LIFE
1 Essa é a vida real?
Notas iniciais
Olá pessoas!! Eu disse que voltaria o mais rápido possível! Cá estou eu, amando essa ideia que surgiu! Espero que também gostem!Boa leitura!
"Criança desaparecida foi encontrada morta por um pescador perto das rochas da praia Fuligem. A menina já se encontrava desaparecida por cinco meses..." A notícia dada pela ancora no primeiro jornal da manhã fez Santana desligar o aparelho e deixar que o vapor de seu café esquentasse seu rosto. Tomou um gole e a ardência passou pela garganta. Seus pensamentos a levaram até a imagem da menina boiando perto das pedras e sendo encontrada depois de dias, talvez até meses ali nas rochas. Caminhou até a porta onde vestiu o tênis sujo de lama e fez o menor barulho que pode, mas Adam estava na sua frente. Ele estava com o peito nu e os cabelos loiros bagunçados.
–Onde você está indo? -perguntou Adam, levou as mãos até o rosto e tentou limpa-lo. ,–Eu vou até o hospital, preciso falar com a Lizzie. -respondeu Santana. Buscou o cachecol em cima do sofá e enrolou em seu pescoço.–Você não estava afastada? -Santana olhou para ele em silêncio. -Você vai voltar cedo? Eu preciso saber. Santana se virou já em direção a porta. Jogou a bolsa em cima do ombro e abriu a porta. -Eu te mando uma mensagem. –É só isso? Você vai e não vai voltar? Pelo menos me diga a verdade. Ela suspirou e olhou para ele. Era realmente lindo. -Eu disse que eu mando uma mensagem, isso deveria bastar.–Mas não é suficiente, nunca é Santana. E você sabe disso. –Estou indo. Tem café na garrafa. -A porta bateu atrás dela e alguma espécie de dor de cabeça havia ido embora, como se ficar fora daquele apartamento melhorasse sua vida. Santana desceu a escadaria de seu prédio e andou até a entrada do metrô. Um homem havia lhe cedido um lugar e ela aceitou de bom grado. Numa pequena tela onde passava notícias, a menina achada na praia dividia a tela com o novo campeão de futebol nacional. A foto era da menina ainda viva com uma fita rosa no cabelo e sorria com dois dentes faltantes na fileira de cima. Santana não conseguia desviar o olhar da inocência presente na foto. –Santana? -uma mulher a chamou. Ela se virou para a esquerda e olhou para cima. Uma mulher loira a olhava. Ela tinha uma barriga de grávida enorme. Santana a olhou e a reconheceu imediatamente. -Quero dizer, doutora Lopez. –Dorie! Você está incrível! -disse Santana. Ela se levantou e pediu que Dorie se sentasse. Ela se sentou com dificuldades e respirou fundo. -Faz tanto tempo que eu não te vejo!–Desde os gêmeos! -disse Dorie sorrindo. Santana sorriu novamente. –Eles estão com, o que, uns cinco anos? –Seis! -Dorie repousou sua mão na barriga enorme. -Estão enormes. –E esses que estão aí? Mais meninos? –Não, três meninas. -corrigiu Dorie. Santana se abaixou e ficou na altura da barriga. Encostou a mão e sentiu duas partes distintas se moverem. -Julie, Cynthia e Monica. –Nomes lindos! -comentou Santana. -E como você está? –Se não contar todas as minha partes inchadas, minha dor na lombar e meu braços cansados, eu estou extremamente feliz. Taylor também está feliz, um pouco cansado, mas deve ser pelo trabalho. Parir cinco crianças é fácil se comparar com criá-las. Santana riu. Dorie era casada com Taylor por quase vinte anos e ela tinha apenas trinta e oito anos anos. Depois de tentarem engravidar por anos, Taylor descobriu que era estéreo. E buscaram outro métodos de engravidar. Inseminação artificial foi a primeira escolha e deu certo na primeira vez, a única consequência foi os gêmeos. Santana havia cuidado de seu pré-natal e feito a cirurgia na bolsa de órgãos exposta em um dos gêmeos. E ela conhecia seu caso como ninguém. –Eu havia solicitado você para fazer o meu pré-natal, mas disseram que você está afastada. Santana se levantou e segurou num auxiliar de borracha. O metrô parou por alguns segundos na estação. -Eu me afastei recentemente. Mas continuo visitando o hospital com a mesma frequência. Talvez até mais. –E por que não volta? -Dorie perguntou com naturalidade, mas a questão era mais difícil do que isso. Por que Santana não voltava? –Eu vou pensar nisso. -respondeu Santana, simplesmente. -Se você estiver procurando um médico confiável, posso dar alguns telefonemas. –É muita gentileza sua, mas não precisa. Agora, se você voltar, você me telefona. -Dorie se levantou com a ajuda de Santana e deu um abraço desajeitado pela barriga. -Foi bom vê-la novamente, doutora Lopez. –Pode me chamar de Santana, Dorie. -pediu Santana. Dorie assentiu e deixou o metrô indo direto para a estação. Santana ainda parou algumas estações depois, a saída do metrô era uma quadra do hospital. Entrou pela porta principal e andou um pouco sem rumo. Algumas enfermeiras com quem trabalhava ao longo dos anos a cumprimentou. Ela andou até a cafeteria, onde sabia que Lizzie estaria lendo um livro ou conversando com alguém enquanto tomava café num copo de isopor. –Oi, Lizzie. -chamou Santana enquanto se sentava num cadeira de ferro. Lizzie abaixou o livro sobre cirurgia em lugares de alto risco e engoliu o café que estava na boca. –Oi, Sant! -disse Lizzie sorrindo. -Eu deveria ter te esperado. Eu deveria saber que você viria.
