Inês sentiu-se fraquejar ao descer na enorme casa no centro da fazenda Luz de luna, alguns quilômetros das Dianas. Era uma fazenda linda, extensa e banhada pelos mesmos afluentes das duas fazendas vizinhas. Um lago se concentrava há alguns metros da casa principal.

Aquela fazenda era de um antigo homem rico e que morrera tragicamente há alguns anos. A família inteira fora assassinada naquela casa e ela sempre tivera medo de entrar ali desde então.

Sentiu o estômago ardeu mais uma vez enquanto despediu-se de Diana com um beijo. Diana ligou o carro e foi embora logo depois de vê-la entrar na porta da casa.

Tudo na casa atendia a seu gosto. Muitas flores espalhadas por toda extensão da enorme varanda que ladeava a casa. As cores predominantes nas paredes eram tons de verde bem claros e se entrecortavam com tijolos rústicos envernizados.

Sabia que Loreto não seria capaz de realizar sozinho aquela decoração. Imaginou que uma mulher talvez o estivesse acompanhando e ele finalmente fosse deixa-la em paz.

LORETO— Boa noite, Inesita... – a voz de Loreto estava carregada de alegria ao vê-la ali, perto, disponível novamente, exibindo toda aquela beleza que ele sentia ser sua, por direito. – Bem bonita como eu pedi que você viesse. – ele aproximou-se para um beijo, mas Inês recuou.

INÊS— Eu não vim fazer uma visita cordial, vim combinar os termos desse maldito acordo que você quer fazer comigo. – ela caminhou entrando na casa e desviando do toque dele.

LORETO— Gostou da casa? Mandei decorar para você, Inês, espero que tenha sido do seu agrado.

INÊS— A casa é linda. Tudo aqui é muito bonito, mas não gosto desta casa por causa daquela tragédia, Loreto! Você devia se lembrar o horror que se passou por aqui.

LORETO— Tudo bem, podemos comprar outra se você quiser. Tudo que está aqui é seu, Inês! Meu dinheiro, essa casa, quantos carros quiser, tudo seu! – ele sorriu procurando uma garrafa de vodka no bar.

INÊS— Diga logo o que você quer para nos deixar em paz. – Inês sentiu calafrios. Nunca era bom perguntar o que ele queria.

LORETO— Quero ver meu filho, quero tê-lo por perto. Emiliano já é um homem e quero que conviva comigo, eu sou o pai dele! – bebeu uma dose de vodka de uma única vez e observou o corpo de Inês de pé a poucos metros dele. Ela estava linda!

INÊS— Meu filho já é um homem, eu não posso obrigá-lo a morar aqui com você se ele não quiser! – a voz dela denotava uma tensão fora do comum para sua personalidade.

Loreto bebeu mais uma dose e se aproximou dela. Inês tinha o mesmo cheiro, deveria ter o mesmo gosto, o mesmo sorriso encantador, que naquele momento estava escondido para ele.

Loreto lembrou-se de como desfrutara dos momentos com ela, de como ainda podia sentir-se excitar com a presença dela ou sua simples lembrança. Naqueles tempos, ele não entendia que as lágrimas e recusas de Inês deveriam ser o motivo para que ele parasse.

Agora, anos depois, Loreto queria se redimir, ser um novo homem, ter uma família com ela e Emiliano. Por mais que desejasse esse recomeço dependia do perdão de Inês.

Loreto não esperaria por esse perdão de braços cruzados. Estava disposto a ser gentil, a ser educado por algum tempo até que ela percebesse que ele queria de fato mudar.

Mas essa mudança ele queria que ela percebesse de perto. Se Inês era sua mulher, então, ela viveria com ele, sob o mesmo teto, na mesma cama, como um casal normal. Não aceitaria um casamento distante ou em quartos separados.

LORETO— Por isso quero que você venha morar aqui, Inês... Emiliano virá se você vier.

Inês ficou em silêncio, o corpo inteiro retesado desde sua chegada aquela casa minutos antes. Apavorou-se só de imaginar ter de viver de novo com Loreto, mas afinal, ela teria escolha?

INÊS— Loreto, eu já lhe disse uma vez... – ela tentou escolher as palavras. Não queria irritá-lo, tinha medo da reação dele já que estavam sozinhos na casa.

