Lágrimas Do Passado

1 Capítulo 1 - O início



Olho ao redor, branco. Onde estou? Procuro algo naquele mundo só de uma cor, finalmente encontro alguma coisa colorido... Espere um pouco! Não... Não pode ser... Será que era...?
– Lucy?
Era ela! Estava de costas para mim, vendo apenas o cabelo caído sobre suas costas, a antiga roupa que tanto gostava. Tinha certeza que era ela. Corria, com lagrimas quase fluindo em meu rosto e gritando o nome dela. Mas paro ao ver o chão, logo abaixo dela. Pingos vermelhos... Não, sangue. Ainda caindo pouco a pouco.
– Lucy?
Ela se virou, agora sim que vejo de onde vinha aquelas manchas... No abdômen da Lucy estava com um ferimento fatal. A cabeça inclinada em seu ombro direito com a face assustadoramente morta.
–Natsu, tudo culpa sua...
–Não...
Os olhos dela, já sem os mesmo brilho de antigamente. E a boca, havia um rastro de sangue escorregando para o lado que ela estava inclinando.
–Você me...
Um som veio de outro mundo, me tirando daquele lugar.
"Briiiiiimmmmm! Briiiiimmmmmm!"
Levanto-me assustado, percebo que estou em meu quarto. Quer dizer que foi apenas que foi apenas um sonho?
Olho para o lado, vejo meu irmão, Gray, roncando. Por mais que sejamos diferentes, ele é meu irmão, infelizmente. O som continua, e mais alto, pego o despertador da cabeceira. Desligo-o. Encaro o "roncador" do meu lado e atiro o objeto da minha mão nele, acertando-o na cabeça. Ele acorda logo procurando encrenca.
–Quem? Quem foi o maldito que... Natsu!
–O que?
–Que ideia foi essa?
–Que ideia?
–De jogar o relógio em mim!
–Que relógio?
–O que você jogou na minha cabeça!
–Ah, aquele?
–Sim, aquele.
–Aquele lá?
–É, ele mesmo!
–O que tem ele?
–Você jogou ele na minha cabeça!
–Sua cabeça?
–Sim! Minha cabeça!
–A cabeça em que estou apontando?
–Sim! Que está grudada no meu pescoço!
–O que tem ela?
–Você jogou o relógio na minha cabeça!
–Que relógio?
–Aquele!! Agora responda a única pergunta que te fiz.
–Ah... Pode repetir? Esqueci a pergunta.
Meu irmão me encarou sério, adoro brincar com ele.
–Por que diabos você jogou isto na minha cabeça?
–Hum... Sei lá. Deu vontade.
De novo, ele me encara. Porém dessa vez mais sério que o normal.
–Da próxima vez que me acordar, invés de um despertador, jogue um balde com água fria. Água dói menos, sabia?
Fiquei calado.
–Vou dormir mais 5 minutos, me acorda daqui a pouco.
–Ok, ok.
Fiquei pensando sobre meu sonho, se aquilo podia se chamar de sonho. Já tinha se passado cinco minutos, desci as escadas, passei pela cozinha onde a cozinheira da família estava preparando o café da manhã.
–Bom dia, Natsu-sama. Já acordado?
–Sim.
Peguei o objeto que tinha em mente. Um pouco antes de subir de novo. A senhora que havia me perguntado antes, me perguntou de novo. Caramba! Quantas perguntas já respondi até agora?
–Onde você vai com esse balde?
Demorei um pouco, aí respondi.
–Acordar um idiota!
Subi as escadas com o máximo de cuidado. Cuidado, uma coisa que eu não tenho muito. Passei pela porta, tentando não fazer nenhum barulho, sentei em minha cama e joguei o balde com água no Gray, literalmente.
–Ai!! Natsu!! Por que diabos você me acordou com um balde na cabeça? Sabia que doeu, idiota?
–Você que pediu.
Oras, ele pede para ser acordado com um balde, depois briga comigo por causa disso?
–Enfim, você vai para aula hoje?
Perguntado daquele jeito, parecia que já até sabia da resposta. Pensei um pouco e logo respondi, fazia um tempo que não ia, uma ou duas semanas, acho que tenho faltado muito desde um dia... Aquele dia.
–Sim, desta vez.
Interrompi meu pensamento sobre um dia um pouco distante com aquela frase. A pessoa ao meu lado quase caiu da cama de susto... Ou de fingimento.
–O que?! Natsu estou surdo ou você vai mesmo para aula?
Revirei meus olhos como resposta.
–Espera, você não pretende brigar com ninguém, não é?
–Não.
–Nem com o Loke por ele ter derrubado seu sanduíche da última vez que você foi lá, certo?
–Era meu sanduíche de pimenta! Pimenta! Quem derruba um sanduíche de pimenta?
–Pelo jeito, o Loke.
–Enfim, apenas quero dar um "oi" para a galera e passar em um lugar na volta.
–Que lugar?
–Não te interessa!
Na verdade, ele já sabia onde eu iria, sempre vou para lá quando volto da escola. Descemos para tomar o café da manhã, estava morto de fome. Terminamos de comer, nos despedimos da cozinheira, pelo jeito Gray não foi o único a ficar surpreso por eu estar saindo de casa. Também me despedi do meu gato, que o mesmo também ficou surpreso.
Logo chegamos na classe. Muitos falam meu nome com surpresa, outros vieram me cumprimentar e outros com algumas perguntas.
–Natsu, quer dizer que você não morreu?
–Não, Loke! Seu idiota! Por que iam achar que eu havia morrido?
–Sei lá! Todo mundo estava suspeitando. Faz quase um mês que você não vem para a escola!
–Um mês? Pensava que era no máximo duas semanas!
–Você tem faltado muito desde que a Lu...
–Calado!
Não apenas o Loke, toda a classe havia se calado. Não agüentei, não gostava quando falavam dela... Por sorte, meu irmão quebrou o momento tenso naquela hora.
–Idiota! Não comece a gritar do nada!
Logo depois de dizer isso, ele deu um tapa na minha nuca.
–Gray, você não é minha mãe para falar o que eu posso fazer!
Logo entramos em briga, alguns diziam "Começou de novo", outros ficavam na torcida para ver que ganhava. O que foi impossível pois a professora chegou estragando a melhor hora da briga.
As aulas foram, na maioria, chatas. Algumas me impressionavam até, como na aula de matemática em uma expressão eu encontrei um número, algo raro. Já na aula de biologia, tínhamos que misturar uns troços lá. Sem dúvidas eu errei. O líquido meio que pulou do potinho, algumas gotas começaram a sair um pouco de fumaça assim que caíam na mesa, que ficou um local deformado onde elas tocaram. Hum, deve ser normal.
Ao chegar o fim das aulas, já estava escurecendo. Não voltei junto com o Gray, fui para o lado oposto, passei em uma floricultura peguei algumas rosas. A vendedora me perguntou algo.
–Para a namorada?
–Não, para uma amiga... Uma que sinto muita falta.
Assim saí passando por vários lugares, cheguei em um especial, perto da igreja. Fui direto para um certo túmulo. Coloquei as flores sobre ele.
"Lucy Heartfilia", encarava o nome naquela lápide, que saudades dela. E o pior é que nem pude evitar aquilo acontecesse. Me sentei, ainda encarando o nome, relembrando dos momentos.

