La Révolution

1 La Révolution


1715, pouco antes à morte do monarca absolutista supremo.

“L’État c’est moi.”


“Por que todos não podiam ser iguais?”

A mesma pergunta e derivadas repercutiam infinitamente na cabeça do Siegneur Bonnefoy, como gostava de ser chamado o França, naquela época distinta. As roupas ricas, seda, poderia ser facilmente confundido com um príncipe. Luís XIV ainda dominava com toda a sua exuberância, mas mesmo assim algumas ideias iluministas estavam se espalhando, e França – como culpa-lo? – não pôde evitar ser deslumbrado por tais ideias.

Afinal, não era uma disparidade? Camponeses que se achavam tão dignos quanto seu próprio soberano! Nem mesmo em todos os seus anos de vida viu coisa semelhante, nem no seu país e nem em qualquer outro, e ele já tinha vivido muito. Mas afinal de contas – e sua mente pode ser dita maleável – qual era mesmo a diferença? Será que é mesmo assim? Só por ser filho de um rei, isso significa mesmo que você nasceu para ser rei?

Bonnefoy suspirou, não lembrava também de nenhuma parte da sua vida algo que validasse tal afirmação. Poderia ser que tal eleição milagrosa não passasse de mais uma obra das cabeças desocupadas dos humanos normais? Poderia ser que seu rei, seu rei Sol! Aquele que era tão ou mais representante da França que ele, a própria França (!) não passasse de um sortudo por ser filho de quem foi?

Balançou a cabeça, por mais que gostasse por refletir a verossimilhança das coisas – como era esperado daquele que um dia – mesmo que não soubesse – viria a ser o berço do iluminismo. Era anárquico, contrariar seu rei, duvidar, isso era perfídia! E uma das maiores, já que era contra si mesmo.

Se resignou a entrar no palácio, e deixou de agraciar as rosas do jardim com a visão imponente do seu passear.


1776, Independência dos Estados Unidos; a França está falida.

“Give us, us free!”


“Como pode? Como pode ter tudo acabado de forma tão miserável?”

Francis Bonnefoy, um ponto no meio de Versalhes. Menos que um ponto, falido.

Ele ajudou solenemente ao jovem menino estúpido que era o América; sem a sua ajuda, Inglaterra teria sem duvidas ganho com facilidade. Olhou com desgosto para o jardim, antes seu lugar favorito do palácio, esbanjando a ostentação.

A soberba em que viva já enojava a si mesmo, repugnava as vidas rompantes de Maria Antonieta e Luis XVI – que não chegava a barra da mais reles vestimenta de seu antepassado. Seu povo tinha fome, e ele sabia disso, não podia simplesmente ignorar como o resto da realeza. Ele também sentia. Sentia uma dor aguda que dilacerava seus órgãos, a dor de seu povo, da maioria exorbitante da sua população. Não importava quanto pão comia, ainda faltava pão. Não importava o quanto tentava ignorar, a ignorância ignorava-o.

“Que fim levou seu país tão glorioso?”

E mais que qualquer coisa que pudesse sentir, sentia uma agitação. Profunda, no âmago do seu ser, no âmago da França, borbulhando, florescendo. Sentia a Revolução, e ela ia chegar.


1789, Revolução Francesa, a Bastilha caiu.

“Liberté, Egalité, Fraternité.”


Tudo era caos, e o peito do soldat Bonnefoy retumbava. A cabeça cheia de ideias vibrava, o ombro baleado latejava. Não poderia afirmar claramente se estava triste ou feliz, mas estava irrevogavelmente mudado. Sentiu do dedão do pé à ponta dos cabelos, ele estava diferente.

Um peso invisível, de repentino, sumiu e sua barriga estava cheia, não de pão, de justiça. Do calor da igualdade. A bandeira tricolor estava sobre seus ombros, mesmo que fosse feita de uma fibra dura, nunca sentiu um manto tão macio. Ouvia os gritos, berrados pela conquista da nova era, a fumaça preta entrando pelas narinas, cheiro do fogo, ironicamente junto a um aroma de baguete queimado.

De agora em diante tudo seria diferente. Homens eram homens, mesmo as mulheres eram homens, e eram todos iguais, sem reis, sem classes. E mesmo diante uma tamanha conquista, o França se censurou por não ter enxergado a verdade antes, todavia se permitiu um pequeno sorriso. Esse único dia ia mudar o mundo, ele tinha certeza, apesar de que o mundo inteiro pouco lhe importava agora.

As três cores abanavam atrás de si por onde passava, ele sangrava e vestia trapos, mas nunca se sentiu tão nobre em toda a sua vida (e foi uma longa vida).

Notas finais
LÉtat cest moi. ("O estado sou eu" ou "Eu sou o estado") - Frase de Luis XIV.
"Give us, us free!" (mais ou menos "Dê-nos nossa liberdade") - Frase do filme Amistad. Não chega a ter muito a ver com Independência dos EUA e definitivamente nada a ver com a Revolução Francesa, maaaaaas...
"Liberté, Egalité, Fraternité." ("Liberdade, Igualdade e Fraternidade") - Frase de Jean Jaques Rosseau, foi o Grito do Ipiranga versão francesa.
Por sinal, Siegneur é Lorde e Soldat, Soldado.
Caso tenham visto algum erro histórico ou ortográfico de relevância, por favor comentem!
E CASO NÃO TENHAM VISTO COMENTEM TAMBÉM, VAI FAZER BEM PRA MEU POBRE CORAÇÃO REVOLUCIONÁRIO.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!