Kuromeido ( 黒メイド )
16 Os Gritos ( Liselotte & Grell )
Notas iniciais
Grell está jogado em cima de mim, enquanto aperta minhas bochechas. Ele é muito forte, e o peso de seu corpo dificulta minha respiração. Me remexo mas não consigo fazer nada. Fico aliviada quando Undertaker retira ele de cima de mim.
— Isso doeu... – digo me levantando lentamente. Me levanto e tiro o pó de minhas roupas. – Por que você pulou em cima de mim?! – grito para Grell.
— Liselotte, você é muito fofa, não agüentei. Mas não se preocupe Undertaker, não vou tirá-la de você. Não me interesso por garotas. – diz Grell se agarrando no braço de Undertaker.
— Que alívio. – digo revirandos os olhos. – Mas o que você quer aqui?
— Vim ver meu funerário favorito! – diz Grell fazendo uma mini dancinha.
— Eu mereço... Vou tomar um banho, ainda estou cheirando á Bonecas Bizarras... – entro no compartimento interno e vou tomar um banho quente.
Parte Narrada por Grell
— Então Ciel, onde está Sebby-chan? – pergunto
— Fazendo seu trabalho. Coisa que você não tem!
— Oh! Então quando alguém for levar sua alma, não serei eu!
— Estou aliviado... – diz Ciel revirando os olhos.
Fico encarando o Conde por alguns segundos. Will me mandou aqui para levar Undertaker e Liselotte até a sede, mas não tenho certeza se consigo fazer isso. Então decido sentar-me e tomar um chá com eles. Não sei se consigo trair a confiança dos dois. Posso sentir ciúmes do Undertaker com a Liselotte ás vezes, mas ela é gente boa, e sei que os dois são felizes juntos. Não posso levá-los até a sede, se o fizer, eles nunca mais irão confiar em mim.
Depois que tomamos chá, Liselotte sai do compartimento interno com um vestido preto de renda que bate até seus joelhos e botas que alcançam sua coxa. Seu cabelo loiro está levemente molhado, e sua pele está avermelhada.
— Você tomou um banho quente demais querida. – diz Undertaker.
— Não é minha culpa se quando tomo banho fico vermelha! E eu não tomei quente demais. Talvez um pouco.... – retruca Liselotte. – Então Conde, o que achou do chá? – pergunta ela chegando mais perto de Ciel.
— Delicioso, não é forte demais, e nem fraco demais. De que marca seria?
— É um chá natural. Feito com folhas frescas. Mesmo que prefira café, não gosto chás industrializados.– diz ela com um sorriso no rosto.
Ela está muito diferente de alguns dias atrás. Está com um sorriso estampado no rosto, e não se incomoda com minha presença. Ela exala um ar calmo, até o Conde está diferente. Liselotte consegue deixar todos á sua volta felizes, menos á ela mesma. Agora sei porque Undertaker se apaixonou por ela. Quando conversei com ele á alguns dias atrás, disse que ela sempre ajudava os outros, e ás vezes até desmarcava encontros para ajudar seu irmão mais novo.
Nem todos do Submundo são pessoas ruins, nós Shinigamis somos considerados seres sanguinários, pois colocamos um ponto final na vida das pessoas. Mas se não o fizermos, a humanidade estará destinada á total decadência. Tudo que fazemos é para que a humanidade evolua.
— Grell, você está bem? – percebo que estava mergulhado demais em meus pensamentos, e Liselotte ficou preocupada.
— Está tudo bem, estou apenas um pouco tonto.
— Você não quer dormir um pouco? Temos uma cama extra. –diz ela retirando os talheres da mesa de chá. – Já está ficando tarde... Conde, e Sebastian? Ele ainda não voltou...
— Ele virá em breve, poderei ficar aqui até ele retornar? – pergunta Ciel friamente.
— É claro, e você Grell? Quer dormir um pouco? Ou tomar um banho?
— N...Não, obrigada. Eu estou bem.
Ela termina de retirar a mesa e lava todos os pratos.
— Quer que eu alimente as Bonecas? – pergunta Liselotte para Undertaker depois de terminar tudo que estava fazendo.
— Se não se importar... – diz Undertaker.
Ela entra novamente no compartimento interno, e nós três ficamos conversando:
— Ela é muito esforçada – diz Ciel girando o anel em seu dedo. – Mais útil que meus empregados.
— Ela faz o que pode. Gosta de deixar as coisas arrumadas. E também gosta de cuidar das bonecas. Ela diz que só precisamos ouvi-las e compreendê-las. Desde que ela começou a cuidar delas, os experimentos têm sido bem mais fáceis. As bonecas estão mais calmas, e não tentam mais fugir.
Somos interrompidos por gritos vindos do compartimento interno. Nós três corremos até lá, os gritos vêm da terceira porta da esquerda. Undertaker abre a porta rapidamente e nos deparamos com um cômodo claro, com cerca de cinco bonecas bizarras presas em jaulas parcialmente grandes elas parecem assustadas e confusas. Mas não vemos Liselotte. Há uma cesta com carne crua e garrafas de água no chão. Jogado perto da cesta, um colar preto com um rubi brilhante. Undertaker pega o colar e se ajoelha no chão. Há marcas de luta e sangue fresco perto de onde estava o colar. No cômodo, existe uma pequena janela que está totalmente estilhaçada. E mais sangue nas partes pontiagudas do vidro.
— Ela foi seqüestrada – murmura Undertaker enquanto lágrimas correm seu rosto.
— Seqüestrada?! Como você sabe? – pergunta Ciel confuso.
— Não teria porque ela deixar isso para trás por vontade própria. Senão iria presa novamente.
— Acha que alguém vai levá-la para a sede? – digo chegando perto da cesta com carne.
— Alguém a seqüestrou para executá-la – diz Undertaker. – E não foi nada cuidadoso. Esse sangue provavelmente é dela.
— Quem poderia ser? – diz Ciel
— Seja quem foi, é bem mais forte que ela. E sabia sobre o compartimento interno.
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