INÊS — Você nunca me machuca, meu amor, você apenas me ama... – ela gemeu abrindo um pouco mais as pernas e ofertando os seios para que ele os tomasse em seus lábios.

XX – Inês! – a voz reverberou em todo quarto. – Inês, você está acordada?

E só então, agarrados, como animais na consumação de seus corpos é que lembraram que não haviam trancado as portas... Nem do quarto e muito menos a do banheiro...

Inês soltou-se de Vitoriano assustada. Logo naquele momento seriam interrompidos. O prazer de dividir a companhia dele era indescritível.

INÊSPor Deus, quem é? – Inês sentiu-se em desespero.

Vitoriano buscou o corpo dela novamente, estava tão envolvido pelo desejo que não se deu conta do perigo que estavam correndo. Inês desvencilhou-se dos braços dele assustada com a possibilidade de ser Débora.

INÊSSolte-me, eu preciso atender. – ela sussurrou com medo de ser ouvida.

XX — Inês?– a voz insistiu.

INÊS— Sim! – respondeu de dentro do banheiro já vestindo o roupão.– Já estou saindo, senhora!

Inês fechou a porta assim que saiu do banheiro para que Vitoriano não fosse descoberto. Olhou profundamente para a mulher em seus quarto e parou diante dela. Débora trazia sempre aquela expressão de nojo do restante da humanidade, uma face esnobe e arrogante.

DÉBORA— Eu preciso de sua ajuda com as coisas do bebê. Você pode fazer uma conferência amanhã de todas as coisas do meu filho?– a voz trazia o tom autoritário comum a ela.

INÊS – Claro senhora, posso sim. – Inês sentiu o coração estremecer, tudo que mais desejava era ter tido um filho com Vitoriano.Aquela gravidez de Débora a afetava de modo que nada mais podia fazê-lo.— Algo em especial que a senhora deseje?

DÉBORA — Não, Inês, apenas quero você veja se as coisas dele estão em ordem. Roupas, brinquedos, essas coisas.– ela sentou-se na cama de Inês, parecia procurar algum vestígio da presença do marido ali.– Quero que meu filho seja feliz e nasça como o pai dele. – provocou ciúmes de forma clara. – Um homem vigoroso, cheio de energia e de paixão!

Inês sentiu vontade de dizer na cara dela que estava consciente de como Vitoriano era vigoroso, inclusive ele estava em seu banheiro mostrando a ela o tamanho de seu vigor. Queria cuspir palavras de insulto aquela despeitada interesseira que Débora era.

Inês silenciou-se apesar de não querer, observando o sorriso de Débora expressar superioridade. Débora queria que Inês nunca se esquecesse de que aquele filho que ela esperava era de Vitoriano e que realizaria o maior desejo dele de ser pai de um menino.

Vitoriano teve vontade de sair do banheiro e dizer a Débora que não a amava, que não desejava mais que ela fosse sua esposa e que seu coração batia apenas por Inês, mas deteve-se por respeito aquele filho que ela carregava e a delicadeza daquela gravidez.

INÊS— Tenho certeza que o bebê será muito saudável e vigoroso como o pai, tenho certeza!– debochou em retribuição, mas sem perder a expressão firme.

DÉBORA — Inês, eu sou uma mulher muito afortunada de ter um homem como Vitoriano a meu lado, de ter todo desejo dele direcionado a mim e de poder ser a senhora desta casa.– sorriu. – Qualquer mulher no mundo gostaria de ter o que eu tenho e além de tudo, meu marido ainda me ama.

Inês ergueu a sobrancelha num gesto de deboche, era ridículo ver como se enganava. Ele não amava, ele não a queria e Vitoriano só se casara com Débora para se vingar dela e do fato de ter se casado com Loreto tantos anos atrás sem explicação.

INÊS — Se a senhora não se importa, eu tenho que tomar meu banho e dormir. Foi uma noite cansativa. – indicou a porta.

DÉBORA — Claro... – sorriu. – Você viu meu marido, Inês? Eu o procurei em toda casa e não o encontrei...– olhou em direção ao banheiro.

INÊS — Não! Ele deve estar na vila, deve ter escolhido tomar um trago com os amigos. Ou pode estar no terraço, ele costuma beber lá.

Inês lembrou-se que fora no terraço que Vitoriano lhe roubara um beijo apaixonado algum tempo antes dela ceder e entregar-se a ele. Lembrou-se da lua e de como a noite era especial. Aquele beijo trouxera o amor dos dois de volta...

DÉBORA— É verdade! Vou dormir que preciso estar bem bonita para meu maridinho... Boa noite, Inês!

INÊS — Boa noite, senhora!

Inês esperou que Débora saísse do quarto e em seguida trancou a porta. Respirou aliviada por não ser pega no flagrante. Aquela situação não poderia ficar assim.

