Lágrimas Na Escuridão

5 Revelações do passado


Notas iniciais
Pessoal, meu computador havia estragado e fiquei um longo tempo sem ele, pois mandei arrumar, desculpem-me a demora mais uma vez, espero que gostem. Boa leitura :)

Acompanhei Alice até o hospital e no caminho até lá, liguei para Esme- mãe de Alice-informando o ocorrido- exceto a parte da gravidez- e ela respondeu que iria imediatamente até lá.

– Meu bebê- balbuciou Alice dentro da ambulância.

Assustei-me com aquelas palavras e olhei na direção de onde ouvi aquela voz.

–Não posso perdê-lo- disse entrecortando.

–Acalme-se Alice, está tudo bem- respondi com o intuito de acalmá-la.

Chamei a enfermeira, que logo em seguida, injetou uma dose de remédios através da veia.

No hospital

– Ela está bem- informou-nos o médico- perdeu uma quantidade significativa de sangue, mas temos algumas bolsas reserva, que felizmente são compatíveis com o tipo sanguíneo dela, então não há problema com relação à isso- fez uma pausa para olhar sua prancheta e acrescentou- fraturou a perna, então deve ficar de repouso por aproximadamente um mês e lamento dizer que com a batida do carro, sua filha perdeu seu feto- disse olhando para Esme que estava ao meu lado- que tinha cerca de duas semanas.

– Feto? Ela estava esperando um filho?- perguntou Esme abismada- ela não me contou isso, deve ser um engano doutor.

– Lamento dizer, mas não, os exames são verdadeiros. Dentro de algumas horas, quando ela acordar, permitirei a entrada de visitantes no quarto onde ela se encontra, se me derem licença, tenho que atender outros pacientes- disse apressadamente e saiu deixando-nos a sós, em um silêncio insuportável.

Esme pôs as mãos em seu rosto e começou a chorar convulsivamente.

– Você sabia, não é mesmo?- perguntou bruscamente para mim.

Nunca soube mentir, e se o fizesse naquele momento ela iria perceber isso, então decidi contar a verdade.

– Sim, ela me contou- disse com ar de choro.

Ela fuzilou-me com o olhar e saiu em direção ao corredor.

Saí do hospital, pois estava muito abalada com tudo aquilo e fui em direção à rua do restaurante onde estava estacionado meu carro. Entrei nele e dirigi rumo à casa de meus pais, situada do outro lado da cidade, porque precisava de um momento em família.

Peguei as chaves de casa dentro da minha bolsa e destranquei a porta silenciosamente.

–Nós temos sidos pais bons para ela não é mesmo Tom? Sinto tantas saudades dela depois que se mudou para aquele apartamento- ouvi minha mãe falando e não ousei fazer qualquer barulho para anunciar minha presença ali, queria ouvir o que ela tinha para dizer- Mas eu me sinto tão culpada às vezes, entende? Ela poderia ser mais feliz se...

– Não comece esse assunto de novo querida, nós não temos culpa do que aconteceu, fizemos o melhor que pudemos...

– Nós causamos o acidente dos pais dela naquela noite horrível e depois fugimos, foi o melhor que fizemos?- perguntou exaltada.

Meu estômago se revirou com o choque daquelas palavras ao serem pronunciadas por minha mãe... minha mãe... não acredito, foi por culpa que ela me adotou e não por amor... culpa, ela causou a morte de meus pais, isso é um pesadelo e aposto que daqui a pouco vou acordar em meu apartamento e nada disso terá acontecido: o acidente, meus pais, nada. Belisquei meu braço a fim de ter certeza que não era um pesadelo e constatei que era real, real.

Flashblack on

– Isabella, você tem muita sorte de um casal simpático como este querer te adotar, pois geralmente, as pessoas procuram adotar bebês com poucos meses de vida- disse calorosamente uma funcionária do orfanato.

– Eu gostei muito deles, são legais- respondi animada- finalmente depois de dois anos nesse orfanato, encontrei um lar.

