La mia mitá
15 Estrelas para Harry
Notas iniciais
Os olhos verdes enormes e tristes se ergueram para o céu sem enxergar as belas luzes das estrelas. Elas estavam lá em cima, em algum lugar, diziam que eram lindas. Mas ele não podia enxergá-las.Harry nunca podia enxergar com pouca luz, ele não sabia como as estrelas eram, e isso nunca havia importado antes. Quando sua professora havia perguntado, ele fora sincero nunca as vira porque não podia enxergar com pouca luz. A mulher lhe explicara que podia ter cegueira noturna e por isso deveria comer mais cenouras e espinafres mesmo que não gostasse. E não era como se Harry realmente não gostasse dessas coisas, era que ele não podia comê-las. Duda as odiava então sua tia sempre fazia porções pequenas para si mesma.Nada que pudesse sobrar para ele. Não que as coisas que Duda gostava sobrassem mais para ele, nunca havia muita comida para ele de qualquer forma. Mas quase não enxergar no escuro não era um problema tão grande assim, então o menino resolveu não dar atenção as estrelas e nenhuma das coisas que não podia ver por causa da pouca luz.
Mas então a professora contara que as estrelas eram mágicas. Que se você visse uma estrela cadente podia pedir algo a ela e se seu desejo fosso sincero a estrela iria lhe conceder. As estrelas que caiam do céu eram milagrosas. Harry não teria acreditado se sua professora não parecesse tão certo disso. Então podia ser real. E o garoto moreno soube que talvez, só talvez havia uma pequena chance de seu maior desejo se realizar, porque era um desejo sincero depois de tudo. Ele não mencionou a magia das estrelas para seus tios, eles odiavam tudo que pudesse parecer mágico, principalmente sua tia.Uma vez na feira havia um homem fazendo truques com cartas e Harry ficara encantado com ele, e perguntara se podia aprender magia. Depois que sua tia ouviu ele aprendeu a nunca mencionar magia novamente, as marcas feitas pelo guarda-chuva nunca o deixaram esquecer daquilo.Então ele não falaria sobre a magia das estrelas, seria seu segredo.
Foi só quando olhou para o céu em busca de sua salvadora que as esperanças dele despencaram diante da realidade. Se ele não podia enxergar as estrelas como podia pedir algo a uma?Ele não poderia. O moreno quis chorar, mas segurou as lágrimas.Estava grande demais para chorar assim. Já tinha seis anos e meio e não deveria fazer birra, não devia ser mal agradecido e incomodar seus tios.E mesmo quando ele não tinha intenção de incomodar e chorava em silêncio se o vissem diriam que ele fez birra e estava sendo mau. Harry estava cansado de ser mau todo o tempo, estava começando a ter certeza que não sabia como ser bom porque tudo que fazia era errado.Porque ele era mau. E por isso não tinha ninguém.Estava tão sozinho que as vezes seu peito doía.Sua cabeça doía também ele não podia enxergar bem as palavras.No começo pensara que isso era porque ele era ruim e não podia fazer nada direito, mas sua professora disse que tinha que usar óculos e pediu que seus tios comprassem.E agora Harry estava aqui no quintal trabalhando no jardim para pagar seus óculos novos que deveriam fazer com que sua cabeça não doesse mais. Era difícil estava ali a tarde inteira, já estava escuro agora e ele não podia enxergar, mas tinha que terminar antes de entrar ou esperar que todos dormissem o quer que acontecesse primeiro. Se entrasse sem acabar teria que sair amanhã cedo para terminar. Não tinha problema, tinha que acordar cedo para preparar o café antes de ir a escola era só acordar um pouco antes.
Os olhos verdes se ergueram novamente para o céu sem nada ver, mas o menino sussurrou baixinho esperando que se tivesse sorte a estrela podia ouvir seu pedido mesmo que ele não a visse.Aquela foi a primeira vez que ele fez, mas por certo não a última. Por muitas vezes quando estivesse sozinho o moreno iria olhar para o céu e sussurrar seu pedido para a estrela cadente que podia estar lá . "Por favor senhora estrela me mande alguém ,que goste de mim e não se importe que eu seja mau, para que eu nunca mais esteja sozinho..."
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O dia nascia e os raios róseos da aurora tingiam o céu. No alto da torre de astronomia um adolescente loiro assistia o nascer do sol. Os olhos fixos no horizonte enquanto o céu se tingia de azul suave cobrindo as estrelas menores e acolhendo o astro rei deste pequeno sistema solar perdido na galáxia. Uma emoção vibrou em seu peito quando através dos raios dourados a grama se mostrou grande e verde. Um verde vibrante como os olhos de Harry. Naquele precioso instante quando a luz tocava pela primeira vez o chão ,e apenas naquele instante, quando a luz era amarela e vermelha o chão brilhava em seu manto verde da mesma forma que os olhos do mago moreno brilhavam quando encaravam o garoto loiro.
Uma vez brilharam de raiva e fúria mal contida. Agora brilhavam com algo indefinível. Aquela emoção inominável, que crescia dia a dia ,com tantas nuances que ninguém poderia conhecer todas. Ele manteve os olhos bem abertos e atentos como se capturando todo brilho que podia para guardar em algum lugar muito dentro de si mesmo. Em suas mãos ele segurava um pequeno caderno negro. O lugar onde as letras de suas músicas eram guardadas depois de prontas. Onde os sentimentos que ele não podia expressar de outra forma eram traçados em linhas e curvas, nas palavras e frases que cobriam as páginas até que sua emoção se acalmasse. Até que parte de si mesmo repousasse ali aliviando seu peito inquieto. Algumas pessoas podiam chorar , outras desabafar, mas aquele garoto escrevia. Em canções e versos onde ele apenas era. E isso era tudo.
