Kyght

6 Após


Hiroshi Honda (Gravidade) — Centro de palestras (Dentro do estúdio).

Naquele momento, Hiroshi estava prestes a realizar seu discurso de apresentação. Caminhando de forma ofegante e lenta até o palco, sua cabeça se esvaía de pensamentos, tudo devido ao nervosismo do momento. O que colaborava para aquela situação piorar era o fato de Hiroshi não ter preparado um discurso, pois, havia se esquecido, lembrando-se apenas naquela hora.

Na sala de Beltort, foi explicado ao garoto uma grande sequência de regras e instruções de como proceder na hora da apresentação, mas, por puro azar, acabou dando um "branco" inesperado no menino. Vale mencionar que uma das regras principais que Hiroshi precisava seguir era em momento algum citar a localização da Kyght. Apenas Anne era autorizada a fazer isso, e ainda assim, sempre que ela citava, a mídia dava um jeito de censurar.

Quando o menino finalmente chegou no palanque que ali surgiu, um barulho de tiro emergiu daquela multidão, causando um caos entre as pessoas e um pânico no pessoal da equipe. Os seguranças da empresa saíram correndo em busca ao atirador, caminhando rapidamente como formigas entre o enorme local.

Tudo aconteceu muito rápido, fazendo com que a atenção de todos desvia-se de Hiroshi. Todo o pessoal da produção se escondeu nos cantos do palco, enquanto o menino continuou no palanque, olhando fixamente para baixo.

Hiroshi com sua telecinese, conseguiu parar a bala, que estava se movendo em direção ao seu pescoço. Pelo visto, o atirador tinha a intenção de o assassinar, mas, não se sabe o motivo.

Após o grande ato de ter salvado a própria vida, Hiroshi desmaiou ao vivo para quase todos os canais de televisão ao redor do globo, o que tirou todos eles de ar.

Naquele momento, o mundo todo se chocou com o que aconteceu. Ninguém sabia exatamente o porquê daquilo, e algo do tipo nunca tinha acontecido anteriormente. O público estava angustiado e eufórico com a situação, preocupando-se com o pessoal que estava no local e com o mais novo herói da empresa, Hiroshi Honda.

Horas se passaram desde o acontecimento, e por conta da pressão, Hiroshi ainda se encontrava desmaiado. Os enfermeiros da empresa o levaram para o prédio da Kyght, ou mais especificadamente: na enfermaria do prédio, que ficava no andar número 32. Lá, eles tiraram suas roupas apertadas e realizaram o tratamento necessário para que o garoto ficasse bem.

Junto de alguns executivos, Anne estava realizando um discurso para a televisão do que havia acontecido, deixando claro que Gravidade estava bem e que ninguém saiu ferido do local, graças a sua ótima infraestrutura, construída perfeitamente para situações como essas, e também, citando a prisão do atirador, que foi identificado e levado a uma delegacia de polícia.

Na frente da maca em que Hiroshi estava, havia uma televisão ligada, e que por coincidência, estava passando o pronunciamento ao vivo que Anne estava realizando. Do lado esquerdo, Anne de alguma forma se encontrava sentada, aguardando Hiroshi acordar, junta de vários médicos que passavam por ali.

Seu celular já estava cheio de ligações perdidas de seus amigos e sua mãe, que estavam extremamente preocupados.

De pouco a pouco, os olhos do garoto foram se abrindo, ao mesmo tempo que sua visão ficava cada vez menos embaçada.

— Aaahhh...O que aconteceu? – Hiroshi disse, botando uma mão na cabeça devido a imensa enxaqueca que estava sentindo.

— Gravidade? Você finalmente acordou?! – Anne perguntou, olhando para o menino — Você acabou desmaiando após uma bala quase ter lhe atingido...– Completou, surpreendendo-se em ver o garoto acordar.

