Kuromeido ( 黒メイド )
28 A Última Prisão Grell
Na manhã seguinte, todos nós continuamos o trabalho para acharmos o assassinos daquelas senhoras. Liselotte foi pegar algumas pistas sobre a mudança de local do nosso culpado, com a esperança de encontrarmos ele mais rápido. Ela se separou de nós logo após o almoço, e deve voltar antes de anoitecer. Enquanto esperamos que ela retorne, nós cinco continuamos a analisar algumas pistas importantes do crime, juntando com o perfil psicológico que Liselotte fez.
Quando o sol já está se pondo, ela chega á cabana com vários papéis em mãos. Cada um de nós recebe um, e analisamos a filha lentamente. É o perfil de um garoto, com menos de 30 anos.
— Ele foi o único compatível. Acho que é o nosso culpado – diz ela se debruçando na mesa.
— Então vamos pegá-lo – diz Edward eufórico
— Não tão rápido Dom Quixote. – cortou Will – Precisamos avisar a Sede que o encontramos e...
— Seria mais prudente pegá-lo – interrompe Liselotte – Ele pode fazer mais uma vítima enquanto esperamos uma resposta. E afinal de contas, a Sede não tem a menor participação nisso.
— Ela está certa – diz Undertaker – Onde ele vive?
— Numa pequena fazenda próxima as colinas. Já avisei as forças superiores, eles estão fazendo vigilância aos arredores, para evitar que ele escape. – diz ela esfregando os olhos.
— Então vamos logo! Uma vida está em nossas mãos! – diz Edward animado.
Fomos em disparada para a casa do nosso suspeito. Will não parecia muito convencido, e recusava á cooperar. Mas Edward e Liselotte estava dispostos á prender aquele homem.
Chegando na pequena fazenda, vemos uma pequena casa de madeira quase caindo aos pedaços, com uma luz fraca irradiando. Andamos silenciosamente, com cautela. Liselotte toma a frente,e nos guia calmamente até uma janela que se possa ver o interior da casa. Ela examina por alguns instantes, e depois sussurra para nós:
— Ele está se preparando para a próxima morte. Precisamos pará-lo. Esperaremos até ele sair da casa. Undertaker e eu ficaremos no telhado, vocês se espalhem nas extremidades da casa. Quando eu der o sinal vocês atacam, mas tentem não matá-lo. – diz ela segurando a mão de Undertaker e subindo calmamente até o teto da pequena casa. Eles mal fazem ruído, e acho improvável que ele perceba que algo está errado.
Ficamos de prontidão por poucos minutos, quando ouvimos a porta se abrir. Um homem alto, com cabelos negros e roupas simples saí da casa. Ele carrega em suas mãos uma faca comum, e um frasco de vidro, que presumo ser veneno. Liselotte nos olha por um momento, e faz um sinal para aguardarmos.
Edward hesita um pouco, e suspira baixo. Will está concentrado, e eu olho á cada instante para Liselotte, caso ela dê outro sinal. Ela olha fixamente para mim, e faz um sinal para cercarmos ele, quando os dois saírem dali. Undertaker pula suavemente do telhado, e pousa de frente para o garoto, quando o mesmo tenta recuar, Liselotte pousa atrás dele.
Will o bloqueia pela lateral, e Edward fica a seu lado. Levi fica ao lado de Undertaker e eu me coloco ao lado de Liselotte e me pergunto o que virá á seguir.
— Clarck Steavens! Você está preso por Assassinato. – anuncia Will
— E quem pode provar? – diz ele com um tom de deboche.
— Talvez a faca em sua mão, o frasco de veneno, e a sua recente ida á Londres, que bate com a morte daquelas senhoras. – retruca Undertaker
— Vocês ainda não pode provar nada! – protesta o garoto.
— Clarck, por favor. Se renda logo. Sabemos que você as matou. Mas não foi sua culpa, eu sei disso. você só sente falta de seus pais, não é mesmo? E queria que os outros te entendessem. – diz Liselotte com um olhar acolhedor.
— Eu não preciso da sua misericórdia! – grita ele com lágrimas percorrendo seu rosto.
— Eu sei como você se sente. Sei como é perder alguém importante. Eu também fiz coisas horríveis, por raiva, remorso. Mas você pode recomeçar. Se renda, pelos seus pais. Eu tenho certeza que eles iriam querer isso.
— Você não os conhecia – diz ele com o rosto coberto de lágrimas.
— Mas eu sei que você os amava. E eles te amavam! Eu não quero te matar aqui. Eu não quero que sua vida acabe aqui.
— Eu... Eu os amava – diz ele soltando a faca e o frasco no chão, e se ajoelhando.
— Abaixem as armas – ordena Liselotte. Ela corre até o garoto e retira os objetos de perto dele.
Fico chocado com aquela imagem, ela está conversando com o garoto, como se fosse íntima dele. Está o consolando. Seu olhar está calmo, como se já tivesse feito isso antes. Olho para Levi por um momento, e percebo que seus olhos estão cheios de lágrimas. Todo o resto olha para os dois com olhares confusos.
Ela o ajuda a levantar e o algema. Ele nem ao menos tenta se livrar das algemas. Liselotte o leva calmamente até o fim de sua propriedade. Quando eles estão quase atravessando a cerca, o garoto retira uma faca de seu bolso e finca a lâmina no abdômen de Liselotte, fazendo ela abaixar a cabeça e tossir. Mas quando ele estava prestes a fugir, ela agarra seu pulso com força e o olha de maneira assustadora.
— Achou que iria se sair bem dessa? – diz ela retirando a faca de seu corpo. – Apenas isso não irá me matar.
— Mas o que? V...Você não é humana! – exclama o garoto assustado.
— Isso mesmo pequeno gênio. Sou apenas uma criada e tanto. – diz ela cuspindo sangue no chão. – Agora, se não se importa, você irá apodrecer na cadeia.
O garoto é levado até uma carroça, que vai diretamente para a cidade, onde será julgado e preso. Quando tudo acaba, sentamos na grama, enquanto um médico examina Liselotte. Ele faz um curativo onde a lâmina penetrou, mas sabemos que logo estará cicatrizada. Quando o médico acaba, ela se junta a nós, e ficamos observando as estrelas.
— Como sabia que ele iria tentar te matar? – pergunto.
— Humanos não me enganam. – diz ela – Mas não imaginava que ele iria tentar enfiar uma faca em mim. Me decapitar seria mais prudente.
— Sempre nos surpreendendo – murmura Will
— E aí? Vamos jantar? – diz Liselotte.
Fale com o autor