Kuroko no Basket: Sob a Luz e a Sombra
2 Capítulo 1 — A Sombra, a Luz e o Início da Projeção
Notas iniciais
"resumo do episódio"
🌒🌕🌘
A sala de exibição estava tomada por um zumbido constante de conversas, embalado pelo estalo ocasional do saquinho de salgadinho de Murasakibara. Embora já tivessem vivenciado cada vitória e cada derrota da Copa de Inverno, ainda parecia um arranjo bizarro.
Kuroko permanecia sentado em uma poltrona no canto médio da sala, a postura impecável e a expressão impassível. Ao seu lado direito, Kagami estava largado, com os joelhos quase batendo na poltrona da frente. Do outro lado da fileira, Aomine mantinha as mãos atrás da cabeça, o olhar afiado fixado na grande tela preta à frente, enquanto Momoi ao seu lado ajustava o caderno no colo.
— É muito estranho olhar para trás agora, sabia?
Kise quebrou o silêncio, virando-se para o banco de trás com um sorriso largo. — Kurokocchi, você lembra da primeira vez que a gente se viu?
— Sim, Kise-kun. Você tentou pegar meu bento — respondeu Kuroko, sem alterar o tom de voz.
— Ei! Isso é calúnia!
Protestou Kise, dramatizando o peito estufado, até levar um leve tapa no topo da cabeça dado por Kasamatsu.
— Cale a boca, Kise. A tela está acendendo — rosnou o capitão da Kaijo.
A iluminação da sala diminuiu drasticamente. Um reflexo azulado cortou a escuridão quando a imagem começou a se formar.
"A tela acende. Uma narração suave introduz a lenda da Escola Secundária Teiko, um time com mais de cem membros e três títulos consecutivos. Uma equipe lendária conhecida como a "Geração dos Milagres". Contudo, entre os cinco prodígios, havia um sexto homem fantasma... reconhecido por todos eles."
— Ah, o clássico texto introdutório — Takao riu alto, encostando as costas na cadeira de Midorima. — Sempre dramático. "O sexto homem fantasma". Admita, Shin-chan, vocês achavam isso o máximo no ginásio.
— Não diga asneiras, Takao — retrucou Midorima, ajeitando os óculos com a ponta do dedo enfaixado. — Era uma constatação de fatos. A habilidade de Kuroko para direcionar o olhar dos adversários era cientificamente relevante para a nossa ofensiva.
— Você fala como se estivesse apresentando uma tese, Mido-chin — resmungou Murasakibara, mastigando um palito de batata. — O Kuro-chin só era difícil de ver mesmo. A gente vivia pisando nele no corredor.
Kuroko apenas inclinou ligeiramente a cabeça.
— Murasakibara-kun me derrubou três vezes no mesmo dia durante o segundo ano.
— Porque você é pequeno e não tem presença nenhuma! — Aomine interveio, soltando um estalo com a língua, mas com um canto da boca levemente erguido. Ele deu uma olhada de relance para Kuroko. — Sem falar que você quase não comia nada. Era uma sombra até na hora do almoço.
— Mas a sombra era útil, não é, Aomine-kun — pontuou Kuroko, encarando-o de volta por um breve segundo.
Aomine sustentou o olhar por um instante a mais do que o necessário antes de desviar a cabeça para a tela novamente. Ele conhecia aquele Kuroko frágil do ginásio melhor do que qualquer um ali. Sabia exatamente o quanto ele se esforçava para ser notado sem ser visto. Houve um aperto sutil no peito de Aomine ao se lembrar da época em que ainda jogavam juntos com leveza, antes que tudo ruísse.
"A cena muda para o início do ano letivo no Colégio Seirin. Barracas de clubes cobrem o pátio, com veteranos tentando desesperadamente recrutar calouros. Hyuga e Riko estão na mesa do clube de basquete. Riko lamenta que ninguém parece interessado em se matricular no time, quando uma figura alta e intimidadora se aproxima."
— Nossa, olha o Kagami-kun! — exclamou Momoi, apontando para a tela. — Ele parecia assustador nessa época!
— Ele continua assustador — murmura Kise, provocativo.
— Cale a boca! — Kagami cruzou os braços, a cara fechada de vergonha ao se ver na tela com aquele casaco vermelho e o olhar cerrado. — Eu só queria jogar basquete. Todo mundo ficava me encarando como se eu fosse um delinquente.
