LAS AMAZONAS - Esperando por seu amor

27 Capítulo 27 - O momento decisivo


Inês não conseguiu dizer nada mais, apenas sentiu tudo escurecer e tudo ficou estranho. O mundo girou e ela desfaleceu nos braços de Vitoriano. O desespero dele foi tanto que se esqueceu do machucado no braço e pegou Inês no colo já carregando para o carro.

Colocou Inês no banco de trás do carro e pediu a Emiliano que ficasse ali com ela. Dirigiu direto para o hospital. Em meio aquela correria ele só conseguiu se desesperar mais quando ouviu Inês falando, voltando do desmaio.

INÊS — Por Deus, Vitoriano, estou sangrando...

Vitoriano acelerou ainda mais o carro. Quando chegou ao hospital, Inês chorava muito e sentindo que algo lhe aconteceria de ruim, segurou as mãos de seu marido e disse chorando:

INÊS — Vitoriano, salve nosso filho!– a voz desesperada enquanto segurava as mãos dele e era levada na maca.

VITORIANO — Meu amor, fique calma, vai ficar tudo bem!– desesperado Vitoriano foi afastado pelos médicos e levando por Emiliano, também nervoso, para a sala de espera.

Esses momentos demonstram a força de uma família. Quando algo ruim acontece, toda família se junta em luta por criar um ambiente de paz e luz para que o ente querido se sinta amado. Cony, Cassandra, Diana, Alejandro, Emiliano e Vitoriano ficaram juntos em todas as horas que se seguiram aqueles momentos de tensão.

Duas horas depois, com um sorriso nos lábios, Dr. Rios Bernal veio anunciar que Vitoriano poderia ver seu lindo bebê dali há alguns minutos. E sem muitas atenções com o fazendeiro informou que Inês precisaria de cuidados especiais naquelas horas.

Diante do quadro complicado de Inês, que perdera muito sangue no parto e agora não reagia a medicação, a família não conseguiu comemorar com todo entusiasmo a chegada de Carlos. Vitoriano sentia o coração explodir ao saber menino, o seu novo filho, o seu varão com a mulher que amava.

Inês estava em transe. Sua mente vagava em sombrias lembranças de Loreto quando estavam casados. Os abusos constantes, as tristezas, as vezes em que fora obrigada a estar com ele, todas, absolutamente todas contra sua vontade.

Inês sentia ali, naquela cama de hospital, que não sabia que estava, todas as torturantes realidades que sua vida tivera ao longo de anos. Como se o destino quisesse zerar, as dores dela passavam como um filme de horror por sua mente conturbada.

Não eram pesadelos, nem eram fleches e relances do real. Em meio a todo aquela nuvem cinza, sentindo as mãos de Loreto e os olhos odiosos tocando seu corpo, tentando gritar para se defender em seus devaneios, Inês viu uma branca luz se aproximando em sua direção.

O rosto lindo, de olhos apaixonados de Vitoriano veio com a luz e assim como sempre acontecia, Inês se deixou envolver por aqueles lindos olhos. Ele lhe ergueu a mão e ela segurou e com ele se abraçou.

Sentia a vibração do amor dele, o cuidado ao tocar em seus cabelos, o amor delicado de toda uma vida.

Aqui, no mundo real, Vitoriano estava entrando na UTI. Tal como bela dormecida ou branca de neve a espera de um príncipe, Inês estava lá, deitada, toda cheia de aparelhos e esperando ser acordada pelo beijo do amor verdadeiro.

Ele aproximou-se, gelado, sofrido, iludido por sua atenção com aquela mulher que amava tanto. Os olhos derramaram lágrimas cristalinas ao vê-la assim, cheia de cuidados para sobreviver.

Tocou a mão dela, respirou fundo e pensou em como a amava. Sentindo que tudo naquele momento dependia dele, Vitoriano iniciou a sua busca por Inês.

VITORIANO — Meu amor, eu não sei onde você está e nem sei se está me ouvindo...– lágrimas abundantes caíram de seus olhos e ele parou de falar por alguns segundos.– Mas eu quero que saiba que eu daria minha vida para não te ver sofrer. Eu estaria no seu lugar se eu pudesse... Você é a minha esposa, a mulher mais amada deste mundo.– beijou a mãos dela.– Você cuidou de mim em cada dia de todos esses anos. Me amou a distância, sofreu por mim quando eu fui um tolo e por despeito me casei novamente.

Inês sentia os braços do homem de luz envolverem seu corpo e um calor contagiante, como um êxtase , tomou conta do corpo dela.

VITORIANO —Você me esperou. Cuidou de minha filhas como suas, me deu uma família e agora um filho homem.– chorou deitando a cabeça no braço dela sobre a cama.– Você me tornou o homem mais feliz do mundo, Inês. Quando você me toca, quando me ama, quando me deseja, eu sinto como se meu mundo fosse só você e como se eu morasse dentro do seu coração. Você é minha luz, minha esposa perfeita, que me entende em cada detalhe, em cada mal humor.

Beijou a mão dela e começou a acariciar seus cabelos...

