La mia mitá

4 Dragões e museus


Notas iniciais
Oi gente!!!Agradeço novamente pelos comentários do capitulo anterior e espero que gostem do último capitulo de 'La mia mità ' em 2013.Nos lemos nas notas finais e boa leitura!

O céu azul se erguia majestoso e sem nuvens,a neve cobria as colinas e o gelo mantinha imóvel o pequeno regato.No frio inverno romeno três figuras,dois adultos e uma criança, com capas brancas andavam em meio ao Desfiladeiro de Turda.Uma das figuras parou em uma passagem estreita olhou em volta algumas e ao se certificar que não havia nenhum expectador indesejável sacou a varinha e murmurou um encantamento.Então aparecendo do nada no meio daquele lugar selvagem estava um vilarejo de cabanas minúsculas de pedra ou madeira.E ali esperando os visitantes estava um homem alto ruivo com uma barba curta marcando o rosto anguloso de profundos olhos azuis.

–Lucius-saudou o homem estendendo a mão.

–Ionut-respondeu Lucius Malfoy estreitando a mão que lhe era oferecida.

–Narcisa.-saldou Ionut beijando a mão da loira.

–Este é Draco.-apresentou Lucius pousando a mão no ombro no menino.

–Olá.-disse o garoto estendendo a mão ao homem ruivo.

–Muito prazer em conhecê-lo Draco.-disse o homem cumprimentando o garoto com olhos curiosos.

–O prazer é meu senhor.-respondeu o menino.

–Então Lucius quer dizer que seu pequeno aqui pode ser um dos lendários draconem dominandi?-disse Ionut se voltando ao loiro mais velho.

–Pode ser Ionut.E é para descobrir que estamos aqui.-disse o patriarca Malfoy.

O ruivo assentiu e fez sinal para que os Malfoy o acompanhassem para dentro do vilarejo.

–Eu preparei os testes adequados de confirmação.Vocês podem descansar da viagem hoje e amanhã ao amanhecer começamos as provas.

Os Malfoy assentiram e Ionut os levou a uma cabana de pedra,que parecia minúscula por fora mas era uma casa de seis quartos por dentro.É claro que seria um lugar gigantesco pra pessoas comuns ,mas em se tratando dos padrões daquela família o lugar era aconchegante .Draco não conseguiu dormir.Girou na cama por quase duas horas até desistir e se levantar.Contemplando as estrelas o garotinho loiro estava preocupado e confuso.

Ele como quase todas as crianças bruxas conhecia a lenda dos draconem dominandi.Também conhecidos como os senhores de dragões.Essa pessoas possuíam poderes sobre essas incríveis e poderosas criaturas.São o único tipo de pessoa que pode estabelecer amizade com esse tipo de criatura.Mas especificamente um draconem dominandi domina os dragões,mas não porque os submete e sim porque ganha sua lealdade e confiança.Dizem as lendas que podem entender e sentir o coração de um dragão,que suas magias se reconhecem como iguais.Um senhor de dragões poderia ser descrito como dragão que adquiriu forma humana tal sua afinidade com essas criaturas.Um dragão jamais poderia ferir um draconem dominadi e esses magos podem curar os dragões de qualquer enfermidade usando sua essência mágica.

As histórias pregam também que eles podem falar a silenciosa língua dessas criaturas mágicas.Silenciosa porque ela não possui sons se trata de uma conversação mental.Mais que isso esse bruxos cavalgam essas criaturas e são os únicos sobre a terra que podem fazê-lo.E todas essas coisas podem parecer realmente tentadoras mas existem motivos pra não se ter noticias de senhores de dragões em quase um milênio.Eles eram considerados uma grande ameaça.Porque sua influência sobre esses seres é tal que poderiam convertê-los em armas.Seu dom poderia permitir que resolvessem assumir o controle do mundo mágico usando as criaturas aladas.E até mesmo invasões contra o mundo trouxa foram especuladas no passado.Não seria dificil para um senhor de dragões conquistar manadas e expandi-las em segredo até que seu número fosse imbatível.E então eles foram caçados.Por aqueles que temiam e achavam que poderiam estar mais seguros com esses magos mortos,por aqueles que ambicionavam usar seus poderes pra seus próprios fins,por aqueles que queriam estudar as características dessa habilidade,por aqueles que queriam encontrar uma forma de roubar ou replicar esse poder.