–Você me conhece. Transplantes são sempre fantásticos de assistir. –Eles remarcaram. O transplante será feito de noite. –Eu já esperava, deixei minha agenda livre para isso. –Não vai voltar para casa? –Não. -confirmou Santana. Lizzie a fuzilou com os olhos e encolheu os ombros. -Alguma coisa para mim agora?–Você pode me acompanhar nas rondas. -Santana negou com a cabeça. -O chefe me deu a manhã livre, não bem livre. Contrataram uma nova cirurgiã. Ele quer que eu mostre o hospital, como se fosse a coisa mais animada a se fazer. Mas ela ainda não chegou. Eu e os meninos estamos fazendo uma aposta. Dez se ela for feia. Vinte se ela tiver um membro a mais. E cinquenta se ela dar em cima de mim. –Vocês são inacreditáveis. -disse Santana, revirou os olhos. -Vocês sempre esperam algum defeito, sempre. –Todos temos defeitos, Sant. Só gostamos de cataloga-los. –Estão apostando o que? Quem vai dar as altas?–Vômitos. Ultimamente, são muitos. Parece que a cidade inteira está comendo a nova comida enlatada do Jerry's. -Lizzie girou os indicadores da mão. -Delicioso. –Você quer almoçar comigo hoje?–Vamos comer no Jerry's? -perguntou Lizzie rindo. Santana a acompanhou. –Doutora Lopez? -chamou alguém na suas costas. Santana se virou e viu uma enfermeira com alguns prontuários na mão. -Doutor Boole pediu que você o encontrasse em seu escritório. –Eu já estou indo. Obrigada, Anne. -agradeceu Santana. Anne foi embora. Santana se levantou e suspirou. -Acho que fui entregue. Eu venho te buscar para almoçar. –Até depois, Sant. Santana entrou novamente no hospital e caminhou os labirintos que eram as áreas hospitalares. Chegou a parte dos escritórios e fitou a porta dupla do maior escritório do hospital. Levou o punho a porta e bateu de leve. –Entre. -soou a voz de Steven Boole, o chefe geral do hospital. Ele estava com os óculos meia-lua que gostava e lia uma pasta amarela que abaixou quando viu Santana entrar. -Sente-se, doutora Lopez. –Obrigada, senhor. -Santana se sentou e olhou para ele. Nunca lhe pareceu tão cansado. Não parecia mais velho, mesmo que estivesse, mas cansado era tão visível. Ele era um homem branco e barrigudo, cabelos cinzas e ralos. –O que esperava, doutora Lopez? -perguntou ele. Chegou a cadeira mais perto da mesa e descansou suas mãos na barriga, como um grande laço. -Você me pede um afastamento, toda via aparece todos os dias aqui.–Me desculpe, senhor. –Você acha que já está na hora de voltar? -perguntou o Doutor Boole. Sua voz parecia um pouco mais alarmada do que a Dorie, mas tampouco profunda. -Quero dizer, seu salário está baixo e você vive aqui dentro mesmo, está perdendo tempo de aprender mais. –O senhor acha que eu devo? Que eu já estou pronta? –Você está? -indagou Boole. -Escute, Lopez. Todos cometem erros. Apenas lhe enviaram um caso impossível de resolver. Você é uma pediatra, a melhor de sua turma. Você esperava que esse tipo de situação poderia vir a acontecer. Essa é a aula que ninguém nos dá. É quando um médico está pronto, vemos pelo resultado que dão. Vemos como lidam com a situação e pressão. Você lidou bem, mas o caso era impossível! Santana assentiu. Seu rosto tremia. Os olhos tentavam focalizar outros objetos na sala. -Obrigada, senhor. –Por que não veste seu jaleco e vá assistir algumas cirurgias, eu sei que você se acalma com isso. Ou costumava. –Obrigada, Doutor Boole. -agradeceu Santana e quando sua mão deslizou pela maçaneta, ela se virou. -Eu vou pensar de verdade sobre a proposta, senhor. –Eu aprecio isso. Ela seguiu para o vestiário. Buscou seu armário e se sentou no banco de madeira que era abaixo. Apoiou os cotovelos nos ombros e escondeu o rosto com as mãos. –Eu pensei ter visto você na cafeteria hoje. -comentou uma voz atrás de Santana. Ela levantou seu rosto e olhou para a ruiva que falava. -Não sabia que você voltaria hoje. –Oi, Charlotte. -Charlotte passou suas pernas pelo banco e se sentou ao lado de Santana. –Você parece triste. -comentou Charlotte. -Eu já sei do que você precisa. Me encontre na ala pediátrica, em dez minutos. –Você viu a Quinn? Ela já chegou? -perguntou Santana. Charlotte sorriu e confirmou com a cabeça. -Eu deveria ter procurado ela mais cedo, não deveria? –Deveria, sim. -confirmou Charlotte. A sobrancelha esquerda levantada enquanto a cabeça ainda mexia num sim. -Ela não parece muito chateada com você.