco não falou absolutamente nada.Quando chegaram na cabine Theodore ainda empolgado queria saber tudo sobre Harry Potter ,mas Draco simplesmente o ignorou.Ele sentou-se na janela e olhou a paisagem.Pansy observou a expressão no resto de seu amigo e teve vontade de chorar.Porque Draco nunca chorava.Fazia birra e drama sim,mas nunca chorava.Quando ficava muito triste seus olhos se abriam mais e ficavam desfocados. Ele só ficara assim quando seu familiar morrera.Foi a única vez que ela os vira assim repletos de dor .Exatamente como estavam agora.Mas ainda assim as lágrimas nunca caiam.E a menina achava que ele não precisava delas pra emanar aquela tristeza tão forte que ela poderia segurar se tentasse.Aquela expressão que secretamente a garota chamava de ilusão perdida.

Notas finais
E ai pessoal o que acharam?