Notas iniciais
Olha eu aqui de novo....

"Ei, como está se sentindo hoje? Você dormiu bastante. A Dra Olendzki disse que você estava prestes a ser liberada, então resolvi ficar aqui pra quando você acordasse."

" Ahn. O que aconteceu? Onde estou?" Perguntei colocando a mão sobre os olhos por conta da luz que vinha da janela.

Os acontecimentos da noite passada eram apenas borrões em minha memória. Minha visão ainda era turva, e minha cabeça ainda doía um pouco, então me senti meio desorientada.

"Você teve um encontro com um Strigoi, Dimitri te salvou, e te trouxe pra cá. Desde então, você está meio inconsciente. Eu curei a maioria dos ferimentos. Mas você teve uma concussão então a Dra Olendzki insistiu que você deveria ser examinada novamente antes de ser liberada."

Eu levantei e me sentei na cama, ainda meio tonta. As imagens da noite passada retornaram a minha mente. Coloquei a mão sobre o pescoço, e não tinha nada.

"O que, Strigoi? Do que você está falando?" Ergui a cabeça, pois senti que aquela voz era familiar. "Espera... Lissa?"

Eu não tinha ideia de como fui parar ali, tudo parecia um sonho, mas algo me dizia que não era. O choque ao ver que Lissa estava ali na minha frente me olhando e falando comigo, foi quase o mesmo de quando encontrei o suposto "Strigoi". Estava acontecendo de novo. Será que eu não podia ter um pouco de paz. Ela havia indo embora da minha cabeça, porque retornaria agora. Não, eu não ia deixar isso acontecer de novo.

"Ah, oi Rose!" Ela deu um pequeno aceno em minha direção como se tudo aquilo não fosse nada.

Bom pra ela poderia não ser, mas pra mim, oh, aquilo era assustador.

Me julguem como quiserem, sou bem corajosa, mas em situações como essa, eu era uma garota como qualquer outra.

Minha primeira reação foi gritar, e a segunda, correr. Sai em direção ao corredores sem saber pra onde ia como se estivesse fugindo de um fantasma. Bom, dizer o que, pra mim Lissa era um fantasma. Eu já havia a encontrado em um sonho, mas a certeza de que era um sonho me fazia pensar que era apenas coisa da minha imaginação, já àquilo era diferente, bem diferente.

" Rose, se acalme, eu não sou fantasma nenhum. Pare com isso, você está parecendo uma maluca." Ela disse tentando me alcançar, mas ah, eu corria rápido, pelo menos fugir eu sabia.

"Engraçado, você me disse uma vez que eu não era maluca..." Eu disse debochando dela, e fugindo ao mesmo tempo. Mas, eu não sabia onde estava, e quantos corredores haviam ali!?

Eu sai de um corredor e me deparei com um campo, era incrivelmente grande, e perfeito para minha fuga histérica. O sol brilhava mais não estava tão quente por ser sete da manhã.

Corri o mais rápido que pude. Lissa não desistia, e eu não sabia se ficava impressionada por conseguir correr depois de tudo que me acontecera, ou de ver Lissa mesmo cansada, persistindo em ir atrás de mim.

"Naquele momento eu acreditei que você não fosse. Mas agora...Tenho sérias dúvidas sabe."

Cara, ela era persistente, dei várias voltas no campo na esperança de em algum momento ela desistir. Mas isso não aconteceu.

Parei abruptamente quando ao correr sem olhar para frente dei de cara com um anjo.

"Ei, cuidado, pra que correr assim senhorita..."

Sim um anjo, porque aquilo que eu estava vendo não podia ser real. Era ele, aquele homem, o que me salvou.

Naquela noite por conta da situação seu rosto apenas pairava como uma leve lembrança em minha memória. Mas naquele momento eu pude sentir tudo de novo. Ele era tão belo quanto eu me lembrava. Seu cabelo que antes se destacava estava preso, mas ainda o deixava charmoso, ele tinha cerca de 1.90 ou 2.00 metros. E era incrivelmente forte, estava usando um sobretudo de couro preto, que com certeza chamaria atenção onde quer que ele fosse. E o seu perfume, oh, que cheiro maravilhoso, pós barba. O que o deixava ainda mais másculo e atraente. Ele me segurou por conta do impacto, e por um instante trocamos olhares. Rapidamente ele desviou seu olhos e me analisou por um momento.

"Rose? O que está fazendo aqui fora, não deveria estar na enfermaria?" Ele colocou a mão em meu rosto e verificou minha cabeça, caso ainda houvesse algum ferimento.

Seu rosto ficou próximo ao meu, e as batidas do meu coração vacilaram por um instante.

"Você teve uma pancada feia ontem. Como se sente?"

Eu não consegui responder, estava ocupada demais admirando sua beleza. Mas eu me neguei a sentir uma paixonite por um estranho que me salvou e me trouxe para meu pior pesadelo. Me soltei de seus braços rapidamente e tentei me recompor, com medo de que tivesse entregado meus pensamentos.

