La Petite Mort

5 O destino e suas manipulações


Notas iniciais
Boa tarde, pessoal! Como está a sexta-feira de vocês? Espero que esteja tudo bem com todos... Estou muito feliz pelo feedback que estou recebendo e espero que os comentários continuem... Essa fanfic é um projeto muito querido e que eu tinha vontade de escrever há muito tempo e é muito bom ver que vocês estão compartilhando essa diversão que é escrevê-la! :D Quantos aos comentários, eu não os respondo por falta de tempo, mesmo... Ainda que eu esteja em férias, estou envolvida com meu TCC e até mesmo escrever é complicado (por isso das postagens irregulares ;X). Bem, chega de conversa fiada! Espero que gostem, boa leitura!

– Você poderia ter me avisado que viria, eu poderia ter tentado programar alguma coisa... — Hermione tinha uma leve decepção em seu tom de voz e uma expressão culpada no rosto. Harry não deixou o sorriso, que estava em seus lábios desde que chegara, desaparecer. Não era preciso muito para saber o quanto ele estava feliz por estar próximo a amiga novamente.

Harry entrou no apartamento e observou tudo com um ar despreocupado e sem julgamentos, bem característico de sua personalidade. Hermione fez sinal para que ele se sentasse na poltrona próxima a sua cama, mas o rapaz continuou a caminhar e abriu a imensa janela por onde a advogada observara o céu quando acordara. A janela era, na verdade, uma porta que se abriu para uma pequena varanda.

Harry caminhou para o ar úmido, frio e litorâneo de Ottery St. Catchpole. O jovem apoiou os braços na sacada de madeira e deixou o corpo relaxar sobre a estrutura. Ele respirou o ar puro do interior e comentou:

– Teria vindo antes, se soubesse que aqui é tão diferente de Londres.

– Você não respondeu a minha pergunta, Harry. — Hermione comentou, revirando os olhos, divertida pela luz infantil que iluminou os olhos verdes de seu melhor amigo. Harry riu baixinho, mas permaneceu calado, observando as ondas quebrarem na pequena faixa de areia mais à frente. — Além disso, você tinha trabalho a fazer em Londres.

– Sim, eu tinha... Mas minhas audiências foram adiadas, tive sobra em minha agenda e resolvi vir. E você parecia bem preocupada no telefone, não queria lhe deixar sozinha. — Harry estava repleto da sinceridade que Hermione tanto admirava nele. A morena acompanhou o amigo e logo estava ao lado dele, porém, Hermione tinha as costas apoiada na estrutura de madeira enquanto seus olhos iam de Harry para o interior de seu quarto de hotel.

O silêncio que se interpôs entre os dois era tranqüilo, leve e, principalmente, amigável. Hermione sentia-se segura na ausência de palavras de Harry e aquela confiança toda que ela depositava em Harry lhe era retribuída com aquela preocupação latente e tão intensa, em que Harry podia lê-la apenas pelo tom de sua voz no telefone.

O engraçado de toda a relação dos dois era como eles tinham progredido desde que se conheceram e em como eles eram tão diferentes e que essas diferenças não pareciam ser um empecilho para o tamanho do carinho que sentiam um pelo outro. No começo do curso de Direito, Harry era calado e Hermione era a aluna mais irritante da turma, com todas as suas respostas corretas e notas mais altas...

A parceria dos dois, obrigada por um dos professores mais queridos de ambos, bastou para que ambos se entendessem. Harry tornou-se mais comunicativo e até mesmo tornou-se capitão do time de futebol da universidade, Hermione passou a evitar chamar a atenção dos professores e seus esforços foram ainda mais reconhecidos, ela até chegou a ser homenageada na formatura dos dois.

No mais, ambos sabiam que o outro tinha tudo que precisava. Hermione confiava a sua vida ao melhor amigo e sabia que a recíproca era verdadeira. Harry era um exemplo para ela, com toda a força diante de todos os obstáculos que a vida colocou em cima dele e para Harry, Hermione era a mente brilhante e o coração enorme.

Eles não viviam mais um sem o outro.

