O inferno, é uma estrada que até os demônios tem medo de andar, apesar de morarem lá.

(...)

Nanatsu apenas conseguiu suspirar com pesar enquanto andava trajando sua armadura perfeitamente feita para seu corpo, sua espada, Kirihakuto parecia feliz em sua cintura, sendo o atrativo para os olhos de incontáveis demônios, em frente a um portão tão imenso que faria uma criatura Dioga parecer um mísero ratinho, e logo em sua frente, uma criatura que colocou medo nela por um segundo, o imenso cão estava de cabeça baixa, suas três cabeças, para ser mais exata, achou graça disso, eles estavam dilacerando o pouco de carne que o esqueleto ainda tinha, se perguntou que tipo de criatura podia sustentar um cão Cérbero, ignorou isso.

Seu cheiro logo foi sentido por eles, seus cabelos brancos traziam o cheiro de sangue, e ela sabia que o cão reconhecia muito bem isso, afinal estava banhado sempre com ele, assim como ela sempre estaria, o cão não se moveu, havia uma imensa coleira presa sobre uma enorme estaca de rocha, ela duvidou consigo que aquele cachorro um dia ia sair dali, mas era um lugar apropriado, ele servia de ótimo guardião. Mais competente que os guardiões das chaves. Andou em direção a eles, Cérbero mostrou seus dentes, que dariam rivalidade para sua mãe, a raposa matriarca, ela pensou se deveria dar um passo atrás, mas era melhor mostrar que não tinha medo. Mas algo deixou ela surpresa quando viu ele mais atentamente, o animal não tinha pelagem, eram rostos de mortos que cobriam o corpo dele, que interessante.

Cérbero rosnou alto pra ela, mas baixou a cabeça, e foi para o lado, o portão imenso atrás dele começou a abrir lentamente, sendo arrastada por alguma coisa, logo ela conseguiu ver quem estava abrindo, seus instintos fizeram com que ela baixasse a cabeça e ficar de joelhos no mesmo instante.

Em passos lentos em sua direção, via uma mulher nua, completamente, exatamente como nasceu, sem pudor nenhum, e quando ela saiu de fato da frente do portão, gritos de alegria foram ouvidos pela sétima pecadora, olhando para ela. Se sentia muito envergonhada de ser chamada de pecado da Luxúria, a beleza que os outros diziam que ela ostentava, não valia um fio de cabelo escuro que a mulher em sua frente ostentava, os olhos dela, eram tão brilhantes, o sorriso meigo escondido por uma pitada de malícia, era perfeito, ela era tão perfeita, ela tinha algo a falar para a mulher a sua frente, mas as palavras morriam em segundos.

– Senhorita Nanatsu, eu presumo? – perguntou a morena de pé, enquanto ela estava ainda de joelhos, sua pele alva como a neve, mas cheirava a sangue, mais do que ela e Cérbero provavelmente, se sentiu maravilhada, o modelo perfeito de fêmea a sua frente. – Posso saber o que uma combatente daqueles Deuses desconhecidos está fazendo aqui?

Nanatsu sentiu sua garganta inflar, e pelos olhos brilhando perigosamente em sua frente, era melhor0 responder algo, e rápido, levantou ainda mais o olhar, os cabelos branco caindo para as laterais do rosto, chamando a atenção da mulher á rente, que lhe olhava com curiosidade, mas demonstrava estar se irritando pouco a pouco.

– Sim, senhora! – falou em um bom tom, não desejaria nunca gritar com ela, sabendo quem ela é, seria loucura até pra ela. – Estou aqui porque preciso de conselhos de alguém experiente como você... Senhora...

A morena sentou, não se incomodando com a sujeira daquele lugar, e nem com o cheiro desagradável de carcaça morta que Cérbero parecia estar dedicado a comer, mostrando um sorriso gentil, mas ainda sim gritando para ser reconhecido como algo perigoso, e Nanatsu não deixaria de ouvir esse grito.