Aquele pequeno caderno negro que só podia ser aberto por ele e por aqueles que ele amava. Se qualquer um outro o fizesse seria morto. Cortesia de uma poção proibida dos estoques particulares de seu padrinho. A ganhara em seu aniversário e tinha sido dividido entre gratidão e orgulho por recebe-lo. Fora bastante útil finalmente poder carregar em um só lugar suas canções sem que ninguém pudesse roubá-las. Havia poucas pessoas que amava e todas elas mereciam sua confiança incondicional.
Durante a noite aquelas páginas foram preenchidas mais uma vez.Com suas dúvidas. Com seu medo e com uma dose minúscula de irracional esperança. Porque apenas alguns dias atrás ele soubera seu destino. Aquele que pendia de forma tão ameaçadora sobre si, escuro e implacável como as sombras que faziam parte de si mesmo. Agora ele sabia que a escuridão que sempre o rodeara vivia também dentro de si. Vivia de caos e dor , vivia na besta que ele podia sentir furiosa e presa nas profundezas de si mesmo. Yang. A parte escura da natureza. Fundamental para o equilíbrio do universo. Ele não era como os outro bruxos de seu tempo ou de seu mundo. Ele era diferente e único. Por isso sua força, seus sentidos, e seus poderes. Porque ele era algo unido ao próprio universo. Ele era o dragão negro. E por isso deveria lutar e morrer, para ser jogado no mais cruel dos esquecimentos enquanto a vida dos seus durasse.
Saber que ele iria morrer não era o seu real sofrimento. Sempre soubera que muito tentariam mata-lo ao longo da sua vida. Por seu nome, fortuna, posição ou poder. E em algum momento alguma dessas pessoas poderia ter sucesso e mata-lo. Isso não tornava mais fácil saber que iria morrer em tudo. Mas a pior parte era ser esquecido. Era ser lembrado por ninguém .Se alguns anos poderiam mudar uma pessoa como ignorar que todos a quem amava passariam por uma vida inteira longe dele? Qual a importância que poderia manter um amigo de infância para um ancião? Um herdeiro esquecido para alguém que criou outro filho? Um único amor para alguém que teria tantas paixões? Como suportar o fato de que mesmo quando se reencontrassem ele jamais poderia ter qualquer um deles de novo?
E ainda assim sua fé irracional afirmava que Harry ainda seria seu. Ainda seria Harry. Que nem todas as paixões poderiam apagar o amor que se construía entre eles. Que esse amor seria forte o suficiente ao fim de tudo para ser uma ponte indestrutível. Que no fim eles cruzariam essa ponte um para o outro, para estarem juntos eternamente. Como era, como tinha sido e como sempre seria. Ele abriu o caderno por um momento, nas ultimas páginas rabiscadas com sua letra elegante era algo para Harry. Algo que ele gostaria de saber quando suas lágrimas caíssem naquelas flores e todos esquecessem. Quando ele morresse e tivesse que esperar e Harry ainda estivesse aqui. Esses eram versos que ele gostaria que o outro ouvisse então, para responder e aplacar essa dor latente. Ainda não vivida. Ainda promessa. Mas mesmo assim real em algum lugar de seu peito. Um lugar na altura de seu coração.
Quando seus olhos se fecham e você sonha...
eu tenho algum espaço em seus sonhos?
Sua pele tem lembranças dos meus toques?
Essas perguntas que ele gostaria tanto de ver respondidas .De saber se dentro de toda improbabilidade haveria espaço para esperança. O garoto olhou pela janela e viu o céu totalmente claro. Era hora de deixar a torre de astronomia. Ele tinha seus deveres a cumprir , por mais que gostasse de estar ali em silêncio e em paz. Para que pudesse assimilar de uma vez seu destino. Porque desde que ouvira e saíra para fora ,na biblioteca privada da sonserina ,estivera imerso em um estado de torpor. Quase embriagado de medo, cansaço e dor. O futuro era escuro ele sempre intuíra. Mas agora ele sabia. Tudo que podia vir a ser. E mesmo tendo algumas certezas em suas mãos. Haviam aquelas perguntas vindas de seu espirito para os versos daquela canção.
Ah amado quando as lembranças não existem mais
O amor poderia ser uma recordação?
O fogo que queimou através de mim
Poderia ter deixado cicatrizes em você?
Marcas profundas para dizerem que algo te tocou
Te tocou profundamente antes de ter de partir.
Ele alcançou seus dormitórios e foi para o chuveiro ignorando o olhar preocupado de Theo. Seus amigos sabiam que algo tinha acontecido. Algo importante, mas não conseguiram arrancar do garoto loiro uma explicação. E nem poderiam. Ele simplesmente sabia que não era a ocasião. Ele precisaria de ajuda para encontrar uma saída. Mas antes ele precisava saber onde poderia buscar uma. Deixar seus amigos saberem só para mergulha-los na angustia de uma impotência enorme não valia á pena. Eles saberiam quando houvesse para conhecerem também uma esperança pela qual lutar.
Logo a corte sonserina entrou no grande salão para o café da manhã. E assim que sentou Draco ergueu os olhos para a mesa da grifinória, para encontrar aqueles olhos verdes nos seus por um momento tão breve e infinito que se perdia antes que mais alguém pudesse ver, mas nunca antes de fazer algo dentro de ambos tremer. Quando se voltou ao seu café novamente, o garoto loiro não tentou impedir que outros versos recentes invadissem seus pensamentos. Versos das perguntas de seu eu futuro para seu amado. Duvidas que seriam um dia , mas que também já eram.
Ah amado quando as recordações são nada
Ainda assim haveria uma parte de sua alma ligada a mim?
Seriam os sentimentos algo além de ecos do passado?