Mas os draconem dominandi eram então muito poderosos e resolveram provar ao mundo mágico o quão estúpido era atacar alguém poderoso até que esse realmente jogue tudo para o alto e não se preocupe com os riscos que corre.Usando manadas dos mais agressivos dragões os senhores de dragões derrubaram reinos,desfizeram exércitos inteiros e deixaram claro que se os ataques contra eles continuassem haveria guerra.No entanto expressaram seu desejo pela paz,que suas ações não eram nada mais que uma defensiva e que se a situação mudasse eles voltariam a cuidar somente de seus assuntos.Deixaram a escolha de lutar ou não inteiramente para a sociedade bruxa .Os bruxos escolheram a paz e os senhores de dragão mantiveram sua palavra.A escola de magia de Hogwarts foi fundada depois dos eventos de caça e para manter viva a memória do que poderia ter sido a devastação do mundo mágico o escudo do colégio leva o aviso “Nunca acorde um dragão adormecido” em latim.

Os draconem dominandi passaram a ser respeitados e temidos de forma igual.Mas quando os antigos mestres morreram nunca mais se soube de alguém com esse dom.E Draco não acha que isso tenha acontecido porque não tenha nascido nenhum bruxo com esse dom em mil anos.Não.O garoto loiro tem certeza de que o motivo era outro,alguém que recém descobre uma habilidade não descobre junto como manejá-la.É preciso treinamento.Sem um mentor teria que se aprender sozinho a conhecer cada faceta desse poder.E se alguém poderoso mas sem controle sobre esse poder se revela torna-se um alvo fácil.Por causa disso as chances de que dois ou mais senhores se encontrassem pra unirem forças contra possíveis ameaças eram quase nulas.E por mais poderoso que seja um único mago não pode com todo seu mundo sozinho.Então os portadores desse poder se esconderam ao longo da história muito provavelmente se perguntando se eram os únicos,sem saber como desenvolver de todo seu poder e com medo de virar uma arma de algum bruxo das trevas,ou um experimento de algum mago da luz.E assim os draconem dominadi passaram a fazer parte da mitologia,sem que fossem esquecidos mas serem respeitados de verdade.

E agora lá estava ele diante da perspectiva de ser uma lenda viva.A idéia de ser portador de um poder assim era algo fascinante e assustador ao mesmo tempo.Ser usado e perseguido seriam possibilidades bem reais em seus dias,mas a idéia de conhecer algo que era tão exclusivo,tão único o fazia estremecer de prazer.Foi então que pensou...seria possível que Potter também possuísse essa habilidade?Essa possibilidade fez sua raiva aquecer seu peito por um momento.Por algum acaso Potter tinha que ter toda e qualquer habilidade para igualá-lo ou superá-lo?Mas então se lembrou da dragão do guarda caça,se o magricela tivesse essa habilidade teria notado que era uma fêmea e portanto mais agressiva do que um macho.E não notou então ele decididamente não tinha nada dessa habilidade.Draco sorriu era bom saber que apesar de estar ligado pra toda vida ao imbecil ele ainda teria habilidades independentes disso. Finalmente o sono o alcançou e seus sonhos foram povoados de cavaleiros,dragões e intensos olhos verdes.

As refeições entre os Malfoy eram quietas ,com algumas raras conversações banais .Mas naquela manhã o silêncio que cobria a mesa não era despreocupado e habitual.Era pesado e tenso.Nenhum membro da família realmente comeu qualquer coisa,apenas e bebericavam suas respectivas eleições e trataram de exercitar sua máscara de indiferença,se bem que entre eles podiam perceber os pequenos detalhes que os delatavam mutuamente.Narcisa tinha os lábios levemente franzidos,enquanto Lucius estava com os ombros muito retos e tensos,e o olhar de Draco vagava inquieto .Quando terminaram saíram até as fronteiras do vilarejo com a floresta e ali encontraram Ionut os esperando com um meio sorriso e os olhos expectantes.

