Dois dias já tinham passado desde que tivemos as últimas notícias acerca de Garrett.

Tudo corria normalmente, os meus dias eram basicamente o meu trabalho, a minha casa e hospital. Porém ,naquele dia eu teria de ir almoçar á casa da família Denali, por convite de Kate.

-Bella! Entra, querida. – A mãe de Garrett cumprimentou-me beijando-me as faces e dando espaço para que eu entrasse na casa.

O seu rosto demonstrava cansaço e as olheiras eram sinal de que ela acabara de chorar, não fazia muito tempo.

-Como está Carmen?

-Um pouco melhor querida! Com saudades, mas recuperando aos poucos! – Ela sorriu um pouco e caminhamos até á sala.

-Bella. – Cumprimentou Tânia, com um aceno de cabeça firme, ao passar por nós, indo para as escadas de mármore.

-Não ligues! Com tudo o que se passou, o Edward ainda não lhe deu sinal de vida. Anda muito ocupada a tentar falar com ele. – Confessou Kate, vindo ao meu encontro e abraçando-me.

-Não faz mal!

Porém, algo em mim ferveu. Edward tinha sido esquecido por mim nos últimos dias, depois de tudo o que tem acontecido. E por um lado eu fui capaz de entender Tânia, pois eu agora, também ansiava que ele me ligasse.

-Bella? Bella! – Chamou Eleazar.

-Desculpem! Estava distraída! O que diziam?

-O médico de Garrett ligou-me há pouco, pedindo que amanha fossemos até lá.

-Mas aconteceu alguma coisa? O Garrett está bem? – Perguntei a Kate.

-Sim querida! Está tudo bem. – Respondeu Carmen sossegando-me. – Deve ser apenas mais burocracias.

-E como ele estava hoje?

-Na mesma. – Respondeu Eleazar, baixo.

-Precisamos de fazer alguma coisa!

-Não há nada, que possamos fazer agora, a não ser esperar por alguém que seja compatível com ele. – Disse Kate. – Já tivemos pelo menos dois falsos alarmes, e porém ainda não saímos do sítio.

-Espero que rapidamente algo de bom aconteça! – Comentou Carmen.

Naquele momento ouvimos alguém correr nas escadas e todos nos viramos para a porta da sala para ver o que se passava. Então Tânia entrou na sala com o semblante tenso e a cara lavada em lágrimas.

-Tânia? O que se passou? – Perguntou Carmen, levantando-se e indo até á filha sendo seguida por todos nós.

Ela olhou-me de uma forma estranha, como se eu fosse culpada por algo e então disse aquilo que ninguém queria ter ouvido.

-O Edward… ele tentou matar-se!

-Como? – Perguntei incrédula.

-Ele está bem?

-Não Kate! Ele está no hospital, em coma cerebral! – Ela chorava demasiado e mal percebíamos o que ela dizia. – Eu tenho de ir lá, agora!

-Tudo bem! – Disse Kate. – Eu levo-te.

Eu não ouvi mais nada porque no momento já tinha saído pela porta da casa com o telemóvel na mão e ligava para Alice, irmã de Edward, tentando perceber o que tinha acontecido.

-Alice? È a Bella. O que aconteceu? – Perguntei quando ela atendeu.

-O Edward, aquele idiota, tentou matar-se, cravou uma bala na própria cabeça e…eu não aguento mais Bella. Eu preciso sair daqui!

-Eu estou a ir para aí! Manda-me só o endereço do hospital!

-Obrigada!

Desliguei o telemóvel e conduzi para fora da propriedade dos Denali, no momento recebi a mensagem de Alice com o endereço e rapidamente me dirigi para lá.

Durante todo o trajeto travei uma luta interna comigo mesmo. Tentava não chorar, mas a dor que sentia, e o medo- principalmente o medo!- fazia com que algumas lágrimas rolassem pela minha face branca.

…

-Bella! – Alice levantou-se do sofá branco, assim como tudo o resto no hospital, e veio ao meu encontro. – Obrigada por teres vindo!

Senti Alice apertar-me mais contra si.

-Porque não me ligaste? Eu podia ter vindo mais cedo, talvez ajudar em alguma coisa…

-Não há nada que se possa fazer neste momento, apenas esperar! – Alice olhou-me nos olhos, sorriu agradecida e levou-nos para o sofá.

Suspirei e sentei-me ao pé dela.

-Nestes dias, essa frase foi a que eu mais ouvi!– Resmunguei.

-Foi o Garrett? Tânia disse-me algo sobre ele. É o coração, certo? – Perguntou.

-Sim. Ele precisa de um transplante.

Alice suspirou fundo.

-O que eu faço Bella? O que eu vou fazer se ele…?

-Shiu! – Bella abraçou a amiga num abraço apertado e confortável.

Alice chorou no ombro de Bella, que trincava o lábio inferior para controlar o choro.

-Ele deixou-te um bilhete…eu acho que ele queria que tu ficasses com ele! – Disse Alice.

Ela levou a mão ao bolso do casaco e tirou de lá um papel amarrotado e com tons escarlate.

Bella não conseguia explicar o que acontecia com ela. Olhou o papel, que era esticado na sua direção, e não sabia o que fazer. Não sabia se o pegava e o lia, ficando a saber se a culpa de tudo era dela, ou se apenas o recusava!

Ao mesmo tempo, o seu pensamento dividia-se entre Garrett e Edward.

-Eu não posso…pode não ser para mim e…

Alice sorriu tristemente.

-Eu sei, que é para ti, eu sei! E na verdade tu também sabes.

Bella sorriu para Alice agradecida e pegou o papel. Abrindo o papel, Bella teve o primeiro impacto com a letra bem desenhada de Edward.

“Bella,

Seria demais pedir-te para não me esqueceres? Seria egoísta demais, pedir-te que nunca deixasses a nossa melhor fase ruir em lembranças de pura mágoa? Eu preciso de saber que nunca me esquecerás! Só assim eu poderei ajudar a salvá-lo…

Eu não tolero…Eu não quero que sofras por mim! Na verdade, eu nunca quis, mas não foi isso que aconteceu! Desculpa-me!

Ainda te lembras de quando assinamos o contrato da nossa vida? De quando eu te agradeci por ajudares os nossos pais, casando comigo?

Na verdade, eu agradecia-te por ficares comigo! Por te venderes a mim!

Obrigado, meu amor!

Preciso de ti!

Agora, mais que nunca, porque já não estás ao pé de mim!

Esta carta, se a leres é porque eu tive coragem o suficiente para te deixar livre. Livre para seres feliz com outro alguém, — alguém – que tu amas de verdade.

Eu tentei, tentei com todas as forças que regem aquilo que eu sou, imaginar-te nos braços de outro, mas eu não consigo. O desespero toma conta de mim, e é nesses momentos que tu poderias fazer tudo ficar melhor, se apenas eu não te tivesse perdido!

Nunca te pedi desculpas pelo que aconteceu connosco. Também nunca o poderia fazer, pois eu mesmo, não sei o que aconteceu comigo. Mas eu lamento, todos os dias da minha vida, por ter votado todo a perder.

Eu não sei o que dizer, ou o que fazer, para te pedir desculpas, mas eu sei que nunca te esquecerei. Eu amo-te, sempre te amei e sempre vou amar. Esteja eu onde estiver.

Do teu sempre,

Edward.”

Notas finais
Desculpem os erros ortográficos que possam existir!
Espero que tenham gostado e comentem.
Bjs NikaCosta.