La Seule Cigarette

1 Capítulo I - Único.


Notas iniciais
Caso queira ler ouvindo alguma música, indico esta:
http://www.youtube.com/watch?v=OmLNs6zQIHo

Escrevi em algumas horas, e sem pretensão alguma. Apenas foi fluindo ao som de Birdy, e resolvi então colocá-la na minha escrita, assim como Adèle. Elas não me pertencem, mas seria muito bom :3
Os principais avisos: não sou uma escritora, e eu escrevo apenas para colocar o que eu sinto para fora. Críticas são sempre bem vindas, e reviews também. Isso me motiva a continuar sempre a melhoras e escrever algo a mais. Não é a primeira vez que eu escrevo, pois já tenho várias escritas não terminadas no computador. Eu apenas não tenho a quem me incentivar a continuar escrevendo e publicar. Mas, agora, eu resolvi publicar e compartilhar com vocês. Caso encontre algum erro, me avisa que irei arrumar. Eu dei uma rápida revisão no texto, então não garanto que esteja 100% sem erros. É isso. Espero que gostem. Caso seja um pouco confuso de entender, eu lhe digo que é apenas o que passa em minha cabeça neste exato momento.

– Me desculpe.

Foi exatamente o que eu ouvi naquela manhã nublada. Mais uma manhã típica da minha cidade. O momento exato em que eu ouvi essas palavras? Enquanto eu pegava um isqueiro dentro de minha bolsa para acender o cigarro que já se encontrava em meus lábios. E então, eu senti algum peso sobre o meu ombro. Olhei para os altos e as palavras ecoaram. E então, o cigarro acabou caindo de meus lábios, assim como meu coração, pela primeira vez, e não que eu permitisse, começou a acelerar os batimentos. E então, pela primeira vez, eu não achei que estava apaixonada, como em todos os livros em que o mocinho esbarra em uma menina, e o estômago dela então, se enche de borboletas. Eu só estava com raiva. Ela havia acabado de molhar o meu cigarro. O único.

xxx

O dia começou com minha mãe quebrando o silêncio da casa gritando meu nome. O que mais me irritava além de acordar cedo, e sair da minha cama quente e ir para a escola, eram os gritos da minha mãe. Eu realmente não suportava ter que acordar com algo tão ensurdecedor em meu ouvido. Mas eu tive que levantar. Hoje eu teria uma prova de Inglês. Apesar de ser uma das minhas matérias favoritas, não era o suficiente ainda para me fazer levantar da cama com emoção de um novo dia.

Sentei-me na cama e coloquei meus pés no chão. Eles pareciam mais gelados do que o normal. E então eu me encolhi, ainda com os olhos semicerrados. A pouca quantidade de sol que invadia a pequena abertura de minha janela, bateu em minha pele pálida. E então, o calor em meu corpo começou a se manifestar. Criei coragem para me levantar, e caminhei em direção ao banheiro. Estava muito frio para tomar um banho, já que minha mãe não havia ligado para alguém arrumar o banheiro. Então, resolvi deixar essa ideia para quando voltar da aula. Eu estaria mais relaxada, e o meu humor provavelmente iria melhorar assim que eu tocasse na prova de Inglês.

Abri a torneira do banheiro e senti a água passar por entre meus dedos. Levei-as até o meu rosto, e senti o gélido em minha pele. Aquilo poderia congelar meu cérebro de tão gelado. Então, me esquivei rapidamente, fechei a torneira e sequei meu rosto na toalha que estava à minha direita. Voltei novamente para o meu quarto e peguei o uniforme para vesti-lo. Algo que já era totalmente uma rotina em minha vida, e que eu não aguentava mais fazer. Eu estava em busca de férias, e longas férias. Eu queria um tempo só para mim, e meus cigarros que eu sabia onde esconder sem que ninguém descobrisse. Esse ninguém, óbvio, minha mãe. Planejava, além disso, conseguir um emprego e comprar uma câmera, e uma passagem para bem longe. Somente com meus cigarros e minha câmera. Nada mais, além disso.

