Lágrimas de Amor
4 POV Emmett
Cara! Eu mal podia acreditar! Eu ia ganhar uma irmãzinha! E ela era muito foda! Quando a vi lutando contra aquele vampiro grandalhão, senti como se o veneno corresse por minhas veias. Fiquei empolgado como quando assisto MMA. Ela o fatiou em segundos, como se fosse um pedaço de carne macia. E o que foi aquele poder de fogo?! Uma vampira que controla o fogo? Tem como ser mais legal? Claro que pro meu pai aquilo parecia ser o fim do mundo. Ele via como algo “perigoso” e errado. Mas fala sério?! Que tipo de vampiro não gosta de aproveitar o poder que tem?! Somos imortais! Somos fortes! Quase nada é capaz de nos derrotar! E ele nos tratava como se fossemos frágeis seres humanos. Ok! Admito que às vezes passávamos um pouco dos limites, mas era aí que estava a graça. Ultrapassar limites que a vida humana nos impunha antes. Aquela sensação era a melhor. E aquela garota era livre pra usar todo aquele poder.
Não podia dizer que meus irmãos não estavam certos, em parte. Se ela estava sendo atacada por alguém, com certeza tinha um motivo. E nós havíamos acabado de nos livrar da vigilância chata dos Volturi, agora que a Bella era uma vampira. Finalmente podíamos voltar a viver sem ter que dar satisfações aquele bando de vampiro nariz em pé. Claro que eu também não podia afirmar que aquela garota estava na mira dos Volturi, mas com aquele poder não era tão difícil de se imaginar. E mesmo que eles não estivessem atrás dela, com certeza vários vampiros nômades deviam ficar no pé para que ela se juntasse a eles. E vampiros nômades não são lá o que chamamos de educados. Se ela recusasse não seria surpresa que fosse atacada. Mas isso não importava para mim. Eu realmente me animei ao saber que Carlisle queria adotá-la. Do jeito que ela lutava, com certeza poderia me ensinar várias coisas. Eu sei que o Jasper pode muito bem me ensinar e nós temos nossos momentos. Mas alguma coisa me dizia que ela era diferente. Jasper, apesar de ser excelente lutador, é muito intelectual, muito quietinho, muito maduro. Às vezes chegava a dar tédio. Meus outros irmãos não gostam muito dessas coisas. Bella ainda mede força comigo, mas não entende nada de luta de verdade. Edward fazia mais o estilo atleta. Alice era a boneca de porcelana em forma de vampira. E Rose... Bem, era a Rose, não tinha mais o que dizer. Meu pai, por incrível que fosse parecer, se aventurava a “brincar” de luta com a gente, mas como ele quase não ficava em casa esse era um acontecimento tão raro quanto a mamãe concordar com a brincadeira. Com aquela garota como irmã... Cara! Eu já podia imaginar as lutas que teríamos! E ela ainda tinha uma espada! Tudo bem que meu pai, provavelmente, ia confiscar aquilo assim que ela se tornasse sua filha. Mas ela poderia me ensinar a me movimentar com a espada, mesmo que fosse apenas uma simulação.
Aquelas ideias pipocavam em minha cabeça, enquanto eu e meus irmãos seguíamos para a sala de estar onde havia uma enorme mesa. Era ali que costumávamos tomar decisões em família. Era sempre agonizante ir para aquela mesa. Era muito raro alguém sair ileso daquelas situações. Por quê? Simples! As decisões que tomávamos ali eram as mais sérias e sempre tinha alguém que discordava e acabava fazendo algo que irritasse o papai. Não duvidava nada que fosse acontecer algo do tipo dessa vez. Principalmente porque tinha três contra, fora os outros dois que eu não tinha nem ideia se gostaram ou não da ideia. Mas eu já estava decidido. Se dependesse de mim, aquela garota nem teria ido embora, poderia ficar aqui já de uma vez. Espero que a Alice não fique com ciúmes, mas eu estava disposto a mimar aquela garota. Ela parecia ser mais nova que todos nós. E mesmo sendo uma lutadora tão habilidosa, era tão frágil, tão pequenininha, tão magrinha. Não tinha como não querer colocar ela colo e dar aquele abraço apertado ou, como costumam chamar o meu, um abraço de urso. Mas fico imaginando se ela gosta desse tipo de coisa. Ela parecia bem desconfortável quando papai a abraçou. Bom, se ela entrasse pra família teria que se acostumar.
