Saí do Bentley de Garrett de cabeça elevada. Os óculos escuros na minha face, ajudavam-me a olhar para o sol lindíssimo de Toscana, maravilhosa região de Itália.

-Então o que achas? – Perguntou Garrett, apontando a casa á nossa frente.

-É lindíssima Garrett! Tem um toque…

-Rústico? – Olhei-o sorrindo e assenti com a cabeça. – Deve ser a melhor coisa de Itália, o ar rústico que nos transmite as habitações.

Garrett abraçou os meus ombros com o seu braço esquerdo e dirigiu-me para o interior da grande casa. Atrás de nós caminhavam dois homens com as malas nas mãos.

-Casto! – Chamou Garrett, com o seu sotaque italiano perfeito, quando entramos dentro de casa. – Leve as malas para os quartos. Deixa a da Fanciulla (menina) no quarto de hóspedes.

Um dos homens que nos seguiam, o que aparentava ser mais velho, pronunciou um “Si!” firme e subiu as escadas com o outro rapaz atrás de si.

-Eu queria agradecer Garrett, por me trazeres…

-Vê isto como uma prenda Isabella!

Rimos da maneira exótica dele pronunciar o meu nome, também de origem italiana.

-Anda vou-te mostrar a casa! Depois deixo-te subir e descansar…

-Tudo bem!

Garrett mostrou-me a casa toda, o que era bastante, contando com os terrenos exteriores. Fez também questão de me apresentar a todos os empregados que passavam por nós. Garrett demonstrava uma grande afeição por todos eles.

Estávamos num dos jardins e Garrett apresentava-me umas flores típicas de Itália, entre elas as três principais, a rosa, com que eu me deliciava, a papoula branca e o lírio branco.

-Dacio! – Uma voz rouca chamou.

Ouvi Garrett suspirar ao meu lado e depois sorrir abertamente.

-Vieni qui! – Pronunciou Garrett para o ar, entregando-me na mão um lírio branco.

Um pequeno cão apareceu perto das pernas de Garrett e começou a puxar pelas suas calças.

-Dacio non! – Ralhou Garrett.

O cachorro parou e sentou-se olhando para ele.

-Entrate nella casa Dacio! – Mandou Garrett.

Imediatamente o cachorro correu para o interior da casa, onde provavelmente deveria ficar.

-Tens de ter cuidado com ele! – Avisou Garrett, quando já caminhávamos para casa.

Eu ri-me e ele riu também.

-Ele é extremamente dócil e parece ser bem treinado.

-Ele é! – Assentiu. – Mas também gosta muito de sapatos. – Anunciou Garrett olhando para os meus pés.

-Percebi…

…

Já tinham passado dois dias desde que chegamos a Toscana. Garrett andava sempre mito ocupado com os seus negócios da quinta. Assim, quando eu estava sozinha apenas podia aproveitar a piscina do jardim ou então sair e conhecer melhor Itália.

Era sem dúvida uma cidade maravilhosa, mas não para uma pessoa conhecer sozinha.

Desisti então da ideia. Esperaria por companhia.

Eu estava na sala de TV da grande casa. Assistia a comerciais de televisão italianos e tentava repeti-los para melhorar o meu italiano.

Ouvi uma leve batida na porta da sala e baixei o volume da televisão dando permissão para que entrassem. Lea, a governante da casa sorriu-me e avisou que Garrett já tinha chegado.

Agradeci-lhe com o meu fraco italiano e segui para o escritório de Garrett. Bati á porta ouvindo um “Entre” baixo e cansado. Garrett estava sentado na secretária. Os cotovelos estavam apoiados na mesa e a cabeça nos cotovelos.

-Dia mau? – Perguntei.

Ele levantou a cabeça confuso e quando me viu sorriu. Sorri-lhe também e aproximei-me de si.

-Eleazar vai viajar para Itália. Diz que quer acompanhar os negócios mas eu sei que é apenas para tomar conta de mim…

-Sabes que ele se preocupa com os filhos dele…

-Bom! Não interessa! Isabella…

-Isabella? Credo Garrett! Que pesado soou o meu nome nos teus lábios agora.

-Desculpa! Bella eu preciso de falar contigo…

Garrett foi interrompido pelo som frenético do telefone.

Sorri-lhe a caminhei para a mesinha de apoio para atender o telefone.

-Daqui fala da casa de Garrett Denali. Em que posso ajudar? – Atendi cordialmente.

Assistindo Garrett, que tentava não rir.

-Boa tarde Isabella! – Percebi ser Eleazar. – Podia por gentileza passar o telefone ao meu filho?

-Claro Eleazar. Só um momento!

Quando eu pronunciei o nome de seu pai, Garrett ficou tenso. Algo se passava e depois de lhe ter passado o telefone, saí do escritório apenas ouvindo Garrett cumprimentar o seu pai educadamente.