— É porque você parecia um, Kagami — disse Hyuga, ajustando os óculos com um ar nostálgico na tela e na vida real. — Você simplesmente se sentou na cadeira, puxou a ficha de inscrição e não disse uma palavra educada.
"Na tela, Kagami assina a ficha de inscrição com desdém. Riko percebe a aura impressionante do garoto, seu porte físico vindo dos Estados Unidos e o declara um reforço incrível. Logo em seguida, a câmera mostra a ficha de inscrição de Kuroko Tetsuya na mesma mesa. Riko nota que ele esteve na Teiko, mas não se lembra de ter visto ninguém com aquele nome na mesa."
— Espera aí — disse Takao, inclinando-se para a frente, surpreso. — O Kuroko já estava ali?
— Eu já tinha entregado a ficha — explicou Kuroko calmamente. — A técnica estava ocupada olhando para a estrutura óssea do Kagami-kun.
— Estrutura óssea? Que bizarro — soltou Kagami, franzindo o cenho. — Você estava literalmente do meu lado aquele tempo todo?
— Estava, Kagami-kun. Inclusive, você quase pisou no meu pé quando se levantou.
— Por que você não falou nada, caramba?!
— Eu disse "com licença", mas você estava ocupado encarando o todos com ar de superioridade.
Aomine soltou uma risada baixa e rouca.
— Típico do Kagami. O cara tem dois metros de altura e a percepção de um tijolo.
— O que você disse, Ahomine?! — Kagami se virou na cadeira, já irritado.
— Aomine-san está correto — interveio Akashi, com a voz serena, que fez a sala inteira diminuir o tom de voz instantaneamente. — Taiga sempre confiou demais na sua força física pura. Sua percepção só se desenvolveu quando ele começou a depender do trabalho em equipe. E, especificamente, quando passou a jogar com Tetsuya.
O silêncio reinou por dois segundos. Kuroko olhou para Akashi, fazendo uma pequena reverência com a cabeça em agradecimento. Kagami apenas resmungou algo incompreensível e voltou a olhar para a tela, embora suas orelhas estivessem levemente avermelhadas.
"A cena se move para o primeiro treino do time de basquete da Seirin. Os calouros são instruídos por Riko a tirarem as camisas. Ela usa suas habilidades de observação para analisar a massa muscular e o potencial de cada jogador. Quando chega a vez de Kagami, Riko fica impressionada com os números absurdos do corpo dele. Ela pergunta por Kuroko Tetsuya, mas ninguém o vê."
— Ah, esse momento — riu Izuki. — A Riko quase teve um colapso procurando por você, Kuroko.
— Eu estava logo atrás dela — lembrou Kuroko.
"Na tela, Kuroko cutuca Riko pelas costas e se apresenta com sua voz monótona. Todos na quadra levam um susto monumental. Riko examina o corpo de Kuroko e fica decepcionada: ele é pequeno, magro e não aparenta ter nenhum atributo físico acima da média para um jogador de basquete."
— É, nessa hora eu achei que era uma piada. — Admitiu Koganei. — Tipo, como um cara desse tamanho jogava na Teiko?
— Muita gente pensava assim — comentou Aomine. Seu tom perdeu a zombaria por um instante, tornando-se mais denso. — No ginásio, os calouros sempre achavam que Tetsu era o gerente ou algo assim. Ninguém dava nada por ele até ver o que ele fazia na quadra.
Momoi olhou para Aomine de canto de olho, notando o traço de orgulho misturado à nostalgia na voz dele. Ela sabia o quanto Aomine valorizava o talento de Kuroko no passado — antes que o próprio Aomine decidisse que não precisava mais dos passes.
Kuroko sentiu o peso do comentário de Aomine. Não era a primeira vez que ouvia o ex-parceiro falar sobre aquela época, mas ouvir a validação na voz dele agora, depois de tudo o que enfrentaram na Copa de Inverno, trouxe um calor sutil e reconfortante ao seu peito. Ele olhou para Aomine, mas o camisa 5 da Touou manteve os olhos fixos na tela.
"A cena avança para o final do dia. Kagami está em uma quadra de rua ao ar livre, arremessando sozinho sob o pôr do sol. Ele parece frustrado com o nível do basquete japonês. De repente, ele percebe uma presença ao seu lado. Kuroko está lá, segurando uma bola de basquete."