Ah amado quando a memória simplesmente não é mais
Seu coração ainda pode pressentir minha presença?
Seus olhos ainda buscam os meus em segundos eternos?
As corujas finalmente chegaram e Draco não pode evitar sorrir. Prometera a Harry uma coruja, mas sabia bem que não podia enviar por si mesmo um presente sem chamar a atenção. Os amigos intrometidos de seu namorado quase nunca desgrudavam dele e iriam querer saber de que era o presente. Se Harry dissesse não saber eles o atormentariam para não usar. Se ele dissesse algo não seria o bastante e eles tentariam saber mais.
Por isso ele recorrera a Sirius. Graças a Merlim ele e o animago tinham desenvolvido um sistema de comunicação para suas vistas ao fugitivo quando ele estivera na escola. E com ele pudera contatar Sirius e pedir o pequeno grande favor do animago comprar um par de colares conectados e mandar para eles. Uma coruja negra pousou diante dele e quando abriu encontrou seu colar com uma pequena nota de Sirius. Ele sorriu ao ver que o seu tinha uma pedra verde para enfeitar. Não duvidava que o de Harry teria um dragão ou algo cinzento. Aquele terrível baderneiro não precisara de mais que esse pedido para somar dois e dois e descobrir a identidade de sua mitá. Ele teria que conversar com Harry sobre isso. Afinal o moreno ia ter perguntas a respeito de como ele conseguira ajuda de seu padrinho .
Bom nada que uma boa conversa não pudesse esclarecer. Ao menos em parte. Ele também não podia sair revelando os poderes do príncipe da sonserina para um grifinório. Isso era tão complicado! Eles nem ao menos conversaram sobre os poderes de Draco como dominadi e os desconhecidos poderes de Harry. Ou sobre como enfrentariam sua família psicótica quando chegasse a hora. Isso é depois que tivessem enfrentado o louco homicida de Voldmort. Quer dizer SE a coisa toda de Yang não estourasse sobre ele antes de ter tempo para qualquer outro de seus problemas. De repente Draco teve que lutar com a vontade de se enfiar na cama e jamais sair. Como ele podia conversar sobre respostas para essas coisas? Era tudo tão incerto. Tão incerto quanto aqueles versos finais, aquelas ultimas perguntas que ele sabia seu espirito banido gostaria de lançar para Harry um dia.
Ah amado quando o passado se desfez diante de nós
Como uma estrela cuja vida termina
O que resta?
Haverá a luz desse astro em alguma parte do universo?
Essa luz invade seus sonhos?
Sou mais que estrelas nas pétalas de uma flor do paraíso?
Quando você fecha os olhos e sonha... amado, eu ainda estou ali?
Eles finalmente saíram apara as aulas do dia começando com o novo e estranho professor Moody. Os alunos esperaram na porta e no exato horário a porta se abriu, mas não havia nenhum sinal do professor. Depois que todos se acomodaram para esperar finalmente puderam ouvir os passos pesados dele ecoando pelo corredor. O ex auror entrou nasala e franziu nariz em um gesto que podia ser desgosto, ou incomodo pelo movimento. A aula era entre Sonserina e Lula-lufa, e todos tinham seus livros e materiais cuidadosamente colocados em suas mesas.
– Podem guardar isso — rosnou ele, apoiando-se na escrivaninha para se sentar -,esses livros. Não vão precisar deles.
Moody apanhou a folha de chamada, sacudiu sua longa jubade cabelos grisalhos para afastá-los do rosto contorcido e marcado,e começou a chamar os nomes, seu olho normal percorrendo a listae o olho mágico girando, fixando-se em cada aluno quando ele respondia.
– Certo, então — concluiu ele, quando a última pessoa confirmara presença. – Tenho uma carta do Prof. Lupin sobre esta turma. Parece que vocês receberam um bom embasamento para enfrentar criaturas das trevas, estudaram bichos-papões,barretes vermelhos, hinkypunks, grindylows, kappas e lobisomens, correto?
Houve um murmúrio geral de concordância.
– Mas estão atrasados, muito atrasados, em maldições — disse Moody. — Então, estou aqui para pôr vocês em dia com o que os bruxos podem fazer uns aos outros. — Vamos direto ao assunto. Maldições. Elas têm variados graus de força e forma. Agora, segundo o Ministério da Magia, eu devo ensinar a vocês as contra maldições e parar por aí. Não devo lhes mostrar que cara têm as maldições ilegais até vocês chegarem ao sexto ano. Até lá, o Ministério acha que vocês não têm idade para lidar com elas. Mas o Prof. Dumbledore tem uma opinião mais favorável dos seus nervos e acha que vocês podem aprendê-las, e eu digo que quanto mais cedo souberem o que vão precisar enfrentar, melhor. Como vão se defender de uma coisa que nunca viram? Um bruxo que pretenda lançar uma maldição ilegal sobre vocês não vai avisar o que pretende. Não vai lançá-la de forma suave e educada bem na sua cara. Vocês precisam estar preparados. Precisam estar alertas e vigilantes.
Então o velhou auror passou a questionar a turma sobre as imperdoáveis para depois demonstrar uma a uma numa aranha. Nenhum dos sonserino se encolheu diante das demonstrações, todos eles sentados retos e direitos em suas cadeiras. Draco sentiu orgulho deles por isso. A lufa-lufa não ia tão bem em não parecer tensa. O velho auror pareceu desdenhar da casa de Salazar e sua postura, e Draco pode ouvir seus resmungos sobre sonserinos que devem ser eliminados antes de se tornarem mestres das trevas. O garoto loiro enrijeceu ao ver que muitos de seus colegas também puderam ouvir, o rapaz decidiu que detestava o velho auror. Ele não era apenas estranho ,mas completamente insano.
