Acordo com o odor repugnante em minhas narinas. Primeiro penso que é o fedor do cadáver de Pavarotti, mas o enterramos já faz uma semana.

Blaine esta acomodado do meu lado, me levanto sem querer acorda-lo.

E então que eu grito.

Não poderia nunca, nunca descrever de fato o que eu vi, me pegou realmente de surpresa.

As paredes manchadas, Jeff batendo a cabeça no concreto, unhas deixando sangue por onde arranham.

“Jeff! O que aconteceu?”

Ele não se vira pra mim, ele continua se inclinando de frente pra trás na parede. Blaine acorda e leva o mesmo susto que eu.

“Blaine, vem aqui ver.”

Olho mais de perto a cor escura nas paredes, e então Blaine exclama, indignado.

“Isso é bosta! O Jeff manchou as paredes com a prop-“

Saio correndo, arrastando Blaine comigo, chegamos ate a sala das enfermeiras, desesperados.

“O Jeff surtou!” Gritamos. Os Warblers correm com a gente ate o quarto, seguidos por enfermeiras.

Eles tiram Jeff dai. Precisamos ficar na sala de televisão o dia inteiro para desinfetarem e limparem o nosso dormitório.

“O Jeff, quem diria? Meu Deus.” Blaine tenta me acalmar, massageia minhas costas.

“Wes, acho que não é o momento pra falar disso.” A voz de Blaine treme, esta tao assustado quanto eu.

“Isso foi nojento, convenhamos.” Hunter fala sem se importar com mais nada.

“Devíamos ir visitar ele.” Diz David.

“Hoje, não. Ele ainda deve estar surtado, esperemos ate ele acalmar.”

“Ele vai ficar no bloco A agora?” Nick confirma.

Jeff ficando em uma das salas acolchoadas, me sinto mais seguro.

“Eu sei que isso foi um trauma e tudo, mas ele não faria nada pra vocês. Ele é um artista!” Diz David.

“Pintar parede com bosta não é algo artístico.” Diz Hunter “Admirável, talvez.”

Tampo os ouvidos.

Quando entramos novamente no quarto, já é de noite. O cheiro de desinfetante é muito mais agradável do que achava antes.

Vamos ser nos dois no quarto, já que Jeff vai ficar morando no quarto acolchoado.

Decidimos aproveitar. Pegamos as duas camas e juntamos, tem espaço o suficiente para nos dois. Mesmo assim, nos encolhemos um no outro, totalmente confortáveis. Nos arriscamos para a nossa primeira guerra de travesseiros, plumas enchendo o quarto, pular na cama, namorar debaixo das cobertas.

Podia ser assim a minha vida inteira.

Não nos deixam entrar no Bloco A pra visitar Jeff, mesmo que eu ainda não me sinta completamente preparado.

O choque ainda é motivo de assunto entre os Warblers, não somos os mesmos desde que ele foi embora. Acreditamos que não podemos ser.

Ligo para fazer as pazes com Finn, Rachel vem para me mostrar seu vestido de noiva, os Warblers a enchem de elogios. Ela gosta de vir aqui.

Já não me incomodo tanto com as visitas dela.

Estou ansioso para o casamento, apresentar Blaine como o meu namorado oficial. Não sabemos falar de outra coisa.

Também tem o Jeff.

A enfermeira nos avisa que podemos ir visita-lo no próximo dia, que ele vai estar pronto pra nos receber.

“Não sei o que direi a ele.”

“Não sei o que ele vai nos dizer.”

“Talvez ele jogue fezes em nos.”

“Isso não tem graça, Hunter.”

“Fezes não são pra terem graça.” Rebate ele.

No próximo dia, depois do café, nos arrumamos para ir. O bloco A não é tao diferente dos outros blocos, tem mais enfermeiros, não há telefones ou sala de televisão, apenas salas acolchoadas uma após a outra.

“Viemos ver Jeff.”

A enfermeira nos olha por baixo dos óculos.