O homem ruivo os conduziu pela floresta até uma clareira,no centro dela havia um cesto de metal que alcançava os joelhos do homem.Ionut andou até o objeto e ali pediu para os três Malfoy se posicionarem afastados uns dos outros,formando um triângulo nas extremidades da clareira.Então desvaneceu o cesto com um aceno de varinha e no chão ficou exposto um filhote de dragão.Um negro das Ilhas Hébridas ,reconheceu o mais jovem e viu uma pequena aura avermelhada ao redor dele,macho sua mente sentenciou.O pequeno animal ergueu a cabeça encarou os ocupantes e então correu em direção ao menino.Escalou suas pernas num movimento agiu e buscou refúgio no peito de Draco que o aninhou com os braços.O menino quase sem notar começou a fazer pequenos sons com a garganta e o filhote se acalmou escondendo o focinho no menino e cerrando os olhos.

–Bravo Draco!-Saudou Ionut com um sorriso-Você acabou de ser aprovado no primeiro teste! Os filhotes o consideram um refúgio seguro,um protetor.

O menino loiro ergueu os olhos para seus pais,os olhos azuis de sua mãe refletiam um orgulho intenso que aqueceu seu peito de uma forma gostosa,então olhou para seu pai tentando saber o que ele pensava desse primeiro resultado.Mas Lucius portava nesse instante a mais gélida máscara Malfoy e seus olhos eram como dois poços infinitos onde só existe vazio.

Draco desviou os olhos do olhar frio de seu pai e tentou prestar atenção em Ionut que queria pegar o filhote que estava com o menino para seguirem para segunda prova.Depois de acomodarem o pequeno eles seguiram até uma cova do penhasco.O grande homem ruivo se ajoelhou no chão para ficar da altura do menino e apoiando as mãos no ombro dele falou calmamente:

– Dentro dessa caverna vive um rabo córneo Húngaro. Há uma saída do outro lado da montanha.Você deve atravessar a caverna e sair por lá.Isso.-disse erguendo um pequeno broche-é uma chave de portal.Se o dragão tentar te atacar basta dizer:Ignus ,e ela se ativará pra tirá-lo de lá.Entendeu?

–Sim.Tenho que passar pelo dragão e sair do outro lado,se não conseguir tenho que usar a chave.-disse e não pode ocultar um leve tremor em sua voz.

Afinal de contas ficar cara a cara com dragão feroz não era uma possibilidade animadora.Ele podia até ser um senhor de dragões mas não sabia nada sobre como diabos se acalmava um bicho furioso desses.E se o tal bicho não parasse pra ver que o intruso era um dos dominadores e simplesmente resolvesse cuspir fogo tão logo ele entrasse?Teria tempo de ativar a chave antes que as chamas o alcançassem ?Ahn e se ele não conseguisse falar a palavra corretamente e o dragão tivesse tempo de desmembrá-lo?Essa espécie tem um fraco por arrancar membros.Suas mãos se cobriram de um suor gelado e ele começou a tremer.Ergueu os olhos implorando com ele para não ter que entrar ao homem ruivo.O adulto ergueu as sobrancelhas se levantou e encarou a Lucius com uma pergunta muda nos olhos.

Draco também ergueu os olhos para seu pai,tremendo e também a ele implorou para não ter que entrar.Não parecia engraçado,glorioso ou divertido.Parecia perigoso e estúpido.Muito ,muito estúpido.Tão estúpido que até parecia o tipo de coisa que Potter faria.Ridiculamente valente e sem sentido algum.O olhar de seu pai ainda era totalmente ilegível.Draco desviou os olhos para sua mãe que parecia tão apreensiva quanto ele,a mulher deu um indeciso passo em direção,mas seu pai segurou-a pelo braço.

–Entre Draco.-disse o patriarca com a voz fria,porém calma e modulada

O garoto loiro conhecia aquele tom,já o ouvira em algumas raras ocasiões.Era uma ameaça.Draco jamais apanhara de seu pai ou fora submetido as torturas mais violentas que sabia que eram tradições em muitas famílias sangues puras.Mas não por isso poderia dizer que seu pai era brando.Não era.Como todo patriarca de respeito Lucius sabia ordenar e punir se a ordem não fosse cumprida da maneira como ele considerasse devida.Instintivamente seus dedos tocaram seus pulsos onde trazia linhas finas de um dos castigos que sofria nas pouquíssimas ocasiões em que teve esse tom de voz dirigido a si e por alguma razão não respeitava a ameaça contida ali.As cicatrizes das algemas das masmorras da mansão.Onde ele podia passar muitas horas encerrado,sempre durante a noite.