— A-Anne? – Hiroshi olhou para o lado, chocando-se ao ver que Anne estava lá com ele – Você é a presidente da Kyght, não é?! – Naquele momento, Hiroshi ajeitou-se na maca de forma em que ele ficasse sentado sobre ela, e ficando envergonhado por uma pessoa tão importante quanto Anne estar vendo-o daquele jeito – E-eu vou perder meu emprego!? Meu Deus! Me desculpe, por favor! Não me demite! — desesperou-se.

— Isso mesmo...Nós cuidamos de você, espero que esteja se sentindo melhor. E não, não vamos demitir você, Gravidade – Sorriu – fique tranquilo.

Hiroshi começou a olhar ao redor, assustando-se com tudo o que aconteceu. Para ele, tudo pareceu tão de repente que era impossível não ficar assustado e confuso.

Quando olhou para sua frente, pode reparar na televisão ligada, intrigando-se por aparentemente, Anne estar aparecendo ao vivo, mas, ao mesmo tempo, estando ali com ele.

— A-aquela não é você?! – Perguntou.

— Mais ou menos...- Anne deu um suspiro – Você deve estar assustado, não é? – Anne olhou por alguns segundos para baixo, não demonstrando exatamente o que estava sentindo, e em seguida, voltou a olhar para o menino – Aquele é só o Metamorfo, eu não gosto muito de falar em público – Disse, voltando a sorrir.

Metamorfo é um excelentíssimo e misteriosíssimo herói da Kyght, e que sempre que possível, utiliza seus poderes de metamorfose para se transformar em Anne e falar por ela em situações em que a mesma necessita discursar em público, portanto, até mesmo naquele momento da apresentação de Hiroshi, quem realmente estava falando era o herói transformado, e não a verdadeira Anne.

— Ah sim...Acho que entendi. O que houve com o atirador? Alguém saiu machucado? Eu vou ficar bem?

— Ninguém saiu ferido, foi tudo encenado. O atirador era um dos nossos funcionários, enquanto a bala era teleguiada pela pistola utilizando tecnologia Kyght, portanto, ela desviou de todos as pessoas.

— Como assim? Tudo aquilo foi falso?

— Sim, foi.

— Mas, àquela bala parou bem perto do meu pescoço! Isso foi planejado também?

— Sim, aquilo também foi...- Anne cruzou seus dedos – exceto pela parte dela ter parado perto do seu pescoço, aquilo foi só você usando seus poderes mesmo.

— Co-como assim!? – Se revoltou, puxando a sua coberta e ameaçando levantar-se da maca – Eu poderia ter morrido!

— Aí teria sido uma pena! Mas veja pelo lado bom, você não morreu! – Anne disse, levantando-se serenamente do banco e caminhando lentamente até a porta, com a intenção de sair do local – Seja bem-vindo a Kyght, Gravidade! – Completou, saindo por completo do local.

Quase que instantaneamente, a cabeça de Hiroshi encheu-se de pensamentos e porquês. Aquilo não tinha sentido, e foi muito perigoso. Embora Beltort tivesse o avisado sobre os perigos que a empresa lhe aguarda, o japonês não imaginou que a própria Kyght poderia botar a vida dele em risco.

Existia algum motivo oculto pela Kyght ter feito todo aquele escândalo, mas, Hiroshi não conseguia definir qual era, já que quase assassinar um herói, assustar centenas de pessoas e realizar uma catástrofe num dia que era para ser de felicidade e empolgação, não aparentava fazer o caráter da empresa.

Os procurados (Naomi, Norman, Yumi e Hayato) — Quarto da Naomi.

Hayato, junto com seus três amigos no quarto de sua amiga, desmoronou ao ver o tenebroso ocorrido que foi transmitido pelo canal de televisão. Ele começou a ficar ansioso, quase perdendo a respiração em alguns momentos, portanto, seus amigos tiverem que a acalmar.

Os outros três também estavam aflitos, mas, não tanto quanto o homem.

Naomi era a que mais estava sendo prestativa, realizando diversos favores e agrados para a seu amigo, além de tentar fazer de tudo para que ele se estabilizasse. Yumi e Norman ajudaram ventilando o garoto, que se encontrava em estado de choque.