Foi até o banheiro e abriu a porta, Vitoriano estava ligando o chuveiro para tomar um banho. Suspirou excitada, o maldito homem tinha o poder de deixá-la acesa somente com sua presença. O perfume do corpo dele a fazia sentir que o mundo inteiro parava de girar.

VITORIANO— Venha, Inês, não terminamos nosso encontro! – ele sorriu sentindo que ela estava relutante.

INÊS Vitoriano, isso tem que acabar. Eu não posso mais ...

VITORIANO — Inês, eu preciso de você, venha aqui, meu amor.– ele estendeu as mãos.

INÊS— Não!

VITORIANO — Faz amor comigo, depois conversamos.

INÊS— Você está sendo egoísta!

VITORIANO— Eu te amo, quero estar com você, Inês... Isso é ser egoísta? Então eu sou o maior de todos os egoístas. Eu não posso ficar longe de você!

Os olhos de Inês se encheram de uma tristeza estranha. Sentiu que não merecia estar com ele, não daquele jeito. Ela não era uma mulher desonesta, ainda que o amasse, não ficaria com ele se não resolvesse todas as questões.

VITORIANO— Inês!

INÊSPor favor, eu não posso... Tome seu banho e vá ficar com sua esposa.

Inês saiu do banheiro. Sentiu o coração doer. Pensou em Emiliano, nas coisas que teria que dizer a ele no dia seguinte. Sentiu-se cansada e sozinha. Sentiu-se sem destino e decidiu que estava na hora de partir daquela fazenda.

Quando Vitoriano saiu do banheiro, vestido novamente em seu roupão, ficou imaginando que desculpas ele daria Débora para justificar sua ausência. Já era tarde, o que explicar?

VITORIANO — Inês... – ele sentou-se na cama diante dela. – Eu te amo. Você é a mulher da minha vida. Eu quero me separar de Débora e farei isso. Mas a gravidez dela é de risco e eu tenho medo de que aconteça alguma coisa com meu filho. – tocou o rosto de Inês que ouvia suas palavras atentamente.– Eu nunca exigirei que você me espere, mas peço que não fique longe de mim, Morenita, eu não sei como viver sem você...

INÊS— Eu nunca lhe pediria para abandonar seu filho, sei o quanto significa para você ter esse filho homem... Eu sei o que um filho significa... – pensou em Emiliano.

VITORIANO — Eu queria ter esse filho com você, Inês, mas o destino nos afastou e você se casou com aquele homem... – o rosto de Vitoriano mudou-se completamente. – Eu não posso aceitar que você tenha escolhido a ele, Inês, eu te amava...

INÊSEu também te amava... – suspirou pelo que não podia ser mudado. – Mas não podemos mudar o que aconteceu.

VITORIANO – Eu não quero que você volte para ele, Inês... – segurou os braços dela com amor, queria estar perto. – E hoje, quando eu fui até lá tive medo do que ia ver... Eu não quero você longe de mim, eu quero planejar nosso futuro, Inês...

INÊS— Vitoriano, você vai ter um filho com Débora, nunca mais será a mesma coisa. Você vai estar ligado a ela para sempre... – os olhos de Inês encheram-se de lágrimas.– Ela é a sua mulher...

VITORIANO— Minha mulher é você!– a voz grossa dele saiu espontânea fazendo-a estremecer. – Inês, eu vou me separar dela, eu te prometo. Mas se você voltar para Loreto, como vamos ficar juntos?

INÊSEu preciso organizar essa bagunça que está a minha vida. Eu não posso estar disponível para você desta forma. Me machuca, me magoa... – ela sentiu o coração doer. – Eu te amo, quero estar com você, mas não assim escondido. Não como sua concubina... E tem Emiliano... Meu filho quer viver com o pai dele... Eu...– suspirou.– Não posso impedir e também não posso viver aqui sem ele.

Vitoriano abraçou Inês e a apertou contra seu corpo. Não havia mais nada a ser dito. Inês era a mulher mais forte e decidida que ele conhecera. Se ela estava dizendo aquilo, ele teria que respeitar e resolver tudo em sua vida.

VITORIANO – Eu te amo, nós vamos encontrar um jeito de ficarmos juntos.

INÊS— Acabou para sempre! – afastou-se dele, os olhos chorosos e a expressão de quem não desejava ser questionada.– Não voltaremos a ficar juntos.

Vitoriano saiu destruído do quarto sem dizer mais nada. Nada havia para dizer. Inês foi caminhando para o banheiro, a cada passo a vida parecia sumir por entre seus dedos...

ENREDO DESTA FIC — JULIANA MARCIA RAMOS AZEVEDO — SENHORA RIVERO TEKILA