Odiava com todas as forças aquele lugar escuro e extremamente úmido.Jamais podia usar qualquer meio mágico para curar os pulsos,e nunca permitiu que as cicatrizes fossem removidas por sua mãe.Gostava de tê-las à vista como um recado de que não deveria e não podia enfrentar seu pai.Podia contar nos dedos de uma mão às vezes que isso acontecera ,e em todas essas ocasiões não fizera de forma premeditada para desobedecer e irritar. Mas perdera o controle da situação e por isso considerava que merecia a punição.

Era o correto a se fazer.E na realidade se considerava bastante afortunado por seus pais serem felizes e não descontarem nele suas frustrações pessoais. E também agradecia por seu pai nunca ir mais além de noites acorrentado nas masmorras.A exceção de Blaise todos seus amigos conheciam de perto antigas tradições da rígida educação dos sangue puros de boa linhagem e muitas vezes os recebia depois de algum castigo.Conhecia bem os danos causados porque os via,porque secava cada lágrima e ajudava seus amigos a recomporem suas respectivas máscaras.Sabia também que sua mãe tinha muito haver com o controle de seu pai na hora de escolher alguma punição.Ela o amava com todas as forças e o menino sabia disso.Ela podia não ser a mais terna e carinhosa das mulheres mas algumas vezes ela o olhava com tal devoção que ele simplesmente sabia que ela o amava mais do que jamais lhe diria e isso bastava.Não existiam carícias,ou histórias pra dormir mas através daqueles breves olhares ele sentia-se mais próximo dela do que qualquer abraço poderia colocá-lo.Mas seu pai precisava ser conquistado.

Secretamente esse era um dos maiores desejos de Draco.Se ser feliz era muito importante , conquistar o amor de seu pai era seu anseio mais profundo.Enterrado tão profundamente que ele nem se dava mais conta de que toda essa vontade de ser igual a seu pai era tão somente uma forma de buscar esse amor.De ser digno de ser amado tanto quanto ele amava.Encarou por alguns segundos mais os frios olhos de seu pai ,ergueu a cabeça e com passos um tanto vacilantes entrou.

Ergueu a varinha e pronunciou um Lumus baixinho,andando cautelosamente.Seu coração golpeava contra suas costelas violentamente.Por um momento se perguntou se a criatura poderia ouvir essas batidas descontroladas.Tentou se controlar,mas não conseguia.A varinha tremia junto com suas mãos e era difícil manter a iluminação,mesmo se tratando de um feitiço tão simples.Mas Draco ainda era um menino e estava assustado,já era todo um feito que seguisse se movendo sabendo que em uma hora ou outra uma das espécies mais violentas de dragões diante dos olhos.

Foi então que um par de olhos alaranjados brilharam diante dele.O menino ergueu os olhos para fitar aquelas orbes assustadoras.O hálito quente e mal cheiroso golpeou seu rosto.Um silvo estranho saiu da garganta do animal.Draco sentiu seu medo se dissipar ,cerrou os olhos tentando se acalmar mais rapidamente.Quando os abriu percebeu que o dragão não se movera,continuava encarando o menino.

Tentativamente ele ergueu a mão ainda suada em direção ao animal,e esse se deixou tocar.Quando sentiu as escamas debaixo de sua pele o menino suspirou.De alguma forma aquilo era tão certo que o enchia de paz.E paz era uma coisa infreqüente depois de ter conhecido a Potter.Estava o tempo todo preocupado,ou irritado.Irritado pela presença do outro e preocupado com suas notas,tarefas e com seu objetivo de se converter em prodígio.Era maravilhoso sentir-se simplesmente bem.Sorriu um pouquinho ao dragão e o contornou se afastando,sabendo que não era tolice dar-lhe as costas.Ele não era uma presa.

Alcançou a saída e viu os três adultos esperando por ele.Buscou os olhos de sua mãe,que se viam felizes e preocupados.Deu um pequeno sorriso a ela,como forma de dizer que estava tudo bem.Ionut tinha sorriso tão amplo que parecia que iria dividir seu rosto ao meio.E seu pai trazia uma chispa de surpresa nos olhos ,mas sua expressão ainda era distante.

–Maravilhoso pequeno!-disse o homem ruivo- Mesmo um dragão feroz não te ataca!Só falta mais um teste para termos a certeza de que você é um verdadeiro draconem dominandi.