–Isso nós veremos. -Santana riu. Abriu seu armário e tirou seu jaleco de dentro do armário. Ele ainda estava branco mas tinha cheiro de bala de goma quando o vestiu. -Você pode bipar ela? Traga ela com você. Enquanto isso, vou buscar meu bip com as enfermeiras. –Dez minutos! -gritou Charlotte na porta do vestiário. Santana balançou a cabeça e foi buscar as roupas verdes e azuis que tinha que usar por baixo do jaleco. Andando pelo hospital ela passou pelo quadro de cirurgias e notou o nome "Quinn Fabray" no quadro. Assim como Lizzie Smith, Charlotte Davis e Thomas Campbell. Foram seus companheiros de residência. –É a minha segunda esse mês. -comentou uma voz suave atrás de Santana. -Eu fiz merda. –Quinn. -Santana abraçou o corpo da loira com pressão e força. -Desculpa. –Calma, Sant! -pediu Quinn. Ela abraçou ela, Santana tinha a cabeça na sua clavícula e podia sentir o quão delicada ela estava. -Eu não estou chateada. Mas você parece estar. Foi aquele idiota...–Não, ele não fez nada. -disse Santana. Segurou o rosto de Quinn e beijou sua testa. -Eu seria muito carente se dissesse que senti sua falta? Quinn riu. -Não, eu também senti. Para falar a verdade, o hospital perdeu totalmente a graça quando você ficou fora. –Mas agora eu voltei. -comentou Santana. Quinn puxou ela pelo braço e começou a caminhar. –Mas agora você voltou. -repetiu Quinn. -Eu fui bipada na ala pediátrica, isso é trabalho seu? –Eu pedi que Charlotte te chamasse. -assumiu Santana. -Ela disse que queria me mostra algo. E vocês duas? Já tentaram? –Charlotte meio que deixou a ideia de ter filhos agora de lado. -declarou Quinn. Soltou um suspiro longo. -E a pior parte é que concordo com ela. É tudo muito cedo. –Pelo menos vocês estão concordando com algo, já é um começo. -disse Santana. Ela puxou Quinn até área onde as enfermeiras ficavam. -Sophia, você consegue me arranjar um bip? –Você precisa de um novo? Porque o seu velho está aqui em algum lugar. -disse Sophia começando a mexer em gavetas. –Se você estiver com ele, melhor ainda. -comentou Santana. Sophia abriu uma gaveta com vários bips e um estava com um papel colado escrito Lopez. –Um bip que voltou para a dona.–Obrigada, Sophia. -agradeceu Santana e continuou a andar com Quinn. -Ouvi dizer que você trouxe um homem em sua personalidade normal. –Ouviu certo. -afirmou Quinn. Ela sorriu. -Essa foi a cirurgia que fiz no mês. E agora, eu tenho inchaço. Digo, olha a diferença! Um corpo se materializou do nada na frente delas e bateram as três juntas. Santana foi empurrada para trás, mas não caiu. Lizzie estava correndo contra elas. –Um corpo em movimento tende a permanecer em movimento até que uma força o pare. -disse Lizzie com a mão na cabeça. –Algo de física você sabe. -comentou Quinn rindo. –Por que você estava correndo? -perguntou Santana. Levou a mão até a cabeça. –Para acertar a aposta com os meninos. Aproveitei que a Doutora Pierce está conversando com o chefe. –Pierce? -perguntou Quinn. Lizzie confirmou com a cabeça. –Ela foi apenas transferida. -informou Lizzie. –E a aposta? -perguntou Santana com um pouco de curiosidade, mas também de indignação. –Ela é linda, tem todos os membros corretos. -disse Lizzie. –Então, ela flertou com você? -perguntou Santana. –Não, mas foi pouco tempo e apenas falamos sobre o hospital e qual área ela tem doutorado. Cardio. Santana se sentiu impressionada. Quinn confirmou com a cabeça. -Eu tenho que ir. Vejo vocês no almoço? –Cafeteria! -informou Santana. Lizzie levantou o dedo polegar na direção delas enquanto andava. As duas passaram pela sala de espera e entraram nas elas pela escada de mármore. –Você não pensou em larga-lo? –Quinn, por favor. –É apenas uma ideia, Sant. -comentou Quinn. -Eu sei o quanto você é infeliz naquele casamento. –Eu sei que estamos enfrentando várias coisa ao mesmo tempo, mas não posso simplesmente deixa-lo. Eu preciso ter uma razão, não para ele, mas para mim mesma. –Ser infeliz é a única razão que você precisa.