– O que lhe deixou preocupado, Harry? — Hermione perguntou nervosa, com os olhos castanhos presos na sua cama perfeitamente arrumada no interior do quarto. Harry olhou para ela e não recebendo contato visual, franziu a testa e respondeu:

– Eu sei que você não está aqui somente por causa do pedido de Bill.

– Por que está sugerindo isso? — Hermione perguntou alarmada, suas feições e seus olhos assustados que encararam Harry logo entregaram a bagunça que ela tinha dentro de si. Harry ficou surpreso com a amiga para, no instante seguinte, rir silenciosamente. A morena fechou a expressão para ele. — E você não me conhece tão bem assim, Potter!

– Você ainda acha que eu não lhe conheço, Mione? — Harry perguntou incisivo e, levemente, irônico, tom que sempre irritava Hermione porque, quase sempre, ele estava certo. O moreno afastou o corpo da estrutura de madeira e cruzou os braços na altura do peito, a expressão séria em seu rosto revelava que ele já deixara de brincar. — Olhe só para você... Se fosse um caso normal, você me falaria sobre as brechas jurídicas e as pessoas que fazem parte dele e não sobre sua cliente!

Hermione não se manifestou, a morena apenas bufou irritada e revirou os olhos. O silêncio entre eles ajudou Harry a pensar melhor e, enquanto as engrenagens de seu cérebro trabalhavam e faziam as impressões atravessarem seus conjuntos nervosos, a sua expressão mudava de séria para, surpresa. O moreno, lentamente, ficou na mesma posição da amiga e olhou para o céu nublado acima deles e, temeroso, perguntou:

– Você está atraída pela sua cliente, não é?

– Já que está aqui... Eu vou procurar um lugar para ficarmos, duvido que esse caso dure pouco tempo. — Hermione murmurou fria, caminhando para o mais longe possível de Harry. O advogado observou as costas da amiga até a porta do quarto fechar.

Harry respirou fundo e procurou não pensar em quanta loucura teria que agüentar. Hermione ia acabar entrando em parafuso se continuasse naquela cidade. O rapaz foi vencido pelo cansaço da viagem e adormeceu sozinho, no quarto.

Na manhã seguinte, descobriu que Hermione se instalara no quarto em frente ao seu. E nenhuma palavra foi trocada por eles desde então.

# # # # #

Hermione procurava não pensar na pergunta de Harry, ainda mais, na ausência de sua resposta. Não sabia o que significava aquilo e preferia ficar às escuras, por mais que a sua curiosidade ficasse cutucando seu cérebro e obrigando-a a pensar sobre. Apesar de que a morena bem sabia que não seria lá o seu cérebro, quer dizer, a parte mais racional dele, que responderia a pergunta de seu melhor amigo.

Perdera seu precioso sono por causa daquela maldita questão que Harry colocara em sua cabeça. E agora, era a prova física da existência do mau humor. Bolsas sobre os olhos avermelhados, pele pálida e cabelos rebeldes desgrenhados. Apenas a lembrança de Fleur Delacour já tornara seu dia uma bagunça, isso sem mencionar suas constantes fugas de Harry. Estava cansada, sonolenta e precisava voltar para o hotel, vitoriosa, de preferência.

A advogada balançou a cabeça, agressivamente, quando sua mente lhe trouxe a memória dos olhos azuis tão animalescos que ela começava a conhecer tão bem. Hermione continuou a caminhar pela calçada de pedra da pequena cidade sem saber muito para onde ir, evitou as redondezas da casa dos Weasleys e, também, a praça que dava acesso ao “La Petite Mort”. Portanto, Hermione caminhou ladeando o litoral, os passos lentos e os pensamentos a mil por hora acompanhada pelos sons do oceano que ladeava a costa.

Naquela região da cidade, existiam algumas casas para alugar, mas mesmo sem perguntar, Hermione sabia que os aluguéis eram caros porque aparentavam serem casas para a temporada de turismo que a cidade ansiava, em todos os anos, para viver. Os anúncios eram em forma de placas fincadas nos jardins e penduradas nos portões das respectivas casas a serem alugadas. Hermione passou rapidamente por elas e, conforme caminhava, mais se afastava do centro da cidade.