O romeno os conduziu até um enorme galpão de madeira.Eles entraram e se viram em um estábulo com coxias muito maiores do que as que abrigariam eqüinos.

–Aqui cuidamos dos dragões feridos que são mais dóceis.-explicou Ionut.-Draco vá até a segunda coxia da direita,é a única ocupada por aqui.

O menino obedeceu e logo diante dele havia um dragão,um verde galês.Draco olhou diretamente nos grandes olhos vermelhos da criatura,e então passou a perceber o ritmo pesado de sua respiração,a pulsação suave e poderosa de seu coração.E então uma dor ,não forte mas realmente incômoda em sua pata traseira.O menino rodeou o animal até chegar a fonte do problema e pousou as mãos sobre a pata como se quisesse erguê-la o dragão a levantou para o menino que então enxergou um enorme pedaço de madeira cravado ali.Dirigiu sua mão até ele e puxou,o dragão grunhiu mas o pedaço de madeira não queria sair.Então Draco se concentrou novamente na respiração do dragão,em seu coração e em sua força e puxou o pedaço de madeira.O objeto saiu sendo seguido de um som de protesto do animal.

O garoto então colocou a palma da mão sobre a feria e sentiu um calor sobre seus dedos,uma sutil luz amarela o rodeou,e quando deixou de tocar tudo que havia ali era uma pálida e quase invisível cicatriz.

Ionut se aproximou para observar e soltou uma maldição ao ver o sinal.Draco ignorou o homem perplexo ao seu lado e andou até ficar de frente ao dragão.O animal lhe fez uma reverência com a enorme cabeça e o menino respondeu se inclinando para frente.E foi como acordar de um sonho.Um sonho em que se sabe que se está sonhando mas que parece estranhamente real .O pequeno Malfoy não ficou para receber o veredicto da avaliação de Ionut,não precisava dele.Porque ele sabia : era um dos senhores de dragões ,e naquele instante tudo que sua mente conseguia processar era que seu nome (Draco) era de um grande mal gosto e de uma ironia sem igual.

Sentou-se em meio a neve e escondeu o rosto nas mãos.Sem saber muito bem o que fazer.Agora que sabia que realmente era um dos senhores de dragões o que deveria fazer?O que podiam esperar que ele fizesse?Teria de treinar com esse animais para melhorar o controle sobre seus poderes?E o que isso significava?Por acaso teria de deixar a escola?Sua mente girava em um torvelinho de emoções.Estava feliz e orgulhoso de si mesmo,mas também estava confuso e assustado.Seu futuro nunca lhe parecera tão incerto.

Sentiu um toque suava no ombro e ergueu os olhos.E então se viu diante dos olhos azuis de sua mãe.Ela trazia aquele olhar.Aquele que o fazia sentir próximo a ela e amado.Ela sorriu levemente animando-lo e disse:

–Estamos muito orgulhosos de você ,querido.Você é uma pessoa muito especial,um mago extraordinário.E por ter nos deixado tão contentes hoje pode pedir o que quiser.

–Qualquer coisa?-perguntou hesitante.

–Sim.-assentiu a mulher.

–Eu quero visitar a Bélgica.Com meus amigos.-disse expectante.

–Bélgica?-estranhou a mulher.-Com quais amigos?

–Os de sempre mamãe.Theo,Vince,Greg,Blaise e Pansy.-disse e ao ver a duvida na expressão dela acrescentou- Por favor mamãe,a senhora disse qualquer coisa.

–Esta bem.Bélgica então.-cedeu.-vou avisar seu pai.Saia do gelo Draco.Você pode se resfriar.

E saiu andando calmamente e com elegância como se caminhasse sobre nuvens e não sobre gelo escorregadio.O menino se levantou e observou orgulhoso a figura de sua mãe se afastar.Narcisa era uma mulher como poucas,podia ser uma esposa muito dedicada e gentil,mas quando se enfurecia até mesmo seu pai se afastava o mais rapidamente possível.Uma bruxa poderosa e tradicionalista.Ele suspirou pesadamente e não conseguiu evitar pensar que as coisas seriam muito melhores em sua vida se sua eleita fosse uma bruxa como sua mãe.Mas em lugar de uma elegante e forte mulher o destino lhe jogara um magro e despenteado Potter.Mais uma vez pensou que vida era mesmo viciada em ironias amargas.