Não foi exatamente mostrado se o tiro pegou ou não no jovem Hiroshi, e eles não estavam assistindo o pronunciamento de Anne para a imprensa, sendo assim, o pânico todo era extremamente justificável.

Algo que colaborou muito para essa reação de Hayato foi uma fobia de infância relacionada a morte, logo, imaginar que um assassinato foi praticamente transmitido pelas televisões do mundo inteiro, e logo o de seu amigo, realmente mexeu muito com ele.

Yumi ligava para o celular de Hiroshi e o mandava mensagens de cinco em cinco minutos, esperando que ele atendesse ou respondesse as mensagens o quanto antes.

O momento emanava uma tensão e uma onda de desconforto para todos no quarto.

De pouco a pouco, Hayato foi recuperando os sentidos e se acalmando, ficando cada vez menos ofegante com o passar dos segundos, o que aliviou um pouco seus amigos. O homem gosta tanto de parecer "durão", que quando algo assim acontece com ele, o caos se estabelece no lugar.

Mexendo em seu celular, Norman visualizou uma publicação muito importante feita por um usuário do Twitter, e então, sentiu a imensa necessidade de relatar para os outros:

— Galera ! Galera! – Gritava Norman – Aparentemente, a presidente da Kyght está fazendo um pronunciamento agora mesmo sobre o ocorrido! Precisamos assistir!

— Em qual canal está passando? – Perguntou Naomi, indo imediatamente para seu computador.

— Aparentemente, na NTV.

— Onde você viu isso? – Indagou Yumi, criando um pouquinho de esperança – Tem algo sobre o Hiroshi aí?!

— Deixa eu ver... — Norman rolou a tela um poucopara baixo – aqui! Pelo o que tudo indica, ela já confirmou que ele está bem! Parece que o atirador realmente tinha a intenção de atacar o Hiroshi, mas...- pausou para ler — ele acabou usando seus poderes para parar a bala antes que o atingisse!

— Que sorte! – Yumi suspirou, botando a mão em seu peito direito – Mas por que ele não responde nossas mensagens?

— Isso eu já não sei, mas imagino que ele deva estar resolvendo algo com a empresa em relação ao o que aconteceu.

Algumas lágrimas começaram a sair do rosto de Hayato, e que rapidamente, se transformaram em várias, e em seguida, em um desespero por completo. A força de seus pensamentos sobre o que poderia ter acontecido havia falado muito alto, o que fez com que ele imaginasse das mais diversas situações ruins.

— Fique calmo! Ele está bem! – Norman disse, tentando consolar o amigo — vamos dar uma olhada no pronunciamento!

— Isso, é melhor nós vermos mesmo! Consegue botar para a gente, Naomi? – Interrogou Yumi.

Hiroshi Honda (Gravidade) — Enfermaria da Kyght, localizado no 32º andar.

O que o pobre menino Hiroshi mais queria fazer naquele momento era se levantar daquela macia maca de hospital, mas, infelizmente ele havia sido proibido de fazer algo do tipo. Os médicos da Kyght que estavam o ajudando em sua recuperação recomendaram que o mesmo deveria ficar lá por mais um tempo, para que assim, eles pudessem realizar alguns diagnósticos.

Sem poder contestar, o garoto foi meio que obrigado a aceitar que deveria se manter deitado, embora tenha achado muito suspeito toda essa demora e cuidado que os médicos estavam tomando. Naquele momento, sua cabeça passou a se basear em pensamentos sobre a probabilidade de os médicos estarem fazendo um experimento com ele, por mais que Hiroshi não tivesse muitos motivos válidos para confirmar que tal coisa estaria realmente acontecendo.

Por outro lado, ele perguntava-se como o mundo estava reagindo ao grande acontecimento, e principalmente: como seus amigos e sua amada mãe estava. Tinha medo de que o tivesse sido mostrado na televisão não fosse o suficiente para comprovar de que ele está bem, e infelizmente, foi justamente o que aconteceu.