Sentamos à mesa. Todos estavam com o semblante bem sério. Só eu parecia encarar a situação com excelente humor. Meu pai estava sério e parecia bastante apreensivo. Com razão! Ele parecia querer muito que aquela garota fosse sua nova filha. E ele sabia que se todos não concordassem, mesmo que a decisão final fosse dele, provavelmente ocorreriam vários problemas.
– Muito bem. Vamos direto ao assunto, sabem que eu não gosto de rodeios. Eu pretendo adotar aquela menina. – disse meu pai.
– Mas pai, você... – Bella começou a falar, mas foi interrompida por meu pai, que apenas levantou a mão para que ela parasse.
– Eu ouvi muito bem sua opinião, meu docinho. E você terá sua chance de me explicar o motivo dela. Mas agora eu gostaria de ouvir seus irmãos que ainda não se manifestaram. – meu pai virou-se para mim, Jasper e Alice. – Vocês três poderiam me dizer o que acham? – Jasper deu a entender que queria falar. – Pode falar, Jasper.
– Pai, eu queria dizer que não sou contra. Também sou adotado e devo dizer que foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Tenho certeza que essa também será a melhor coisa na vida daquela garota. Mas não é só por isso. Quando vocês estavam conversando, eu ativei o meu poder. Fiquei curioso para saber que tipo de sentimentos aquela garota possuía. Quando eu olhei naqueles olhos, eu me reconheci nela. São olhos assassinos, mas de quem mata por não ter escolha, assim como eu antes de entrar para essa família. Claro que só de olhar naqueles olhos eu não podia afirmar isso. Mas assim que ativei meus poderes, eu tive certeza. Ela emanava tristeza. E não era algo raso, era uma tristeza profunda. Como se sua vida fosse completamente um peso. Senti que ela preferia a morte. E, de certa forma, isso mexeu comigo. Senti vontade de mostrar a ela que, mesmo sendo vampira, mesmo tendo sido forçada a matar, ela ainda pode ter um futuro feliz ao lado de pessoas que a amem. E eu não consigo ver ninguém melhor que a gente para fazer isso.
Meu pai ficou em silêncio, como se analisasse as palavras de Jasper. Eu não tinha aquela habilidade, mas também percebi que ela parecia depressiva. E agora que Jasper falou, eu tive certeza.
– Obrigado, meu filho. –disse meu pai. – Alice?
– Paizinho, eu tenho a mesma opinião que o Jasper. Também tentei visualizar algo do futuro dela e tomei um susto. Ficou tudo escuro, não consegui ver nada. E só existe uma explicação pra isso, ela não toma nenhuma decisão sobre o futuro. Vive como um animal que segue seus instintos. É quase impossível viver assim, como se fosse um corpo sem alma. – nesse momento os olhos de Alice se encheram de veneno e Jasper a abraçou. – É muito triste, paizinho. E não tem ninguém melhor que você pra mudar isso.
Cara, ver meus irmãos falando assim, até me fez pensar que meus motivos eram bem idiotas. Mas eu não tinha aquelas habilidades que me permitiam ver além do que se aparenta. Não podia dizer que tinha culpa por ter motivos tão “bobos”.
– Emmett? – disse meu pai me chamando a atenção.
– Ah! Você sabe que no coração desse grande urso aqui sempre cabe mais um! – falei abrindo os braços e dando um grande sorriso. Meu pai sorriu comigo. – Por mim aquela garota já é da família. Pode trazê-la quando quiser.
Meu pai novamente abaixou a cabeça, apoiando-a nas mãos fechadas. Parecia considerar algumas coisas. Quando levantou a cabeça, ele olhou para mim, Jasper e Alice com um enorme sorriso.