Draco foi para casa onde estavam hospedados e encontrou os três adultos conversando calmamente.Para poder ir até seu quarto ele teria de cruzar por onde eles estavam,mas não queria interromper a conversa porque esse tipo de indelicadeza irritava seu pai.Decidiu ficar ali um tanto oculto ,por um vaso num pedestal, e esperar que terminassem.Em um certo momento eles levantaram e o romeno beijou a mão de Narcisa,então viu Ionut dar as costas a sua mãe para se despedir de seu pai,e ela num movimento ágil sacou a varinha e apontou contra o ato homem ruivo.Antes que ele pudesse reagir um raio vermelho o deixou inconsciente no chão.

O menino abriu muito os olhos sem entender o que estava acontecendo.Então viu seu pai sacar sua própria varinha e pronunciar:

–Obliviate!

Foi aí que entendeu.Seus pais estavam protegendo sua condição,seu segredo.Uma parte dele sentiu-se satisfeita por contar com essa proteção,e outra parte estava intimidada por ela ser necessária.Saiu de seu esconderijo aclarando a garganta para chamar a atenção de seus pais.Os dois olharam para ele,que disse com a voz mais instável do que desejara:

–Eu vou descer minhas coisas para viagem.-e saiu apressado antes que pudessem perguntar-lhe o quanto tinha visto ou escutado.

Colocou toda sua escassa bagagem numa bolsa com feitiço de extensão indetectável que se convertia em um colar do qual ele jamais se separava.Fora um presente de seu avô Abraxas Malfoy.Quando desceu seus pais o esperavam e os três deixaram o Desfiladeiro de Turda com seus dragões para trás.Sua mãe o segurou e eles aparataram até um luxuoso hotel romeno.O menino abriu os olhos lutando contra a sensação de tontura que esse tipo de viagem lhe provocava e viu a figura de seu pai o olhando duramente,endireitou a postura e então o mais velho disse:

–Sua mãe vai acompanhá-lo até a Bélgica para encontrar seus...amigos-o homem fez uma munheca de desdém diante da palavra- e sugiro que aproveite bem a viagem.Sua fase de infantilidades e desperdício de tempo chegarão ao fim com ela.

Draco assentiu sentindo um arrepio percorrer seu corpo.Algo lhe dizia que fosse o que fosse que seu pai quisesse lhe dizer com isso ele não ia gostar nem um pouco .O homem aparatou dali sem mais comentários.E o menino soltou a respiração que nem notara estar prendendo.

–Eu vou falar com os pais de seus amigos e conseguir as chaves de portal para viagem.-disse Narcisa .O menino assentiu novamente.-E Draco?

–Sim?-perguntou ele olhando para sua mãe.

–Não se preocupe com os planos de seu pai agora.Desfrute da viagem.Eu acho que você seus amigos merecem um voto de confiança e alguns passeios a sós durante o dia é claro.-disse.

O menino sorriu amplamente e se lançou contra sua mãe a envolvendo com seus braços e escondendo o rosto em seu estômago.

–Obrigado.-disse baixinho e sentiu os dedos finos de sua mãe deslizando em seus cabelos.

–De nada querido.-respondeu ela.-Agora eu vou acertar as coisas e você porque não vai tomar um banho?

Ele resolveu seguir os conselhos de sua mãe e deixar para pensar nos planos de seu pai depois já tinha o suficiente por enquanto com draconem dominandi ,e a missão de encontrar o quadro de Katherine.Naquela noite seus sonhos foram inundados por homens e mulheres que cavalgavam dragões e sorriam pra ele e o convidavam a se juntar a eles e de repente um dragão negro pousava diante dele ,o animal estava ferido na pata dianteira.Ele se aproximou e viu sinais de uma mordida,pelo visto deveria estar envenenada pelo inchaço .Apressadamente ele pousou as mãos no local tentando fazê-la sumir,mas a ferida não desaparecia o animal soltou um grunhido dolorido e Draco ergueu os olhos pra ele.O animal olhava diretamente em seus olhos com evidente dor,mas não foi isso o que mais impressionou o menino ,o que cortou sua respiração foi a cor daquele olhar.Olhos verdes esmeralda.Olhos que lhe diziam “estou em perigo !me ajude!”

