Kurt, Interrompido

24 Coisas que Jamais Disse.


Notas iniciais
Oiii

Ser dopado por remédios e calmantes de emergência é o ultimo que me lembro antes de apagar. Não estou na sala acolchoada, mas meus pulsos estão amarrados na cama, machuca tanto e acho que não vai sair a marca em um bom tempo. Mas só consigo pensar em uma coisa.

Finn morreu. Meu irmão, morto. Eu já fantasiei com varias mortes de conhecidos (Mais um processo de aceitar a morte) mas nunca chegou a este ponto de me sentir preenchido com essa tristeza profunda. Imaginar que Finn esta morto não é a mesma coisa que saber, de fato, que nunca mais vou vê-lo. Quando a guerra acabar, ele não vera. Não escutara a próxima musica dos Beatles ou fumara maconha em protestos, ele esta morto.

Eu fui pra cima da Dra.Sylvester, não sei se alcancei a dizer ou fazer algo mas espero que o estrago tenha sido profundo. Ela é uma completa psicopata, esperava a hora de me pegar desprevenido para dizer aquilo. Eu posso ter xingado a Becky Jackson mas eu sou doente, qual é a desculpa dela?

Ah sim, ela é humana. Isto é, eu acho que é, se não estiver enganado o fato dela ser humana já é a grande desculpa pra ser uma filha da-

“Kurt Hummel.” Obrigado, enfermeira. Finalmente vão me desatar.

Não consigo sincronizar bem meus passos quando sigo a enfermeira. Seria mais fácil se me deixassem amarrado o resto da vida, pra mim e pra todo mundo.

A sala de visitas não esta vazia. Umas poucas pessoas estão sentadas ao redor de uma mesa oval no canto. O boné do meu pai me guia entre as mesas ate vê-lo sentado, encarando as próprias mãos.

“Kurt.” Ele diz assim que me sento a sua frente. Não digo nada.

“Tive medo de não poder voltar a te ver.” Ele parece mais devastado do que parecia ao inicio. “Você quase me matou de medo, Kurt.” Ah não, ele vai chorar.

Eu quase te matei de medo?” Meu pai não entende. “Fiquei amarrado numa cama por aquela vadia me dizer tamanha mentira por vingança.”

“Que mentira?”

“Me disseram que o Finn estava morto, acredita?” Ele não tem cara de quem acredita. “Quer dizer, é ridículo! Ate mesmo pra eles isso esta passando dos limiti-“

“Kurt.” Meu pai vai chorar, ai Deus, meu pai vai chorar. “Kurt.” Ah não, ele ta chorando.

“Que foi?!”

“O Finn, Kurt, o Finn esta morto.”

K&B

É constituída por duas âmbulas transparentes que se comunicam entre si por um pequeno orifício que deixa passar uma quantidade determinada de areia de uma para a outra — o tempo decorrido a passar de uma âmbula para a outra corresponde, em princípio, sempre ao mesmo período de tempo.

Estou falando sobre uma ampulheta. Aquele troco com o qual não marcam mais o tempo. Tem um bem na frente da minha cama, na qual estou amarrado. Ela tem um tamanho médio, e os grãozinhos de areia vão caindo e caindo. Assim como eu.

Sempre caindo, infinitamente. Ate me voltarem de lado e então cair mais.

Engraçado como lembranças se acumulam, assim como a maldita areia, são tão ligadas com o tempo, são tão parecidas comigo. Formado por um conjunto de lembranças e tempo.

Sou um total insano.

Ainda não soube nada de Blaine, mas vou me lembrando de poucos e poucos. Talvez tenha uma hora onde eu paro de agir por mim mesmo, sei lá.

Então eu estava em Nova Iorque com Blaine, estávamos juntos e estava tudo bem. Ate que não estava mais.

Talvez porque Blaine não era o único que precisava de medicamentos pra se conter. Estava tudo tão fora do controle e quando dei por mim era eu surtando pra cima de Blaine no meio da rua. Mas com uma razão.

Eu me lembro de estar com o casaco de Blaine. Estava muito frio e ele o colocou em mim, estávamos de mãos dadas ate que a fumaça se tornou espessa demais. Wes e Nick não paravam de se chapar na frente do hotel e Sebastian sumia com garotos inocentes pela noite, não tinha ideia de onde estava Hunter ou Austin.

Juntava as minhas mãos e as soprava para tentar esquenta-las. A respiração quente condensava no ar antes mesmo de chegar a ter algum contato. Frio é desesperador, chega ate os seus ossos e você treme mais e mais. Tive a fantástica ideia de botar as mãos nos bolsos, e então surtei.

Porque reconheci esse corpinho morto e sem calor que enterramos na Dalton. No bolso de Blaine. Perguntei porque ele tinha mentido, ele não entendeu. Gritei ao ar com todo o ar dos meus pulmões, e ele apenas chorou. Não sei se bati em alguém mas um guarda nos prendeu, e depois me sedaram e derrubaram feito um cavalo.

E sei lá, as coisas foram dolorosas depois daquilo, ate os dias de hoje tenho aflição em contar.

Me lembrar do que aconteceu mais cedo com o meu pai e mais difícil, mentir pra mim mesmo e dizer que estava tudo bem, que Finn não tinha morrido. Tiveram que me sedar novamente e agora não sei o que vou fazer.

Ainda quero o Blaine. Ele mentiu mas não paro de ama-lo, e ainda quero tira-lo daqui. Quer ver se Wes esta bem, quero me despedir de Sebastian. Não pude me despedir de Finn, eu precisava dizer algumas coisas, coisas importantes que nunca disse ou demonstrei. As vezes eu esperava fazer ele perceber

A ampulheta na minha frente já completou uma hora. Uma montanha de areia na qual eu sufoco na vida real, tossindo descontroladamente e garganta em carne viva de tanto engolir areia. Tento alcançar Finn e impedir que afunde, engasgo mais ainda.

Se eu pudesse dizer uma única coisa, o que seria? Que tipo de Adeus eu posso dar? Sempre pensei que seria ele me vendo morrer e ficando triste, fico devastado.

Não sei o que farei no mundo lá fora sem o Finn. Eu não tenho mais um irmão mais velho, não tenho irmão nenhum. Precisava disso e o destruí.

Eu pediria desculpas, por ser cretino, e doido. Daria todos os parabéns para ele e Rachel e sequestraria algum bebe pra entregar ao Finn. Ele seria um pai maravilhoso.

Os raios de sol da aurora não passam da janela mas identifico as suas cores. Fortes, alegres, vivas. Uma leve mistura que refresca a mente de qualquer um que se perca em seu encanto por alguns segundos, queria que fossem anos.

Sinto tanto a falta de Finn.

Lagrimas correm pelo meu rosto dolorosamente, não quero fazer barulho mas é maior do que eu posso controlar.

Os raios ofuscam fortes e concentrados na janela, uma brecha vem direto ate o meu rosto e o esquenta. Eu rio e digo,

“Oi, Finn.”

Notas finais
Vou chorei. A morte de Finn e Cory ja ja faz um ano, UM ANO. E o pior e continuar sendo tao doloroso. Me sinto sufocada por areia quando penso em salvar sua vida, mas ja é tarde demais. Ok ok parei com o draminha, so digo que sinto tanto a falta dele e dar um final a ele aqui na fic n e facil tbm, ai ai... Espero que tenham gostado mesmo assim.