– Vocês não sabem como as palavras de vocês me deixa contente. Muito obrigado, meus filhos.
– São uns puxa-saco. – disse Rose e meu pai fechou a cara na mesma hora.
– Rosalie! Não fale assim de seus irmãos! – disse minha mãe.
– Muito bem, já ouvi a opinião de todos. Agora darei a chance de vocês três explicarem a opinião que vocês não fizeram a menor questão de esconder naquele momento tão oportuno. – meu pai olhava para Rose, Edward e Bella e suas palavras estavam carregadas de ironia. Isso significava que ele estava começando a ficar irritado. – E já vou avisando que não vou aceitar explicações sem uma base de argumentação sólida. Quero motivos descentes! Nada de “eu não quero outra irmã, não precisamos de mais gente na família”, — meu pai imitava nossas vozes de maneira bem infantil. – Isso para mim só demonstra um ciúme totalmente exagerado. E também não vou tolerar nenhuma falta de educação! Aprendam a expor a opinião de vocês de maneira civilizada. Entenderam? – meus irmãos afirmaram com a cabeça. – Muito bem, podemos começar com você, Edward.
Fiquei imaginando que tipo de desculpa Edward daria. Todos sabiam que ele era o que mais tinha ciúmes do papai, mas ele não poderia usar aquilo para argumentar, nisso meu pai foi muito claro. Então o que ele poderia dizer?
– Eu acho que você está se precipitando, pai. Eu entendo que você tenha se apegado àquela garota por conta do sofrimento que ele aparenta ter passado, mas você sequer a conhece. Pai, ela não é uma vampira qualquer! Eu também tentei usar meus poderes e ler os pensamentos dela. E, cara, não consegui ler nada! Você sabe muito bem que é impossível que uma pessoa consiga bloquear meus poderes, assim, de primeira. Até você demorou a aprender a fazer isso. Ela realmente não é como nós! Não sabemos nada sobre ela!
Eu fiquei boquiaberto. O Edward até que usou um argumento bastante sensato. Realmente não sabíamos nada sobre ela. Nem sequer sabíamos seu nome. E ela apareceu aqui sendo perseguida por outro vampiro, que matou sem nenhuma piedade. Ela chegou a apontar a espada para nosso pai. Entendo o motivo de Edward, mas não concordo totalmente. Carlilsle também não conhecia nenhum de nós quando nos adotou, exceto Edward e Esme. E mesmo assim o fez. Rose, por exemplo, ele poderia ter deixado morrer. Mas não só a transformou como a acolheu. Ele não precisava de nenhum de nós, já tinha Esme e Edward. Se seu objetivo era apenas ter uma família, aquilo já bastava. Mas ele adotou mais cinco filhos. E mesmo sendo todos diferentes, mesmo não nos conhecendo muito bem, ele nos cativou de tal forma que aceitamos ser seus filhos e nos submeter as suas regras. Era por esse motivo que não importava o fato de não a conhecermos. Com certeza nosso pai daria um jeito.
– Entendo seu ponto de vista, Edward. Mas o meu objetivo é conhecê-la. Afinal, eu não vou poder ajudar enquanto não souber exatamente quem ela é. Foi assim que fiz com todos vocês. Eu só pude fazer algo de fato, após conhecer cada um de uma maneira profunda. Se eu consegui com vocês, tenho certeza de que com ela não será diferente. – disse meu pai, calmamente.
– Mas pai, ela não é como nós! – Edward não queria dar o braço a torcer.
– Você não pode afirmar aquilo que não sabe, meu filho. Ela pode ser diferente, como também pode não ser. Só porque ela aparenta ter um poder incomum, não significa que ela não possa ficar conosco. Você, melhor do que ninguém, deveria saber disso.
Edward ficou calado. Não tinha continuar argumentando depois daquilo. E ele não seria nem doido de fazer uma birra com o meu pai calmo daquele jeito. Seria pedir pra apanhar.
