Kurt, Interrompido

8 Então Voce é o Blaine.


Notas iniciais
Blaineeeeeeee parei.

Uma semana se passou depois da chegada de Blaine. Ele ainda não tinha saído do bloco A, todos ficávamos impacientes. Comentando o que ele podia ter feito durante seu tempo fora.

“Ele normalmente fica fumando com desabrigados na ponte que fica a vinte minutos daqui. Suas fugas não duram mais que 4 dias.”

“Desta vez ele deve ter ido mais longe.”

Uma das enfermeiras entra na sala de televisão e chama Hunter e Sebastian.

“Não vou voltar para o bloco A” Hunter levantou-se para encarar a enfermeira nos olhos.

“Não estamos indo para o bloco A. Estão chamando para exame de rotina.”

Senti o frio percorrer a minha espinha. No meu ultimo exame de rotina, me mandaram pra cá.

Depois de Hunter e Sebastian. Chamam Wes e David, Thad e Nick logo depois. Jeff e Austin também são chamados e fico sozinho esperando a minha vez.

“Tem isqueiro?” Uma voz rouca próxima do meu ouvido me faz pular da cadeira. Ele coloca a mão no meu ombro pra me acalmar.

“Desculpe, não queria-“

Meu gritinho de surpresa faz ele parar no meio da frase. Reconheço o machucado em seu rosto e suas feições.

“Você tem um isqueiro? Não fumo faz uma semana.”

Checo meus bolsos vazios.

“Desculpe.”

Ele se senta do meu lado. Os cachos curtos grudados em sua testa. Sinto sua respiração quente contra a minha bochecha.

“Cadê os outros caras que estavam com você na outra noite?”

“Exame de rotina.”

“E você não vai?”

“Ainda não.”

“Sou Blaine.” Ele estende a mão para apertar a minha, faço o mesmo.

Soltei uma risadinha. Isso já estava bem obvio para nos dois.

“Então você é o Blaine.” Encaro seus olhos e não sei se são esverdeados ou avela. Essa duvida parece idiota mas dependendo da luz eles realmente tinham essas cores.

“E você seria?”

“Kurt.”

“Já é um Warbler?”

“Ainda não.”

“Ahh.” Ele parece entender o que quero dizer. Nos dois olhamos para a jaula de canários em cima da mesa das enfermeiras.

“E já escolheu qual vai despenar?” São apenas três canários na Jaula, todos amarelos e brilhantes. Seus bicos laranjas bicam as sementes do chão da Jaula.

“Não quero despenar nenhum pássaro.”

“Você chegou aqui quando?”

“Dia 23 do mês passado.”

Ele assobia de surpresa.

“Qual bloco?”

“B, por enquanto. Ainda não recebi meu diagnostico.”

“Bloco B é um bom sinal. Mesmo que o Jeff tenha ido para lá primeiro.” Sua resposta me preocupa.

“Você e do bloco B também?”

“Ainda não se decidem se me deixam no C ou D. Mas também cheguei aqui no bloco B”

Isso não é um bom sinal.

“Não tem mesmo um isqueiro?”

“Não.”

“Talvez eu possa te ajudar a matar o canário.” Ele tira um cigarro do bolso e põe na boca. Sem nada para acendê-lo.

“Você esta dividindo quarto comigo e o Wes.”

“É melhor você ter pego a cama do lado da parede. A outra é minha.”

“Wes me avisou.” Ele sorriu.

“Gostei de você.”

“Wes me avisou disso também.” Sorrio junto com ele. Mal percebera que essa fora a primeira vez que sorri genuinamente na Dalton.

“Wes só mente para os caras que trancam ele aqui. Nunca para os outros pacientes, a não ser quando fica nervoso. Acho que ele quer ficar aqui de proposito.”

“Não sei por que alguém iria querer ficar aqui.”

“Não é assim tão ruim.”

“Você fugiu.” Rebato, em brincadeira.

“Eu sempre fujo. Preciso respirar ar puro às vezes.”

Entendo o que ele quer dizer. No fundo da minha garganta tenho vontade de concordar com ele, e lhe dizer quanto sinto falta do ar livre. O cheio que vem do refeitório parece carne queimada.

“E o que aconteceu com seu rosto?”

“Caí.”

“Que aventureiro.”

“Não brigo com desabrigados. So em caso de querer levar uma facada ou algo assim.”

“Boa sorte, então.”

Nos dois estamos sorrindo. Não sei se isso é algo positivo para Blaine ou se ele esta sorrindo pra me avisar que vai me degolar a noite. Tenho a impressao que é algo positivo pelo jeito em que seus olhos brilham.

“Kurt Hummel.” A enfermeira me chama no fim do corredor.

“Até depois. Kurt.” Ele tira a mão do meu ombro quando levanto.

“Até depois, Blaine.”