O preconceito contra a casa das serpentes era grande, mas esse comportamento ofensivo era ridículo. E essa era uma das melhores escolas de magia do mundo e seus histórico de professores incluía coisas como Lockhart , um seguidor de Voldmort, um lobisomem e um velho biruta. Será que Liev se contorcia de desprazer com essas coisas? Bom considerando ele ajudou a construir um colégio perto da floresta proibida talvez ele achasse que era uma forma de formar caráter. Pois sim, formar caráter, só se fosse caráter de fantasmas ou residentes da ala mental de St. Mungus.
Mas as coisas foram longe de melhorar a opinião de Draco sobre a escola para os próximos dias. Isso porque o professor Snape estava num humor terrível o que deixava tensa sua aula favorita. A professora Mcgonagal estava empenhada em afoga-los em tarefas. E agora na segunda aula com Alastor Mooddy, o loiro se encontrava em uma fila para receber a maldição Imperius. De todas as coisas estupidas que já fez no colégio Draco tem certeza que essa deveria levar um premio. Não que fosse algo inútil de aprender, mas Imperius era tão proibida por razões muito boas.
Esse tipo de magia negra deixa rastros no corpo, na mente e possivelmente no espirito das pessoas. Isso era algo que Draco sabia de forma profunda. Não somente pelo treinamento de seu pai e suas próprias marcas, mas pela escuridão dentro de si. Desde que soubera que ela estava mesmo lá, que as trevas estavam vivendo unidos em sua alma parecia que algo latente havia despertado dentro do garoto loiro. Algo que zumbia suavemente em seu interior e fazia com que ele soubesse algumas coisas. Coisas como isto de receber a Imperius por treinamento ser uma ideia muito mais ridícula e perigosa do que podia parecer.
Quando chegou a sua vez o velho auror empunhou a varinha e sussurrou a maldição. Draco fechou os olhos quando sentiu a voz em sua mente dizendo “Salte na cadeira”. Mas ele não se moveu. Aquela voz era errada. Não devia estar ali. Algo dentro de si começou a agitar-se perigosamente. ”SALTE” ordenou a voz com mais força. Mas seu corpo não cedeu. Suas aulas de oclumencia podiam facilitar algum controle, ele só deveria evitar a ordem e esperar. Isso era o lógico a fazer mas Draco não estava pensando claramente. Ele sentiu uma ameaça e reagiu a ela de forma a proteger-se, naquele instante ele era puro instinto.
Pesados escudos se levantaram ao redor de sua mente. E a voz se foi, mas continuava lá, atrás do muros mentais, buscando uma brecha, irritação vibrou no garoto e ele permitiu que os escudos baixassem para que uma enorme onda de algo primitivo varresse sua mente. Uma emoção furiosa , quente, devastadora que buscava o intruso, que o forçaria a sair empurrando ou então o destruiria e lançaria os pedaços para fora.
Quando a onda colidiu com a força invasora Draco ouviu algo acontecendo a seu redor. O invasor não estava, ele abriu os olhos para ver o velho auror apoiado na parede. Olhando para ele com os dois olhos . O olho magico girando sem fugir dele, o normal levemente arregalado. Foi só então que Draco notou que em algum ponto havia sacado a varinha que agora estava apontada ao professor. Baixou a varinha e sentiu seu estomago retorcer, que merda tinha feito?
–Você pirralho insolente...o que você fez?
–Eu resisti a maldição.- declarou o loiro pouco a vontade mas satisfeito de conseguir manter a voz normal e não gaguejar e balbuciar sem controle.
O aviso do fim da aula ecoou na sala e sem esperar pela liberação do professor Draco girou nos calcanhares e saiu. Deixou seus materiais para trás seguro que seus amigos recuperariam para ele. Maldizendo baixinho o loiro pensava em quanto tempo levaria pra essa história se espalhar no castelo. Se fosse somente a Sonserina na sala uma ordem sua bastaria. Mas com os lufos lá a coisa era outra. Genial. Simplesmente genial, todos estariam olhando para ele e assim em que momento ele poderia se esgueirar para ver Harry? Definitivamente o universo parecia empenhando em faze-lo detestar a escola e até o momento estava se saindo muito bem.
Para evitar afundar de vez seu mal-humor ele não apareceu para o jantar e comeu em seu quarto. Mais tarde quando lia um pouco para se distrair sentiu algo aquecendo em seu peito. Sacou o colar dos enamorados e sorriu. Parecia que Harry finalmente descobriu como usar seu presente. Ele o abriu e leu:
“Draco? Isso funcionou?”
“Sim. Finalmente você descobriu.” – respondeu o loiro
“Eu tive que esperar Hermione não estar na biblioteca para pesquisar sem ser pego. E ultimamente ela sempre está lá.”
“Estou com saudades.”
“Nos vemos todos os dias”
‘Estou com saudades de falar com você.”
“Estamos falando agora”
“Estou com saudade do teu cheiro. De te beijar. De te abraçar” “Harry? Você está ai?”
“Sim”
“Você sente minha falta também?”
“Sim”
“Você está corando não está? Sinto falta disso também. Você é tão fofo quando cora!”
“Draco Malfoy você é um idiota.”
“Seu idiota.”
“ Você não foi jantar , está tudo bem?”
“Sim. Eu só queria evitar as fofocas.”
“Sobre o que aconteceu na aula de Moody?”
“então você já sabe?”
“Estão falando sobre isso e sobre porque você fez.”
“Eu já imaginava. Por isso não apareci.”
“vamos nos ver amanhã?”
“Depois no jantar, no terceiro andar atrás do tapete da lula gigante tem uma sala.”
“Certo. Temos muito que conversar.”
“Eu sei. Boa noite Harry.”
“Boa noite Dray.”
