Lá vem o sol
1 E logo, a primavera chega
Notas iniciais
Bem, essa fanfic foi para o Desafio Fanfics na tag "Dsetembro2019" dentro do Spirit Fanfics, cuja a temática que eu deveria abordar era "amor de primavera", espero que tenha ficado bom.
Foi feita e levemente inspirada pela ideia da música "here comes de sun" dos Beatles, além de uma outra fanfic que se baseia em músicas destas épocas.
música: https://www.youtube.com/watch?v=sr4JsG1m0OI
fanfic: http://fics.me/15818033
Aulinha básica de linguagem das flores por aqui, mas apenas com aquelas que realmente coloquei com a intenção de combinar com o significado:
camélias vermelhas = amor;
camélias brancas = esperança;
tulipas amarelas = amor incorrespondido.
Espero que gostem, boa leitura!
Estava andando por aí sem um rumo certo a ser seguido, sem nenhuma direção ou rumo e muito menos ponto de chegada, a única coisa que sabia era que ao fim de tudo viria a voltar para sua casa. Apesar de estranho e talvez um pouco perigoso, esse era um hábito seu que tinha desde muito tempo e que não gostaria de abandonar por completo, então mesmo que fizesse isso apenas algumas poucas vezes em um período de tempo considerável, ainda sim gostava de caminhar por aí sem sentir a obrigação ou anseio de chegar à algum ponto. Não que seus familiares soubessem que fazia alguma coisa do tipo, muito pelo contrário, na verdade o rapaz sabia que eles nem sequer imaginavam de suas saídas e Tetsuya também não fazia muita questão de dizer algo desse tipo, até porque ele não fazia nada demais, no máximo acabava por parar um pouco para descansar em um banco de uma praça ou mesmo para bebericar um pouco de algum líquido — esse que, de preferência, deveria ser um delicioso milkshake com sabor de baunilha.
O sol já estava um tanto alto, porém ainda não se encontrava em meio à seu auge devido ao horário, ainda era bem cedo para um final de semana e a maioria das pessoas deveria estar aproveitando esse raro e efêmero momento de descanso para dormir até mais tarde, coisa que o azulado dificilmente fazia de fato por conta de puro gosto por querer aproveitar melhor o dia do que apenas ficar trancado dentro de sua casa fazendo o que quer que outros tipos de adolescentes faziam o dia inteiro naquele espaço confinado.
Gostava de aproveitar um pouco destes momentos para pensar e refletir um pouco, mas um pensamento bastante específico lhe veio à mente, talvez por conta dos acontecimentos mais recentes dos últimos dias quanto à vitória — mesmo que essa fosse apenas em um mero amistoso — contra um membro da geração dos milagres, contra Kise Ryouta! Kise poderia não ser exatamente o membro mais forte no cenário atual em que vivam, porém ainda sim! Ver seu time jogar tão bem, com tanta determinação e ainda sim ser recompensado, apesar de alguns leves empecilhos, era incrível! Ver que tinha a chance de ter uma luz com tanto potencial… Céus, isso lhe trazia sentimentos diversos e alguns deles não eram definitivamente nada agradáveis, seja para seu antigo “eu” ou para seu “eu” que vinha agindo atualmente, apesar de às vezes se questionar se haveriam muitas diferenças entre ambos os dois.
Por que sentimentos ruins vinham principalmente de lembranças tão boas? O tempo fez com que as memórias em questão se tornassem dolorosamente felizes, deixando certa amargura em sua boca sempre que as revirava em sua mente cansada. Por que coisas como essas tinham que vir a acontecer? Kuroko sentia falta de cada parte daquilo que havia perdido e isso lhe doía tanto…
Naquela época, em meio ao tempo primaveril, que nunca imaginou que seria tão efêmero, o rapaz em questão achava dar valor aquilo que tinha, pois junto daquelas pessoas tão brilhantes finalmente poderia jogar o esporte do qual possuía tanto amor e ainda por cima vencer enquanto se divertia. O que o jovem não sabia era que estava em uma sala muito iluminada e quando há muita luz, a sombra em questão não teria espaço para se desenvolver. Entretanto, não se tratava apenas do basquete, como imaginava anteriormente em sua mente juvenil, era bem mais do que isso e era justamente essa parte do qual Tetsuya não enxergava de forma alguma, mesmo estando explícito e sendo praticamente esfregado em seu rosto dia após dia. Acima de colegas de equipe incríveis, Kuroko tinha amigos e um lugar do qual finalmente se encaixava e mesmo que por alguns momentos extremamente efêmeros, o rapaz pode sorrir sem que qualquer outro tipo de pensamento rondasse sua cabeça,pois aquela, para si, havia sido a primavera perfeita e aqueles breves momentos em questão havia sido o auge do desabrochar das flores, mas Tetsuya nunca foi capaz de ver aquilo no momento ocorrido e só foi capaz de entender quando tudo veio a desmoronar e as lembranças começassem a atormentar sua mente aborrecida.