"–Natsu! Não come meus biscoitos!

–Por quê?

–Porque são meus!

–Eram!"

"Lucy, por que você está chorando?

–Por que você deve me odiar agora... Espera, Natsu... Você está chorando?

–Sim.

–Por que?

–Porque você acha que eu te odeio."

"–Natsu!!! O que você fez com meu cabelo?!

–Pintei de verde! Não está vendo?

–Kyaaa!!!!

–É um problema?

–Lógico! É meu cabelo!"

"–Lucy, por quê você não vai?

–Não está vendo? Estou doente, idiota!

–Hum, então também não vou.

–Hã? Por que?

–Por que vou ficar com você!

–Você é um bom amigo Natsu.

–E também eu estou sem grana para ir"

–Lucy, se lembra quando a gente virou amigos? Quando nós estávamos no primário...
– Falava pensando se ela conseguia me ouvir e lembrar daquele dia, o mesmo em que a conheci.

"–Natsu! Não é certo roubar maçãs da tia Porlyusica!

–Ela nem vai perceber se pegarmos algumas! Agora só não me deixa cair!

–Você é meio idiota, sabia?

–E você é meia estranha, sabia?

–Não sou!

–O que os pirralhos estão fazendo no meu quintal!?!

–Corre, Lucy!

–Aqui, Natsu!

–Essa foi por pouco. Por que você me ajudou?

–Oras, somos amigos, não é? Amigos ficam até o fim das confusões, certo?"

–Até o fim... Fim. Esse era o fim que você disse? A vida é estranha mesmo, como você era.

Ri com desgosto, esperando de algum jeito, ouvir uma voz falando "Eu não sou estranha".

Olho para o meu lado, avisto algo dourado e brilhante. O pego com cuidado, é um relógio de bolso, até que é bonito. A tampa, estampada a cara de um dragão, na borda está escrito "Será que tu podes mudar o passado?".

Se eu posso mudar o passado? Como assim?
Lógico que logo em seguida, abri o relógio. Apenas vi um clarão. E mais nada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.