Lágrimas de Pitanga

3 Velhas Pitangas Doces


Abril/1996

“Alexandre Bueno!”

Na sala de aula da oitava série a professora fazia a chamada e assim que falou o nome “Alexandre” os alunos da sala começaram a cochichar.

—Alexandre não vem hoje, gente?

—Professora... –Um dos alunos levantou-se –Acredito que Ale não virá por um bom tempo...

—Por que, Tiago? –Perguntou a professora intrigada-.

Os alunos trocaram olhares mútuos... até que um garoto loiro se levantou da cadeira bruscamente.

—Ele tentou se matar.

—Lucas, você não pode brincar com algo assim! –Falou a professora sem conseguir disfarçar o choque do comentário-.

—Não estou brincando! –Saiu andando e retirou-se da sala-.

—Lucas volte aqui!

Lucas correu para o terraço da escola e deitou-se para olhar as nuvens.

Flashback

—Aquela nuvem parece com você, Lucas –Ale sorria-.

—Hã? Que nuvem e por que? –Questionou-.

—Não sei, só parece , sei lá –Riu-.

—Você é doido, sabia?

—Eu sei haha –Continuou a rir-.

Lucas lembrava-se dos anos que antecediam o período da oitava série. Na quinta, sexta e sétima série, os dois eram melhores amigos e nunca desgrudavam. Outro momento lembrado por ele da sétima série foi quando ambos discutiam a respeito da profissão que gostariam de exercer quando fossem pra faculdade.

—Eu quero ser médico, cuidar e operar corações!

—Nossa! Sério?! Que bom que vou ter você pra cuidar de mim quando eu ficar doente de comer tanta porcaria –Fez uma piadinha olhando-o.

—Deixa de ser bobo! Você vai comer muita salada pra gente viver muito, quando cada um casar, nossos filhos vão até brincar juntos. E você continua querendo ser um escritor?

Por um momento Ale parou e suspirou

—Ale? O que foi? –Perguntou Lucas preocupado-.

—Acho que não vou casar e nem ter filhos, Lucas...

—Ah para com isso! Aposto que você vai se casar com uma mulher muito bonita!

—Eu sou gay, Lucas...

Lucas olhou-o sem saber o que dizer e os dois ficaram em silêncio, então ele olhou para o relógio.

—Olha só, ta na hora de voltar pra sala, o intervalo acabou.

—Pode ir, eu vou ficar mais um pouco... –Falou Ale desviando seu olhar para o céu-.

—Beleza...

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“Não são as frutas que não estão doces, fomos nós que perdemos a capacidade de sentir o seu açúcar natural”