Flashback off


Meu celular começou a tocar dentro de minha bolsa, mas parece que todos os membros de meu corpo ficaram paralisados pelo choque daquilo tudo, o relógio parece que parou de girar, eu estava ofegante e tudo o que mais queria naquele momento era desaparecer, pois nesses últimos minutos descobri que minha vida inteira é baseada em mentiras, é uma farsa. Eles não me amam, nunca me amaram, me adotaram porque sentiram remorso.


Meus “pais” olharam para a porta onde eu estava e tomaram um susto. Joguei minha bolsa no chão e meu celular parou de tocar.

– Vo-vocês- gaguegei- não, não é possível- meus olhos encheram-se de lágrimas- mataram meus pais...

– Não é o que você está pensando filha- disse Tom evidentemente nervoso.

– Então é o que, ãn? Estou surda agora? Entendi cada palavra que vocês disseram.

– Nós fizemos o melhor que pudemos filha- respondeu ele angustiado.

– Matando meus pais e fugindo- gritei desesperada- Como vocês foram capazes de fazer uma coisa dessas?

– Filha, nós te adotamos e fizemos o melhor que pudemos, te amamos...

– Não ouse me chamar de filha! Mentiras , mentiras- repeti em voz alta- vocês me adotaram por culpa e não por amor, digam a verdade ao menos uma vez na vida! Eu mereço saber o que aconteceu com meus pais!- gritei dividida entre a raiva e tristeza.

– Estávamos voltando de nossa festa de casamento, estávamos indo para a casa de Tom, aproveitamos a festa e bebemos- Hellen explicou com lágrimas em seus olhos- eu estava dirigindo e Tom estava ao meu lado, bem eu atravessei a pista e o carro de seus pais desviaram do meu e depois... Bom, depois o carro deles capotou várias e várias vezes. Foi muito rápido, nós estávamos bêbados, mas parei o carro em um acostamento e descemos para ver se haviam sobrevivido ao acidente, mas quando chegamos lá, vimos que não. Havia sangue por todo lado e então, fugimos do local porque nós estávamos casados à dois dias e não queríamos terminar o resto de nossas vidas na cadeia- disse apressadamente.

– Depois de dois dias, vimos a notícia do acidente em um jornal- continuou Tom- entramos em desespero, pois estava escrito que eles tinham uma filha que foi mandada para um orfanato devido à morde dos pais. Sentimo-nos culpados e então, entramos com um pedido de adoção que demorou dois anos para ser efetuado- afirmou Tom com uma tristeza profunda.

– Bella, nós te amamos, nos perdoe por favor.- implorou Hellen.

– Não sei mais em quem devo confiar, não sei mais quem eu sou- disse sentindo-me vazia.

Então aquele pressentimento ruim era sobre isso- pensei em seguida- que ironia do destino.

– Bella, por favor, nos entenda, no início fizemos aquilo por culpa, mas depois que você apareceu, iluminou nossas vidas, trazendo alegria e esperança, passamos a amar você, acredite- pediu Tom.

– Vocês deveriam ter assumido a culpa, deveriam estar na cadeia neste momento e pagando pelo o que fizeram. Vocês fazem a remota ideia do quanto eu sofri com a morte dos meus pais? Do quanto me senti um lixo naquele orfanato, desprezada por todo mundo e me culpando pela mote dos meus pais? Fazem ideia do quando eu queria morrer a partir do momento que soube do acidente? Do quanto me senti sozinha e rejeitada pelas pessoas?Podem deixar que eu mesma respondo: não, não sabem e nunca saberão, porque vocês são pessoas insensíveis que não respeitam e não tem o mínimo de consideração com as pessoas que estão a seu redor. Vocês se preocuparam com o fato de passar a vida inteira isolados em uma prisão por algo que fizeram ao invés de se preocuparem com as pessoas que magoaram e arruinaram. Tenham certeza de uma coisa: eu jamais perdoarei vocês pelo que fizeram.- disse isso com uma tristeza profunda, peguei minha bolsa e saí daquele lugar que ficara imaginado quando jovem que era meu novo lar.

Notas finais
Reviews?