Distraída por qualquer coisa que pudesse ocupar seus pensamentos, Hermione não reparou na figura alta que vinha na direção contrária a ela. O choque, portanto, foi inevitável. A morena bateu na figura alta e, imediatamente, seu corpo foi para a calçada. Ela caiu com os joelhos e mãos apoiados no chão, suas mãos estavam cheias de areia. Hermione, no ápice de seu mau humor, rosnou:

– Qual o problema dessa cidade?!

– Ah, me desculpe... Eu... — Hermione achou a voz familiar e, instantaneamente, ergueu os olhos. Encontrou Rony Weasley observando-a preocupado, sem saber o que fazer, enquanto coçava a cabeça. A advogada olhou furiosa para ele, esperando que ele oferecesse a mão para ajudá-la, ato que não aconteceu. Então, Hermione se colocou em pé e, batendo as mãos em sua calça, resmungou:

– Obrigada pela ajuda.

– Eu não sabia o que fazer. — Rony respondeu na defensiva, franzindo a expressão e, dessa vez, encarando-a de igual para igual. O jovem ruivo sorriu sarcasticamente e Hermione teve vontade de espancá-lo. — Tive medo de oferecer a mão e retornar sem nenhum dedo.

– Muito engraçado, Weasley! — Hermione vociferou ainda mais furiosa, batendo os pés na calçada e, de forma surpreendente, arrancando um sorriso vitorioso do ruivo. Hermione olhou de forma mortífera para ele, mas ele não se intimidou e continuou a rir.

Como o seu humor já estava no limite, Hermione preocupou-se apenas em se recompor, erguer o nariz e caminhar sem olhar para trás. Mal dera dois passos quando Rony a alcançou e, com um sorriso leve nos lábios, murmurou:

– Sério, de verdade... Perdão. Mamãe me mataria se soubesse que eu tratei uma garota dessa forma.

– Aposto que sim. — Hermione murmurou fria, sem olhar para o ruivo que caminhava ao seu lado sem nenhuma dificuldade, afinal, as pernas longas de Rony percorriam a distância com facilidade, por mais rápido que seus passos pudessem ser. Os dois se afastaram ainda mais do centro, mas nenhuma conversa produtiva se fez presente.

Hermione revirava os olhos a cada dois passos e Rony caminhava olhando para o chão, com o mesmo ar confuso e perdido de quem não sabia o que estava fazendo. Impaciente, Hermione parou abruptamente, Rony sobressaltou-se ao seu lado e também parou. A advogada bufou e, indignada, perguntou:

– O que raios você está fazendo, Weasley?

– Sendo educado. Eu não vou deixá-la caminhar sozinha pela orla. — Rony respondeu nervoso, o vermelho rapidamente tomou conta de seu rosto e ele piscou os olhos azuis várias vezes. Hermione semicerrou os olhos para ele, silenciosamente, exigindo respostas melhores. O ruivo engoliu em seco. — Ainda mais nesse estado.

Hermione cerrou os punhos aos lados de seu corpo e olhou para os céus, como se pedisse clemência por algo. A advogada, então, abriu seu melhor sorriso educado (o que fez Rony arregalar os olhos e engolir em seco) e rosnou friamente:

– Eu não estou em estado nenhum, Weasley. Estou irritada porque meu amigo veio de Londres e nós dois não temos onde ficar na cidade.

– Amigo? — Rony perguntou desconfiado e com a expressão fechada, Hermione revirou os olhos para ele, mais uma vez. Sério que teria que agüentar aquele rapaz dando uma de macho alfa depois dos acontecimentos no almoço? O ruivo pareceu se intimidar pela expressão da advogada e respirou fundo, soltando o ar lentamente. — Bem, vocês podem ficar juntos no hotel. Eu acredito que Madame Rosmerta não vai ficar irritada com vocês dois dividindo um quarto.