– Rose? O que tem a me dizer?
– Eu não concordo com sua decisão! Será que não podemos ter um pouco de paz? Acabamos de nos livrar de um problema e você já quer nos enfiar em outro! Pai, ela estava sendo perseguida por um vampiro e o matou como se fosse algo comum! Dá para imaginar como isso deve ser frequente? E pelo o que aquele vampiro falou, ela é algum tipo de lenda. Isso significa que muitos outros a conhecem e virão atrás. Pai, acabamos de sair daquele inferno por conta da decisão de trazer a Bella pra nossa família! Sinceramente, até quando vai continuar nos metendo nessas furadas? – Rose falava bem revoltada.
– Rose, em primeiro lugar, cuidado com o que você fala. É verdade que passamos algumas dificuldades... – Rose interrompeu meu pai.
– Algumas? Pai, acorda! Quase batemos de frente com os Volturi! Você chama isso de algumas?
– Rose, entenda. Não há como conseguirmos uma vitória sem que haja batalhas. Sim, passamos por dificuldades para trazer Bella a essa família, mas não me arrependo de nada. Passaria tudo de novo só para ter o prazer de poder ver sua irmã aqui conosco. Não fale como se não tivesse valido a pena!
– Eu não quero que vocês passem por aquilo de novo. – dessa vez Bella resolveu se pronunciar.
– Meu docinho...
– Não pai! Eu não quero que vocês passem toda aquela tormenta de novo! Eu fui egoísta pedindo para vocês me transformarem em vampira, não medi consequências e vocês viveram todo aquele inferno só por minha causa. Eu não quero que aquilo se repita! – Bella parecia bem angustiada com a ideia.
– Bella, me escuta... – meu pai foi interrompido de novo.
– NÃO!! ESCUTA VOCÊ!! EU NÃO VOU ACEITAR ISSO!!
Bella levantou-se bruscamente da cadeira e começou um escândalo. Meu pai apenas apertou a ponte do nariz, como se procurasse paciência.
– Bella, acalme-se. Escute o que seu pai tem a dizer. – disse minha mãe.
– NÃO VOU ME ACALMAR PORRA NENHUMA!!
– Tome cuidado com essa boca, mocinha! Com quem você pensa que está falando? – meu pai usou aquele tom assustador que mostrava que sua paciência estava prestes a se esgotar.
– EU ESTOU POUCO ME FUDENDO PRA MINHA MANEIRA DE FALAR!! VOCÊS NÃO VÃO ME OUVIR MESMO!!
Bella saiu correndo para o quarto e bateu a porta. Cara, aquilo tinha sido uma péssima decisão. Mas, por incrível que pareça, meu pai permaneceu sentado.
– Escutem bem o que eu vou dizer. Eu não vou aceitar essa explicação. Vocês falam como se tudo que passamos tivesse sido perda de tempo. Volto a dizer: não me arrependo de nada que fizemos para que a Bella fizesse parte dessa família. E não me arrependerei de nada que fizermos por aquela garota. Sei que estou pedindo muito, sei que é uma situação complicada. Mas não pediria se soubesse que não damos conta. Eu confio em cada um de vocês e gostaria que vocês confiassem em mim também. Pensem um pouco na situação dela. Ela não tem ninguém em quem se apoiar. Provavelmente está sendo perseguida e, como você mesma disse Rose, deve ser algo com bastante frequência. Quantas vezes ela não se machucou e não tinha ninguém que pudesse cuidar dela?! Vocês sabem que o meu dom é a compaixão, coloquem-se no meu lugar. Não consigo ver algo assim e permanecer indiferente. Tentem ser menos egoístas! Não foi isso que eu ensinei para vocês!
Houve um silêncio depois disso. Meu pai suspirou profundamente.
– Vou encerrar essa discussão aqui. Até porque tenho algo a resolver com a senhorita esquentadinha. Mas esse assunto ainda não acabou, fui claro?
Todos afirmamos com a cabeça e meu pai se levantou. É, a Bella tava ferrada.
Continua...
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