La Belle Anglaise
7 6. Encontros.
— O teatro vai estar lotado de pessoas influentes.— Wilhelm revirou os olhos.— Por isso mesmo comporte-se bem, não seja desagradável e muito menos...
— Já chega Katherine! Eu não sou uma kind, sei me comportar muito bem.— Desde que eles saíram de Hampton Court a princesa falava essas mesmas irritantes palavras.— A corte dinamarquesa é bem conhecida pela rigidez.
— Pode até ser assim, mas você não cresceu na corte.— Igualmente já perdendo a paciência, Katherine respondeu dura.— E a julgar pelo modo como me trata, você foi criado por uma cozinheira.
Ela iria ofender sua educação agora? Wilhelm olhou para Katherine ofendido, e muito desejoso para respondê-la, era seu maior desejo, mas...
— Não vou perder meu tempo com... isso.— Foi a perfeita resposta irreverente, e resultou na irritação da princesa. Katherine abriu a boca para responder.— E posso até não ter crescido na corte, mas fui criado pelo centro dela.
A criação que a rainha, e em menor quantidade, o rei deram aos quatro filhos do príncipe Carl e da princesa Louise foi perfeita. A mesma educação que deram as crianças reais, eles deram aos sobrinhos. Wilhelm sabia se comportar, talvez até melhor do que Katherine. A princesa balançou a cabeça indiferente.
— Que seja.— Com um tom desanimado ela respondeu, e nada disse para complementar. Por um momento Wilhelm achou isso estranho, até que ela voltou a falar:— Oh, lembrei-me de algo. É necessário que você me trate bem durante o espetáculo.
Os dois novamente voltaram a se encarar. Wilhelm estava atônito.
— Como?— Apesar de sem ação, ele ainda conseguiu perguntar alto.
Katherine sobressaltou-se levemente, mas ainda respondeu:
— Quando descermos você deve pegar minha mão e mostrar todo o amor e devoção que sente por mim.— Amor? Devoção? Só poderia ser brincadeira.— Não mostre qualquer mal-estar.
Mas isso... isso...Era uma ofensa, uma terrível ofensa! A primeira ofensa foi ela fazer esse pedido, e a segunda foi Katherine dar a entender que ele era o único culpado por tudo, que não havia culpa alguma nos ombros dela. Wilhelm não engolia, quase nunca, o descontentamento, e hoje não seria diferente.
— Como ousa, Katherine!?— Isso já foi o suficiente para ofendê-la, bastou o tom de voz.— Você é tão culpada quanto eu!
A princesa abriu a boca ofendida. Como ela era cínica! Katherine sabia muito bem que tinha metade dessa culpa. Mas ao invés de gritar, como normalmente fazia, ela fechou os olhos e virou a cabeça.
— Novamente, que seja. Ou como vocês alemães dizem: möge es sein.— Agora foi ela que irritou Wilhelm.
Ele não gostava que ridicularizassem a língua alemã, ou negassem sua origem dinamarquesa. Mas Wilhelm não poderia esperar muito de uma inglesa, afinal, era muito bem conhecido o desprezo desse povo pelos alemães e tudo que era alemão. Era bem irônico até que a família real britânica era mais alemã do que inglesa, galesa, escocesa, e todo o resto.
Preferindo não dar resposta nenhuma a Katherine, Wilhelm calou-se. Ele deveria pensar no que seria agradável essa noite. Era uma pantomina, então seria engraçado. Essa também era uma oportunidade de descobrir como eram os famosos teatros ingleses. E de qualquer forma, a companhia de Wilhelm era a mais bela mulher da Inglaterra, era uma honra, eles seriam o centro das atenções.
Um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Wilhelm. Sim, ele deveria pensar assim. Nas belezas que estavam a sua volta, na beleza de Katherine. Wilhelm poderia apreciá-la a noite inteira, principalmente os lábios dela que pareciam tão macios e convidativos... Não! Ele logo percebeu os seus pensamentos e os tratou de expulsar. Como homem, Wilhelm tinha seus desejos, mas como príncipe, ele tinha uma grande dignidade.
Para a desgraça do príncipe, Katherine percebeu os olhares do marido nela. Ela o encarava agora.
— Was?— Por Cristo! Foi em alemão.
— Por que você está me olhando tanto?- Curiosa e inquisitiva, foi assim que Katherine perguntou. Mentalmente Wilhelm se xingou muito. Por isso mesmo quando viu o lacaio abrir a porta, ele rapidamente saiu da carruagem.– Se é assim que você deseja.