“Não me chame assim! Detesto esse apelido!’
“Sim você prefere meu idiota. ”
“Na verdade tudo que me defina como seu está bom pra mim.” ”Você está corando de novo não está?”
“Idiota. “
“Seu idiotia. E não esqueça disso.”
“Eu não vou”.
“ Harry olhava o céu da enfermaria de Hogwarts. Era a primeira vez que ele via as estrelas no céu de verdade. Já as tinha visto no teto do grande salão, mas aquelas eram um feitiço, essas eram as verdadeiras. E ali estava ele quando deveria dormir olhando para o céu. Mas quem poderia culpa-lo quando era a primeira vez que podia ver essa maravilha? As pessoas que viam sempre as estrelas não pareciam ligar muito para elas, mas ele que nunca as tina visto e tinha sonhado com uma estrela cadente lhe concedendo seu maior sonho simplesmente não podia tirar os olhos de lá.
Esse era o melhor momento para ficar deslumbrado com elas, não tinha mais ninguém para vê-lo agir assim , parecendo um bobo. Ele não queria que os outros lhe chamassem de tolo por isso, então jamais contou a ninguém que não podia ver no escuro , mas Madame Pomfrey descobrira de qualquer jeito. E lhe dera poções que iriam corrigir isso, desde que ele se alimentasse como deve. E na escola ele podia fazer isso. Então tudo ficaria bem, porque ele realmente sentia-se feliz com essa coisa toda de magia.
Ele até mesmo tinha um amigo chamado Rony agora. E havia Hagrid e Hedwing. Era bom mas... nenhuma dessas pessoas estaria com Harry para sempre, exceto Hedwing mas ela era uma coruja. Ele queria deixar de ficar só. Ele queria alguém para estar ao seu lado e não deixa-lo nunca. Ele olhou para os céus em busca de uma estrela cadente. Ele não podia ver nenhuma, mas seus olhos ainda não estavam acostumados e podiam deixar passar. Assim ele olhou para o céu e pediu com toda fé que podia reunir aos seus onze anos “Por Favor Senhora Estrela mande alguém para mim. Alguém que fique ao meu lado mesmo que eu não seja um grande bruxo. Mande alguém para que eu não esteja mais sozinho...”
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Draco caminhava para seu encontro com Harry contendo a vontade de correr. Estava com saudades de seu namorado e ansioso pela conversa que deveriam ter, havia tanto a ser explicado e ainda muito a ser escondido. Mas no fundo nenhuma dessas coisas eram mais importantes do que simplesmente estar ao lado de Harry. Aquela atração que os chamava um para o outro, aquele calor confortável no peito ao estarem juntos. Tudo tão incrível e maravilhoso que podia eclipsar o resto, quando Harry estava em seus braços por alguns instantes não havia nenhum mundo ao redor. Divagando sobre essas coisas ele só percebeu que alguém o chamava quando uma mão pousou em seu ombro.
–Hey Malfoy.- saudou o garoto
–Diggory.- respondeu o loiro reconhecendo o apanhador da lufa-lufa.
–Nós podemos conversar um momento? É importante.- pediu Cedric , fazendo Draco afogar um suspiro e responder:
–Tudo bem. Mas eu espero que não demore tenho outros compromisso
–Assuntos da sonserina eu suponho.- disse o castanho cruzando os braços com um leve sorriso.
–Talvez. O que você poderia supor sobre isso?- perguntou oMalfoy num tom levemente defensivo.
–Minha mãe era sonserina. De uma longa linhagem e princesa da casa em seu tempo. Ela me queria um príncipe também, mas não era meu destino.- explicou Cedric.
–Entendo .Mas vamos direto ao ponto Diggory, do que se trata? – perguntou o sonserino.
–Você deve ter ouvido falar que o ramo principal da minha família não tem herdeiros.- começou o lufa-lufa meio hesitante.
–Sim eu ouvi algo sobre isso. – confirmou o mais novo.
–Ótimo. Acontece que eu quero me tornar o próximo Lord. Eu e meu primo Felix estamos na linha. E os outros núcleos da família estão divididos em quem apoiar. Eu tenho mais apoio ,mas ele tem do seu lado o terceiro núcleo mais forte e equilibra tudo.- disse Diggory.
–Muito bem ,então vocês vão pedir apoio externo?- quis saber Draco.
–Sim. É o costume. Olha eu não faria isso só por fazer, ser um Lord não é fácil. Felix é um tirano e as coisas ficariam perigosas para família com ele no comando. Eu vou me voluntariar pro torneio tribuxo para provar minha força e trazer a balança pro meu lado.
– Você não quer mata-lo, quer faze-lo desistir. Por isso quer o torneio. Pra mostrar que seria estupido pra ele deixar as coisas chegarem nesse nível.- concluiu o loiro assentindo.
–Sim e os Malfoy são um grande apoio. Algo de peso. Uma aliança entre os herdeiros seria algo que minha família não iria desprezar. E ia contentar aqueles que estão contra mim o bastante pra não tentarem forçar Félix a lutar se ele não quiser. Eu odeio a ideia de ter que me meter em um duelo até a morte. E vou fazer o possível pra evitar isso. Mas se tiver que chegar nesse ponto... – disse Cedric olhando para longe.
–Você fará o melhor pra quem ama. Eu entendo. Olha Diggory eu não posso dizer que esqueci nossos dias na academia e alegar que não te conheço um pouco. Voce foi um bom companheiro .Então está certo. Entre pro torneio, vença. E então no fim do ano anunciamos a nossa aliança como se deve.- disse Draco ganhando um assentimento do outro garoto.
–Seu pai não iria se opor? –perguntou o lufa-lufa.
