Kuromeido ( 黒メイド )
9 Reconciliação ( Undertaker )
Notas iniciais
Corro o mais rápido possível para não perder Liselotte de vista. Ela segue calmamente entre as ruas estreitas e úmidas. Desacelero o passo quando chego á poucos metros de distância dela. Sigo-a até o cemitério. Quando chegamos, percebo que ela fica parada na entrada, como se nunca tivesse entrado ali antes. Ela pisa no solo do cemitério e contorna as lápides até chegar no topo de um pequeno morro. No topo, pode-se ver uma grande lápide em forma de um shinigami, que veste uma longa capa preta, e têm uma foice em suas mãos..
Ela pousa um buquê de rosas brancas sob o solo do túmulo e se ajoelha. Ela parece falar com seu falecido irmão, mas estou longe demais para ouvir o que ela diz. Depois de um longo tempo, ela se levanta tira o pó de suas roupas. Mas em vez de simplesmente ir embora, ela fica na ponta dos pés e coloca um anel prateado no dedo anelar da estátua sob a lápide.
Liselotte vira as costas e vai embora. Enquanto a sigo para a entrada, ela se vira rapidamente e diz:
— Por que está me seguindo? – pergunta ela calmamente.
— Eu... Me desculpe. Fiquei com medo de onde poderia ir – digo saindo de trás da árvore que estava me escondendo
— Eu disse que estava vindo no cemitério! Por que não acredita em mim? – diz ela se virando e me encarando profundamente.
— Me desculpe... Depois do que houve na funerária, achei que estaria muito brava comigo, e faria alguma besteira.– digo envergonhado
— Que tipo de besteira poderia fazer? Matar alguém? Oh, desculpe... – diz ela olhando para o chão.
Chego perto dela e a abraço fortemente. Ela não retribui o abraço, mas também não tentou me afastar. Sinto lágrimas pingando na minha roupa e percebo que ela está chorando.
— Meu irmão! Eu... Sinto tanta falta dele... – suas palavras são interrompidas por soluços.
— O que você colocou nos dedos das estátua? – pergunto abraçando-a.
— Meu irmão usava aquele anel. Era o anel de noivado dele. Quando ele morreu, consegui pegar o anel. Foi a única coisa que me restou dele.
Depois de algum tempo, convenço ela a voltar para a loja. Andamos calmamente, e seguro-a em meus braços. Ela ainda está soluçando e as marcas de lágrimas marcam seu rosto.
Chegando na funerária, vejo um bilhete pendurado na porta:
" Undertaker, tive que ir embora antes que vocês retornassem. Espero que possamos nos ver novamente em breve. Ass: Grell ♥ "
Arranco o bilhete da porta rapidamente e entramos. Liselotte vai tomar um banho enquanto organizo alguns papéis na loja. De repente ouço a porta da frente se abrir, e vejo Ciel e Sebastian entrando na loja.
- O Conde Phantomhive te convida para o baile de máscaras que ocorrerá na mansão Phantomhive amanhã. — diz Sebastian
- Hum, o Conde me convidando para um baile? O que está tramando?
— Nada de mais. Quero que Liselotte também vá – diz Ciel
— Quer que ela mate seu mordomo de uma vez? – retruco
— Estou apenas sendo gentil com meu fornecedor de informações. E por favor, contenha sua... sua... – Ciel para por um momento de falar, pois não sabe completar sua frase.
— Minha noiva. – completo.
— Noiva?! – exclama Ciel.
Sebastian me olha com um olhar assustador, como se quisesse arrancá-la de mim. Mas ele não irá conseguir, ela é minha. Finalmente minha.
— Então vamos indo Sebastian! – ordena Ciel.
— Conde, espere. Quero pedir um favor – digo – Gostaria que convidasse Julieta Heavens. ela é melhor amiga de Liselotte, e as duas não se vêem á mais de 16 anos. Tenho certeza que minha noiva se sentiria muito feliz se reencontrasse com a melhor amiga.
— Irei providenciar. Até amanhã. – Sebastian abre a porta para o Conde e os dois vão embora.
Poucos minutos depois dos dois irem embora, Liselotte aparece na loja com os cabelos semi molhados, e com uma túnica preta.
— Você está usando uma das minhas túnicas? – pergunto olhando para ela
— D...Desculpe, não achei nenhum vestido que eu ficasse confortável. Então peguei uma das suas túnicas. você não se importa não é? Se não quiser que eu use, eu tiro... – diz ela envergonhada.
