Kuromeido ( 黒メイド )

2 O Contrato ( Liselotte )


Notas iniciais
Espero que o capítulo dessa noite o satisfaça, vossa alteza.

Estou fora da cadeia, finalmente. A brisa bate em meus cabelos loiros e o Sol bate em meu rosto. Me sinto livre como o vento.

Cheguei em Londres perto das oito horas da noite, depois de recolher todas as almas que me foram dadas. Faz muito tempo que não ando por essas ruas estreitas e úmidas, mas tudo me parece muito familiar. As mesmas lojas, as mesmas rachaduras no asfalto, e até os mesmos mendigos. E a funerária ainda está lá, não mudou nada. Chego perto da fachada e observo-a por um momento. Crio coragem e empurro a pesada porta.

O interior da funerária está escuro e meus olhos demoram alguns instantes para se acostumar com a falta de luz. Ouço um barulho, como se alguém tivesse aberto um caixão, e em seguida barulhos de passos cada vez mais perto de mim.

- O que deseja? — sussurra uma voz macabra e singular em meu ouvido

- Undertaker! — giro meu braço em direção ao lado de onde vem a voz e acerto algo com força

- Isso doeu... — ele acende uma vela e tudo fica claro, e posso ver os caixões no chão, e o balcão onde Undertaker está sentado.- Ah, Liselotte! Não estava presa?

- Não nos vemos a 15 anos e é isso que tem a me dizer? Bem, hoje é o dia que eu posso sair par recolher almas. Enfim, eu tenho uma coisa pra te pedir.

- Qualquer coisa. — diz ele com um olhar malicioso

- Esse olhar me dá calafrios. Recentemente descobri que existe um jeito de você me tirar da prisão, de maneira aceitável pelo Departamento, claro.

Eu explico lentamente para ele, que esboça um olhar malicioso, que me assusta cada vez mais.

- Um contrato? Que interessante. Eu aceito.

- Sério? E...Eu... Muito obrigado — corro para perto dele e lhe abraço com força, enquanto lágrimas percorrem meu rosto. Ele retribui meu abraço com força, enquanto acaricia meus cabelos.

- Agora você é meu brinquedo — sussurra ele de maneira sinistra. — Meu brinquedo, só meu — suas palavras estão distorcidas e ele começa a me apertar mais forte, me sufocando. — Só meu... — ele me solta e me olha fixamente. Seus olhos estão penetrados em mim, e um sorriso psicótico preenche seu rosto. Não reconheço essa pessoa, ele está diferente.

- U...Undertaker? — gaguejo assustada.

- Não tenha medo, não irei de fazer mal. — ele me puxa de novo para junto de seu peito e volta a acariciar meus cabelos calmamente, quando sinto pingos gelados caindo em mim. Olho para cima e vejo que ele está chorando, e as lágrimas correm rapidamente por seu rosto coberto de cicatrizes.

-Você está bem? — pergunto enquanto ele seca as lágrimas com a manga de sua roupa.

-Estou, não é nada. Vou até o Departamento acertar isso, antes que você tenha que voltar para a prisão. — ele me solta e atravessa o local, até um pequeno armário na extremidade escura.- Eu guardei alguns de seus pertences quando foi presa — ele retira um vestido preto longo que eu costumava usar quando era livre. Vou até ele e percebo que dentro desse armário estão muitos de meus pertences que reconheço de imediato: Vestidos, sapatos, jóias, livros e... — Meu polidor de espadas?! — exclamo surpresa- Por que guardou tudo isso?

- Não queria que perdesse tudo que tinha, então escondi aqui. Para quando voltasse — ele me estende meu velho vestido preto e botas cano alto. — Tome um banho e vista isso. Vem, vou te mostrar onde é — ele abre uma porta nos fundos do cômodo, revelando um extenso corredor, iluminado por velas trêmulas.

Ele me guia lentamente pelo corredor que está decorado com grandes pinturas e desenhos ainda no esboço. Alguns são perfis de pessoas, outros são paisagens ou até natureza morta. Quando vejo o fim do corredor, ele abre uma porta na minha direita, que dá entrada para um grande quarto com uma cama digna da realeza. O cômodo todo é decorado com as cores roxo e preto, minhas favoritas. Sob a cama, grandes almofadas e travesseiros tomam espaço de grande parte da parte de cima da cama. Dois criados mudos se encontram em cada lado, e sob eles, grandes candelabros de ouro armazenam velas apagadas.

- Esse é seu quarto — diz ele entrando no cômodo

- M...Meu quarto? E...Eu vou ter um quarto?

- Claro, só quero o melhor pra você, my lady.- ele me dá um beijo suave na testa — E aqui é o banheiro — diz ele abrindo uma porta na direita da cama — o lugar é bem grande e iluminado por velas em totens da minha altura — Gostou?

- Se gostei? Amei! Era muito mais do que esperava! Eu nunca... — ele me interrompe me dando um beijo de leve. Seus lábios são doces, nunca imaginei isso vindo dele.

- Eu vou indo. Volto em breve. Quando voltar, vamos jantar em algum lugar. — ele bagunça um pouco meu cabelo e sai. Tudo que consigo ouvir são seus passos se afastando cada vez mais. Espero até quando a porta da frente se feche para fazer alguma coisa.