Deitado, Hiroshi observava o teto do lugar em que estava; imaginando probabilidades e refletindo suas ações passadas. Tudo aconteceu tão rápido para ele, que acabou o desnorteando um pouco.

De repente, num piscar de olhos, um dos médicos se aproximou de Hiroshi com uma seringa e um biscoito. Com uma voz melancólica, Hiroshi perguntou:

— O que você pretende fazer?

— Sua glicose está baixa, acho melhor você comer – O médico respondeu, entregando o biscoito.

— E a seringa? – Hiroshi questionou, ajeitando-se na maca e segurando o alimento.

— Não é para agora, apenas coma o biscoito, por favor.

— Parece que eu não tenho escolha, não é? – Hiroshi disse, e logo em seguida, consumiu o doce.

— Boa noite, Hiroshi. – Disse o médico.

Assim que o biscoito foi engolido, Hiroshi acabou ficando sonolento.

Os médicos da Kyght realmente não pretendiam fazer mal algum para o garoto, ou pelo menos, não na visão deles. Heróis da Kyght precisavam se submeter a passar por diversos procedimentos antes de entrar para a empresa, portanto, era completamente normal para eles tudo o que estava acontecendo com o seu mais novo herói.

O jovem telecinético percebeu o efeito do biscoito poucos segundos antes de querer adormecer, mas, não sentiu raiva, apenas um pouco de medo. Apesar de tudo, ele ainda tinha um pouco de confiança na empresa.

Anaya (Fofoca) e Luna Herrera (Natura) — Sala de reuniões da Kyght, localizado no último andar.

Fofoca e Natura estavam na sala de reuniões da Kyght conversando um pouco sobre o novo herói. Inclusive, um fato legal é que na visão dos fãs, as duas super-heroínas eram muito próximas, e realizavam muitas atividades em público juntas.

Natura gargalhava horrores ao lado de sua amiga, enquanto dava pequenos tapas no ombro da mesma, diferente de Anaya, que parecia não estar muito confortável com a situação, mas, muito provavelmente era devido a exagerada risada que Luna tinha.

— Você é uma peça, Fofoca! Haha...- Divertia-se Natura – Enfim, de toda forma, assim que o novo herói entrar para equipe, é claro que o receberemos de forma muito amigável! Afinal, ele é irmão do Hikari, não é?

— Luna, por favor! Eu estou im...- Dizia Anaya, quando foi interrompida pelo inesperado barulho de uma sirene tocando.

— A sirene? O que está acontecendo?! – Exclamou Luna, assustada com a situação.

Anaya levantou-se rapidamente da cadeira onde estava sentada, indo em direção a um dos monitores da sala, no qual, estava transmitindo um sinal de alerta junto de um pequeno recado, que comentava brevemente sobre o que estava acontecendo. Aparentemente, um perigoso crime estava ocorrendo em uma das ruas de Manhattan, e para resolver isso, as duas super-heroínas deveriam ir até o local o quanto antes.

— É um sinal de alerta! Precisamos ir! – Gritou Anaya.

Geralmente, os crimes que estavam acontecendo eram notificados por Anne, que chamava os heróis que deveriam resolver a situação por meio do sinal de alerta do monitor da sala de reuniões, mas, nesse dia, a descrição do que deveria ser feito foi transmitido diretamente por um dos monitores.

— Nós duas?! – Interrogou Luna, revirando a cabeça – Anne... – Sussurrou, mudando rapidamente de humor para um mais agressivo.

— O que disse?

— Eu não disse nada! Agora anda, teleporta nós duas até o local!

— Como assim? Eu teleportar nós duas!? – Anaya gritou, virando a cabeça em direção a Luna e regalando seus olhos, ficando um pouco sob pressão.

— Anaya, anda logo! Não chegaremos a tempo se corrermos até lá ou qualquer coisa do tipo! – Respondeu Luna, ficando frustrada.

