Kyu Ryu Saigo Saikuru - Nanatsu no Tsumi
2 Dainishō: Saigo no memori to shite,
Notas iniciais
Se existe algo que você tenha que eu não tenha dado a você, eu irei tomar de você, ou melhor, irei arrancar de você, pois você deve apenas ser o que eu quiser que você seja, nada mais que isso.
(...)
‘’- Chame pelo meu nome quando estiver nos portões do inferno’’. – disse ela, em sua frente com o rosto rasgado, o maxilar trincado para o lado direito, a língua podia ser visível com isso, estava podre, faltando um pedaço, ela conseguia falar ainda, mas saia sangue por todo seu corpo, a armadura que ela sempre tinha, desde tempos imemoráveis parecia ceder com o olhar dele, o olhar do garoto que ela criou com o propósito de matá-lo para sua vingança, os cabelos ruivos de sangue, ele mudou exatamente como ela mudou, de branca para vermelha, os olhos cintilantes dele, mostravam que ela iria realmente chamá-lo no inferno, porque era para lá que ele a mandaria.
O ruivo, com a espada dela, empunhada em seu braço, havia sido abandonada pela mão dele, não tinha mais o toque quente das mãos do ruivo, não precisava mais. A espada já tinha feito seu trabalho, perfurar seu peito, podia sentir a lâmina triscar seu coração a cada respirada, podia sentir seu pulmão se inundar, e não era por oxigênio, provavelmente seu sangue, que teimava em sair de si, não podia reclamar da dor latente do seu braço, estava pela metade, sua querida irmã como último presente resolveu lhe tirar o peso do braço direito, que bela irmã. Mas não podia reclamar, ela havia tirado Shintu de Hyuuni, era justo. Tão justo que agora o seu filho a olhava com os olhos vermelhos que ela também tinha, mas ela nunca viu tanta pena naqueles olhos, eles podiam colocar facilmente medo em todos os seres vivos, incluindo ela, afinal estava cara a cara com ele.
Mesmo que ela não merecesse misericórdia, era isso que os olhos do ruivo estavam lhe transmitindo, pena, suplicando que aquilo fosse uma mentira, mas era verdade, era a única verdade entre eles, ele a matou, e ela iria morrer pelas mãos dele, era irônico, a única verdade em vida entre os dois, era a morte de um. Podia fazer uma poesia e apostaria a alma que daria lucro, mas o lucro dela era ver o rosto do garoto que ela criou, ali. Com ela, mirando seus olhos, cada vez mais ficando turvos, perder a vida era ruim, agora uma raposa que conhecia muito bem o gosto de viver, não conseguia imaginar como seria morrer em milênios, talvez fosse divertido, iria dar um olá para os que ela havia matado, e cara, não eram poucos, foi uma vida divertida.
Naruto, com o peito desnudo, ostentava uma séria queimadura, ao redor de um longo corte na vertical, bem no meio do peito, sua irmã, estava estirada no pilar, olhando para os dois, Hyuuni parecia que havia quebrado o braço esquerdo, não tinha culpa, ultrapassar o escudo de Tsukuyomi não era algo tão fácil assim. Foi uma luta divertida, por um momento os três lutaram contra o último grande Deus, Megami estava morta, com um enorme rombo no corpo, obra dela mesma, havia conseguido realizar seu sonho, uma pena não poder viver o bastante para aproveitar aquele momento.
Foi uma luta interessante, a dela com o ruivo, Hyuuni não ousou nem respirar direito, ela também sentia, que aquilo era uma coisa que só ambos podiam decidir, e ninguém mais podia se envolver, nem mesmo ela, ela não desviou o olhar quando Naruto foi transpassado no peito pelo corte de Nanatsu, mas também não fechou os olhos quando Naruto pegou a espada de sua mãe e cravou no coração dela, não derramou uma lágrima, não demonstrou uma emoção, apenas ficou sentada, curando seus próprios ferimentos, que pareciam arder para reforçar que ela não devia se meter na luta mais importante na vida de duas pessoas preciosas pra ela.
– Esses olhos... – começou Nanatsu, de joelhos com a espada ainda cravada, ela não iria a remover. – Pare de me olhar com esses olhos, não irei morrer mais tarde mesmo se você tiver pena de mim.
Naruto, também ficou de joelhos ofegando, colocando a mão direita sobre o peito com o Ishu, curava muito mais rápido que o Chakra ou Yoki, e naquele momento, era á única coisa que ele conseguia fazer, seus olhos voltando ao azul celeste de sempre, miraram seriamente o rosto contorcido de Nanatsu, estava irreconhecível, nem mesmo ele conseguia olhar sem se enjoar, estava nem mesmo perto de ser a sombra que já foi um dia.
