La Fèe Verte
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Bem, o livro é novo, e não, eu não consegui me segurar XD
Mas relaxem, não vou esquecer F&A por isso ;D
Bem, não é preciso ler F&A para ler essa história, já que ela acontece depois dessa ^^
E desculpem se eu errar alguma coisa, mas a segunda pessoa me mata x-x
Sentia-se febril, o cheiro de sangue derramado impregnado, talvez para sempre, em suas unhas, sua pele, apoiou-se no batente da porta, os dedos grudentos de liquido vermelho ressecado e viscoso...
Os lábios tremiam... a visão turva... Não conseguia proferir uma única palavra... Caiu junto do batente, os olhos escondidos atrás dos cabelos macios e levemente bagunçados, agora manchados de vermelho...
Havia matado eles... Matado cada um deles... Eles haviam levado seu irmão... Levado-o para sempre... Ouviu seu último suspiro... Assistiu-o se dissolver em cinzas até que nada mais restasse, que fosse levado com o vento...
Perdeu a noção do que se passou a seguir... Mas aquela morte... Passava de novo e de novo em seus olhos, recapitulando infinitamente como foi inútil... Como simplesmente não fez nada enquanto ele morria... Ouvia-o chamando seu nome... Despedindo-se... E então se desfazendo em pó... Sendo levado pela brisa...
Lágrimas sôfregas deixavam seus olhos, mal conseguia sentir as próprias feridas, que manchavam a tapeçaria do aposento com o líquido que antes fervia em suas veias, escorrendo por seu peito, pescoço e pernas, manchando suas vestes...
- Deus... – jogou o rosto nas mãos, encolhendo-se contra o tapete, espalhando seus cabelos pelo chão, chorando a morte de seu irmão amado... Chorando as mortes que ainda estavam por vir... Talvez chorando a sua própria... – Por que levas eles de mim...? – soluçava, falando para o silêncio mórbido que o cercava. – Por que queres me ver sofrer tanto...?
Levantou os olhos até o teto pintando, parado a porta da casa santa... Pedindo que parassem aquela tormenta... Que não mais dilacerassem seu espirito daquela forma... Não suportaria...
- Tendes tanto prazer assim em torturar-me...? Somente por que minha alma não te é querida... Eres tão sádico assim? – dizia olhando para o altar a sua frente, para a figura de madeira colocada sobre o pequeno apoio de pedra.
Os passos do padre ecoaram na direção de Luka, agachando diante dele, tirando seu cabelo da frente dos olhos para confirmar suas suspeitas. Encontrou-os vazios e turvos, opacos, de um cinza pálido e fraco, sua íris dilatada bem no centro.
- Luka.
- Caim... – disse ao imortal trajado em roupas negras a sua frente. – Levará minha vida assim como fizeste com os meus irmãos...?
- Não existe honra em matar um inimigo ferido e vulnerável... Se um dia decidir tirar-te a vida, será numa batalha honrada e justa.
- Por que manipulas a humanidade com teus ensinamentos... Por que coloca-nos como vilões...? Onde está a honra nisso tudo...?
- Para pastorear animais, meu caro Luka, é preciso colocar de uma forma que seja compreensível ao cérebro limitado deles... Bem e mal... Alguém precisa ser o “mal”...
- Por que tu te escondes entre eles...? Tens vergonha daquilo que és?
- Não.
- Então por que nos odeia tento...? Por que queres nos fazer sofrer tanto...?
- Não desprezo a tua raça por completo, por ti, por exemplo, não guardo nenhum ódio particular... Apenas desprezo teu irmão... A ele somente.
- Então por que fazes com que soframos todos...?
- Por que para atingir um... É necessário ferir a todos... Os humanos foram os reais iniciadores dessa guerra, nós apenas nos colocamos ao lado deles.
- Eres muito cruel Caim de Vanice... Eres um monstro tal como eu...
- Tu não és um monstro meu caro, eres apenas um filho da noite, e para tanto, é preso por tua natureza violenta e dominadora... Estás sob pressão... Tua fera interior também encontra-se pressionada, não podes assumir que por tal razão não tenhas salvação.
- Para de tentar consolar-me, imortal! Não quero tua compreensão... Se não, não serei capaz de matar-te quando encontrar-te em batalha...
- Pois então te lembra que de minha parte não haverá hesitação. Defendes tua casa, que defenderei a minha. – disse, cortando a mão e oferecendo o fio azulado de sangue que por ela escorria. – Apenas retorna a tua casa, contas a teu irmão que perdestes um familiar, e lamenta tua perda em luto... Depois, quando vier o tempo, caça a mim e meus irmãos como é esperado de ti, e arrancas-me o coração se assim se mostrar preciso... Pois é o que farei quando vir-te novamente.
Luka tomou-lhe a mão e lambeu o pequeno corte que nela existia, manchando a mão do padre com o liquido vermelho que havia sido perdido por muitas almas, inclusive a própria. A saliva, o veneno de Luka, causavam uma sensação desconfortável de queimação, uma vez que ambas as raças nasceram para coexistir apenas, nunca para interagir. Sensação que Caim suportou sem nenhuma espécie de protesto, assistindo a própria ferida cicatrizar e sumir por completo.