–Não. Esse é um assunto de herdeiros de família, não de seu Lord. Mas se você vencer o torneio ia ajudar muito. Uma aliança com o campeão tribruxo ia trazer prestígio. E isso é algo que meu pai nunca se oporia.- respondeu o Malfoy.
–Eu vou vencer Malfoy. Pode apostar nisso. Eu deveria contar com o apoio da sonserina?- perguntou Diggory com sorriso.
–Não seja tapado, se você for o campeão de Hogwarts a sonserina vai te apoiar abertamente. Não importa se você é um lufa-lufa. Voce é Hogwarts , e nós somos melhores que esses manés das outras escolas. –respondeu Draco com um leve sorriso torto.
–É bom saber. Nos vemos por ai Malfoy.- se despediu o lufa-lufa.
–Até a vista Diggory.- respondeu o sonserino.
Famílias sangue puro podiam ser muito estranhas e complexas. Todas eram implacáveis quanto ao assunto de sucessão dos Lord. Draco suspirou, um dia ele teria de estar a frente daquela bagunça. Algum tempo atrás ele daria o cargo para qualquer um se pudesse, porque isso facilitaria sua vida. Agora diante da ideia de ser varrido do mapa e das lembranças, assumir o posto não parecia um destino assim tão ruim. Era exigente de fato e por isso um Lord dificilmente poderia escolher alguma profissão para ser mais que um passatempo. Mas não tão ruim assim.
Quando dobrou o corredor Draco sentiu um corpo chocar-se contra o seu. Irritado olhou para o idiota que não olhava por onde anda pronto pra xinga-lo, quando viu os enormes e chorosos olhos de um primeiro anista sonserino. Suspirando pesadamente Draco entrou em suas funções de príncipe das serpentes e perguntou o que havia acontecido. Ao se inteirar que o pequeno havia sido atormentado por um grupo de terceiro anistas da corvinal, o loiro primeiro reprendeu a pequena serpente por andar sozinha quando todo primeiro anista era orientado a estar acompanhado. E depois partiu para resolver o assuntou, deixar uma coisa assim quieta podia abalar sua imagem como líder de casa uma vez que ele mesmo descobrira a coisa toda. Se o assunto tivesse sido trazido a ele oficialmente era só mandar Pansy ou Theo resolver. Ou até mesmo Vince que adorava esse tipo de coisa. Mas estando ali pessoalmente, a coisa era outra.
Depois de maldizer os envolvidos da casa dos corvos Draco finalmente saiu correndo a toda velocidade para seu encontro. Não se importou com sua imagem, apenas correu. Para chegar ofegante e dar de cara com uma sala vazia. Extremamente frustrado puxou seu colar para fora e mandou uma mensagem para Harry. Que ficou sem resposta. Esperou um pouco e mandou outra. Sem resposta. Uma coisa era óbvia, não haveria encontro essa noite. Draco queria quebrar tudo em seu caminho até a sonserina, foram apenas seus anos de lições de auto controle e etiqueta que impediram um escândalo fenomenal. Definitivamente ele estava começando a se perguntar se valeria a pena achar uma forma de explodir todo esse maldito castelo. Com tudo que vinha lhe acontecendo vontade é que não faltava.
Durante os próximos dias o mau humor de Draco só ganhou motivos para aumentar. Ele não conseguiu um momento para encontrar-se com Harry, parecia que seus dois amigos insuportáveis tinham virado uma espécie de apêndice no moreno. Para azedar um pouco mais as escolas convidadas finalmente chegaram com um grande alvoroço e ele se viu preso em suas funções de anfitrião na casa das serpentes. Por alguns momentos o loiro começou a cogitar raptar seu moreno favorito e ir viver com o dragão a floresta proibida até o fim do ano letivo. Um plano tão tentador...
A Festa das Bruxas pareceu durar muito mais do que habitualmente. Tudo que o príncipe das serpentes queria era que os pratos fossem retirados e os nomes dos campeões anunciados. Principalmente porque no meio da agitação ninguém notaria dois estudantes faltando, porque de hoje seu encontro com Harry não passava, nem que tivesse mesmo que sequestrar aquele grifinório teimoso.
Depois de muito tempo, os pratos voltaram ao estado de limpeza inicial; houve um aumento acentuado no volume dos ruídos no salão, que caiu quase instantaneamente quando Dumbledore se ergueu. A cada lado dele, o Prof. Karkaroff e Madame Maxime pareciam tão tensos e ansiosos quanto os demais. Ludo Bagman sorria e piscava para vários alunos. O Sr. Crouch, porém, parecia bastante desinteressado, quase entediado.
– Bom, o Cálice de Fogo está quase pronto para decidir – disse Dumbledore. – Estimo quesó precise de mais um minuto. Agora, quando os nomes dos campeões forem chamados, eu pediria que eles viessem até este lado do salão, passassem diante da mesa dos professores e entrassem na câmara ao lado – ele indicou a porta atrás da mesa –, onde receberão as primeiras instruções.
Ele puxou, então, a varinha e fez um gesto amplo; na mesma hora todas as velas, exceto as que estavam dentro das abóboras recortadas, se apagaram, mergulhando o salão na penumbra. O Cálice de Fogo agora brilhava com mais intensidade do que qualquer outra coisa ali, a brancura azulada das chamas que faiscavam vivamente quase fazia os olhos doerem. Todos observavam à espera... alguns consultavam os relógios a todo momento...
As chamas dentro do Cálice de repente tornaram a se avermelhar. Começaram a soltar faíscas. No momento seguinte, uma língua de fogo se ergueu no ar, e expeliu um pedaço de pergaminho chamuscado – o salão inteiro prendeu a respiração.
Dumbledore apanhou o pergaminho e segurou-o à distância do braço, de modo a poder lê-lo
à luz das chamas, que voltaram a ficar branco-azuladas.
