Lápide [Poemas]
19 Princesa Gótica
Alvoreça as pedras de zoisita que cintilam com os resíduos de outra noite em solo agreste.
Desperte o templo de prata, esnobado pela enfraquecida luz que o veste.
Eu vim lhe buscar.
Não para lhe puxar ao Sol de lâminas de ouro, cujo a carne lhe corta,
mas para que caminhe comigo onde a quieta Lua impera.
Dessas ruas conheço cada pedra,
desses sibilos, cada nota.
Quero lhe ensinar a domesticar criaturas disformes,
a se agasalhar com o frio,
a dobrar sombras ao seu capricho.
Suba os degraus do trono e reclame a coroa.
Eu lhe intitulo a princesa deste reino.
Quando eu me for, dessas terras você não será sua vítima,
será sua rainha.
Aquela para quem as árvores ão de cantar.
E os pesadelos ão de se curvar.
Mas, na verdade, não.
Não me cabe a capa do heroísmo,
pois não fui eu quem lhe salvou no leito.
Foi você quem veio dormir em meu peito.
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