O filho da noite então pôs-se de pé, apoiando-se no batendo da porta e limpando o rastro azulado da boca com a manga da blusa.
- Espero então que pelo menos possa pagar minha dívida para contigo antes que esse dia chegue.
- Não deves nada a mim, filho da noite, apenas um bom desafio quando estiveres em batalha. Não decepcione minhas expectativas, pois o considero um adversário a altura de minha casa.
- Pagar-te-ei como devo, senhor dos de Vanice, pois sangue não se paga com mais sangue, entenda que teu ato me deixa em débito contigo. E que terei de amenizar-te a dor algum dia, ou estarás negando minha honra.
- Pois então pagarás, filho da noite. Porém não agora, nem tão cedo assim, pois não pretendo deixar-me cair tão facilmente assim.
- Teu orgulho não te permitiria aguardar tua sentença de joelhos a menos a morte já te roube o brilho dos olhos, e o calor do sangue. Mas muitas coisas acontecem em uma guerra. E o orgulho acaba sendo muito mais ferido do que podes pensar.
- Vai-te embora. E espalhas a notícia, mais um Devareaux está morto. Chora sobre o túmulo dele, então volta por vingança... Estaremos esperando.
E então Caim volta pelo corredor, a passos surdos, sumindo em um dos corredores, pelas entranhas da monstruosa igreja onde às vezes esteva, sendo um bom padre e trazendo conforto as almas humanas.
***
Luka pisou no interior da casa onde morava com seus irmão, sendo recebido por dezessete dos trinta e vinte e dois que sobravam, antes eram quarenta.
Lud estava com as botas cruzadas sobre a mesa de mogno avermelhado da sala de estar, jogado em uma das poltronas.
- Então... O passeio bagunçou teu cabelo, Luka? Que lástima... – a voz sarcástica, o tom desrespeitoso.
Luka atravessou a sala, desferindo um sonoro tapa no rosto dele, arrancando Ludwig da poltrona onde estava, derrubando a mesa e colocando o irmão contra a parede, erguendo-o um pouco acima do chão.
- Silencia-te! Tua insolência começa a irritar-me! Sou teu superior e irmão mais velho! Descobre teu lugar! Ou eu mostrarei a ti onde é!
Lud o encarava em choque, nunca havia sido repreendido por seus comentários mordazes antes, nunca. Nem sequer havia visto Luka perder a paciência.
- Mas algum de vocês tem mais alguma observação pertinente?! – virou-se para o resto da sala, fazendo tremer as janelas, largando Lud, cujo peso foi ao chão, colocando a mão sobre o rosto marcado com o tapa e as unhas de Luka.
A sala fez-se em silêncio.
- Muito bem...
E retornou seu caminho escada acima, batendo a porta de seu quarto atrás de si, derrubando um ou dois quadros.
- Bem Ludwig, teu corretivo realmente encontrou-te. Pegaste Luka num dia ruim. – riu Frederic.
- Cala-te, Frederic! – Lud rapidamente pôs-se de pé, batendo o pó das roupas, voltando a se sentar, calando-se, contrariado e envergonhado.
Alexis esperava por Luka, sentado ao batente, contemplando a vista noturna, e as poucas horas de escuridão que restavam.
- Noah... – principiou ele.
- Sim. – disse Luka, arrancando o colete ensanguentado, atirando-o num canto do quarto. – Por favor, Alexis... Deixas-me só...
- Não posso ainda.
- O que queres mais? – Luka encontrava-se muito irritadiço, Lud havia tirado o resto de paz que restara em seu peito.
Um abraço, incerto, um tanto hesitante, abraços comuns nunca foram sua especialidade. – Sei muito bem que estás destruído... Chores primeiro... Depois pensas no que vais fazer.
- Por que... Tens de me conhecer tanto? – pouco depois ele volta a chorar, Alexis bem sabe que Luka possui o lado emocional que nele é fraco e falho, muitas vezes já se viu perguntando a si mesmo se não era a existência de Luka que o fazia ter noção do que emoções significavam... Pelo menos aquelas desprendidas da carne.
- Por que vejo tua mente, e sei o quando esta sangria massacra teu espirito...
- Não... Não quero. – afastou-se de Alexis e também do abraço, sabia que não podia se dar ao luxo de enfraquecer-se naquele momento, estavam em guerra, e dali para frente, somente iria chorar quando a guerra terminasse... Somente ai, então poderia chorar por toda a dor, todo o desespero que passara, não antes. – Não posso mostrar-me fraco, devo antes de tudo pensar naqueles que ainda tenho de salvar, acima daqueles que perdi.
- É de tua natureza Luka, condói-te pelos mortos, eres meu lado emocional.
- Perdão Alexis, acho que somente tu podes permanecer firme diante de tudo que se passou, não tenho teu sangue frio.