Como Wilhelm não estava com vontade alguma de ouvir as reclamações de Katherine, quando ela estava descendo da carruagem ele ofereceu sua mão como ajuda. A princesa ficou visivelmente surpresa e sem jeito, mesmo essa sendo uma ordem dela mesma, e ao lembrar desse fato ela aceitou a ajuda.
Quando eles finalmente se viraram na direção do teatro, os olhos do príncipe se arregalaram. Em Copenhagen os teatros não era assim.
— Está impressionado, Wilhelm?— Ele assentiu sem perceber.— Esse é o Theatre Royal, de Convent Garden. Não é belo?
Arquitetônicamente o teatro não era assim tão impressionante, muito na verdade, o que impressionava no lugar era a grande quantidade de pessoas. Apesar de todos serem da classe alta, aristocratas, nobres e ricos, eram muitas pessoas. Os teatros de Copenhagen não eram assim tão frequentandos.
E a iluminação? As ruas dessa cidade, essa rua da cidade, era tão iluminada que doía nos olhos de Wilhelm. Copenhagen também não era assim tão iluminada.
— Por que essa cidade brilha tanto?— Olhando melhor essa pergunta, Wilhelm se achou um camponês por fazê-la.
— Londres é a maior cidade do continente, é por isso.— Não fazia muito sentido.— Além do mais, é mais seguro assim. A vida ainda pode continuar durante a noite.
Isso fazia mais sentido.
Logo o marquês, a marquesa e a princesa Elizabeth também desceram da carruagem e se juntaram a eles.
— Quantas pessoas, a tempos não via esse lugar assim.— A marquesa comentou com um sorriso surpreso. Então não era sempre assim.— Será que quem realmente importa veio?
— Esse "quem realmente importa", seria?
— O rei e a rainha.— Muito naturalmente o marquês respondeu Wilhelm.— Seu que a presença de Lord North é garantida.
— Hoje estreia uma nova pantomina, se eles estiverem aqui será por esse motivo.— Ao lado dos pais, Elizabeth comentou. Uma nova pantomina? Wilhelm sentia-se um estranho ouvindo as conversas dessa família.— Pobre Charlotte, ela não poderá ver a estreia. Você tem o costume de vir ao teatro, Wilhelm?
Que tipo de pergunta era essa? Wilhelm não as apreciava, eram a pura imagem inglesa de que a Dinamarca ainda estava no século passado. Sendo que Copenhagen tinha uma das mais ricas cortes do continente e palácios tão belos que superavam os ingleses.
— Claro que tenho o costume de assistir peças. Embora eles fossem em sua maioria pessoais.— Pessoais para a rainha Juliane Marie.— Também temos teatros na Dinamarca.
Embora a maioria fosse para a aristocracia e a nobreza, os que sabiam apreciar a arte.
Percebendo sua pergunta, Elizabeth corou envergonhada.
— Oh, há um detalhe que esqueci de mencionar, Wilhelm.— O príncipe revirou os olhos, era mais uma regra de amor e devoção?— Não mencione perto do rei o nome de sua tia e de Caroline Matilde.
Como? Katherine não falou de modo desdenhoso ou ofensivo, mas Wilhelm não gostou do pedido.
— Não fique ofendido, Wilhelm, por favor. M— O príncipe olhou para a marquesa perplexo, ele não deveria se ofender?— O que aconteceu com Caroline Matilde ainda é um assunto muito delicado para o rei.
Mas também era para ele, o que Caroline Mathilde e Struensee fizeram, além de quase destruir a Dinamarca, forçou Wilhelm e seus irmãos a serem fugitivos em seu próprio palácio.
— O que estamos tentando dizer é que George está muito estressado por causa da guerra, todos estamos na verdade.— Mas o rei era o soberano, Wilhelm entendia. O marquês continuou:— Não queremos que esse infeliz acontecimento seja mencionado.
Estava certo então. Wilhelm não queria causar no monarca britânico um colapso nervoso.
Depois desses avisos, eles entraram finalmente no teatro. E que teatro. A visão do hall de entrada era impressionante, cheia de luxo e pessoas. Era um lugar brilhante e barulhento, e ficou ainda mais quando perceberam a entrada deles. Wilhelm estava distraído e impressionado, em Copenhagen ele não estava na corte, mas também nunca esteve muito distante dela.
A distração era tão grande, que ele quase não percebeu duas damas caminhado na direção do grupo liderado pelo marquês. Eram damas da marquesa, Wilhelm não lembrava o nome, mas uma era a primeira dama da casa da marquesa e a outra a esposa de Lord York, de quem Wilhelm não gostava.
— Suas Altezas Sereníssimas.— A primeira dama fez uma mesura ao marquês e a marquesa.— Jane e eu viemos avisar que o rei e a rainha estão presentes.