— Aaah...Que droga, Luna! Que droga! – Reclamou – Deixa-me ver aqui...- Anaya virou a cabeça para o monitor, observando a informação dada do local – É bem na Quinta Avenida! Que droga!

— Na Quinta Avenida?!

— Isso mesmo!

— Sem problemas, agora vai!

— Estou indo! – Anaya parou um tempo para respirar, e assim, conseguiu se concentrar em falar sua próxima mentira, que levará as duas até o local do crime – Nós duas estamos na Quinta Avenida. – Mentiu.

Aquela mentira de Fofoca foi o suficiente para teleportar as duas para a Quinta Avenida, a rua mais movimentada de Nova Iorque. Era inacreditável que alguém fosse tão burro ao ponto de fazer algo de errado logo naquele lugar, pois, é óbvio que centenas de policiais costumam rondar o local, sem contar que devido à grande movimentação, impedir alguém de fazer algo ou visualizar um crime é muito fácil.

Perto do local exato do crime, as duas puderam ouvir gritos horrorizados vindo de uma direção. Centenas de policiais passavam correndo para um lugar, junto de um pequeno esquadrão de desarmamento de bomba. Enquanto os pedestres apenas corriam e escandalizavam pela direção contrária, o que confundiu nossas duas heroínas.

Por sorte, ambas já estavam vestindo seus uniformes antes mesmo da sirene tocar, logo, isso colaborou para que a chegada das duas ao local fosse rápida, uma pena que nenhuma das heroínas sabiam o exato lugar do crime.

— "Tá" uma baderna aqui! – Gritou Anaya, que estava ao lado de sua amiga.

O barulho era tanto ao ponto de ser possível de conseguir ouvir alguém falar, mesmo que a pessoa esteja do seu lado, a não ser que ela grite.

Natura começou a olhar amedrontada pelos arredores, e então, canalizando sua respiração, conseguiu montar um mapa mental da Quinta Avenida, que indicava exatamente onde estava acontecendo cada coisa.

— Eu já sei onde é! Me segue! – Gritou Luna.

Os poderes de Natura são todos relacionados a ambiente. Ela pode modificar o próprio corpo para ganhar características do local em que ela está – isso é: se ela estiver no mar, por exemplo, a mulher pode modificar o corpo para adquirir guelras e respirar dentro da água — podendo também controlar ele (dependendo do lugar) e montar mapas mentais.

As duas correram até onde o crime estava acontecendo, ficando ofegante a cada passo. Anaya poderia muito bem mentir falando que ambas tinham uma velocidade sobre-humana, mas, preferiu não usar seus poderes para isso. Enquanto sua colega de equipe, Natura, se esforçava para correr mais do que realmente podia, quase tropeçando nas próprias pernas, tudo apenas para salvar as pessoas que provavelmente poderiam estar em perigo.

Chegando no local, avistaram uma quadrilha de policiais e pessoas do esquadrão de desarmamento de bombas. Os profissionais aparentavam ser os mais cautelosos possíveis, por mais que atrás deles, existiam diversos carros da polícia e vans que intimidavam qualquer um.

Um dos policiais percebeu a movimentação das duas, portanto, olhou para trás para ver quem era que estava ali perto.

— Fofoca! Natura! Oh céus, finalmente vocês chegaram! – Exclamou o policial, desesperado – Por favor, nos ajude!

— O que está acontecendo?! – Perguntou Natura.

— Se afastem vocês duas! Eu vou explodir todo mundo daqui! – Dizia um homem, segurando uma faca em uma das mãos.

Aquele homem repelia os policiais e o pessoal do desarmamento de bomba com a ajuda de um explosivo amarrado em sua cintura, e de uma refém – que inclusive, gritava horrores para ser solta – Pelo o que tudo indica, se tratava de um suicida, que estava sob efeito de drogas pesadas, e, que pretendia explodir tudo o que desse ali.

