Kurt, Interrompido

4 Quero ir para casa


Notas iniciais
Espero que estejam gostando.

Eramos no total, cerca de 100 pacientes na Dalton. O prédio era dividido em 4 áreas de tratamento. O bloco A era destinado para os pacientes mais graves, aqueles que precisavam ser deixados nus e isolados em um quarto com paredes acolchoadas, essas coisas sinistras. Só visitei aquele lugar uma vez. O bloco B era para os deprimidos. O bloco C era para pacientes com transtornos bipolares, personalidade ou ansiedade. Finalmente, o bloco D era para os psicóticos.

Os blocos eram ligados por corredores amplos, todos levando para uma sala de televisão e jogos. Os pacientes (dependendo de sua doenca) podiam andar livrementes. Ao lado, tinha a sala das enfermeiras.

Todos odiávamos a sala das enfermeiras.

No meu primeiro dia na Dalton, me levaram ate o meu colega de quarto. Cada quarto tinha 3 pacientes, obrigatoriamente. A enfermeira me levou ate Wes, sentado na cama lendo um livro.

“Sou o Wes.” Disse ele, quando a enfermeira deixou o quarto, fechando a porta atrás de si.

“Kurt.” Estendi a minha mão para cumprimenta-lo, ele não fez o mesmo.

“Quanto tempo vai ficar aqui?”

“Não sei. Você tem um telefone?”

Uma forte ansiedade crescia dentro de mim. Estava louco para ligar pro meu pai, precisava sair daquele lugar.

“Os telefones ficam na frente da sala das enfermeiras. Elas podem escutar a sua conversa, então não ligue para o tele-sexo”

Como se eu fosse ligar para um tele-sexo.

Meus olhos pararam nas duas camas vazias a minha frente.

“Pegue a cama do lado da parede. A outra já tem dono.” Ele disse, sem tirar os olhos de seu livro, como se seus ouvidos pudessem me ver.

“Quem é o dono?” Soltei minha mala na cama, me sentando logo em seguida.

“Blaine.” Resposta simples.

“Onde ele esta?”

“Fugiu”

Olho para o porta- retrato do lado de Wes. Uma mãe, um pai, um irmão.

Todos com bigodes pintados de canetinha.

“Ele vai voltar?”

“Sempre volta.”

Eu me levanto em direção a porta.

“Acho que vou usar o telefone.”

“Não ligue para o tele-sexo.” Ele me encarou com olhos esbugalhados.

“Não vou.” Fechei a porta atrás de mim.

Um garoto loiro e alto me encarou quando passo por ele no corredor. Era o Jeff.

Na sala das enfermeiras, uma delas lixava as unhas.

“Preciso usar o telefone.” Apoiei as duas mãos no balcão que nos separava.

“Estão logo ali” Ela apontou para os telefones atrás de mim com a lixa em sua mão.

“Preciso me assegurar que não vão ouvir minha conversa.”

Ela parou de lixar as unhas.

“Não fazemos isso aqui”

“O meu colega de quarto disse o contrario”

“Qual e o seu nome?”

“Kurt Hummel” Passei a mao pelos meus cabelos castanhos.

“Não temos autorização de bisbilhotar a conversa dos outros, Kurt. E uma lei de ética”

Foda-se a ética. Estava em um bendito hospício.

Minha mão tremia e disquei os números errados. Consegui acertar na terceira tentativa.

“Alo?”

“Pai?”

“Kurt, e você?”

“Lúcifer. Quem mais iria ser?”

“Você esta irritado.”

“Estou? Sabe porque?”

“Foi para o seu bem.”

“Caguei pai. Quero ir embora.”

“Você não vai embora.”

“Vou, sim.”

“Não vai, não.” Ele aumentou seu tom de voz, meu ouvido dói. “O Dr. Hapburn disse que o melhor para você”

“Caguei para o que o Dr. Hapburn diz. Não podem me prender aqui.”

“Como e o seu quarto?” Ele desvia o assunto. Meu sangue ferve.

“Eu não vou viver aqui.”

“Você não vai viver ai, vai apenas se hospedar por um tempo”

Hospedar, ah vai à merda.

“Quero ir pra casa.”

“Vai ser o melhor para você.”

Quase me enforquei com os fios enrolados do telefone, podia sentir minhas bochechas arderem de fúria. As juntas de meus dedos ficando brancas com a forca a qual jogo o telefone no ganho com forca.

Voltei ao meu quarto.

“Ligou para o tele-sexo?” E a primeira coisa que Wes diz quando entro.

“Não tive tempo.”

“Vai ficar aqui, então?”

Suspiro “Acho que sim.”

“Quer ajuda para para organizar suas roupas?”

Suspirei novamente, como poderia me acostumar com isso?

Abri a minha mala e começamos a desempacar.

Notas finais
Curtiram? Aprovado?