— Olha só, o primeiro encontro do casal luz e sombra na quadra. — Kise provocou, balançando os ombros de forma dramática. — Tão poético! Kurokocchi, você o seguiu até lá?
— Não segui ninguém, Kise-kun — disse Kuroko, impassível. — Eu moro naquela direção. A quadra fica no meu caminho.
— Sei... no seu caminho — disse Takao. — Admita, Kuroko, você viu aquele cara gigante e pensou: "Achei minha nova vítima".
— Não use a palavra 'vítima', Takao-kun. É inapropriado.
"Na tela, Kagami desafia Kuroko para um jogo um contra um. Kuroko aceita sem hesitação. A sequência mostra Kuroko tentando driblar e arremessar contra Kagami, mas cometendo erros primários, tendo a bola roubada e errando arremessos fáceis. Kagami fica extremamente decepcionado e irritado."
— Meu Deus, Kuroko... — disse Hyuga, cobrindo o rosto com uma das mãos. — Ver isso é doloroso. Você era horrível no x1.
— Eu continuo sendo horrível no x1, Hyuga-senpai — disse Kuroko com extrema honestidade. — Meu basquete não foi feito para jogar sozinho.
— Mas ver na época dava uma raiva do cacete! — exclamou Kagami, apontando para a tela. — Eu achei que o cara da Geração dos Milagres ia me dar um desafio de verdade, e aí ele me lança aquele arremesso torto!
— Você foi bastante indelicado naquela conversa, Kagami-kun — lembrou Kuroko.
— Eu fui sincero! — Kagami rebateu, embora estivesse se encolhendo um pouco na poltrona.
— Mas foi uma avaliação bastante precipitada da sua parte, Kagami Taiga — interveio Midorima, ajeitando os óculos com gravidade. — Avaliar o valor de Kuroko com base em um jogo de um contra um demonstra uma ignorância profunda sobre a natureza do jogo dele.
— Falou o cara que levou um baile do Kuroko na primeira rodada do campeonato — murmurou Kagami.
— Como é que é?! — Midorima se ajeitou na cadeira, indignado.
— Acalmem-se, rapazes — pediu Kasamatsu, suspirando pesado. — Vamos prestar atenção no diálogo.
"Na tela, Kagami diz a Kuroko que ele não tem talento e que deveria desistir do basquete. Kuroko responde serenamente que ama o basquete e que não se importa com quem é forte ou fraco. Ele diz que joga de um jeito diferente. Kagami se afasta, irritado, mas intrigado."
Aomine observou a cena com os braços cruzados sobre o peito. Lembrava-se perfeitamente da primeira vez que Kuroko havia dito algo parecido para ele, nos bastidores da Teiko, quando Kuroko estava prestes a ser rebaixado para o terceiro time. Aquela teimosia silenciosa... era a mesma. Aomine sentiu um aperto sutil no peito. No passado, fora ele quem estendeu a mão para Kuroko e disse que aquele amor pelo basquete valia a pena. Ver Kagami ocupando aquele lugar de questionador — e prestes a se tornar a nova luz — ainda deixava um gosto agridoce em sua boca.
Você não mudou nada, Tetsu, pensou Aomine, encarando o perfil de Kuroko no escuro da sala. Sempre a mesma teimosia.
Kuroko, sentindo o olhar de Aomine, virou o rosto na direção dele. Seus olhos se cruzaram por uma fração de segundo na penumbra. Não havia ressentimento naqueles olhos azuis, apenas uma memória compartilhada. Kuroko sabia o quanto Aomine significou para o seu crescimento. Ele sentia falta daquela conexão simples que tinham antes de o talento de Aomine isolá-lo de todos. A admiração que sentia nunca havia desaparecido completamente; apenas tinha sido soterrada pela dor do afastamento.
"No dia seguinte, a Seirin faz um jogo de treino entre os veteranos e os calouros. Os veteranos dominam facilmente no início graças à experiência e à coordenação. Kagami tenta resolver tudo sozinho, mas fica sobrecarregado pela defesa pressionada de Hyuga e Izuki."
— Vocês estavam levando um passeio — comentou Takao, rindo. — E o Kagami achando que ia carregar o time nas costas sozinho, bem típico de calouro vulgar.