– Não quero que você viva. – responder Naruto, tentando ficar de pé, seu joelho desabou e ele ficou de cara com o piso do palácio, Nanatsu a sua frente deu uma risada de escárnio. – Vai zombar daquele garoto que você criou como seu próprio filho até mesmo na hora de você ir conhecer o inferno? Você merece morrer, de verdade.
– Então se você acha isso – tossiu sangue, mas continuou com um riso nos lábios, tortos. – Por que então me olha com esses olhos? Por que sentir pena de quem não quer sua pena?
Naruto se colocou de joelhos novamente, depois de um minuto tentando levantar, olhando para o chão, não olhando mais pra ela, respondeu algo que ele tinha certeza de que era a única verdade ali. – Porque eu amei você... Como não amar? Você me ensinou tudo o que sei, me ensinou as coisas certas, o que é errado, me deu valores, me deu poder pra proteger, me deu coragem pra continuar, mesmo quando você me cravou sua espada, você sempre me deu algo.
Nanatsu lhe mostrou o dedo, resolveu se sentar ali, talvez tivesse que falar logo, sua boca foi inundada por sangue, ela teve que tossir tudo, seus cabelos albinos estavam manchados de sangue, seu braço parecia se desfazer de todo o seu sangue também, o piso parecia uma poça vermelha.
– Eu fiz tudo o que fiz por meus próprios motivos. – começou ela – E mesmo assim, faria de novo, te daria tudo o que tenho para meus próprios sonhos, assim como você tem sua meta, eu tenho a minha, e veja...
Apontou para os dois tronos atrás dela, com um olhar louco, porém orgulhoso. – Nós matamos ela, ela vai passar muito tempo com os filhos dela, no inferno... huhuhu...
Sua risada era baixa, mas Naruto sentiu um calafrio percorrer sua espinha, seu peito estava quase pronto.
– Eu tinha o sonho que você queria que eu tivesse... – apontou ele, os olhos voltando para ela, com uma raiva contida em cada orbe. – Você realmente é um pecado, mas não deveria ser o pecado da luxúria, deveria ser o pecado da mentira... Sim, esse poderia ser um nome que combinasse contigo.
– Não diga isso, você vai se tornar mais mentiroso do que eu, no fim... – ela suspirou, sentiu seus olhos pesarem, seu corpo tendeu a se mover para baixo, mas olhou nos olhos do ruivo, que pareciam querer muito vê-la fechar os dela. – No fim, você vai descobrir o que eu sempre senti, viver por muito tempo, te dá muitas opções de mudar a si mesmo, você...-
Naruto a interrompeu quando ele saltou, mirando a mão no cabo de Kirihakuto, afundou completamente, atravessando o peito dela, e caindo imóvel, do outro lado banhada com o sangue de sua antiga dona.
– Não vou mudar, eu sou eu, você não vai mudar isso, não isso. – gritou ele, ódio parecia brilhar nos olhos, os lábios sangrando pois ele os estava mordendo com toda a força que seu caninos tinham. – Você não vai me mudar de novo, nunca mais vai.
Nanatsu sentiu seu corpo tremer, caindo para trás, ela só ergueu a cabeça um pouco, para ver pela última vez aquele menino, que havia se tornado um homem de verdade, riu boba, ele realmente a matou, foi uma luta divertida.
– Ei, que tal se eu chamar você de Raposa dos ciclos, eu nunca senti gosto de te chamar pelo seu nome... – disse ela, forçando para manter os olhos em contato com ele, que lhe olhou confuso. – Naruto, é um péssimo nome, algo digno de meros humanos finitos em vida e em conhecimento.
– Para de nos humilhar, raposa desgraçada. – falou Naruto, os dentes trincando em sua boca, parecendo ranger pela fúria que estava sentindo. – Morra...
– Irei, pode acreditar. – zombou da raiva dele. – Raposa dos ciclos, é um ótimo nome... Espalhe pelo universo a história entre o pecado da luxúria e a raposa dos ciclos, será um bom conto...
– Por que você quer eu diga isso para todos? – perguntou ele, se colocando de pé, já tinha forças o suficiente pra isso, mas andou mancando para perto dela, que a essa altura já tinha começado a fechar os olhos. – Não ouse morrer antes de responder essa pergunta.