Inês só estava ali porque desejava resolver aquelas questões, mas não esquecia em momento algum o medo que sentia dele. Tinha motivos para sentir, embora Loreto estivesse com uma expressão mais terna e mais cansada que o normal, os dois tinham um passado.

LORETO— Inês... Eu quero que você me escute, que me dê uma chance de provar que podemos ser uma família. Todos juntos, eu, você e Emiliano. – ele aproximou-se lentamente, mas ela afastou-se ressaltada.

INÊS— Eu não serei mais sua esposa, Loreto, isso já foi decidido há muito tempo. – ela foi paciente em explicar. – Quando você foi preso, pedi o divórcio e consegui.

LORETO— Inês, sou inocente... Eu tive minha absolvição e depois que pedi a indenização fui informado que todos os procedimentos legais tomados contra mim podem ser revisto, incluindo nosso divórcio.

INÊS— Isso não depende de um juiz apenas, reativar os papéis do casamento não me torna sua esposa novamente! Você sabe bem disso, são só papéis.

LORETO— Você é minha mulher, Inesita. – Loreto aproximou-se de Inês com atenção em cada detalhe do belo rosto de sua esposa. – Mesmo que você não goste de admitir. Teve um filho comigo!

INÊS— A força! – revidou tensa demonstrando sua insatisfação em estar ali com ele.

LORETO— Você não queria nosso filho? É isso que quer que eu conte a ele? – foi frio aproximando-se um pouco mais dela.

INÊS— Você não se atreveria! Para contar isso ao meu filho, você teria que contar também que me violentou, que me tomou contra minha vontade!

LORETO— Eu sempre quis você, Inês e você sempre quis aquele maldito do Vitoriano! – ele gritou arremessando o copo na parede com muita força.

O barulho do copo quebrando na parede fez com que Inês se retesasse e recuasse diante dele. A imagem de um Loreto agressivo e abusivo se reanimou na lembrança dela como um fleche. Tudo naquela reação demonstrava que ele ainda era o mesmo.

INÊS— Não vim aqui para falar de Vitoriano! – ela gritou tentando demonstrar não ter medo dele, mas tinha.

LORETO— Inês, eu te quero! – Loreto segurou os braços dela para juntar o corpo ao seu, mas ela recusou agressiva.

INÊS— Solte-me, Loreto! – a voz firme se fez presente afastando seu corpo do dele. – Não se atreva!

LORETO— A pegá-la a força? – ele aproximou-se mais uma vez. – Então, porque você não se entrega a mim e me ama de vontade própria?

INÊS— Porque eu não te amo! – ela sentiu novamente os braços dele em busca dos seus, mas desta vez não conseguiu se desvencilhar!

LORETO— Mas podemos ser felizes, Inesita! Podemos nos amar como homem e mulher... – Loreto tento beijá-la. – Eu sou um homem e você é uma mulher maravilhosa!!! Eu quero você!

INÊS— Não, Loreto, por favor, solte-me! – ela ficou temerosa e já lamentosa suplicou que ele a soltasse.

LORETO— Calma, meu amor... – ele a soltou e a viu afastar-se assustada. – Não disse que eu mudei? Eu não quero assim, sem você me querer.

INÊS— Não devia ter feito isso!Foi um erro ter vindo aqui e eu vou embora! Eu tenho nojo de você! – ela massageou os pulsos em desespero.

Loreto deu uma gargalhada bem longa enquanto observava a expressão dela congelar-se. Ele não deixaria que ela se fosse assim, sem que ele tivesse o que queria.

LORETO— Vou matar o seu querido Vitoriano, Inês! – ele falou com toda frieza que lhe era comum. – Estou te pedindo perdão, te oferecendo o mundo, pedindo para você ser minha esposa, mas você prefere ser a empregada dele! – Loreto se aproximou dela com raiva, todo corpo estava intumescendo com aquela proximidade. – O que ele faz, em Inesita? Ele te come na cozinha? É isso? Por isso você ama aquele maldito, porque ele te come em qualquer lugar?

Loreto sentiu arder seu rosto com o tapa que Inês lhe deu. Ele não tinha nenhum direito de falar com ela daquela forma, não depois de todo mal que fizera a ela e a Vitoriano. E quando se recobrou do ataque de fúria, Inês esperou que ele revidasse, mas Loreto não o fez, não desta vez.