— Cuidado com o que fala, Takao — rosnou Kagami. — A gente virou o jogo.
— Com a ajuda do Kuroko, claro — pontuou Kise. — Olha lá, é agora!
"Na tela, Kuroko finalmente começa a agir. Ele usa sua falta de presença para interceptar os passes dos veteranos e redirecionar a bola instantaneamente. Com toques rápidos e invisíveis, ele começa a alimentar Kagami com passes perfeitos e imprevisíveis. Kagami enterra bola atrás de bola, completamente atônito com a facilidade com que a bola chega às suas mãos."
A energia na sala de exibição mudou. Mesmo já tendo visto aquilo centenas de vezes na prática, ver a origem da dupla Seirin na tela trazia um impacto inevitável.
— Essa sensação... — murmurou Kagami, baixinho, sem se dar conta de que falava alto. — Lembro da primeira vez que recebi um passe dele nesse treino. Parecia que a bola simplesmente surgia do nada na minha mão.
— É a ignição da sombra — disse Akashi, observando atentamente. — Tetsuya encontrou em você uma estrutura física capaz de responder à velocidade dos seus passes. Algo que ele não encontrava desde Daiki.
Kagami piscou, surpreso pela comparação. Ele olhou para Kuroko, que continuava focado na tela.
Na tela, o jogo de treino terminava com a vitória esmagadora dos calouros, liderados pela combinação invisível de Kuroko e pelas enterradas violentas de Kagami.
"Após o treino, a cena corta para uma lanchonete Fast Food. Kagami está sentado em uma mesa, devorando uma montanha impressionante de hambúrgueres. Ele descobre que Kuroko está sentado logo à sua frente, tomando silenciosamente um milkshake de baunilha."
— Como é que alguém consegue comer tanta besteira de uma vez só? — perguntou Midorima, expressando genuíno nojo visual ao olhar para a pilha de hambúrgueres de Kagami. — Isso destrói o equilíbrio nutricional do atleta.
— Deixa o cara comer, Mido-chin — disse Murasakibara, abrindo um pacote de batatas onduladas. — Se ele não comer muito, não fica grande. Embora hambúrguer de lanchonete seja meio ruim... o queijo é fraco.
— O foco não é a comida! — protestou Kise, inclinando-se para a frente. — Olhem a conversa deles!
"Na tela, Kagami pergunta diretamente a Kuroko quão forte era a Geração dos Milagres. Kuroko responde com gravidade que eles eram extraordinários e que, quando se juntassem no ensino médio, estariam em times diferentes e se enfrentariam. Kuroko olha para Kagami e diz a famosa frase: "Eu decidi. Eu sou uma sombra. Mas quanto mais forte for a luz, mais escura fica a sombra. Eu farei de você o número um do Japão."
O silêncio caiu sobre a sala.
Kagami sentiu o rosto esquentar instantaneamente. Ouvir aquela declaração de novo, na frente de todo mundo, era infinitamente mais constrangedor do que ter vivido o momento na lanchonete. Ele puxou a gola da camisa, desconfortável, mas incapaz de esconder um leve sorriso.
— "Eu farei de você o número um do Japão" — Kise imitou a voz monótona de Kuroko de forma exagerada, colocando as mãos no peito. — Ah, Kurokocchi! Que declaração dramática! Por que você nunca disse algo assim pra mim quando estávamos na Teiko?!
— Porque você teria chorado por três dias seguidos, Kise-kun — respondeu Kuroko, sem nem piscar.
A sala explodiu em gargalhadas. Até Kasamatsu e Hyuga deixaram escapar risadinhas.
— Mas falando sério, Tetsu — Aomine falou, com a voz mais baixa, cortando um pouco do tom brincalhão. Ele encarava a tela onde o Kuroko desenhado dizia aquelas palavras. — Você realmente achou que podia pegar qualquer um e transformar no número um?
Kuroko virou ligeiramente o rosto para encarar Aomine.
— Eu não peguei "qualquer um", Aomine-kun. Eu vi em Kagami-kun uma determinação que combinava com a minha. E eu queria provar que o nosso basquete, o basquete baseado em equipe, podia vencer o basquete individualista que vocês tinham adotado.