– O que vai fazer se eu não quiser falar pirralho? – brincou ela, mas logo sua voz se tornou mais amena, algo suave, que Naruto teve que forçar para ouvir a resposta. – Só quero que ninguém esqueça que eu existo, consegue entender esse pedido egoísta? Você é a prova viva de que um dia, também vivi... Então faça ao menos isso por mim.
– Você não merece existir nem mesmo em história. – respondeu automaticamente. – Você só tem que se entregar para Habbit, ela a levará para onde merece estar, pela eternidade...
Novamente um riso, um riso que até hoje causava pesadelos a ele.
– Claro... Irei ficar lá pela eternidade, vendo você ver cada um deles morrerem... – começou ela. – Irei me deliciar quando todos forem para o inferno, e quando eles me visitarem, darei eles a melhor recepção possível, e você não vai fazer nada, sabe por quê?
– Por que? – ousou perguntar, sua voz estava falha, era incrível como ela conseguia tirar tudo que ele tinha com facilidade.
– Porque vai estar ocupado demais, com a imprestável da minha irmã mais nova... – disse com a voz fina, ficando cada vez mais fraca. – Eu vou me divertir para sempre, vendo o seu sofrimento, quero ver suas lágrimas, quero que você fique sem elas de tanto chorar, isso é um presente de dia das mães pra mim, vamos garoto, faça essa boa ação...
– Você... – baixou a cabeça, as lágrimas já saindo dos olhos, e o som de seus soluços pareciam música para os ouvidos de Nanatsu, que esboçava um sorriso enorme no rosto contorcido por uma alegria doentia. – Você nunca vai me dar algo que me mostre que você, um dia me amou de verdade?
Nanatsu ficou confusa por alguns segundos, seu rosto ficou sério, mas logo sua expressão se entregou a diversão.
– Você ainda acha que eu amo você? – abriu os olhos, olhando para trás ergueu o único braço inteiro para pegar a espada, e quando a pegou, se apoiou no fio dela para ficar sentada, Naruto apenas a olhava, sabia o que ela iria fazer. – Veja a prova de que eu amo você, então.
Com um último ato de sua parte, ela cravou a espada na testa, com um rápido movimento. Naruto apenas ficou atônico, ficando parado, sua esposa, atrás de si estava mais ainda, ela iria morrer do mesmo jeito, mas resolveu apressar isso ainda...
– Por que você fez isso mulher? Por que você apressou a morte? Por que? Por que? Por que? – se perguntava constantemente o ruivo, não conseguia entender ela, não conseguia...
Ele ficou alguns segundos se perguntando, não achou a resposta, e vendo estupefato um sorriso psicótico nela, que já estava morta, sentiu uma comoção de sentimentos em seu ser, o que mais dominava seu coração era a raiva, caminhou em direção a ela, arrancou a espada da testa, e desferiu um soco potente, que colocou o maxilar de volta no lugar em um tranco forte, o som encheu a sala, era o barulho de ossos com ossos, os dos dedos do ruivo, com os da face da raposa morta, Naruto sentiu suas mãos doerem, seu polegar estava abrindo, mas ele continuou, até que sentiu seus dedos começarem a trincar com a força e a ferocidade dos golpes.
E ele continuou socando o rosto alegre dela, com a outra mão dessa vez, não deixaria ela morrer com aquele sorriso direcionado pra ele, não deixaria, e ele continuou, até que uma mão fina, com um aperto forte segurou seu braço, e ele foi largado para o chão com o peso do corpo de uma raposa sobre ela, as caudas o segurando, impedindo de continuar a fazer aquilo.
– Já chega... – sussurrou Hyuuni, deitada sobre ele, com o rosto escondido sobre o pescoço dele. – Ela morreu... Acabou...
Naruto tentou se soltar a força, ainda estava irritado, mas as caudas dela pareciam ter ficado mais fortes, ou ele que queria ser segurado...
– Pare... – sussurrava, Naruto sentia seu pescoço ficar úmido com as lágrimas quentes da raposa. – Ela deve estar adorando te deixar assim, não deixe ela conseguir isso...
Naruto ficou bons segundos parados, até que seu corpo relaxou e Hyuuni também acalmou suas caldas, quando ia se levantar, dois braços apertaram sua cintura, e ela viu em muito tempo o ruivo chorar, como alguém que precisava de colo, e de fato ele precisava disso novamente, amaldiçoada seja Nanatsu, não satisfeita em colocar tantas mentiras boas no coração dele, resolveu arrancar tudo o que ele tinha também.
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