– O campeão de Durmstrang – leu ele em alto e bom som – será Vítor Krum.
uma tempestade de aplausos e vivas percorreu o salão. Vítor Krum se levantou da mesa da Sonserina e caminhou com as costas curvas para Dumbledore; ele virou à direita, passou diante da mesa dos professores e desapareceu pela porta que levava à câmara vizinha.
– Bravo, Vítor! – disse Karkaroff com a voz tão retumbante que todos puderam ouvi-lo apesar dos aplausos. – Eu sabia que você era capaz!
Os aplausos e comentários morreram. Agora todas as atenções tornaram a se concentrar no Cálice de Fogo, que, segundos depois, tornou a se avermelhar. Um segundo pedaço de pergaminho voou de dentro dele, lançado pelas chamas.
– O campeão de Beauxbatons é Fleur Delacour!
Então a garota que era parte veela levantou-se graciosamente, sacudiu a cascata de cabelos louro-prateados para trás e caminhou impetuosamente entre as mesas da Corvinal e da Lufa-Lufa. Quando Fleur Delacour também desapareceu na câmara vizinha, todos tornaram a fazer silêncio, mas desta vez foi um silêncio tão pesado de excitação que quase dava para sentir seugosto. O campeão de Hogwarts é o próximo...
E o Cálice de Fogo ficou mais uma vez vermelho; jorraram faíscas dele; a língua de fogo ergueu-se muito alto no ar e de sua ponta Dumbledore tirou o terceiro pedaço de pergaminho.
– O campeão de Hogwarts – anunciou ele – é Cedric Diggory!
Cada um dos alunos da Lufa-Lufa ficou de pé, gritando e sapateando, quando Cedric passou por eles. Foi então que cumprindo seu acordo Draco começou a aplaudir com força, fazendo com que toda sonserina o fizesse também, o barulho foi ensurdecedor, fazendo que o campeão de Hogwarts ampliasse seu enorme sorriso no rosto, enquanto caminhou para a câmara atrás da mesa dos professores. Na verdade, os aplausos para Cedric foram tão longos que passou algum tempo até que Dumbledore pudesse se fazer ouvir novamente.
– Excelente! – exclamou Dumbledore feliz, quando finalmente o tumulto serenou. – Muito bem, agora temos os nossos três campeões. Estou certo de que posso contar com todos, inclusive com os demais alunos de Beauxbatons e Durmstrang, para oferecer aos nossos campeões todo o apoio que puderem. Torcendo pelo seus campeões, vocês contribuirão de maneira muito real...
Mas Dumbledore parou inesperadamente de falar, e tornou-se óbvio para todos o que o distraíra. O fogo no cálice acabara de se avermelhar outra vez. Expeliu faíscas. Uma longa chama elevou-se subitamente no ar e ergueu mais um pedaço de pergaminho. Com um gesto aparentemente automático, Dumbledore estendeu a mão e apanhou o pergaminho. Ergueu-o e seus olhos se arregalaram para o nome que viu escrito. Houve uma longa pausa, durante a qual o bruxo mirou o pergaminho em suas mãos e todos no salão fixaram o olhar em Dumbledore. Ele pigarreou e leu...
– Harry Potter!
Por um instante a visão de Draco se turvou “Não!” gritou sua mente ”Não! Não pode ser, por favor, Harry...” Ele tentou se levantar mas os braços de Theo e Blaise o mantiveram no lugar. Ele tentou forçar passagem para alcançar seu namorado que estava agora diante de Dumbledore quando Theo disse em seu ouvido:
–Não piore as coisas Draco! Você é um Malfoy!Contenha-se!
As palavras tiveram o efeito desejado e fizeram o loiro para de tentar levantar-se. Mas seu coração continuava uma corrida frenética em seu peito. Isso não podia estar acontecendo. Porque? Porque Harry? Se o universo o odiava tanto porque envolver Harry também? Ele respirou profundamente como se desejando fazer o ar descer até seus pés e então disse:
–Estou bem. Soltem-me.
Seus amigos trocaram um olhar desconfiado mas ele não se importou, então vagarosamente os outros dois garotos o soltaram. Draco levantou-se e deixou o grande salão. Indo com rapidez para seu quarto, quando o alcançou notou todos seus amigos em seus calcanhares.
–Draco, você está bem?- perguntou Pansy
–Não sou eu que estou em risco de morrer dolorosamente num jogo idiota Pansy.- respondeu ele irritado.
–Nós sabemos Draco.-disse Blaise- Mas é Potter. Seu Potter.
–-eu..eu.. tem que haver algum jeito de corrigir isso!-disse o loiro deixando-se cair em uma cama.
–Você acha que Potter quis participar?- perguntou Vince
–0Não- disse categoricamnet o loiro- Seja o que for que tenh acontecido Harry nãoi escolheu isso.
–Então isso piora as coisas- disse Theo. –Não é só o torneio. Tem alguém que deseja vê-lo morto
–Theo!-brigou Pansy
–O que? É a verdade. Não fará nenhum bem ignorar isso Pan- interveio Blaise.
–Vocês estão certos .Mais uma razão para os professores pararem essa loucura.- falou Draco.
–Eles não vão. Não podem- disse Greg e todos os olhares pousaram nele.
–O que quer dizer Greg?-perguntou Vince
–Bom ninguém que se inscreva pode desistir depois de ser escolhido porque tem um contrato mágico. Vocês sabem como funciona. A pessoa ia morrer se desistisse. É assim que ninguém pode mudar de ideia depois de ser escolhido mesmo que tivesse com medo. – disse Greg dando de ombros.