— E estão esperando meus senhores.— A baronesa York acrescentou.— Esperando no camarote real.
— No camarote real?— Depois de assentir para a baronesa York, e essa mesa sair, a marquesa repetiu preocupada.— Será que aconteceu algo, Alfred? Não é comum o rei nos convidar para estar com eles.
— Com certeza eles apenas deseja nossa companhia.— Essa guerra não estava fazendo bem ao casal Bristol.— Katherine, você e Wilhelm devem ficar em nosso camarote pessoal. Elizabeth, você virá conosco.
Katherine assentiu e logo o marquês, a marquesa e a princesa Elizabeth saíram. Wilhelm esperava que a visão desse camarote fosse boa pelo menos. A dama de companhia restante também iria seguir seus senhores, mas a princesa a impediu por um momento.
— Lady Kent, a duquesa de Devonshire está aqui?— Duquesa de o que?
— A estrela da noite não poderia faltar, Sua Alteza Sereníssima.— Ao responder Lady Kent imediatamente saiu.
Para trás ficou um estática Katherine. Essa expressão dela... Wilhelm nunca a tinha visto antes. Isso não iria acabar bem.
— Quem é essa duquesa de Devonshire, Katherine?— Despertando, Katherine olhou para Wilhelm irritadada.
Não foi uma boa ideia.
*****
Katherine fez tudo que deveria fazer, e fez da melhor forma possível. Ela vestiu um de seus mais belos e claros vestidos a l'anglaise, enfeitou seu cabelo com um simples, mas muito bonito, pouf, colocou um de seus brincos de diamantes mais brilhante e ela usava um dos colares mais belos de sua mãe.
A princesa fez o seu melhor para estar muito mais bela e impressionante que o normal. E não apenas isso, Katherine também tentou garantir que não iria passar vergonha, que Wilhelm não iria falar ou fazer nada de errado.
Era o melhor que ela poderia dar, o máximo. Tudo para não ser apagada, suplantada e ofuscada por Georgiana Cavendish, a duquesa de Devonshire. Katherine não iria perder para a duquesa, ela se recusava. Mas o jogo nem mesmo havia começado, e a princesa já sentia que estava na desvantagem.
Essa pergunta de Wilhelm, Katherine tinha certeza que era ironia ou apenas zombaria mesmo. Mas se ele pensava que iria a humilhar com isso, ela estava muito enganado.
— Georgiana Cavendish, a duquesa de Devonshire, é uma líder social. Assim como uma pessoa que eu desgosto muito.— Katherine preferia não dizer o motivo desse desgosto. Wilhelm ficou surpreso, pasmado e depois disso um sorrisinho irônico surgiu em seus lábios. Era melhor ela continuar:— Embora ela seja muito popular, a mais popular, nunca gostei dela, nunca fui cheia de admiração por ela.
— Georgiana Cavendish deve ser então um anjo perfeito para você não gostar dela.— Wilhelm não fazia ideia ideia. Ao perceber as palavras irônicas dele, Katherine fitou o marido irritada. Foi uma ofensa!— Então, o que você vai fazer?
— Eu? Não será eu. Nós vamos conversar com minhas amigas.— Nós, que palavras estranha. Não um estranho que dava ânsia, mas fazia rir.— Não iremos até a duquesa, ela que venha até nós.
— Quando eu e você nos tornamos nós?
Pegando a mão de Wilhelm, Katherine deu de ombros.
— No momento em que fomos rodeados de pessoas.— Isso era o suficiente? Katherine e Wilhelm se encararam por um momento, até que ambos deram um forçado sorriso, o dela parecia mais real.— Vamos? E tente não se perder.
Antes dele poder dar qualquer resposta, Katherine começou a andar, e naturalmente Wilhelm a seguiu. A princesa desejava encontrar suas amigas, mas diferentemente disso, ela encontrou alguns conhecidos: os lords do Conselho de Bristol, os barões Wiston, os condes de Penryn, os condes Everton, os viscondes Leverson, a duquesa viúva de Clifton, o visconde Austin, Sir Arnold Ollev, os barões Quenberry e os barões Hastings.
Todos eles pararam e deram seus comprimentos ao casal. Katherine já estava muito bem acostumada com esses comprimentos, nomes e títulos, por isso mesmo foi engraçado, até mesmo cativante, ver como Wilhelm reagia. Toda vez que eles encontravam alguém, Wilhelm olhava para ela buscando saber quem era. Na Dinamarca com certeza ele e sua família não eram muito habituados com a agitação da vida social.