Ele despertou assustado e ofegante o que esse sonho queria dizer?Quem estava em perigo?Escondeu o rosto nas mãos e tratou de se convencer que não tinha ninguém em perigo,que ninguém ia ser envenenado por animal nenhum, nem nada parecido.Mais calmo percebeu que já era de manhã ,então levantou-se e foi realizar sua tarefas matinais.Estava tomando café quando sua mãe apareceu e disse que já era hora de ir e que seus amigos já os esperavam na Bélgica.Ele tomou a chave de portal junto com sua mãe e sentiu o mundo girar ao seu redor.Abriu os olhos meio tonto e ouviu sua mãe dizer:

–Bem vindo a Bruxelas Draco.

O menino olhou em volta e pousou o olhar sobre o que parecia um pequeno castelo de janelas em arcos com padrões arredondados enfeitando-as.Havia uma cruz sobre a entrada.

–Que lugar é esse?-perguntou apontando a construção.

–É a catedral de Saint Michel.-respondeu sua mãe.

Antes que ele pudesse perguntar qualquer outra coisa um bólido moreno estava sobre ele o sufocando em um abraço apertado.

–Dray!!!Você já está aqui!-disse a menina com voz aguda.

–Pansy eu não consigo respirar sai de cima!-disse ele tentando afastar a menina de si.

Ela se afastou de má vontade,mas manteve a mão do menino bem segura com a sua.

–Oi senhora Malfoy.-saudou com uma leve reverência.

–Pansy.-respondeu tranquilamente Narcisa.

–Olhe ali!-disse a menina apontando a um lugar a frente deles.-Theo e Blaise chegaram !-THEO!BLAISE!- chamou gritando com sua voz aguda e acenando com a mão livre.Os dois a viram e caminharam na direção dela.

–Olá Senhora Malfoy.-saudou Blaise com uma inclinação de cabeça.

–Blaise.-respondeu a mulher.

–Oi Senhora Malfoy.-cumprimentou Theodore depositando um beijo na mão da mulher.

–Theodore.-respondeu ela com sorriso de canto.

Ao ver a atitude de Theo o loirinho sorriu,Pansy revirou os olhos e Blaise disse movendo apenas os lábios “puxa saco” fazendo com que Draco e Pansy sorrissem e o outro menino corasse.

–E ai Draco tudo bem?-perguntou Theodore com a curiosidade transparecendo na voz.

–Sim tudo bem.-disse o loiro com um olhar de advertência ao amigo para que não fizesse perguntas indiscretas.

–Onde estão Greg e Vince?-perguntou Blaise captando a tensão e mudando os rumos da conversa.

–Eles já deveriam estar aqui.-disse a mulher fazendo com que todos girassem para olhar ao redor atrás deles.

–Oh acho que já os vi.-disse Theo-Ali adiante em frente aquela barraquinha de comida.-disse a apontou um lugar onde de fato os dois enormes meninos pareciam tragar alguma coisa indefinível.

–Muito bem.-disse a mulher.-Vou deixá-los agora.Siracusi está a disposição para levá-los onde desejarem.-explicou apontando a um homem de cabelos castanhos parado alguns metros atrás deles.-Divirtam-se nos vemos no hotel.

–Até mais tarde Senhora Malfoy.-disseram os amigos de Draco em coro.

–Até depois mãe.-disse o loiro.

A mulher inclinou a cabeça e depois de verificar se havia alguém prestando atenção nela aparatou.

–Vamos atrás daqueles dois.-disse Blaise já começando a caminhar.

O quarteto se dirigiu a barraca de comida onde estavam os outros dois sabendo que o empregado dos Malfoy os estaria seguindo e que provavelmente haviam um ou dois guarda-costas deles camuflados no meio da multidão.

–Vocês não acham impressionante o fato de como não importa em que lugar do mundo a gente vá eles sempre conseguem se arranjar pra comer?-disse Pansy.

–Se considerarmos que eles apanham um pouco do inglês até hoje e de nenhuma maneira conseguem lidar com outro idioma é mesmo intrigante.-falou Theodore.

–Ahn isso deve ser um tipo de habilidade compensatória não?-opinou Blaise.

–Acho que é instinto de sobrevivência e auto-preservação dando o ar da graça .-disse Draco.-Afinal eles são sonserinos.