Todos os olhares se voltaram pra Draco que escondeu o rosto entre as mãos. Ele tremia e respirava agitadamente. Sua mente estava confusa, seus instintos diziam parea proteger sua mitá, escondê-lo de todo perigo. Mas ele não podia fazer isso. Não podia fazer nada. A sensação de impotência doía como um martelo golpeando seu peito no ritmo de suas pulsações. Draco perdeu a conta do tempo em que permaneceu assim.
Seus amigos se entreolharam . Eles não podiam fingir que conheciam Potter o bastante para se importar com o destino do moreno. No entanto eles amavam Draco , cada um a sua maneira e por isso o destino do grifinório lhes preocupava. Uma perda assim devastaria seu amigo loiro. De uma forma que nenhum deles queria ver. Eles precisavam que Potter estive seguro, porque ele era a felicidade de Draco e eles fariam qualquer coisa para o príncipe das serpentes. Theo se aproximou do loiro e afastou suas mãos do rosto e lhe disse:
–Draco você não pode lutar no lugar dele. Do mesmo jeito que ele não pode lutar suas batalhas para você. Mas você ainda pode estar ao lado dele durante o caminho. Esteja lá para ele, prove que ele não está só. Ajude-o . Torne-o ,senão o campeão, um sobrevivente.
O loiro olhou por um longo momento para os olhos castanhos de Theodore e então abraçou com força seu querido amigo.
–Obrigado.-disse suavemente
–Disponha- respondeu Nott- Então vá atrás do seu leão. Nós cuidamos das coisas por aqui.
O loiro assentiu para seus amigos e deu-lhes um fraco sorriso em agradecimento. Depois saiu da sonserina em busca de seu namorado. JEle procurou até o toque de recolher sem encontrar, então pelo horário Oolugar mais óbvio seria a torre da grifinória .Mas ele não poderia entrar nela. Então pediu a Candy que checasse se Harry estava lá. O moreno também não estava na cama.
Então Draco teve a ideia de rastrear o colar dos enamorados que Harry deveria estar usando, aquele que fazia par com o que ele mesmo usava. E assim acabou diante de uma sala empoeirada. Ele entrou no lugar escuro e acendeu a varinha e chamou:
–Harry?
Não houve resposta , mas o loiro entrou pois o feitiço dizia que este era o lugar certo.
–Harry?- chamou novamente.
Foi então que viu a figura encolhida junto a uma janela, o rosto molhado de lágrimas e os olhos voltados para o céu. Como se buscando algo.
Draco não pensou foi até o moreno e se ajoelhou ao lado dele deixando a varinha de lado. Pousou a mão no ombro no moreno que só então pareceu nota-lo voltando seu olhos para ele.
–Draco?- perguntou o moreno como se duvidando da presença junto a si.
Ao invés de responder o loiro o abraçou com força
–Estou aqui Harry. Eu estou aqui e não vou embora. Vai dar tudo certo, vamos encontrar um jeito. Estou aqui.- murmurava o loiro, com o rosto contra os cabelos negros.
Ele ouviu um som afogado e os braços de Harry o apertaram com força. Até que o moreno se acalmasse o loiro o manteve junto a si , murmurando palavras reconfortantes, era tudo que podia fazer, era tudo que Harry precisava ouvir. Mais calmo o moreno se afastou e olhou para Draco
–Eu não pus meu nome no cálice.- disse ele
–Eu sei Harry.- respondeu Draco- as agora você está nisso e eu também. Você não está mais sozinho. Nunca mais vai estar.
Os olhos do moreno brilharam com força e ele virou-se para janela e disse:
–Obrigado Senhora Estrela.
–O que você está fazendo?-quis saber o loiro
–Agradecendo a estrela que concedeu meu desejo.- respondeu o grifinório.
–Foi um bom desejo?- perguntou o Malfoy .
– O melhor de todos. Agora não preciso mais procurar por estrelas cadentes. – disse Potter sorrindo um pouco.
–Porque? Não tem mais nada que você queria?- quis saber o sonserino.
–Existem muitas coisas que eu quero. –esclareceu Harry- Mas não preciso procurar por estrelas no céu para pedir.
–E porque não?- perguntou Draco curioso.
–Por que já tenho minhas próprias estrelas, as mais bonitas de todas.- respondeu o moreno com um brilho malicioso0 no olhar.
–Suas estrelas? Quais estrelas?- estranhou o loiro.
–Seus olhos, Draco. Luzes prateadas e lindas. Minhas estrelas. – respondeu Harry acariciando de leve a bochecha do sonserino.
Draco não pode evitar o rubor que invadiu seu rosto com força total.Isso não mera justo! Harry tinha que dizer coisas assim ?
–Sabe de uma coisa Malfoy? Você fica lindo quando cora.- disse o moreno interrompendo os pensamentos do namorado.
–Essa fala é minha. -protestou o loiro lutando contra o resto de seu rubor.
Harry apenas sorriu em resposta e beijou Draco suavemente. O loiro o respondeu com ardor sentindo o calor familiar que ele associava a Harry preenchendo seu ser. O moreno era calor e vida e esperança. Para Draco Harry também era como estrela. Como a grande e dourada estrela chamada sol. Uma estrela que vagara até agora em solidão buscando companhia e finalmente encontrara. Porque se o moreno desejava estrelas, o loiro estava certo que faria de cada uma de suas emoções, de cada uma de suas ações estrelas para Harry. E a luz de todas elas seria sustentada por amor. Mesmo que uma estrela morra, sua luz jamais deixa de viajar pelo universo. Da mesma forma o amor que sustentaria as estrelas de Harry era luz. E por isso Draco soube naquele momento que ele não viveria nas pétalas de uma flor do paraíso. Mas que ele estaria para sempre nas estrelas de Harry. Aquelas que brilhariam eternamente no mesmo tom prateado de seus olhos.
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