Lágrimas De Sangue

5 Capítulo quatro (Eu vejo Você)


Notas iniciais
Oláaa meus leitores, obrigada pra quem comenta e favorita e me incentiva a continuar! infelizmente esse cap tá curto mas o proximo prometo que vou me dedicar mais! Boa leitura!

Após certo tempo que caminhávamos em direção à sala do trono, lembrei-me que havia algumas dúvidas que decidi pôr em questão aproveitando do momento de silêncio e a companhia de Sans. Quem mais poderia saber dos segredos daquele mundo a não ser aquele que existia fora do espaço-tempo?

—Sans... Posso perguntar uma coisa? – Interroguei, virando-me para o albino e fazendo com que ele parasse de andar, fitando-me com um olhar curioso.

—Já perguntou, mas pode perguntar novamente. – Disparou com um ar irônico. Não importava qual era o mundo ou linha do tempo, Sans sempre seria aquele comediante misterioso que tinha todo o conhecimento do universo em seu crânio.

—Engraçadinho. – Meu tom de voz era impaciente – Pode me dizer o que houve nesse mundo? Porque todos que eram monstros agora são humanos com magia?

—Depende, quando você me paga? – Brincou. Ele aparentava estar mais leve e despreocupado quanto a minha presença, talvez porque tenha me visto chorar como um bebê no quarto, nenhuma assassina ou espírito maligno demonstraria seus sentimentos daquela maneira.

—É sério, Sans! Eu estou confusa, acordei do nada em uma cama de flores douradas em um mundo onde eu deveria estar morta! Por favor, me explique. – Supliquei. Meus olhos já estavam começando a marejar, não aguentaria mais viver em meio à confusão, eu já estava sendo forte demais em não ter surtado.

—Até posso te contar algumas coisas, mas outras tenho que manter em sigilo pelo bem desse mundo. – Assinalou. Eu apenas concordei com um aceno positivo, então Sans continuou. – Nós nem sempre fomos humanos, sabe?

—Sério? E o que houve? – Perguntei. Estava curiosa para saber o desenrolar daquela história.

—Não posso te contar muita coisa. – Reafirmou – O rei enlouqueceu depois de sua morte, juntamente com a rainha e também Asriel, este foi o que mais sofreu com isso.

Eu apenas assentia e esperava para que Sans continuasse.

—O rei então declarou uma guerra sangrenta contra os humanos, era matar ou morrer, ele dizia, mas isso é quase a mesma coisa que aconteceu em outras linhas do tempo. – Afirmou – Mas, depois disso algo mudou, ao invés dos monstros odiarem o inimigo, eles sentiram inveja, então da noite pro dia todos desejaram ser um humano, diferente das outras linhas do tempo, que o povo insistia para que o rei se vingasse.

Sans deu uma pausa para pensar, e então continuou.

—O cientista real da época já era louco pela determinação humana, ele mesmo já injetava determinação em alguns monstros, dando alguns resultados assustadores. Mas, no caso de nos tornarmos humanos, era algo simples, apenas precisávamos de corpos, então o cientista real usou de sua magia para incorporar nossas almas em corpos humanos, mas isso não significa que tenhamos almas fortes e humanas, ainda temos nossa essência fraca. – Finalizou.

—Então vocês abandonaram o subsolo? – Perguntei. Minha curiosidade crescendo cada vez mais.

—Sim. Uma barreira havia sido construída pelos humanos, mas nós fizemos como todas as outras vezes, procuramos almas humanas para que assim pudéssemos quebrá-la, e conseguimos, de alguma maneira a barreira desse mundo era muito mais fraca que a dos outros, então apenas três almas humanas bastavam. – Afirmou – Quando chegamos às terras humanas, nos aceitaram de braços abertos, visto que tínhamos um corpo humano. Todos nós havíamos dito que éramos refugiados de um país em guerra civil, enfim, acreditaram. Toriel e Asgore se tornaram facilmente rei e rainha dessa aldeia, por serem muito bondosos e gentis, além de afirmarem que aqui precisava de alguém que governasse.

—Todos parecem muito bem adaptados aqui. – Declarei — Todos pareciam muito felizes, até fizeram uma cópia perfeita do subsolo.

—Não muito, nossa magia não é bem tolerada aqui – Afirmou – Enfim, matou a sua curiosidade?

—Não totalmente, tenho outras perguntas – Pulei de entusiasmo. Queria resolver todas as questões e duvidas que eu tinha sobre aquele mundo, não poderia deixar nada passar, nunca se sabe quando eu ficaria sozinha com Sans novamente.