Lembrava-se também de brotos cheios de sentimentos cultivados com carinho por sua pessoa, na esperança que eles se aflorassem e um dia se tornassem belas flores e que um dia um sentimento em questão talvez fosse retribuído. Um sentimento puro. Visto como um broto de uma camélia vermelha por si, apesar de tudo, era um sentimento belo aquele que vinha junto dela, porém ainda sim era incerta sua real forma. Entretanto, o mesmo broto visto por outros olhos era interpretado vindo junto de outra flor, também sendo do tipo tipo da anterior, porém de tonalidade esbranquiçada, guardando sonhos e esperanças de um pequeno coração de porcelana. Ao fim de tudo, seu broto não pode florescer, pois havia ganho um buquê de de tulipas amarelas, não tendo seu sentimento recíproco e para perceber tal coisa sequer foram necessárias palavras diretas direcionadas à sua pessoa. Aomine havia simplesmente desistido e, pela falta de esperança, seu sorriso foi ceifado. Kuroko poderia ser quem fosse, mas nunca conseguiria impedir a situação de Daiki, havia sido um golpe que não esperava e isso acabou tornando a situação fatal, principalmente por não conseguir fazer nada a respeito. Tetsuya simplesmente viu aquela efêmera primavera tornar-se um rigoroso inverno, sem que pudesse fazer nada.
As coisas com o tempo vinham piorando, tempestades e mais tempestades, como poderia manter seus brotos a salvo em meio à esse rigoroso inverno? Não havia como salvar tudo e por isso muitos dos sentimentos em questão mesclaram-se ou se transformarem. Dali por diante até mesmo aqueles que lhe eram mais distantes e alguns até inalcançáveis passaram a fazer parte de suas memórias de forma dolorosa e Tetsuya sentia por cada um deles, sejam desde as rosas vermelhas espinhentas de Akashi e o orvalho úmido de Midorima, até as violetas delicadas de Murasakibara e os belos narcisos de Kise, mas principalmente, o rapaz sentia muito pelos jacintos de Aomine, esses cujo nunca mais poderia sentir a fragrância, pois Tetsuya sempre estaria longe demais para alcançá-los a partir dali, pois Tetsuya falhou como amigo e não merecia uma segunda chance para se expressar perante à Daiki.
Talvez Taiga fosse capaz de reparar os estragos feitos anteriormente pelo tempo e os estragos causados indiretamente por si por não ter conseguido ser o suficiente, afinal o rapaz com sua magnífica peônia talvez fosse capaz de brilhar tanto quanto Aomine e seus jacintos. Isso trazia certa esperança para o rapaz de cabelos de tons azulados, mas também causava certo desconforto em seu peito pelos sentimentos que ainda se mantinham rondando por ali, apesar de claramente mais fracos do que antes. Talvez Tetsuya devesse seguir em frente e procurar outros caminhos à seguir.
— Kurokocchi! — Uma voz melodiosa veio a lhe chamar, parecia suave e gentil para quem visse e Tetsuya com certeza conseguia identificar certa alegria e carinho na tonalidade usada pelo outro, chegava até a ser engraçado o quanto de sentimento Ryouta conseguia passar apenas em uma única palavra. Para alguém observador como o azulado era deveras interessante perceber e sentir cada traço do loiro. É talvez valesse a pena dar uma chance para que seus sentimentos se desenvolvessem por outra pessoa, tinha certeza que Kise cuidaria muito bem de seus lírios, enquanto Kuroko faria questão de dar tudo o que tinha para manter os narcisos de Ryouta tão belos como sempre, alimentando-os com seus sentimentos.
Tetsuya sorriu para Ryouta, pois lá vinha o sol. O gelo do inverno derretia, as flores desabrochavam novamente e a primavera finalmente vinha, mas dessa vez seria para ser eternizada em seu âmago.
E assim nascia um broto cheio de sentimentos, criando assim um novo campo de camélias com diversos tons de carmim.
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