– Vamos ficar por algum tempo. Um aluguel mensal parece mais lógico e racional do que diárias de um hotel. — Hermione respondeu de forma brusca, voltando a caminhar. Rony a seguiu mais uma vez, quase como um cão adestrado. — Não que eu lhe deva alguma satisfação.

Rony, ofendido, parou bruscamente de caminhar. Hermione fez o mesmo e olhou para ele, o orgulho estufou seu peito e ela não se deixou abalar pela expressão quebrada do rapaz. O ruivo, então, abriu um sorriso enorme e sugeriu:

– Eu posso lhe dar um endereço, mas com uma condição.

– Eu não vou sair com você, Weasley. — Hermione respondeu entediada, cruzando os braços na altura do peito e assumindo a posição intimidadora pela qual era conhecida nos tribunais. Rony engoliu em seco e deixou os ombros caírem, derrotado. — Estou aqui a trabalho.

Rony pareceu ainda mais frustrado. Novamente, Hermione não percebeu quando o sorriso enorme apareceu nos lábios dele, ele mudava frequentemente de humor conforme as ideias chegavam a sua cabeça. A advogada arqueou a sobrancelha para ele, desconfiada. Rony estendeu a mão e, com um sorriso caloroso, disse:

– No final da orla, existe um pequeno chalé que está para ser alugado. É silencioso e solitário, acho que é o ideal para uma pessoa como você. Geralmente, a proprietária passa um bom tempo lá... Eu a vi passando por mim à pouco.

Hermione apertou a mão dele e, ainda desconfiada, murmurou:

– Obrigada, eu acho.

– Quando seu trabalho acabar, apenas me avise. — Rony disse galante, com uma piscadela exagerada que, inevitavelmente, provocou risos na morena. Hermione ainda ria dele quando outra figura ruiva apareceu em cena.

Gina Weasley vinha correndo por uma das ruas que dava acesso a orla da pequena e fria praia enquanto Hermione pensava em quão pequena aquela cidade era. A ruiva parou entre eles, olhou de um para o outro e, suspeita, disse:

– Rony, mamãe vai ficar realmente brava se souber o que você estava fazendo.

– Nem vem, Gina! Eu só estava ajudando a londrina! — Rony respondeu escandalizado e com a expressão fechando-se, rapidamente. Gina segurou a risada e murmurou:

– Ah claro, little Rony. Sei bem no que você estava ajudando.

Hermione olhou irritada para Gina e suas suposições, a ruiva logo se calou e a advogada estava satisfeita com seu poder de persuasão quando percebeu que ela olhava para um ponto atrás de sua cabeça. Hermione revirou os olhos e, mal tinha se virado quando disse:

– Não me lembro de ter pedido companhia para hoje e nem para nunca, Potter.

Harry vinha caminhando ofegante e ligeiramente suado. A miopia dele, mesmo com os óculos, fez com que ele não percebesse, de cara, quem era a ruiva ao lado de Hermione. Mas quando o fez, o jovem estacou a cerca de dois metros da amiga e engoliu em seco.

Hermione olhou para Gina que procurava conter o sorriso diante do olhar curioso do irmão mais velho. A advogada sorriria, caso não estivesse tão brava com seu melhor amigo. Hermione conseguia ver o brilho nos olhos de Gina e também viu quando ela não conteve mais o sorriso e o abriu, grandemente, para dizer, charmosa:

– Que surpresa, Harry!

– Da onde você o conhece, Gina?! — Rony perguntou ligeiramente enciumado, dando um passo à frente para se colocar entre a irmã e o recém-chegado. Hermione viu aquela como sua deixa e abriu um falso sorriso, discretamente, a morena se afastou dos ruivos em direção a Harry que a olhava suplicante. Impiedosa, Hermione desviou os olhos dele e entusiasmada, decretou:

– Eu já vou indo, fico feliz que se conheçam. Apresente Harry ao seu irmão, Gina. Aposto que serão ótimos amigos!

Gina a olhou assustada e paralisada, Harry na mesma situação e antes que Rony pudesse acompanhá-la, Hermione fez o caminho de volta para o hotel. Depois falaria com a dona do chalé do fim da orla.