–Você não entende, e se for apenas uma fase? E se o que eu sinto por ele agora mudar? –Quer dizer sentir atração por ele? Porque você não sente! Respeite que o seu corpo, que é sensato, está te dizendo! –Ok, Quinn. Me deixa adicionar a todas as coisas que eu tenho que pensar. –Você queria deixa-lo. -disse Quinn. -Antes de tudo acontecer. Você ia deixa-lo. –Eu ia. –Não vai mais? -perguntou Quinn. –Eu não sei. -sussurrou Santana. -Meros mortais, como nós, não encontraram o amor de sua vida com dezoito anos Quinn. –Então, você assume que não ama ele? -brincou Quinn, que na verdade sabia a verdade. Contudo, a pergunta entrou como uma navalha em Santana. -Não precisa responder. Eu te conheço desde os sete anos, eu sei a resposta. –Você adora brincar com a minha mente. –Culpada. -Santana tacou um soco no ombro de Quinn. As duas chegaram na ala pediátrica em segundos. Charlotte estava em pé na frente do berçário. Ela beijou Quinn e apertou o ombro de Santana. –Eu sei que você ama fazer isso. -disse Charlotte. -Esses acabaram de nascer. Santana tinha essa pequena peculiaridade. Ela, quando estava se sentindo triste, gostava de ir até o berçário e receber essas vidas que acabaram de nascer. Fazia com que seu tempo corresse e sua mente flutuasse. E isso havia decidido sua especialidade, ali, ela sabia que queria curar crianças. Santana limpou as mãos e começou a brincar com os novos bebês. Haviam mais meninas do que meninos, ela sorria para todos. Alguns apertavam seu dedo e outros choravam. Mas ela os acalmava. –Ela queria muito ser mãe. -comentou Quinn enquanto abraçava Charlotte. As duas estavam além da porta de vidro. –Ela apenas não achou a pessoa certa. -disse Charlotte. Levou uma mecha solta do cabelo de Quinn atrás da orelha. –Como se isso significasse algo. -comentou Quinn soltando Charlotte. Ela foi até a janela e ficou lá em pé, ouviu os tênis de Charlotte descendo as escadas. -Ótimo.Perto do almoço, Santana foi ver Barney fazendo uma de suas cirurgias mais famosas no lóbulo direito. Ela se sentou na sala de observação com um copo de isopor cheio de café. Estavam apenas ela e mais dois internos. Ela tinha um fascínio enorme pelo cérebro humano. Sempre que podia, aprendia sobre ele. E a cada caso lido, o mistério crescia ainda mais. –Sant! -chamou Lizzie. -Estamos indo comer, você deveria vir. –Estou indo. -disse Santana e tomou um gole de café. Lizzie assobiou na sala e os dois internos a olharam, Santana se levantou. Atravessaram o corredor da ala cirúrgica e chegaram a sala normal. Passaram pela central, Quinn e Charlotte estavam distantes uma da outra, mas conversavam sobre a menina encontrada na praia com essa mulher que estava de costas. –Eu convidei a doutora Pierce para almoçar. -informou Lizzie. -Espero que não se importe. Meninas! Vamos indo? Quando a mulher loira se virou, Santana aqueceu por dentro. Ficou olhando para seus olhos azuis e as pernas ficaram moles na hora, o coração mais rápido. O estômago saltou e deu um giro completo quando a mulher estendeu a mão exibindo um sorriso. –Eu sou Brittany Pierce. –Santana. -aceitou a mão macia de Brittany e sorriu em seguida. -Santana Lopez.
Notas finais
Então? Gostaram? Sinal de que posso continuar? Comentem aí! Eu sei que existe trocentas histórias com Brittana em hospitais, mas eu prometo que essa será diferente, para não dizer única. Beijos e até a próxima!
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