VITORIANO — Tudo em você é lindo. Eu te amo mais que a minha vida. Seu corpo, cada parte do seu corpo me pertence. Quando você se entrega, quando me pede para te fazer minha, quando se desnuda e posso te ver inteira e linda, me sinto o mais feliz dos homens. Todo seu prazer é o meu também. Eu não sei viver sem você, Inês, sem suas carícias, sem seus beijos, sem seu cuidado e muito menos sem o seu amor...– ele suspirou e tocou o rosto dela com amor genuíno, verdadeiro e especial.– Volte para mim, meu amor, onde quer que você esteja, volte para mim... Você é a minha mulher... A minha Morenita...

Inês sentiu uma força estranha segurar seu corpo, uma sensação de dor e desespero. Se sentiu caindo, como de um abismo. Segurava as mãos do homem de luz, mas aos poucos a imagem dele foi esvanecendo e ela ficou sozinha, parada num escuro completo.

Vitoriano se ergueu, aproximou-se do rosto dela, separou os cabelos que caíam ali e colocou ao lado. Ternamente, como o homem apaixonado que ele era, beijo lentamente os lábios de Inês, com saudades, com aquela vontade de pertencer, sem sufocar.

E como se todas as forças se unissem, Inês sentiu a luz aparecer e uma dor envolver seu corpo. Estava de volta. Abriu os olhos lentamente, mas não estava em si mesma, sentia como se observasse seu corpo. Sim, via seu corpo e seu amado marido ao seu lado, beijando seus lábios.

INÊS —Vitoriano?– a voz dela saiu fraca e sem vida quando ele se afastou do beijo.

VITORIANO — Inês!– ele se desesperou com ela de volta e começou a chorar.

Testas unidas, choros intensos, a respiração entrecortada, eram a cena do regresso daquele amor aos corações apaixonados. O que eles podiam desejar além de tudo que já possuíam.

INÊS — Estou sentindo muita dor.– ela queixou-se movendo os lábios com dificuldades.

VITORIANO — Tudo bem, meu amor, fique calma, vou chamar seu médico.– Vitoriano apertou o botão de solicitação ao lado da cama.

INÊS — Onde está meu filho?– ela moveu o rosto e procurou o bebê no quarto.

VITORIANO — Carlos está bem...– falou emocionado.

INÊS — Você o viu?– ela chorou em felicidade por saber que estava tudo bem. Segurou a mão dele com força. Queria ter seu bebê.

VITORIANO — Ainda não pude vê-lo, ninguém pode.– ele beijou a mão dela.– Minha Morenita, ele deve ser lindo com você...

Inês foi imediatamente transferida para o quarto, mas somente Vitoriano poderia estar com ela naquele momento, nas próximas horas, até que estivesse recuperada e fora de perigo, as visitas estavam proibidas.

A enfermeira entrou no quarto com um lindo sorriso e junto com ela a pediatra com um lindo pacotinho branco nos braços. Dentro de todo aqueles tecidos, cheio de uma fome que podia ser entendida com o choro que seu ao entrar, estava Carlos, o príncipe do amor do dois.

Carlos foi levado aos braços de Inês, mas os dois choravam quando viram o bebê. Inês abraçou o filho, o beijou com delicadeza.

INÊS — Olá, meu amorzinho, eu sou a sua mamãe.– beijou e aconchegou o filho em seu corpo.– E esse é o seu papai...

Vitoriano só sabia chorar, o corpo todo se sentindo feliz por aquela paternidade tardia. Já seria avô em breve, mas tinha um novo raio de luz em sua vida. Carlos tinha muito cabelos, os fios tão pretos quanto os de Inês, os olhinhos atentos, vivos, procurando pelas vozes no quarto.

Inês queixou-se de dores e a enfermeira foi buscar a solução paliativa para aquela dor, embora soubesse que Inês sentiria mais dor por conta da cesariana. A pediatra trouxe o berço móvel e colocou ao lado dos pais, aquele era um momento deles. Saiu sorrindo e deixou que desfrutassem do filho.

VITORIANO — Filho, você é lindo como sua mãe!– ele sorriu vendo Inês se ajeitar na cama para amamentar Carlos.

INÊS — E vai ser inteligente como seu pai.– ela sorriu e jogou um beijo para ele.

Inês colocou o filho no peito. Carlos atrapalhou-se por alguns segundos, resmungou inexperiente naquela função de se alimentar e por fim pegou o peito. Inês respirou fundo, aquela primeira mamada era sempre dolorosa.

INÊS — O que foi?– ela sorriu para Vitoriano de modo amarelo, sentindo dor na cirurgia.

VITORIANO — Estou pensando.– ele sorriu de volta e olhou para o filho.– Você me roubou uma coisa importante por um bom tempo, meu filho...– ele tocou o rostinho do bebê.

INÊS — Ele não vai me roubar de você.– ela o aproximou e beijou nos lábios, um beijo curto, mas cheio de amor.

VITORIANO — A sua mãe não entendeu, meu filho.– ele sorriu safado e olhou de volta para ela, que não havia entendido ainda.– Estou falando dos seus seios, Inês..