Kuruiza Ki-hime

1 OneShort - Kuruiza Ki-Hime


Sangue. Era tão lindo todo aquele sangue sendo derramado em sua boca, em sua roupa e no chão gélido. Seus olhos brilhavam de tanta emoção toda vez que cada ser daquele lugar caia no chão sem sua cabeça que caia a distancia longa.

Ela nada precisava fazer. Era só ordenar e dominar as mãos de seus inimigos para que arrancassem as próprias cabeças. Ela trajava um kimono branco manchado de carmesim, seus cabelos pratas estavam soltos, seus olhos brilhavam como rubis e seus pés tocavam a neve que naquele momento já não era tão branca assim.

Segurava uma boneca de porcelana sem cabeça enquanto se movia para um lado e para outro dançando uma valsa imaginária. Enquanto de sua boca, transmitia uma melodia que fora substituída quando o doce cheiro do liquido rubro atingia suas narinas.

A mesma pára bruscamente sua maravilhosa dança e se aproxima de um pequeno vampiro que caíra de uma arvore que havia ali perto. Aproximava-se cada vez mais do qual só fazia tremer de medo, e com um singelo sorriso ela abaixa e toca-lhe a face.

- Você viu tudo, não viu? – Seus olhos ainda carmesins brilhavam de desejo.

O pavor do pequeno vampiro era muito grande. Não conseguia falar, chorar ou ao menos correr para longe dali. Tinha medo de acabar como os outros. Tinha medo da menina que tocava sua face com sua mão. Tinha medo de tudo e principalmente daquele sangue que fazia sua espécie agir como animais.

A menina arqueou a sobrancelha pedindo com o olhar para que o ser a sua frente desse algum sinal. Ele apenas afirmou medrosamente com a cabeça.

- Oniisan. — Falou por saber que o vampiro apesar de pequeno, era mais velho do que a mesma. — Como você se chama, pequeno vampiro nobre? – Seus olhos lhe davam cada vez mais medo.

- T-Thoshiro K-Kenzo. – Gaguejava enquanto finalmente falou seu próprio nome.

- Não é divertido?- Seu sorriso se alargou desmanchando sua inocência para deixar espaço para seu demônio interior, enquanto ia para o lado do vampiro para que ele visse o seu pequeno espetáculo.

Como uma criança poderia ter feito tudo aquilo? Isso era tão anormal. Mas não impossível para ela. Hiou Shizuka. Esse era o nome daquela menina sangue puro que aparentava ser tão inocente.

Ela o fitou novamente na tentativa de alguma resposta ou simplesmente uma risada vinda de seu mais novo amigo. Mas nada. Ele era tão vulnerável. E tão medroso. Era assim que ela o via quando bufou cansada de esperar o pequeno vampiro.

- Kenzo-kun, você é muito sem graça! – Falava a menina quase irritada. – Vem! Vamos nos divertir! – Disse enquanto segurava as mãos do menino para ele se levantar e andar junto com ela.

Ele nada dizia. Era tudo tão confuso, nem fazia idéia que a mesma segurava suas mãos. Era muita informação para uma noite só em sua vida patética de vampiro nobre. Só percebeu o que estava fazendo quando a menina parou a sua ação.

- Por que não mata também, oniisan? – Ela se divertia tanto. – Esse cheiro é tão bom...

Parou. Simplesmente suas palavras sumiram quando Kenzo havia finalmente feito algo que quis naquela noite. Deu-lhe um tapa com toda sua força naquela criança. Maldita criança, quem ela pensa que era para ter causado tanto dor só para se divertir?

Ninguém faria isso com ela. Sem a mesma retribuir, claro.

- Sabe, oniisan é um vampiro muito mal educado...– Disse enquanto ajeitava o cabelo prateado. – Ele merece uma punição. Não merece? – Perguntou à boneca sem cabeça que tinha acabado de cair de suas mãos.

Seus olhos claros atingiram novamente um carmesim imenso enquanto ela mirava novamente o vampiro de respiração ofegante. Paralisado. O tremor de Kenzo parou juntamente com seu corpo. Controlado. Ele sabia que era a pequena Shizuka que tinha feito. Temia pelo pior, mas nada podia fazer. Não quando era um sangue puro em fúria. Uma princesa.

- Desculpe. Eu não deveria ter-lhe batido... – Disse enquanto a vampira sumia de sua visão.

- Tem razão. – Falou aparecendo atrás do mesmo. – Não deveria. – E novamente seu kimono era manchado por um vermelhão naquela noite de neve.

E mais uma cabeça fora separada de seu corpo novamente. Mais precisamente a cabeço do próprio Kenzo. Enquanto seu corpo jorrava o sangue sobre o branco.

Gargalhou mais uma vez enquanto colocava uma de suas mãos em sua boca. Sorriu para o céu quando sentiu a neve cair sobre suas pequenas mãos delicadas. Era como se quisesse limpar seu espetáculo glorioso.

Ela ficou de frente para sua boneca pegando-a para agarrar com suas mãos mais uma vez e começou a andar fingindo novamente sua bela valsa imaginaria. O que não durou por muito tempo.

Repentinamente, novos vampiros apareceram em todos os lugares, inclusive ao seu redor segurando fortemente com as garras. Ela se debateu e novamente começou sua chuva sangrenta onde o sangue era derramado sem controle mostrando todo o desejo daquela princesa em fúria.

Porém seu corpo parou bruscamente ao fitar os olhos dele. Sentiu tontura e seu corpo ficara tão pesado que não se agüentou em pé, caindo sobre a neve, bagunçando seus longos cabelos.

Fitando apenas o céu. Seu único companheiro naquela noite maldita. O único que não a tratou como sua verdadeira natureza. Uma fera. Um monstro da noite.

- Você vai voltar a sua cela, Shizuka-sama. – Ele se pronunciou.

- Kuran-sama? – Era o seu Kuran.

- Sim, minha querida. – Confirmou em um tom melancólico.

- Está tudo acabado? Minha visão está escurecendo... – Afirmou, perdendo as forças.

- Não. – Fechou os olhos por um momento para abri-los em um tom rubro. – É apenas o começo. – Agachou beijando sua testa enquanto ela fechava os olhos para sentir o carinho de seu prometido.

Sorriu melancolicamente acariciando a pequena face da vampira e lentamente pegou-a em seus braços, enquanto sussurrava:

- Minha pequena kuruiza ki-hime.*

Caminhou lentamente para seu destino e para sua obrigação. Chegou naquele estranho lugar, entrando sem cerimônia alguma, adentrou a parte mais obscura e fitou a cela. A cela de sua amada. Onde a mesma nasceu, o conheceu, e voltara em seus braços mais uma vez.

Abriu lentamente aquele recinto, enquanto escutava o rangido dos ferros enferrujados e depositou o corpo da jovem vampira sobre o chão frio perto do cochão. Deixando a mesma banhada pela luz da janela quadrada com barras que havia na parede.

Saiu do lugar fechando as grades de seu jeito e fitou-a mais uma vez antes de sair.

- Eu te amo, minha louca princesa florescente. Hiou Shizuka.

Notas finais
kuruiza ki-hime: Louca Princesa Florescente Espero que tenham gostado (= Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!