Lápide [Poemas]
17 [Lápide Paralela] Amarelo
Notas iniciais
Mais uma folha caiu na floresta esta tarde.
Houve críticas, mas pouco lamento.
Perguntaram: Foi a chuva? Foi o vento?
Nenhum dos dois na verdade.
É a árvore que apodrece por dentro,
envenenada pelo próprio alimento.
Enquanto suas folhas nutrem-se da luz da desumanidade,
a madeira definha e os galhos contorcem em desalento.
Insetos se fartam do néctar suculento,
que sangra da veia da comunidade.
Sem presente alarde, chorarão quando for tarde.
Mas a todas as folhas verdes sem tonalidade,
que como eu, pendulam frágeis no firmamento,
peço que segurem firme ante o abeiramento.
Sei que o tempo é cinzento, mas chegará o momento
em que pintarão de amarelo os galhos da posteridade.
Digo com propriedade
Você é o suspiro da sociedade.
Não deixe que a dor lhe acovarde.
Estamos juntos, e a copa que nos aguarde!
As folhas do inverno sobreviverão,
e sopraremos as folhas que semeiam infertilidade.
Nós é que seremos a tempestade.
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