"Estou bem obrigad todo a." Eu disse desviando o olhar. "Aliás estou ótima, tão ótima que poderia estar em casa agora.Onde estou? Porque me trouxe aqui, olha já que me salvou, podia ter no mínimo me levado pra casa e não me sequestrado, eu agradeceria ta bom." Eu não analisei bem minhas palavras. Ela apenas saíram.

"Ninguém te sequestrou Rose."

"Princesa Vasilissa." Disse o homem dando lhe uma reverência. Princesa? O que eu perdi? Quero dizer, fora tudo.

Olhei para traz, Lissa devolveu um aceno ao rapaz e me olhou divertida.

"Oh cara, isso é um sonho então. Só pode. Olha Lissa será que você pode me deixar escapar dessa vez, as pessoas já me acham louca o bastante na vida real, não preciso ser no sonho também."

Só podia ser um sonho, claro. Só que eu estava enganada, muito enganada.

Lissa riu.

"Rose, você não está louca, ninguém te sequestrou, e isso não é um sonho. Venha vamos conversar, vou te explicar tudo, o sol está quente, e eu preciso descansar depois de correr tanto. Por acaso já pensou em ser atleta?" Ela disse colocando as mãos sobre o rosto. Ela parecia bem cansada, soava muito e sua respiração era pesada. Por um momento me permiti sentir pena dela. Mas mandei embora essa sensação. Pois ela não era real, não podia ser.

"Ah tá. E porque diabos eu conversaria com você?" Analisando a situação, não podia ficar pior do que estava, mas resolvi ser cautelosa. Fui criada em um orfanato, aprendi desde pequena a não confiar em ninguém e me virar como posso. Mason e eu, cuidamos um do outro sempre, e nessas situações, onde ele não estava, eu cuidava de mim.

Lissa me olhou fixamente.

"Porque eu tenho as respostas que você procura!"

É. Era um bom motivo. Na verdade ótimo, tão ótimo que eu concordei. Mais do que ir embora dali, eu precisava saber o porque de estar ali. Minha vida sempre foi envolta de mistérios, então se eu tinha a oportunidade de esclarecer alguma coisa. Eu deveria aproveitar. Dei um último aceno ao meu salvador, ao qual eu não sabia seu nome ainda. Ele me olhou nos olhos mais uma vez e me devolveu o aceno.

Ela me levou até seu quarto e eu a acompanhei.

Fiquei em silêncio a maior parte do caminho matutando meus pensamentos.

Porque minha vida não podia ser simples? Eu só queria ser normal, ter uma família, amigos, terminar os estudos, ir pra faculdade, encontar um amor, me casar e viver feliz para sempre. Lissa havia me atrapalhado a vida toda. Seus pensamentos me invadindo, colocando minha sanidade em risco, me impediram de correr atraz dos meus planos. Quando pensei que finalmente ela havia me deixado em paz, descubro que na verdade ela era real. Seria isso um sinal? A possibilidade de eu ser louca havia sido descartada, o que me deixava com certeza mais aliviada. Porém não diminua a sensação de que havia algo sobre minha própria vida ao qual fora escondido de mim todo esse tempo.

" Princesa eh!? Isso sim me surpreendeu sabia." Eu disse assim que chegamos na porta do seu quarto.

"Bom, isso não me faz melhor que ninguém..."

" Na verdade, meio que faz sim viu." Nos rimos, e eu fiquei feliz por termos um clima mais calmo entre nós.

"Princesa Vasilissa Dragomir. Herdei esse título da minha família após a..." Ela não continuou, porém seu olhar a denunciou. O acidente.

"A morte de seu irmão." Eu disse, completando o que ela não conseguia terminar de dizer.

"Lissa eu sinto muito. Eu estava lá, quer dizer, você estava lá, mas eu estava com você. Eu vi tudo, e o que você passou, eu senti e olha foi terrível. Eu nunca conheci meus pais, mas se eu tivesse, se acontecesse comigo, teria sofrido muito."

" Obrigada Rose. A propósito. Me desculpe por tudo isso, quero dizer, por te fazer ter que passar por isso, desculpa pelo modo como te tratei no sonho, eu não sei porque faço isso, e nem como. Não sei explicar nem a metade das coisas que acontecem comigo. Então não posso te ajudar muito. Porém creio que posso tentar."

Eu via em seus olhos que ela sentia muito, e por algum motivo eu podia sentir em meu coração que ela estava sendo sincera.

Caminhamos até uma grande biblioteca, que ficava à alguns metros depois do campo, por onde eu fugira mais cedo. Se eu estava impressionada com aquela sala nos fundos do orfanato, isso não era nada. Livros por todo lado, prateleias lotadas, e muita, muita sabedoria. Lissa me olhou.