— Você parece se divertir com a minha confusão, Katherine. São muitos nomes aqui. Nem mesmo em casa eu sabia de todos.— Katherine riu, ela estava realmente achando engraçado.— Todos aqui parecem se conhecer, é tão estranho.
— Você fala bem, Wilhelm, parecem. Aqui todos parecem tudo saber, de todos conhecer, quando na verdade de nada sabem.
— Como em todos os lugares, claro.
— Exatamente. Essa união que todos aparentam ter é uma ilusão mascarando a divisão.— Katherine sorriu para si mesma, ela parecia uma filósofa.— A questão é que a sociedade está dividida, e isso incluiu a alta. Somos divididos em grupos de políticos, líderes da moda, conservadores, imorais, e lembrando desse último, fique longe de Lady Worsley.
— Lady Worsley?— Katherine assentiu ao confuso Wilhelm.— Essa seria?
— A esposa de Sir Richard Worsley, o 7° baronete, uma pessoa de má moral.— Os dois ficaram calados por um momento, Katherine não estava encontrando suas amigas de jeito nenhum.—Voltando ao assunto. De todos esses grupos, existem dois que se sobressaem: o meu e o da duquesa.
O casal parou perto de uma coluna e pôs-se a observar a multidão. Mas esse observar a multidão logo se tornou um encarar. Wilhelm encarou Katherine por causa dessa última fala. Levantando as sobrancelhas, a princesa pediu uma explicação.
— O meu e o da duquesa.— Havia algum problema? Wilhelm comentou isso segurando uma risada.— Você é tão humilde, Katherine.
Era isso? Apenas isso? Por conta dessa fala ela deu ao marido um olhar arrogante e levantou orgulhosamente a cabeça.
— Sou um poço de humildade.— Katherine levou a boca sua mão para esconder uma risadinha. Mas logo em seguida a princesa se repreendeu internamente quando a imagem de Frederik Adolf lhe veio.— Dois grupos. O meu e de minhas amigas, com damas bonitas, jovens e virtuosas, e o da duquesa e suas amigas, elas lideram a moda e sociedade, mas a virtude não é uma qualidade delas. Duvido muito que todos os filhos de Lady Melbourne sejam do barão.
A alta sociedade era um vício, um lugar muito bom de se estar, mas poderia fazer muito mal. Era tão irônico e engraçado. Uma opinião de Katherine que Wilhelm não parecia concordar.
— Esse lugar é pior do que eu imaginava.— Katherine balançou a cabeça para as palavras do marido.
Novamente ela voltou a olhar para a multidão, até que ela encontrou suas amigas.
— Impressionante!— Não havia como evitar a animação.
— O que seria impressionante?— Wilhelm não havia entendido.— Não termos discutido ainda?
— Isso também. Mas é impressionante que as encontrei apenas agora!— Soltando a mão do marido, Katherine foi na direção das amigas.
O que Wilhelm falou também era impressionante. Ela estava surpreendida também, e até mesmo se repreendeu um pouco. Mas Katherine acabou por deixar Wilhelm para trás, a mercê da sociedade, da curiosa sociedade, e ela nem percebeu.
— Katherine, não esperávamos você aqui.— Elizabeth foi a primeira a falar.
Como assim ela não era esperada?
— Pensávamos que você estaria em Josephean Hall, com seu marido.— Oh, agora Katherine entendia tudo. A princesa sorriu com malícia para as palavras de Grace.
— Maria e eu sabíamos do cancelamento dessa viagem.— Percebendo o mesmo que Katherine, Josephine comentou sorrindo.— Não é mesmo, Maria.
— Sim, mas Elizabeth e Grace viajaram,— A princesa e Josephine reviraram os olhos, Lady Courteney as vezes era tão... "certa".— nós não.
— Eu pensei ter escrito cartas pedindo imediatamente o retorno de vocês duas.— Maria era uma testemunha disso, ela era a dama de companhia oficial de Katherine. As duas damas estavam começando a ficar envergonhadas, então a princesa perguntou:— Elas não chegaram?
Embora Grace tenha disfarçado, as duas coraram, confirmando o pensamento de Katherine.
— Não vamos fazê-las passar por isso. Sabemos que elas não leram, estavam ocupadas.— Segurando uma risada, Josephine comentou, fazendo Elizabeth e Grace corarem mais ainda. Não foi possível segurar mais, Katherine, Maria e Josephine começaram a rir.— Mas digam, quando teremos uma Lady Lennox e uma Lady Pembroke?
Os risos incontidos chamaram alguma atenção, mas ela continuaram.
