Kurt, Interrompido

1 Prólogo e Início.


Notas iniciais
Oi.

“Como você foi parar lá?” É a pergunta de ouro. Como se isso fosse a única coisa interessante em mim, o rótulo que vou usar pelo resto da vida. Não me incomoda mais, porque pelo menos agora tenho Blaine comigo.

Aos 19 anos fui mandado ao hospital psiquiátrico de Dalton, depois de uma tentativa falha de suicídio. Minha juventude não foi exatamente ouro e prata, e minha estadia de dois anos na Dalton também não, mas se não fosse isso não teria conhecido Blaine e o resto do pessoal.

Honestamente, qual é o ponto em saber o que me mandou para Dalton, se isso pode acontecer com qualquer um? Saber o que tinha de errado comigo não vai impedir que algo de errado aconteça com você. Somos todos malucos no final das contas. Curiosidade, talvez? Essa curiosidade obviamente vai surgir com alguma imagem de você mesmo no meu lugar, sendo analisado por um psiquiatra e mandado na mesma manha num táxi para o único centro de tratamento de Ohio (Único pelo qual meu pai e Carole podem pagar) em Westerville, que fica a uma hora de Lima.

Lembro de pequenas pílulas brancas sendo organizadas em grupos de quatro a minha frente, fico um tempo decidindo qual vou tomar primeiro, não quero que nenhuma fique impaciente para chegar ao meu estômago e fazer meu sistema parar de vez, preciso fazer todas as aspirinas se sentirem importantes. Pequenas, mas poderosas.

Talvez essa historia das pílulas eu conte melhor mais pra frente, ate lá, eu posso contar um pouco sobre Dalton, um pouco sobre os rapazes, e um pouco sobre Blaine.

Nasci em Lima, em 1948. Meus pais são Burt e Elizabeth Hummel. Minha mãe morreu quando eu tinha 8 anos, desde então somos só meu pai e eu. Papai e um mecânico com pressão alta e eu sou um gay deprimido.

Pode parecer que não nos damos muito bem pelas circunstâncias propostas, mas ele é o meu herói, nos amamos muito. Para ele não foi fácil criar uma criança como eu sozinho, mas ele sempre deu o melhor de si, tenho orgulho de ser filho dele.

Quero que ele se orgulhe de mim, sempre tentei ser como ele, mas isso acabou quando vi “A noviça rebelde” pela primeira vez e soube que esse seria meu destino, a arte performática.

Ele vinha me visitar na Dalton duas vezes por semana, logo as visítas ficaram mais raras quando Carole engravidou. Era viagem de uma hora em carro até Westerville, o horário ficou apertado.

Pra falar a verdade, me senti melhor com ele vindo menos me ver. Dalton não é exatamente um lugar luxuoso com gente educada e gentil, a maioria estava aqui porque gostava de pintar as paredes com a própria merda. Sim eu dividi quarto com essa gente.

Não me entenda mal, eu até me dei bem com a maioria deles, desde o primeiro dia, fiz vários amigos. Cheguei a transformar as histórias de alguns em contos, já que me ocupei em escrever na maioria do tempo. Isso foi antes de decidir transformar a minha própria história em algo pra escrever.