# # # # #

Hermione observou, pela janela de seu quarto, Harry voltar para o hotel resmungando e gesticulando agressivamente por todo o caminho. Já era final de tarde e assim que o corpo dele desapareceu na porta de entrada, ela desceu as escadas rapidamente e saiu pela porta dos fundos. Precisou dar a volta e até entrar nas ruas e becos de Ottery St. Catchpole para despistá-lo.

Hermione voltou à orla e caminhou energicamente, com o sol a se por como companhia. A caminhada, dessa vez, foi mais curta do que da fatídica vez anterior. Rapidamente, parou em frente a um chalé cuja arquitetura era antiga e rústica. A morena saiu das calçadas de pedra e caminhou brevemente pela areia, um pouco de grama circundava a construção. Uma placa, antiga, estava precariamente pendurada entre dois postes de ferro puro. A placa balançava e rangia e mal Hermione conseguiu ler as palavras:

“Shell Cotage”

Embaixo dos dizeres, um enorme aviso para aluguel que, a julgar pela condição do mesmo, era tão velho quanto à placa. Hermione percorreu os degraus de pedra e parou na soleira. Ansiosa, deu três batidas na porta e colocou o melhor de seus sorrisos conquistadores.

Que logo desapareceu quando a figura em si abriu a porta.

– Mademoiselle Granger?! — Fleur Delacour tinha os olhos azuis astutos a observarem Hermione. Ela usava jeans e camisa social verde que aparentava ser alguns números maior que seu tamanho, estava larga e ela, discretamente, a amarrara na altura da cintura.

Hermione engoliu em seco e procurou pensar enquanto era, novamente, invadida pela fúria dos olhos azuis. Rugas de irritação formaram-se na testa de Fleur, a morena arqueou a sobrancelha para ela e, irônica, disse:

– Essa cidade só pode estar de brincadeira com a minha cara.

– Ninguém aqui está de brincadeira, impertinent! — Fleur explodiu irritadiça, levando as mãos aos longos fios loiros e prendendo-os em um coque mal feito. Hermione, sem perceber, lambeu os lábios quando seus olhos chegaram ao pescoço pálido e recém-revelado. Fleur pareceu não perceber e continuou a instigá-la. — O que faz aqui? Resolveu me seguir e tentar me vencer pelo cansaço?

– Cansaço? Poupe-me! E avisei à senhorita que a paciência é uma das minhas melhores qualidades, não terá o prazer de me ver cansada, Miss Delacour! — Hermione contra-atacou de forma eficiente, a expressão de Fleur contorceu-se em uma dramática careta ofendida. Um biquinho emburrado formou-se nos lábios da chefe enquanto ela desviava os olhos azuis, focando-os na madeira do portal da porta. Hermione abriu um sorriso vitorioso, tentando esconder o rubor inexplicável de sua face. — Estou aqui porque quero alugar esse chalé!

Mal Hermione terminara de falar e Fleur já estava, novamente, com os olhos em cima dela, ferozes e agressivos. A advogada sentiu como se estivesse se fosse a preza de um cruel tigre faminto, mas ela não recuou e armou-se de sua expressão corajosa. Hermione se perguntava o que raios dissera, daquela vez, para ter aquela fúria toda sobre si.

– Eu não vou alugar meu chalé para você! — Fleur vociferou agressiva e decidida.

Hermione mal teve tempo para se surpreender diante do pronome possessivo porque, no instante seguinte, seu corpo estava sendo empurrado da soleira da porta pelo corpo esguio e alto de Fleur. O cheiro de lavanda permeou o ar entre elas e misturou-se a um cheiro mais amadeirado vindo da advogada, ao mesmo tempo em que Fleur empurrava, Hermione fincava seus pés no chão, teimosa.

Então, de forma inadiável, as duas colidiram tanto a ponto de, finalmente, pararem com seus esforços e se olharem. O ar faltava em suas respirações ofegantes. Os olhos azuis de Fleur pareceram amansar, o azul elétrico foi quase que imperceptivelmente, sendo tomado por tons mais claros, quase límpidos. Ela contemplou o olhar castanho que a contemplava obstinado.