Aomine engoliu em seco. A resposta de Kuroko foi direta, sem raiva, mas carregada de uma convicção sólida. Aomine lembrou-se do momento em que ele próprio havia deixado de aceitar os passes de Kuroko, dizendo que não precisava mais dele. Ver Kuroko dizer aquilo para Kagami no primeiro episódio trazia de volta a dor daquela rejeição passada. Aomine percebia, agora mais do que nunca, o quanto havia magoado o garoto de cabelos azuis. E perceber que Kagami acolhera essa promessa quando ele próprio a descartara trazia uma pontada incômoda no peito, um sentimento que Aomine se recusava a rotular como ciúme, mas que se parecia perfeitamente com isso.
Do outro lado, Kagami olhou para Kuroko. O garoto menor parecia absolutamente calmo, mas Kagami percebeu um detalhe imperceptível para a maioria: os dedos de Kuroko estavam descansando firmemente sobre os joelhos, apertando o tecido da calça. Era um hábito que ele tinha quando estava emocionado ou reflexivo.
Kagami coçou a nuca, desviando o olhar com um pigarro.
— Bom... a gente conseguiu, não conseguiu? Vencemos a Copa de Inverno. Você cumpriu o que falou, seu idiota.
Kuroko olhou para Kagami. Um brilho muito suave e quase imperceptível surgiu em seus olhos azuis.
— Nós cumprimos, Kagami-kun. Juntos.
Ao ouvir aquele "juntos", Kagami sentiu um estalo estranho no peito. Não era apenas a satisfação de um parceiro de time. Havia algo mais aquecido ali, uma presença constante e reconfortante que Kuroko ocupava na sua rotina diária desde aquele dia na lanchonete. Kagami nunca fora bom em decifrar sentimentos complexos, mas a sensação de ter Kuroko ao seu lado na quadra — e fora dela — começara a se transformar em algo indispensável.
— É... é isso aí — resmungou Kagami, cobrindo a boca com a mão para esconder o rubor que subia pelo pescoço.
"A tela começa a escurecer lentamente enquanto a música de encerramento começa a tocar. A imagem final mostra Kuroko e Kagami caminhando sob as luzes da cidade, a luz e a sombra alinhadas para a jornada que começava."
As luzes da sala de exibição começaram a acender gradativamente, devolvendo o ambiente à sua realidade aconchegante.
— Bom, esse foi o primeiro passo de vocês — disse Takao, espreguiçando-se na cadeira. — Bastante dramático para um começo de ano letivo, tenho que admitir.
— E o próximo episódio já vai mostrar o nosso jogo treino, não é? — perguntou Kise, recuperando a empolgação habitual e apontando para si mesmo. — É a minha estreia! Preparem-se para ver a minha atuação brilhante!
— Você perdeu aquele jogo, Kise — lembrou Kasamatsu friamente, dando um leve empurrão no ombro do ala.
— Kasamatsu-senpai! Não estrague o suspense!
Enquanto os outros começavam a se levantar e a conversar sobre os salgadinhos restantes, Kuroko permaneceu sentado por mais alguns instantes. Ele olhou para a tela agora escura.
Aquela exibição traria à tona muitas memórias do passado — memórias que ele havia tentado enterrar sobre a Teiko e sobre a ruptura com Aomine e os outros. Ele sentiu uma pontada de saudade remota da época em que Aomine sorria sinceramente ao jogar basquete ao seu lado. Mas, ao mesmo tempo, ao sentir a presença alta e barulhenta de Kagami, reclamando com Kise sobre algo fútil, Kuroko sentiu um conforto renovado.
A antiga luz deixara marcas profundas que ele ainda estava aprendendo a curar. A nova luz trouxera-o de volta à vida quando ele achou que não jogaria mais.
Kuroko ainda não sabia nomear a confusão de afetos que crescia no seu peito, mas sabia de uma coisa: olhar para o passado na presença dos dois tornaria tudo extremamente difícil de esconder.
— Kuroko, você vem ou vai ficar aí congelado? — chamou Kagami, estendendo a mão em um gesto impaciente, mas atencioso, para ajudá-lo a se levantar.
Kuroko encarou a mão estendida de Kagami por um segundo, depois olhou para Aomine, que passava pelo corredor da sala e o observava de canto de olho antes de sair pela porta.
— Estou indo, Kagami-kun — disse Kuroko, aceitando a mão do amigo para se levantar.
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