Os três pareceram concordar com esse ponto e depois de alcançarem os dois meninos pediram a Siracusi que os levasse ao Museu Real de Belas Artes.O homem os levou e quando alcançaram a zona mágica do museu,onde os muggles não entravam porque nem ao menos podiam vê-la,Draco girou a ele e disse:

–Estaremos seguros aqui dentro.Você nos espera aqui na entrada.É a única saída disponível também então não se incomode porque voltaremos em algumas horas.-e sem esperar resposta girou e entrou no museu ao mais puro estilo Malfoy de agir.

–Muito bem alguma idéia de onde está o quadro?-perguntou Draco assim que se afastaram o suficiente do empregado adentrando no salão mágico do museu.

–A gente andou pesquisando enquanto você estava ...resolvendo aquele assunto e bom ele está na seção restrita.-disse Theodore.

–Seção restrita?Num museu?-estranhou o loiro.

–Pois é Dray,a seção dos artefatos e quadros mais valiosos só é aberta a visitação em ocasiões especiais quando eles podem contar com aurores e um montão de medidas de segurança.-explicou Pansy.

–No resto do tempo ele ficam trancafiados na seção restrita.-disse Blaise.

–Então vamos a seção restrita.-disse decidido.

Os cinco ao verem a determinação do loiro trocaram olhares entre preocupados e resignados e se puseram a cainhar atrás da seção restrita que guardava o quadro da única prodígio mulher da história da sonserina.Foi Pansy que encontrou a porta escondida atrás de uma coluna com um aviso de proibida entrada.Greg tentou abrir e viu que estava trancada,o que não surpreendeu ninguém.

–Deixa eu tentar uma coisa.-disse Theo e sacou a varinha apontando para porta.-Alohomora!

A porta cedeu e eles entraram em um corredor onde haviam alguns objetos expostos em pedestais.

–Isso esta fácil demais.-disse Blaise.-Uma seção que protege os objetos mais valiosos pode ser aberta assim?

–Talvez não esteja feita pra impedir que alguém entre,afinal isso é um museu,vai ver ela impede a saída com algum objeto.-ponderou Theo.

–Talvez.-concordou Draco.-Então tudo que temos a fazer é não tocar ....-sua frase foi interrompida pelo som de algo caindo.

Cinco pares de olhos se voltaram ao som e viram Vince ao lado de um pedestal tombado .

–Eu...não .tinha nada encima dele ..e eu fiquei curioso do porque ..e meus pés chegaram antes..e ele caiu...-começou a balbuciar apontando o pedestal.

Um zumbido interrompeu o menino e fez com que todos se voltassem para portal que havia desaparecido.E então para o desespero deles o chão à partir de onde a porta estivera começou a desaparecer deixando em seu lugar um negro vazio.

–Corram!!!!-gritou Draco e não precisou repetir porque logos os seis estavam correndo com todas as suas forças tentando interpor a maior distância que pudessem entre eles e o abismo que parecia querer devorá-los.

Notas finais
E aí o que vocês acharam? Então gente como presente de natal atrasado pra vocês eu deixo a recomendação de 3 Drarry´s que na minha modesta opinião ocupam o topo da lista das 10 melhores. Poção irresistível : Poções nem sempre trazer a morte. Draco irá aprender que existem várias outras maneiras de sofrer e viver! Simplesmente maravilhosa ,trata de amor e escolhas de uma maneira envolvente e única. https://www.fanfiction.net/s/2303963/1/Pocao_Irresistivel Ecilpse Draco jurou vingança a Harry pelo aprisionamento de Lucius e cumpriu a promessa. A antiga rivalidade se torna mortal quando Draco rapta Harry para Voldemort. Mas quando o mundo de Draco vira de pontacabeça, a luta para salvar Harry e a si mesmo começa. Essa é de tirar o fôlego,sobre decisões erradas e redenções que trazem mais que perdão. https://www.fanfiction.net/s/2850244/1/Eclipse Checkmate Draco tem um plano para conquistar Harry Potter, e o desafia a um jogo de Xadrez Desafio. Mas é amor, ou traição, que ele tem em mente? O Draco dessa fic é uma admirável mistura de força e fragilidade,de sagacidade e abandono em uma palvra apaixonante. https://www.fanfiction.net/s/4060165/1/Checkmate Espero que apreciem esse presentinho de natal e nos lemos em 2014!