Desci as escadas e encontrei minha mãe na cozinha, com uma garrafa de cerveja ao seu lado. Provavelmente ela não iria trabalhar hoje. O que piorava ainda mais minha condição de vida. Encarei-a, e pude ver que ela não respondia. Aproximei-me e então, toquei-a. Ela se virou lentamente, e se levantou. Abriu a porta e caminhou em direção a rua. Fui atrás dela. Quando pisquei novamente, ela havia se lançado na rua, no momento exato em que um carro passava. E então, vi a coisa mais preciosa da minha vida, ser lançada pelo ar. O sangue que agora entrava em contato com a calçada e a rua, era um vermelho vivo. Algo mais vívido do que eu. Eu fechei meus olhos, e lembrei-me do meu pai sussurrando em meu ouvido. “Força. Você é mais do que pode imaginar”.

Caminhei novamente para dentro de casa e peguei o telefone e liguei para o hospital. Solicitei uma ambulância e saí de casa. Caminhei em direção à escola. Eu não queria me despedir. Seria algo muito doloroso, e eu me prometi que não iria nunca sentir dor por ninguém. Nem minha mãe. Abaixei minha cabeça e então uma lágrima caiu de meus olhos. Eu sabia que cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Eu não conseguia evitar. Era algo que simplesmente se manifestou.

Chegando à escola, fui em direção ao banheiro ver se meu rosto estava tão acabado como eu imaginava que estaria. O sono, pela primeira vez, me ajudou a esconder a dor que estampava meu rosto. Eu agradecia pelo menos, 10 vezes mentalmente a cada minuto por ter essa sorte.

xxx

O tempo se arrastava mais a cada piscada de olho que eu conseguia realizar. Eu já não aguentava mais ter que esperar pela prova de Inglês. Mas logo, eu desejaria que o tempo não acabasse, já que eu teria que voltar à minha casa, e então, eu iria me lembrar do quão ridículo meu dia foi.

E então, o magnífico trim.

Acomodei-me no melhor lugar que existia no fundo da sala. Observei os animais da minha sala se acomodarem e então, o professor apareceu. Não entendi muito bem o que ele desejaria falar, mas eu vi que todos começaram a sentar em dupla. Então, uma morena olhou em meus olhos. Tentei desviar o meu olhar, mas por algum motivo, não consegui. Eu tentei forçar um sorriso, mas a perda de minha mãe não me permitia. Ela se aproximou e perguntou se poderia sentar ao meu lado. Afirmei com a cabeça e me afastei. O perfume dela então quase me sufocou. Era algum tipo novo de perfume, que eu não tinha dinheiro para comprar. Era doce, e isso me despertava o desejo nela.

O professor entregou as provas, e então, enquanto eu procurava alguma caneta em minha bolsa, ela me ofereceu a dela. Observei-a então, e resolvi pegar. E como nos livros, minha mão sem querer tocou a dela. Por um momento, uma onda de calor, confusão e amor invadiu meu corpo. Eu nunca havia sentido isso antes. Era algo totalmente estranho, e eu não iria me permitir que acontecesse novamente. Era algo errado até então.

Começamos então a fazer a prova. Estava extremamente fácil, como eu imaginava. Terminei em aproximadamente 30 minutos. Enquanto eu me levantava, ela me pediu para que eu levasse a folha dela. Afirmei com a cabeça e peguei minha mochila, andando em direção ao professor. Ele esboçou um sorriso e fiz o mesmo o mais forçado que eu pude. Caminhei em direção à saída e pude sentir então o vento em meus cabelos. Eu estava livre. Mas então, a memória voltou. Fechei os olhos e respirei fundo. Abri minha bolsa e peguei o meu cigarro. O único. Coloquei em meus lábios e me encostei-me à parede do lado exterior da escola. Assim que aproximava o isqueiro do cigarro, senti um peso em meu ombro. Olhei para cima e era a morena que havia se juntado a mim. Sua voz poderia soar magnificamente, assim como o seu sorriso, e o que eu senti assim que havia me tocado. Mas eu estava com raiva. Ela havia derrubado o meu único cigarro. E então, todo o enquanto acabou. Eu não tinha dinheiro para comprar nem o meu almoço.