— Não fiquem assim tão envergonhadas.— Maria não parecia mais tão "certa".— Quando eu era Maria Bush, a insignificante filha de Sir James Bush, o 1° baronete Cavenbush, e noivei com John...
— Por favor, Maria, não.— Todo aquele namoro e casamento estava muito fresco na lembrança de Katherine.— Foi ano passado não precisa lembrar.
Havia uma sensação de que Lady Courteney iria começar a falar de como era o casamento, mas antes Grace tentou findar essa conversa:
— Não brinquem com isso, por favor. Eu sou como Elizabeth, que está derretida por Lord Lennox.— Não era o conto de fadas que Grace queria.— Nunca pensei que esse acordo iria durar. Eu era apenas um bebê na época, a filha de Lord Laytmer, e Henry era uma criança, o herdeiro de Sir Henry Pembroke.
O desejo de Grace seria respeitado... Mas Elizabeth não disse nada. Seria tão engraçado, principalmente porque ela era apaixonada por Lord Lennox.
— Ah, vocês. Fico muito feliz que até agora meu irmão não arranjou nada para mim, embora...— Subitamente Josephine parou de falar, inclinando a cabeça, ela percebeu algo:— Você não tinha um marido, Katherine?
Os olhos da princesa se arregalaram. Onde estava Wilhelm? Ela olhou para trás e também não o encontrou. Eles não deveriam se separar!
— Eu tenho um, mas acho que ele se perdeu.— As amigas de Katherine sorriam divertidas. Mas ela não achava isso engraçado. Talvez amanhã a princesa Katherine estivesse novamente livre para casar.— Com licença.
Afastando-se de suas amigas, Katherine foi procurar seu perdido marido. Como uma coisa dessas poderia acontecer com ela? Era humilhante. E mais humilhante ainda foi Katherine não encontrar Wilhelm rapidamente. Como um homem alto e bonito, conseguia sumir tão facilmente?
Talvez Wilhelm já estivesse no camarote. Era uma possibilidade, era pequena, mas ainda poderia acontecer. Por isso mesmo, depois de andar muito, Katherine decidiu ir para o camarote, mas bastou apenas se virar, e ela viu, não apenas Wilhelm, mas uma dama junto dele.
Essa visão... Katherine não gostou nada dela! Eram sentimentos que beiravam a ciúme, mas tudo era encoberto por indignação. Principalmente porque... ela sabia quem era a dama. Aquela risada bem-humorada e natural era muito conhecida, não apenas pela princesa, mas por toda sociedade.
— Wilhelm, estou muito aliviada de o ter...— Fingindo surpresa, Katherine olhou e sorriu para a dama.— Mas ora, a duquesa de Devonshire! Como é prazeroso vê-la, querida.
— Sua Alteza Sereníssima, estava tão ansiosa para encontrá-la. Infelizmente o duque e eu não conseguimos ir ao casamento.— A duquesa falou com seu carismático bom-humor e animação.— Devo dizer que você ganhou um presente de Deus, minha amiga. O príncipe tem uma conversa tão boa e animada.
Mesmo? Katherine olhou sorrindo para Wilhelm pedindo uma explicação, mas ele simplesmente riu, de uma forma que nunca fez igual com ela.
— Sua Graça é que tem uma conversa animada e agradável.— Sorrindo também, Katherine encarou o príncipe. Mas que bajulador.— Foi a melhor conversa que tive desde que fui embora de Copenhagen.
Wilhelm ousou realmente dizer isso!? A duquesa sorriu e deu um pequeno risinho. Agora Katherine também tinha que sorrir.
— Meu desejo é que todos sintam-se felizes ao meu lado. Embora seja mais fácil com pessoas como o príncipe.
Antes de Wilhelm responder, e ele certamente iria fazer isso. Katherine acabou logo com essa conversa:
— Temos que voltar ao camarote, querida Georgiana.— Katherine ouviu um "o que" de Wilhelm, mas continuou:— Foi ótimo vê-la.
A duquesa assentiu, e antes que Wilhelm pudesse se despedir, ela começou a andar. Ela havia falhado em seu objetivo.
— É uma mulher tão agradável e carismática.— Eles não poderiam ter paz!? Wilhelm comentar sobre a duquesa irritava Katherine.— Não entendo como você pode não gostar dela.
— Mas não gosto.— O casal parou em frente a entrada do camarote.— Não é tão difícil assim de entender.
— Mas ela é tão gentil, bem-humorada, simpática e...
—Exatamente.
Abrindo as cortinas, Katherine entrou irritada no camarote. Dessa vez Wilhelm não iria contradizê-la e muito menos voltar a falar da duquesa. Mas... era estranho.
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