INÊS— Canalha! Como pode falar comigo deste jeito? Você destruiu meu amor com Vitoriano! Você me violentou, me obrigou a casar com você e continuou me maltratando! Até na gravidez de Emiliano, mesmo sendo seu filho, você me maltratou! Você é um canalha!

LORETO— Se você não voltar, vai encontrar o seu amor morto! – ele a agarrou com força pela cintura e a beijou com violência e sem o menor pudor.– Te quero aqui do meu lado, na minha cama comigo!

Naqueles segundos, quanto mais Inês resistia mais Loreto a desejava. O desejo o consumia de tal forma que Inês pôde senti-lo completamente excitado naqueles poucos segundos em que resistia a ele com desespero total.

INÊS— Não! Me solta! – ela gritou empurrando-o com ódio, sentindo os lábios dele buscarem seus seios sob a blusa enquanto as mãos seguravam seu corpo pela cintura, pressionando-o ao dele.

LORETO— Estou com saudades de você, Inês! Há anos que não nos tocamos. – resmungou sentindo o perfume dela em todo corpo e abocanhando o seio esquerdo sob a roupa.

Inês sentiu-se desesperar, seria violentada novamente por ele naquele primeiro encontro entre os dois? Loreto era assim, quando ele queria algo, ele teria, a qualquer custo, a qualquer preço, de qualquer forma.

XX— Inês! – a voz do lado de fora da casa veio acompanhada de dois tiros.

INÊS— Vitoriano? – ela gritou sentindo que Loreto a apertava entre seus braços.– Vitoriano!

VITORIANO— Inês! – ele gritou mais uma vez com força e a voz desesperada já entrando na varanda. – Morenita!

Loreto a segurou pelo braço e a levou com ele até a varanda. Vitoriano sentiu o coração fraquejar quando viu sua amada aos prantos. Que demônios havia acontecido para que ela estivesse chorando daquele jeito? Loreto apontava a arma para Vitoriano e Vitoriano apontava a sua para ele. Os dois estavam dispostos a matar ou morrer.

LORETO— Enfim, nos vemos, maldito Vitoriano!

Vitoriano aprimorou sua mira me direção a ele. Inês sentiu o chão faltar, se Loreto dissesse alguma coisa sobre o passado dos dois naquele momento, Vitoriano o mataria sem pestanejar.

Não queria mais desgraças acompanhando sua vida. Não podia imaginar Vitoriano na cadeia e muito menos como explicar a Emiliano a morte do pai. Precisava ser racional.

INÊS— Por Deus, Vitoriano! Guarde essa arma! – ela implorou tentando soltar-se das mãos firmes de Loreto que agarravam seu corpo contra o dele.

LORETO— Está com medo de que, Inesita? De que seu amor mate seu marido? Não vai sobrar ninguém para esquentar sua cama se morrermos os dois. – Loreto sorriu.

VITORIANO— Cale essa boca, infeliz! Não fale assim com ela! – estendeu a mão para que Inês viesse até ele. Ela foi.

LORETO— Que lindo! O amor nunca morre! – Loreto abaixou sua arma e ficou observando Vitoriano abraçar a Inês que chorava desconsolada.

INÊS— Por Deus, vamos embora!– chorava enquanto falava abraçando-se a ele.

LORETO— Eu ainda não terminei, Inesita!– ele foi sarcástico.

INÊS— Loreto, infeliz, cale essa sua boca!

LORETO— Você já disse a ele que vai voltar a morar comigo, Inês?

Os olhos de Vitoriano buscam os de Inês em desespero, não podia ser verdade, não depois daquela manhã, não depois de todo amor que haviam vivido.

Vitoriano sentiu o corpo recusar a proximidade com Inês e sentiu-se ridículo buscando Inês daquela forma acalorada com se ela tivesse sido sequestrada, quando ela mesma escolhera estar ali.

INÊS— Vamos embora, Vitoriano, por favor, conversamos em casa! – Inês observou o rosto vitorioso de Loreto e sentiu desespero. – Maldito!

VITORIANO— Se voltar a se aproximar de Inês, seu maldito filho de uma puta, eu mato você! – os rostos estavam próximos e os dois gladiavam...– bufou com ódio de Loreto.

Vitoriano segurou a mãos de Inês e os dois caminharam em direção a saída. Um tiro foi disparado... Inês gritou assustada...

JULIANA MARCIA RAMOS AZEVEDO (AUTORA DO ENREDO DESTA FIC)

SENHORA RIVERO TEKILA