— N...Não, você ficou muito bem nela. Deveria usar mais vezes... Ah! É mesmo! O Conde veio aqui, e nos convidou para um baile de máscaras. Gostaria que fôssemos. Iria agrada-lo – digo segurando suas pequenas mãos.
— E você acha que eu quero agrada-lo?! Acha mesmo?! Eu quero mais que o Conde se foda! – ela diz calmamente. – Oh desculpe... Eu irei, mas não por ele. Por você – ela fica de ponta dos pés e me dá um beijo suave na bochecha.
Eu coro rapidamente. Pode não ser um beijo de verdade, mas é o mais perto que eu já cheguei quanto á contato íntimo. E ainda mais vindo dela. Liselotte me lança um sorriso tímido e senta no balcão da loja.
— Então... Você me perdoou?– pergunto com os dedos ainda sobre onde ela me deu o beijo.
— S...Sim... Talvez. Eu ouvi o que você falou para o Grell. Eu acredito que tudo isso foi apenas um mal entendido. Afinal foi ele que pulou em cima de você....
— Espera...Você ouviu tudo? – digo surpreso
— Tinha algo que você não queria que eu ouvisse? – pergunta ela descendo do balcão.
— N...Não! Não tenho nada á esconder da minha amada noiva. – digo orgulhoso
— Aham, sei –diz ela com um olhar desconfiado.
Depois de alguns minutos conversando, achamos melhor preparar alguma coisa para comermos. Demoramos um pouco para preparar nossa refeição, e quando acabamos, comemos rapidamente. Lavamos a louça calmamente e depois vamos dormir. Quando fecho a porta da passagem para a parte interna da loja ela exclama:
— Ah! Esqueci torneira ligada. Vou desliga-la – ela abre a porta novamente e eu sigo para o quarto dela. Deito na cama, e retito a parte de cima da minha túnica, revelando minha pele até um pouco abaixo no umbigo.
Sento-me na sua cama e espero sua chegada. Quando a porta abre, vejo que Liselotte está paralisada na entrada. Enquanto entra no recinto, vejo que seu passo é lento e ela está tensa da cabeça aos pés. Seu rosto está vermelho e ela evita olhar para mim.
— O que foi querida? – pergunto tentando ver seus olhos
— S...Su...Suas roupas Por que...Por que você...
— Eu achei que como somos noivos agora, poderíamos ficar mais á vontade um com o outro...
— Ah! Fico aliviada.... – diz ela se sentando na cama.
Ela fita minha pele exposta por alguns segundos, quando se aproxima de mim e toca minha cicatriz no pescoço com a ponta dos dedos. Lembro-me do dia em que recebi essas cicatrizes. Foi por ela, foi o que recebi por amá-la ao ponto de querer dar minha vida para que ela saísse ilesa. Ela ainda se sente culpada pelas cicatrizes, mas eu tenho orgulho delas, orgulho de ter salvado ela naquela noite. Seguro suas mãos e levo-as até meu peito.
— Prometa-me uma coisa: – diz ela – Nunca mais se machuque por minha culpa. Eu não irei permitir!
— Não posso te prometer algo assim, se você estiver em perigo, minha primeira reação será me arriscar por você.– digo calmamente.
Fito ela por alguns segundos, quando tomo coragem, beijo seus lábios. Seus lábios são doces, assim como eu imaginava. Quando ela percebe o que acabou de acontecer, coloca as mãos no meu queixo e retribui o beijo. Não interrompemos o contato em momento nenhum, e isso está se tornando cada vez mais, normal parar mim. Parece que já fiz isso um milhão de vezes. Quando consigo tomba-la na cama, subo em cima de seu corpo e ficamos nos beijando por um longo tempo, juntamente com abraços e sons incompreensíveis que escapam de nossos lábios quando procuramos por um pouco de ar.
Quando finalmente separamos nossos lábios, ficamos nos olhando por um longo tempo, como se tivéssemos processando tudo que ocorreu nos últimos minutos. Ela me fita com seus grandes olhos verdes, seu rosto está extremamente corado, e seus lábios estão vermelhos pelo atrito dos meus lábios com os seus.
Saio de cima dela e caio para o lado.
— Boa noite, My Lady – dou um beijo leve em sua testa e vamos dormir.
Fale com o autor