“De que bloco vocês são?”

“B, C e D” Falamos todos ao mesmo tempo

“Calma ai. Um por vez.”

Ela anota nossos nomes e nos deixa passar com um crachá, somos guiados ate o fim do corredor, vemos todo tipo de estranheza nos outros quartos. Tem apenas uma janelinha pequena que nos deixa ver através deles.

Chegamos ao quarto de Jeff.

Sebastian batuca na porta “Tem alguém ai?”

Passam alguns segundos, pela janelinha, vemos Jeff encolhido em um dos cantos do quarto, nu.

“Ele esta sem roupa.” Diz Wes.

“Que nojo! Ele tem coco nas mãos!”

Começamos a nos alvoroçar, depois a enfermeira nos manda manter a calma. Jeff se levanta e vem ate nos.

“Oi.” Os olhos dele estão vermelhos, seu rosto machucado, a janelinha só nos deixa ver isso.

“Como você esta?” Pergunta Wes.

“Não sei.”

Todos acentimos.

“Kurt, Blaine. Desculpa pela bagunça que fiz no quarto de vocês.”

“Esta tudo bem.” Diz Blaine, não tenho nada melhor pra dizer.

“Vai ficar ai pra sempre?” Pergunta Sebastian.

Jeff começa a chorar, a enfermeira nos pede pra sair.

“Ficamos esperando dias pra vir e o Sebastian acaba com tudo em minutos.”

“Não bota a culpa em mim, estou com mais do que pressa pra sair deste lugar.”

“Podemos voltar aqui outro dia.”

“Não sei se o Jeff vai melhorar ate lá.”

Quando chegamos a porta, a enfermeira não nos deixa sair.

“Preciso conferir algo antes. Já volto.”

“Volta aqui, vadia! Não pode nos deixar aqui.” Vejo Hunter e Sebastian se desesperarem. De passo, todos ficamos inquietos, precisávamos sair daquele lugar.

“Acha que vão nos deixar aqui para sempre?” pergunta Nick

“Com certeza vão nos fazer dividir cela com o Jeff.”

“Acabaremos pintando as paredes de coco também.”

“Não seja ridículo. Eu posso tirar minhas próprias unhas, mas não encosto em coco.”

“Não importa, uma hora você perde a cabeça aqui, é quase impossível ficar são.”

Jeff passara a vida toda aqui e só agora chegara a surtar. Sinto minhas mãos geladas.

5 minutos depois, a enfermeira volta, entregamos o crachá e voltamos a sala de televisão.

Nos jogamos no sofá.

“Me sinto em casa!”

De fato, não tínhamos nem saído do prédio. Mas também me sentia em casa. Qualquer lugar onde Blaine estivesse, eu me sentiria em casa.

Eu preciso falar isso pra ele algum dia.

“Como foi a visita, meninos?” Uma das enfermeiras nos entrega o medicamento do dia.

“horrível! Não quero mais voltar lá.” Diz Thad.

“É melhor tomar todo esse remédio então.”

Odeio essa enfermeira, odeio como ela nos manipula pra fazermos o que ela queira.

Continuamos lá sentados, sem dizer nada. Quero apagar Jeff da minha memoria, mesmo que ele tenha sido a pessoa mais reservada que conheci, ele agora faz parte de mim.

É assustador.

Na verdade, todos os Warblers passaram a ser parte de mim, e eu a fazer parte deles.

É muito bom pertencer a algum lugar.

Despedimos-nos, vou de mãos dadas com Blaine ate o nosso dormitório, nosso apenas, sem mais ninguém.

“Tomara que demore pra mudarem alguém pra ca.” Blaine diz, eu fecho a porta atrás dele e apago a luz.

“Tenho alguns planos pra você esta noite.” Não enxergamos direito, mas sinto meu nariz encostar em sua bochecha. Não preciso dizer mais nada para ele começar a tirar o meu pijama.

Notas finais
hehehehe ok parei. Klaine :)