—Agora não Kid, temos que encontrar sua cabrinha – Disse com um ar zombeteiro.

—Asriel não é uma cabrinha! – Bradei.

—Ele era – Afirmou.

Decidi ignorar e seguimos o caminho. Eu mal esperava pela hora em que iria poder abraçar Asriel, acabar com toda aquela saudade que estava me sufocando, que estava doendo bem no fundo da minha alma. Perguntava-me se eu teria coragem de me confessar para ele, se conseguiria demonstrar meu verdadeiro amor, mas visto que ele já não mais me conhecia, seria inútil nutrir sentimentos que não seriam recíprocos. Quando eu ainda era irmã de Asriel na outra linha do tempo, sempre passávamos o dia inteiro juntos, então isso ajudava para que fosse algo recíproco. Estar ao lado dele era algo tão bom, tão agradável, um ser tão covarde e chorão conseguiu fazer com que meu coração de pedra amolecesse ao extremo, eu até já não me reconhecia mais, quem era Chara? Eu já chegava a sentir vergonha de mim mesma, como pude afastar as pessoas que mais me amavam quando elas apenas queriam me fazer feliz? Como pude ser tão grossa ao ponto de afastá-los? Eu terminei sozinha, doente e em uma cama esperando a morte, e a culpa era toda minha.

—Planeta terra chamando Chara – Sans me chamava enquanto sacudia uma de suas mãos em frente ao meu rosto.

—Huh?

—Chegamos, essa porta leva ao trono, e todas as outras são alguns quartos, tanto de empregados quanto da sua cabrinha, ele deve estar em algum desses ai – Afirmou. Senti minhas bochechas corarem e meu coração acelerar de uma maneira desesperada.

—Não chama ele de cabrinha! – Bradei. Pisei duro no chão, o que pareceu chamar a atenção de uma empregada que varria o local, a mesma olhava para mim com os olhos arregalados, aparentava não estar acostumada com barulho.

—Hey, parece que você chamou a atenção da Tsunderplane – Sussurrou para mim.

—Aquele avião chato, é ela? – Sussurrei de volta.

—Sim, vem cá – Sans me puxou pelo pulso, parecia estar me levando para a sala do trono.

Assim que Sans abriu a grande porta que levaria à sala do trono, senti uma adrenalina correr por minhas veias, não era apenas o rei que estava lá, Asriel também estava. Este conversava com seu pai com o tom de voz cansado, murmurando algumas coisas indecifráveis, aparentando estar doente.

Asriel era albino assim como Sans, o que diferenciava os dois era sua altura e seus olhos brilhando em um tom verde claro, algo que me recordou seus tempos de criança, quando aqueles grandes olhos enchiam-se de lágrimas e meu coração amolecia. Apesar das recordações, não me lembrava em nada o pequeno monstro que antes era meu irmão, ele já estava quase em sua fase adulta e seu corpo mostrava muito bem isso, já não era mais o meu pequeno.

—Filho, por favor, fale mais alto, não consigo entender – O rei parecia suplicar, este também aparentava estar muito cansado.

Asgore era um grande homem, até mais alto que a própria Toriel, seus cabelos eram loiros como em sua forma de monstro, seu corpo era digno de um guerreiro de Esparta, como quem estivesse pronto para qualquer batalha a qualquer momento. Apesar da aparência grotesca, ele mantinha a expressão gentil de sempre.

—Que droga pai, eu disse que... – Sua fala foi interrompida pelo olhar assustado do rei em direção à entrada – O que houve?

Asriel então se virou para contemplar o que havia assustado seu pai, deparando-se comigo. De primeiro momento ele apenas abriu a boca em um perfeito “O” e arregalou os olhos assim como o rei, mas depois ele começou a se arrastar para trás, balançando a cabeça de maneira negativa, como quem estivesse desacreditado.

Então pudemos ouvir um grito estridente, Asriel berrava palavras como “Sai”, “Fantasma”, “Demônio”, enquanto se debatia e Asgore tentava inutilmente acalmar seu filho. Eu esperava qualquer coisa, menos essa reação dele. Com isso, minha determinação havia ido embora. Ajoelhei-me no concreto frio daquela sala sentindo meu coração em pedaços, enquanto as lágrimas escorriam como um rio de meus olhos. Sans apenas observava tudo calado, como quem soubesse que aquilo iria acontecer, mas não permaneceu muito tempo apenas quieto Abaixou-se para me consolar, e assim percebi que eu iria passar por uns maus tempos.

Notas finais
Até o proximo capitulo e não se esqueçam do comentario *_* beiijuus