- Sabes muito bem que meu sangue é bem mais quente que o teu, porém não tenho tanta habilidade em mostrar emoções que não sei ao certo se tenho... Gostaria de poder chorar lágrimas puras como as tuas por meus falecidos irmão, mas tudo que sinto é ódio, apenas isso, não sei exorcizar de mim a angustia de outra forma que não seja caçando e matando... Então peço que quando decidires chorar, chores por nós dois.
- Eres o lado instintivo desse laço, sabes disso também, preocupar-me-ia se começasses a chorar, se não fosses forte, não teria forma de fazer essa guerra chegar a qualquer lugar.
- Ah... Eu... Agradeço... – Alexis nunca foi bom com emoções, não emoções tão despretensiosas e simples quanto as do irmão.
- Não agradeças, sabes que não falo para agradá-lo.
- Luka... Somente mais uma coisa.
- O que?
- Esteves com aquele imortal imundo hoje... Por quê?
- Não foi nada planejado, apenas nos encontramos... Ele ajudou-me a me recuperar...
- Tomaste o sangue daquele animal? – os olhos de Alexis se abriram em choque.
- Sim... Caso contrário não teria vivido para chegar aqui.
- Perdeste o juízo?! E se ele tivesse envenenado-te?! Sabes muito bem que seria algo muito fácil!
- Então eu apenas teria uma morte mais rápida, pois morreria antes de chegar aqui de qualquer forma, não tinha força suficiente para fechar minhas feridas.
- E eu o caçaria até os quintos dos infernos!
- Faria isso comigo vivo também.
- Porém não com tanta determinação!
- Entendas uma coisa Alexis, a situação seria exatamente igual, pois culparias a ele por minha morte de qualquer modo. Comigo vivo, a situação é exatamente a mesma, pois culpa-o pela morte de todos os outros também.
- Mas isso é óbvio! Ele é o mestre daquela casa!
- Odeia-o desde que se viram a primeira vez.
- Somos opostos.
- Também somos e tu não me odeias, odeias?
- Ah! Dificultas minhas crenças Luka. Por que defendes aquele cretino?
- Pelo mesmo motivo que defendo a ti. Por justiça.
- Achas justo o que ela faz?!
- Dizes que não tens emoções, mas estás a carregar as batalhas em nível pessoal. Admita, apenas gosta de culpa-lo. Tens prazer em saber que possuis uma desculpa para mata-lo.
- Absurdo.
- Absurdamente verdade. Não tentes mentir para alguém que ouve teus pensamentos.
- E por acaso meus pensamentos nesse momento confirmam algo?
- Agora não, por que controlas o que pensas para que eu não saiba demais. Mas não controlas teus sonhos, lembra-te que eu não durmo, vejo teus sonhos quando fecho meus olhos, por que achas que durmo tão pouco? Já perdi a conta do número de sonhos homicidas tu já tiveste.
- Isso não é justo. Nunca vasculhei teus sonhos. – Alexis parecia contrariado, odiava perder uma discussão, mesmo sabendo que Luka tinha razão.
- E quem disse que faço isso por que quero? Aliás, não fazes isso por que não tens vontade, estás sempre ocupado demais com algum rabo de saia.
- Estás com ciúme, irmãozinho?
- Estás interpretando mal meu comentário. Estou dizendo que eres um cafajeste. – Luka cruza os braços.
- Outch. Por que me maltratas tanto, irmãozinho?
- Por que se eu não o maltratar, ficarás insuportável demais. Já és convencido, arrogante e metido, se ficares pior, serás destituído de sua posição enquanto senhor desta casa.
- Como eres cruel Luka, nem sequer consideras meus sentimentos?
- Não ouses tratar-me como uma de tuas damas, Alexis! – Luka atira uma das almofadas vermelhas da cama contra o irmão. – Sei muito bem que nem sequer escutas o que te falo, por que eres um canalha sem coração, cafajeste desalmado, se não fosses meu irmão eu o odiaria até o último fio de cabelo que possuo!
Alexis ri, divertindo-se com o pequeno sermão do irmão, sempre divertia-se em vê-lo irritadiço.
- Ah, não sejas tão sensível irmãozinho. Perdão, mas pareces muito com as damas com quem convivo, só eres menos tedioso, e não usas vestido.
- Isso já deveria ser o bastante para que não me comparasse a elas, não achas?
- De forma alguma irmãozinho, pois diveito-me muito colocando-te irritado.
- Apenas dizes isso por que não faço distinção entre minhas presas. – ele cruza os braços;
- Se estás a se referir ao fato que já vi tuas presas cravadas no pescoço de um homem humano, sim, isso incomoda-me bastante.
- Agora tu é que estás sendo sensível, irmãozinho.
- Perdão, mas não posso deixar de ficar incomodado.
- Saias de uma vez Alexis, tua presença deixa-me cansado.
- Está bem, está bem. Vou deixa-lo em paz.
- Agradeço.
Notas finais
Gostaram?
Comentem viu? Eu quero saber o/
Se tiverem qualquer dúvida, perguntem o/
Fale com o autor