Os policiais estavam tentando negociar com o homem, para que assim, ele mudasse de ideia. Infelizmente, nada funcionou, e o homem parecia estar determinado em cometer um massacre.

Com a ajuda de apenas um fio – que precisava ser conectado a um certo buraco dentro do explosivo -, ele poderia explodir tudo a todo momento. Embora estivesse drogado, o medo do arrependimento o impedia de explodir. Sabendo que os policiais poderiam ameaçar avançar nele, o homem fez uma refém, pegando-a pelo braço enquanto a mesma estava passando distraída pelo local.

Quando a ficha caiu de duas heroínas estavam no local para o impedir, o homem não viu outro meio de escapar da situação sem ser explodindo tudo e todos, então, virando a cabeça e mexendo as mãos de forma estranha para todos os lados, começou a lentamente, mover o fio que explodiria tudo, destinado a encaixa-lo no lugar.

— É de brinquedo! Esse explosivo é de brinquedo! – Assim que percebeu a movimentação suspeita dos dedos do homem, Anaya gritou, soltando mais uma de suas mentiras.

O homem rapidamente conectou o fio, mas, a bomba acabou não explodindo. A mentira de Anaya fez com que o explosivo virasse um explosivo de brinquedo, salvando tudo e quase todos do local.

Vendo a própria falha, o homem moveu rapidamente a sua outra mão, que estava segurando a faca, e indo em direção ao pescoço da refém. Em um único e veloz movimento, ele conseguiu rasgar o pescoço da mulher, que em seguida, encharcou-se de sangue. E com isso, o mesmo usou da mesma faca para perfurar o próprio peito, no qual esguichou sangue por todo o lugar.

Todos se desesperaram com a terrível cena, principalmente os policiais, que não estavam tão acostumados a assistirem cenas assim tão de perto, fazendo com que alguns vomitassem horrorizados no mesmo instante.

Anaya começou a chorar insanamente por medo e de arrependimento. Ela acreditava que embora seus poderes tivessem sido úteis, a mulher não deveria usar daquela forma. Fofoca viu-se perto de ser expulsa da Kyght por esse deslize. Enchendo suas mentes de pensamentos autodepreciativos, a heroína assustou-se com a situação, aumentando a tensão cada vez mais, ficando a um nível cujo era quase impossível de se controlar.

Natura, sendo ágil como sempre, correu o mais rápido que pode em direção a mulher, e então, com a ajuda de uma fita gaze que estava no bolso traseiro de seu uniforme, a heroína estancou o sangue que estava escorrendo. Por sorte, Luna percebeu que o corte não foi tão fundo quanto parecia, logo, caso o socorro viesse rápido, a mulher sobreviveria.

Os policiais -mesmo que enojados com a cena-, chamaram as ambulâncias para o local, dizendo-as para vir com urgência extrema, e assim foi: em poucos minutos, dois carros já estavam lá com alguns enfermeiros, que botaram a mulher e o homem dentro da van, levando os dois para o hospital.

Os profissionais agradeceram as heroínas pelo suporte, e entraram o mais rápido possível em seus carros, seguindo a ambulância. Apesar de não parecerem estáveis para dirigir no momento, eles precisavam continuar com o caso.

Mais uma vez – apesar de alguns contratempos – foi considerado que as heroínas da Kyght, com a ajuda de alguns profissionais, salvaram o dia! Os pedestres, percebendo que celebridades tão famosas haviam acabado de cuidar um caso, começaram a se aproximar das duas, pedindo autógrafos, tirando fotos, e chamando a atenção até mesmo da imprensa, que chegou com seus carros e repórteres para realizar uma entrevista.

Embora Fofoca ainda estivesse abalada por dentro, ela respondeu todas as perguntas que foram lhe feitas pelos repórteres e deu a devida atenção aos fãs, como se nada tivesse acontecido. Ela precisava agir como superior e demonstrar-se segura da situação, pois, era regulamento da empresa.

"Pobre Anaya, eu sinto tanto a sua falta."

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.