Hermione respirou fundo uma, duas, três vezes... Mas quanto mais respirava, mais o cheiro de lavanda impregnava seu cérebro e a impedia de tomar qualquer atitude sensata como, talvez, se afastar. A mesma força que lhe fizera ficar se manifestou e Hermione se viu sendo sugada para dentro dos olhos que, agora, a observavam como se a enxergassem em meio a fúria quente e irracional.

Fleur também parecia tão imersa no que estava acontecendo entre elas, o olhar castanho a aprisionou e ela, teimosamente, procurava se libertar daquela prisão quente e avassaladora. A chefe ainda lutava com os próprios pés, mesmo que o molho de chaves do chalé já tinha caído, no espaço entre elas.

Hermione aproximou-se discretamente e Fleur se afastou. Mais um passo por parte da advogada e dessa vez, Fleur não se afastou. A respiração quente de ambas começava a se misturar, a chefe fechou os olhos enquanto sentia o controle escapar por entre seus dedos e o seu espaço pessoal ser invadido bruscamente pelo cheiro amadeirado que, agora, ela reconhecia como sendo mogno e âmbar.

Apenas as ondas a baterem nos rochedos podiam ser escutadas acima das respirações entrecortadas de ambas... Entretanto, as duas afastaram-se bruscamente porque uma voz masculina e risonha as interrompeu:

– Espero que estejam se entendendo, meninas!

Instantaneamente, o que estava ocorrendo entre elas, se foi.

Hermione virou-se para um Bill Weasley sorridente, mas confuso, que observava as duas com atenção. Ao lado dele, Cedric estava vermelho e olhava para os próprios pés. Fleur já descera os degraus de pedra esbravejando:

– Ce était tout votre idée? Donc je ne vais pas louer la maison pour elle!

– Querida, inglês, por favor... — Bill resmungou risonho, segurando Fleur pelos antebraços. Fleur olhou ofendida para ele e respirou fundo, virando-se novamente para Hermione que tinha a expressão pensativa. A francesa estava ofegante e tinha alguns tons de vermelho em sua pele imaculadamente branca.

– Eu não vou alugar a casa para ela, Bill!

– Claro que vai. Nós estamos precisando de dinheiro mesmo. — Bill respondeu simplista, olhando em tom conspiratório para Cedric que sorriu de lado. Fleur olhou para os dois, pega na surpresa e na traição, a francesa nada mais disse e deu um grito de fúria, antes de dar às costas a situação e sair caminhando pela areia.

Cedric foi, imediatamente, atrás dela. Bill continuou sorrindo para uma Hermione que estava preocupada, ele colocou as mãos no bolso da jaqueta e disse espontâneo:

– Ela não vai ficar brava comigo por muito tempo. E eu lhe mostraria a casa, mas tenho que controlá-la ou ela vai acabar exterminando Cedric.

Bill deu um último sorriso brincalhão antes de dar ás costas a Hermione e caminhar pela areia, com a escuridão já caindo pela praia e as lâmpadas da orla acendendo, conforme ele se afastava.

Hermione saiu de seu transe quando uma onda quebrou, bruscamente, de encontro a um rochedo próximo, assustando-a. A morena apanhou as chaves no chão, que eram sustentadas por um delicado chaveiro metálico, com a forma de uma flor da qual ela não conhecia.

A advogada contemplou o chaveiro até dar às costas ao chalé e retornar, em meio à escuridão, para o hotel. Ela não queria pensar. Não ousava colocar seu cérebro diante de uma coisa tão irracional... Ela, simplesmente, não sabia o que fazer.

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Notas finais
Hermione cabeça dura, Fleur teimosa, Harry brigão e Rony Weasley sendo Rony Hahahahahaha O que acharam desse capítulo? Como perceberam, o romance já está sendo destrinchado, lentamente... Logo teremos o desenrolar de toda essa explosiva atração entre Hermione e Fleur. Pois bem, é isso... Aguardo comentários! Atenciosamente, FerRedfield ;*