" Gosta de ler?"

"Hum, na verdade não. É só que tem muitos livros aqui, me lembrou algo."

Entramos em uma outra sala, que parecia uma floricultura. Flores por todo lado, tão belas quanto o jardim dos sonhos de Lissa. No fundo da sala, uma mulher se virou e veio em nossa direção. Ela era alta, magra assim como Lissa, só que um pouco mais velha, talvez uns vinte oito anos, seu cabelo era um ruivo diferente mais incrivelmente belo, e seus olhos azuis como Topázio. De início ela sorriu, mas logo em seguida seu semblante mudou para sério e observador.

"Srt Karp, essa é..."

"Rose Hathaway."

Fiquei surpresa por ela saber meu nome. Estendi a mão em cumprimento.

"Prazer, como sabe meu nome?"

" Eu contei a ela. Srt Karp é quem vem me ajudando, ela concordou em nos ajudar na busca por respostas" Disse Lissa.

"Rose, fico feliz em finalmente te conhecer. Lissa me disse que vocês tiveram um encontro em um sonho. Acredite ficamos tão surpresos quanto você. Quando Abe nos disse que havia te encontrado..."

" Espera. Abe... Tipo de Ibrahim Mazur? Isso explica sua perseguição fajuta.

As coisas aos poucos se esclareciam.

" Oh sim! Abe nos comunicou e rapidamente Janine mandou Dimitri ir atraz de você."

"Quem são Janine e Dimitri? E porque o mandariam atraz de mim?"

As duas se entreolharam como se estivessem escondendo algo e então Srt Karp falou.

" São guardiões. Dimitri foi quem te salvou ontem." Guardiões, o que isso significava?

" Você e Lissa são especiais. Vocês estão ligadas uma a outra. A muito tempo não se ouvia falar de algo assim. O único ao qual temos conhecimento de que possuía esse incrível dom, era São Vladimir."

"São quem? Não estou entendendo, Lissa e eu ligadas, como assim, defina ligadas"

Aquilo estava realmente me deixando confusa.

"São Vladimir, o fundador dessa acadêmia. Ele possuía o dom do espírito, tal qual como Lissa. Vladimir, também tinha uma parceira de laço, Ana, que assim como você também era uma Shadow kissed."

" Mas o que significa isso de ser uma Shadow kissed?" Lisa pergunto tão curiosa quanto eu.

Ela parecia ainda mais impressionada com aquilo, como se também estive por tanto tempo procurando respostas, assim como eu.

"Significa que Rose morreu. E você a trouxe de volta a vida. Em algum momento, Rose entrou no mundo dos mortos e você a salvou Lissa." Trazida de volta dos mortos? Eu sonhava com Lissa desde pequena, na verdade a primeira vez, foi aos 4 anos. Sonhei que eu estava em uma casa do lago e parecia ser inverno, estava frio, mas estava bem agasalhada. Eu brincava entretida com meu boneco de neve, quando uma mulher parou na sacada da casa e chamou, mas não era por mim que ela chamava, era por Lissa, eu não respondia, eu não era Lissa, era Rose, mas ela insistia. Ela saiu da sacada e pegou meus braços e me disse "Lissa vamos entrar, está frio aqui fora" E então a partir daí, Lissa tomou conta da minha vida. Mas em todo esse tempo, não me lembrava de ter entrado e saído do mundo dos mortos nenhuma vez.

"Você foi beijada pelas sombras Rose. E é seu dever proteger Lissa."

"Proteger Lissa? Mas protege la do que"

Elas deram uma a outra um olhar estranho e perturbador. E Lissa me disse a coisa mais estranha que eu já ouvi a minha vida toda. Todo esse papo de estar ligada a Lissa, eu conseguia levar, pois embora estranho explicava o fato de ter sonhos e visões contínuas com ela. Mas isso ia além da minha compreensão. Até pra Rose Hathaway, fugia dos padrões de estranheza.

"Rose existem coisas sobre o meu, nosso mundo..." Ela fez um gesto para nós duas. "...Que você precisa entender e compreender. Pois querendo ou não, você faz parte de tudo isso. Quem te atacou ontem, não era um ladrão. Bom era mas não nesse sentido. Ele era um Strigoi." Disse Lissa.

"É, quase me esqueci de perguntar. O que é esse tal de Strigoi? É algum nome pra Serial Killer?"

"Strigois Rose, são vampiros. Assim como nós."

" Falo sério Lissa."

Oh cara, pra minha surpresa ela também. Eu me levantei da cadeira, com falta de ar. Sempre gostei de filmes de Vampiros, mas aquilo, não podia ser real.

"Calma Rose, por favor me deixe explicar."

Eu respirei fundo, e pensei por um instante. Rose você veio buscar respostas, então sente se ai e ouça. Não da pra ficar pior.

"Comece a falar então." Eu disse me sentando de volta e me preparando para ouvir.