Assim que eu me abaixei para ver o quão molhado meu cigarro estava, ela me segurou pela mão e fomos até o jardim da escola. Ela me obrigou a sentar e abriu a sua bolsa. Eu observava cada movimento que ela realizava. Ela tirou um maço e ergueu em minha direção. Um sorriso espontâneo surgiu em meus lábios. E então, ela colocou a sua bolsa em meu colo, e pude ver que além do cigarro, ela tinha uma garrafa de Vodca e um pacote com uma pequena quantidade de maconha. Eu me levantei e segurei em sua mão.

Corremos pela rua, e sorrimos. Parecia como se nós havíamos nos conhecido por anos. Eu sabia onde levá-la, e provavelmente, ela iria adorar. Era um parque que ficava perto de minha casa, e era um pouco abandonado. E então, chegamos.

Tirei a Vodca de sua bolsa e peguei um dos cigarros. Acendi, e abri a garrafa. Ela abria o pacote de maconha e preparava para o fumo. Toquei meus lábios na garrafa de Vodca e a sensação que eu tive foi uma das melhores. Por um momento, havia me esquecido de tudo o que aconteceu. E parecia ser então, o meu dia de sorte.

Ela se aproximou mais de mim e pegou o cigarro de meus lábios. Jogou-o fora e eu a encarei. Ela segurou a garrafa e deu um gole. Colocou-a do seu lado e fitou meus olhos. O seu sorriso era magnífico.

Senti então, seus lábios contra o meu. E então, eu pude ter a certeza de que eu sentia algo por ela. E isso se despertou muito forte em mim. De uma forma que eu não imaginava. Nossas línguas brincavam de uma forma muito carinhosa, e então, eu me deitei na grama, e ela ficou por cima de mim. Meu coração a cada minuto acelerava mais. O seu toque era algo incrível. Ela era incrível.

Afastamo-nos e ela deitou do meu lado. Segurou minha mão e sussurrou em meu ouvido:

– É a primeira vez que faço isso com alguém. Eu já havia observado você por um tempo. Você é linda. A cada dia que passava, eu sentia a necessidade de ficar próxima de você. Eu procurei ver as suas manias, o que você gostava, e hoje, eu tive a oportunidade de me aproximar. Eu não me arrependo. Eu te amo Claire.

As palavras ecoavam em minha mente de uma forma inexplicável. Eu senti a vontade e a necessidade de puxá-la para mim, e nunca mais a soltar.

Tive a sensação de que contos de fadas não existem, mas se você permitir, alguém pode se aproximar de você. Fazer-te feliz, e então, você esquece-se de todos os seus problemas. E essa pessoa a cada dia que passa se torna especial. Eu me permiti pela primeira vez. E não me arrependo. Tenho a consciência de que um dia tudo acaba (assim como minha mãe resolveu acabar com sua vida de uma forma precoce). Mas então, tentei me lembrar dos momentos bons em que vivi com ela.

A morena então sussurrou seu nome em meu ouvido. Soava tão belo.

– Obrigada Adèle. Eu nunca irei lhe esquecer.

Sorri, e adormecemos. A memória de todos os anos em que vivi, passaram por minha mente. Não iria deixar ninguém. E ninguém iria me deixar. Assim como minha mãe, eu e Adèle partimos para algo melhor. Algo em que possam notar o nosso talento. E mesmo assim, não doeu. Nem um pouco. Afinal, eu estava com ela.

xxx

Duas jovens são encontradas em um parque abandonado em Paris. Polícia diz que esse pode ser o novo Romeu e Julieta.

Notas finais
E então é isso. Caso sinta-se à vontade, deixe uma review. Vai me deixar bem feliz. Lembrando que caso não tenha entendido nada, e de como eu deixei o final um pouco mais doloroso, eu apenas digo que é o que eu sinto no momento. Quem sabe, em breve, eu publico algo novo aqui. :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!