Laços Quebrados
9 Capítulo 9
…
Um novo dia havia amanhecido. Seria o dia que eu teria folga. Tinha pedido a Gerard, aquele tempo, para poder visitar a minha mãe. Não irei dizer que a conversa com Emmett não me assustou, quando na verdade foi isso o que aconteceu.
Eu seguia com extremo interesse e preocupação a situação da sua frágil saúde. Sabia que a sua doença, era grave e encontrava-se num grau avançado.
Cancro do pulmão. Tinha sido o diagnóstico do médico de família. Segundo ele, já nada haveria a ser feito quando lhe foi diagnosticado.
A minha mãe começou a ter vários sintomas desde falta de ar, chiado no peito e perda de peso, há três anos atrás, ou seja, quando eu me separei de Edward, a partir daí, ela foi piorando. Assisti á sua deterioração, dia á dia. Meses passaram e eu continuava ali, ao seu lado, vendo-a morrer, todos os dias, sem ao menos querer lutar por ela. Lutar por todos nós!
A minha mãe, como grande teimosa que era, afirmou logo, desde o início de tudo isso, que não faria nenhum tratamento. O seu orgulho não o permitia, mas acima de tudo eu penso que era a vergonha. Vergonha, de olhar todos os dias o marido que ela amava e ver nos olhos dele a pena. A vontade que ela deveria ter de lutar e não tinha, mas que ele, meu pai, tinha pelos dois. Essa sua decisão tinha gerado várias brigas entre a família toda, que no fim decidiu respeitar a sua decisão irracional.
A minha mãe era uma lutadora. E isso era o que nos ficaria marcado sobre ela, para sempre. Falassem o que falassem da minha mãe, eu amava-a, e perdoei-a, não esqueci, mas perdoei-a. Afinal, mãe é mãe!
…
Entrei no seu quarto. O cheiro a remédios, cloro, e doença atingiu-me fortemente.
O barulho da máquina, pela qual a minha mãe obtinha ajuda para respirar, era ensurdecedor.
Olhei o corpo de minha mãe, deitado na cama. Ela dormia. Ao seu lado estava Antonieta, a enfermeira que a ajudava em tudo.
-Bom dia Sra. Isabella! – Disse sussurrando, para não perturbar o sono de minha mãe.
-Bom dia Antonieta. Como é que ela está?
-Isabella… querida, ela está vivendo, cada dia piorando, aqui ou ali, mas ela está vivendo…apenas esperando pelo seu dia. Eu deixarei vocês sozinhas! – Ela me beijou o rosto e saiu fechando a porta atrás de si.
Olhei novamente para a minha mãe. A sua pele estava mais pálida, olheiras profundas e escuras demarcavam os seus olhos, o lenço que ela tinha na cabeça, escondia a inexistência dos seus cabelos outrora, sedosos e brilhantes, longos.
Sentei-me ao pé do seu leito e tomei a sua mão nas minhas, beijando os dedos finos e longos. As suas unhas estavam crescendo com deformações, outro sintoma da sua doença, a sua pele estava um pouco quente, e apresentava umas pequenas bolhas na pele. Beijei novamente os seus dedos.
Senti a sua mão apertar levemente a minha.
-Bella…querida! – Tentou falar alegremente.
-Olá mãe! Como se sente hoje?
-Bastante melhor,… minha querida! Acho que já poderia… passear pelos…jardins! – Ela riu. – Sentir…a relva nos meus pés…o cheiro das minhas rosas…Ah! Que saudades do meu sol da primavera! — Ela parou para tossir. Passei um pano húmido na sua testa.
- A sua disfonia piorou mamã! – A minha voz saiu chorosa.
Era como ouvir os seus últimos desejos. E isso, eu não queria ouvir, acho que não sou extremamente forte para tal.
-Isabella! – Ela resmungou, tossindo. – Eu queria que me desculpasses querida! Pelo que eu te fiz…no passado…Credo! Não consigo falar…
-Está tudo bem mãe! – Beijei a sua testa. – Tudo irá ficar bem!
-Anjo! – Ela pareceu cantar. A sua voz saiu mais firme. – Nada ficará…como antes! Eu irei partir…e a vocês, resta seguir em frente… prometa-me isso! – Ela pediu, sorrindo.
Uma ardência nos meus olhos alertou-me para as minhas lágrimas. Àquela altura eu já chorava bastante. Um choro sufocante sai do meu peito. Apoiei a cabeça na sua mão direita, e senti a sua outra mão acariciar-me de leve os meus cabelos.
Levantei a cabeça para a olhar. Ela sorria. Estava fraca, mas sorria. Tudo aquilo parecia uma despedida. E eu sabia, que aquela seria a sua hora. Mas admitir para mim mesma era extremamente difícil.
-Ouça querida!…Eu amo todos vocês…são a minha família…o meu suporte! E esteja eu…onde estiver, jamais, jamais…me esquecerei de vocês!
Ela tossiu e respirou fundo, olhando-me profundamente.
-Tu és forte…mais que eu…e sempre o serás. Limpa as lágrimas…ergue o pescoço…
-Não consigo! Não quero! E não posso.
-Isabella!
Eu neguei com a cabeça e nada mais dissemos uma á outra. Limpei as lágrimas que me desciam pela face. Deitei-me ao seu lado, colocando a sua cabeça no meu peito e segurando a sua mão na minha.
-O seu avô… falou-me…que sentiu cheiro de…limões, quando estava…a falecer! – Ela riu e eu apenas desfrutei o som do seu riso de olhos fechados, tentando guardá-lo em mim. – Eu estou a sentir o mesmo cheiro…
Segurei forte a sua mãe, tentando evitar que algo acontecesse. Tentando evitar que ela partisse.
-Eu amo…todos vocês! – Afirmou, segurando fortemente a minha mão.
Depois de algum tempo senti a sua mão perder a força. Deixei a mão descair no seu peito e permiti a mim própria chorar, o que não chorei na sua frente. Doía-me o peito, como se alguém tivesse cravado facas em mim. Sentia-me sufocar! Tentei respirar, mas não tinha forças. Abracei a minha mãe uma última vez, tentando em vão, que ela voltasse para mim.
A minha voz encheu o quarto. Eu chamava o meu pai! Pedindo-lhe que ajudasse a minha mãe. Mas ele, nada pode fazer. Ela tinha partido, e eu tinha-a perdido!
Senti os braços fortes do meu irmão tentar puxar-me do lado da minha mãe, mas eu não queria sair da beira dela. Parecia que todo o tempo que eu passei com ela não foi suficiente. Eu queria conhecer mais dela, porém sabia que não era mais possível.
O seu riso ecoou na minha mente, vezes e vezes seguidas. Eu queria morrer! Queria dormir e não acordar nunca. Sentia que me tiravam um pedaço de mim mesma.
O barulho da máquina sinalizando, que o coração de Renne havia parado, alertou-me para a realidade, uma realidade que não tinha volta a dar.
Mas eu poderia afirmar que sempre a amaria! E o seu riso, o seu fraco e doente riso, ficaria gravado em mim, como se tivesse sido gravado numa pedra. Impossível de apagar!
Notas finais
Amei escrever este capitulo, gostava que comentassem e que me deixassem a vossa opinião!
Bjs,♥!
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