– E o que deseja falar comigo criança? – ela perguntou em um tom doce, colocando uma de suas mãos sobre seus cabelos, como se estivesse alisando em um ritmo lento, esperando a resposta que parecia gostar de demorar.

– Preciso de um plano para chegar ao oitavo universo, á senhora o conhece? – perguntou um tanto temerosa, escolhendo muito bem suas palavras para falar com essa mulher.

– Conheço o oitavo mundo, eu fui enxotada de lá por Deus, meu antigo marido ficou lá sozinho, até aquela maldita da Eva nascer a partir de sua costela. – ela respondeu calmamente, apesar de suas falas não parecerem tão calmas. – Quer um meio de chegar até lá, e depois que chegar o que vai fazer raposa?

Nanatsu estreitou os olhos, mas não se incomodou ao saber que ela conhecia sua raça, mas ficou curiosa.

– Como á senhora sabe que eu sou uma raposa? – perguntou cautelosa, ainda de joelhos, não se moveria por nada, não iria irritar a rainha do inferno, no inferno.

– Seu cheiro minha criança, seu cheiro. – ela apontou para seus cabelos. – Mesmo que você se manche com o sangue dos filhos, ainda sim terá o cheiro da raça que você é, e que a maldita da sua mãe também tem.

Nanatsu engoliu em seco, nunca ouviu ninguém falar mal da sua mão, a matriarca das raposas, mas aquela mulher parecia tão segura em falar isso, como se estivesse falando de morte, algo que todos concordavam que existia.

– Entendo senhora... – Nanatsu murmurou, tentando soar segura, fracassando completamente nisso, seu tom de voz mal chegando aos ouvidos dela própria, mas a outra parecia ouvir muito bem. – Como posso chegar lá?

– Não é difícil... – ela ponderou, colocando a mão sobre o queixo, lambendo a ponta do polegar, e esfregando em seu seio. – Se deite com um homem, e tenha um filho com ele, use esse filho como sacrifício para a passagem astral, tão simples...

Nanatsu pensou em mandar ela para o inferno, mas já estavam nele, ela já pensou nisso várias vezes, mas os portões foram retirados do mundo, apenas as chaves podiam ser usadas, e eram protegidas por guardiões, e ela sabia que uma hora um deles a mataria.

– Não é viável senhora... – ela respondeu, mas ficou calada quando a morena se dispôs a rir de sua cara, uma alegria singela e pura, mas o som parecia estourar seus ouvidos de tão fina.

– Você deixou um mundo inteiro com seus filhos, e logo eles cruzaram entre si. – ela pensou com ela, mas falando do mesmo jeito, como se fosse piada que ela admirasse. – É impressionante, nada mal pecado da luxúria, no entando...

Nanatsu só viu uma mão avançar em seu pescoço e ela se viu erguida, os olhos normalmente brilhosos da outra queimavam em um vermelho mais vivo que os olhos de sua mãe, ela tremeu sobre a mão dela, nem conseguia tocar os pés no chão, sua armadura estava sendo amassada como papel.

– Eu sei que não, só queria me divertir com crianças. – ela a soltou, Nanatsu tossiu durante alguns segundo. – Então faça o seguinte...

Nanatsu tentou se colocar de pé, mas quando ela o fez, o seu capacete foi removido, e lábios macios e carnudos avermelhados se chocaram com sua boca fina e branca, ela ficou estática, sentiu um filete de sangue se tocar com sua língua, e era seu sangue, a morena havia mordido sua boca.

– Use um de seus filhos pra isso, pegue apenas uma espada, esta mesma, e jogue no mundo que quiseres, logo feito isso, apenas espere alguém idiota o suficiente nascer pra você conseguir usar novamente.

Dito isso, ela só viu uma mão fechada se chocar com seu rosto, e ela acordou em seu quarto, ofegante, intacta, seu lábio sem nenhum sangue, mas o gosto ferroso deste ainda estava em si, o inferno era assustador.

Ainda mais quando Lilith estava falando com você.