Dirigi-me á cozinha da grande casa com esperanças de encontrar alguma coisa que pudesse comer. Lea, a empregada da casa, encontrava-se na divisão da casa, acompanhada de duas empregadas, que pareciam preparar o jantar com afinco, sempre às ordens de Lea.

-Bom tarde Lea! – Cumprimentei.

-Querida Bella! Precisa de alguma coisa?

-Não Lea. Deixe estar!

Comi alguns biscoitos e bebi um copo de sumo e voltei rapidamente para a sala voltando a assistir TV.

Meia hora deveria ter passado, quando Lea veio avisar que o jantar estava pronto.

-Garrett vai jantar agora? – Perguntei-lhe.

-Daqui a 15 minutos menina.

-Então, depois faço-lhe companhia.

Ela assentiu sorrindo. Apaguei a televisão e subi para o quarto onde eu dormia e dei banho, de seguida vesti o meu pijama e um casaco fininho por cima, por causa do frio que se fazia sentir.

Quando desci novamente á sala, Lea acendia a grande lareira. Ajudei-a e depois voltei a sentar-me no sofá de couro branco.

-Já jantas-te querida? – Perguntou Garrett, assustando-me um pouco.

-Não. Estava á tua espera. Assim nenhum de nós jantava sozinho.

-Obrigado. – Ele agradeceu e beijou-me a testa. – Vou avisar Lea, então.

Assenti e ele seguiu para a cozinha.

Lea entrou minutos depois com duas bandejas com o nosso jantar.

-Bella, o menino Garrett foi dar o seu banho e vem já. Ele pediu para a avisar.

-Obrigada Lea. – Disse sorrindo amável.

…

-Ah não! Esse filme é muito lamechas…Por favor! – Implorou Garrett. – Podemos ver outra coisa.

-Por favor digo eu Garrett! Toda a gente que já amou alguém adorou esse filme! P.S I Love You é romântico, único e espetacular…

Ele interrompeu olhando-me de uma forma fofa e absurda ao mesmo tempo, o que me fez gargalhar bastante, até me doer o abdómen.

-Bella, Bella! Queres um bom filme romântico?

-Hum… — Balbuciei como se o desafiasse.

-O nosso filme! – Ele disse rindo no fim e eu acompanhei-o.

Ele sentou-se no sofá olhando-me nos olhos e riu.

-Então o que fazemos agora? Depois desse filme lamechas! – Disse como se resmungasse.

-Pff…Até parece que é muito mau! É um insensível Garrett! – Acusei brincando com ele. – Acho que devemos ir dormir agora.

-Ok! – Ele concordou.

Deitou a cabeça nas minhas pernas e colocou o seu braço no seu rosto para tapar os olhos. Eu sorri.

-Que bom que podes dormir assim, porque eu não posso dormir sentada de forma alguma!

Ele apenas abanou a cabeça assentindo e continuou na mesma posição.

-Sério Garrett? Por favor…

-Beija-me! – Ele disse sério.

-O quê? Garrett anda lá, deixa-me ir dormir!

-Beija-me! – Repetiu.

-Garrett…

Ele sentou-se rapidamente e olhou-me nos olhos. Os seus transmitiam confusão e ao mesmo tempo algum tipo de admiração.

-Porque não? – Perguntou.

-Eu…pensei que estavas a brincar! – Disse levantando-me depressa.

-Pois fica sabendo que eu não estou! – Informou. – Diz-me que nunca pensas-te em nós nesse sentido?

Revirei as minhas memórias, pensei e voltei a pensar. E não! Acho que nunca pensei em Garrett dessa forma. Para mim ele era o que eu tinha como melhor amigo, a minha segunda base na vida. Garrett sempre esteve a meu lado, sem pedir nada em troca. E eu agradecia por isso. Mas pensar nele de uma forma mais próxima…acho que não resultaria.

Porém, pensando em encontrar alguém que pudesse preencher-me como um dia fizeram comigo assustava-me, pois eu sempre vi-a a mesma pessoa. Edward. Sempre que eu pensava em continuar a minha vida, Edward vinha aos meus pensamentos.

-Garrett, eu sempre te vi como um amigo, talvez um irmão…

Garrett aproximou-se de mim e colocou as suas mãos na minha cintura.

-Então se eu te pedisse…uma oportunidade? Conseguir mostra-te que eu realmente gosto de ti…que eu te amo realmente…

-Eu não sei! É tudo tão confuso! – Admiti. – E se eu te der uma oportunidade? E depois te fizer sofrer, ou se não te amar como tu me amas a mim? – Perguntei.

-Eu quero estar contigo! – Foi o tudo o que ele disse, antes de os seus lábios encostarem-se aos meus de forma suave e delicada.